Podem guardar o eco de um gesto ou a posse de um objeto oferecido, mas são heranças vazias: bens que o tempo consome ou mimos que o corpo digere. O que deixei não subiu à mente nem se fez memória; ficou-se pelo estômago e pelo tacto, transformando-se numa imagem virtual que se apaga, sem nunca ter sido real. Uma breve tentativa de ser recordado à data, pois se não havia auto-estima, se nalgum momento nutrissem por mim alguma sensação ou emoção, por mais brevemente e pequena que seja, já valeu a pena.
Se nunca consegui que gostassem de mim, foi por não ter conseguido que Eu conseguisse ser visto como alguém interessante, relevante ou coerente, o que seria impossível por nada ter para ofertar, que tivesse valor ou fosse de louvar.
Se esquecido fui é em primeiro lugar culpa minha por ter uma existência mísera, nula e sem um pingo de resiliência ou qualquer apetência para dar. E assim sem dúvida a escolha pela falta de estima, insegurança e validação criou nos outros a mesma vontade.
Tendo criado um quadro de tristeza e insatisfação que se espalhou para aqueles que poderia ter qualquer emoção ou amizade.
A estória acaba assim, sem nenhuma razão aparente para ser guardada e listada em algum lugar, ou memória a contar, por não ser capaz de fazer algo de consciente e apenas algo que breve se irá extinguir, e em suma foi uma vida sumida, terminada e esquecida ficando apenas registada assim.
E sem pena alguma, é o Fim!

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