João Cruz Oeiras de Portugal adesão a portal.membros@spautores.pt

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24 abril 2008

25 de abril sempre!


Mais um abril, e tantas aguás mil
Uma Revolução passada, e uma evolução adiada.
A democracia alcançada e uma autocracia mundial planeada
Nunca mais o Fascismo?
Contem-me como foi depois...

18 abril 2008

Lei de Murphy


O acordo ortográfico vem aí! O meu dia está arruinado. Ao ler esta notícia, dei cabeçadas no monitor, que por sua vez entrou em curto-circuito, fazendo faltar a electricidade em todo o edifício, os alarmes de incêndio dispararam, todos os funcionários saíram a correr para a rua, alguns atravessaram a estrada, sendo atropelados, houve um choque em cadeia, um carro descontrolado entrou por uma montra, pegando fogo, e alastrando aos prédios vizinhos, os bombeiros não conseguem acudir ninguém por causa dos destroços, as pessoas que passam revoltam-se, gritam por justiça, e invadem as lojas pilhando tudo, a policia intervêm largando gás lacrimogéneo que acidentalmente cai para uma conduta de ar do metro, que não respeita a sinalização ir embatendo noutro, os mortos e feridos jazem por todo o lado, há marchas em direcção à assembleia da republica, o governo é deposto, Alberto João Jardim congratula-se, Lisboa arde, o País desmorona-se, é invadido por hordas de imigrantes de leste, Espanha reage, a Nato Prepara-se, o Putin fica em alerta, a China invade Taipé, Disparam-se ogivas nucleares em todas as direcções! O mundo acaba e Eu vou para casa com uma grande dor de cabeça.

16 abril 2008

Um fim


Avançava junto à linha do comboio.

Em paralelo com os carris.

divagava no horizonte,

Procurava uma luz,

uma locomotiva passou,

ali ficou

numa cruz

A verdadeira faceta de Quim. Um Actor do séc.XXI




No texto anterior falo do Carlos. Mas deveria ter falado no quim,
Um Jovem que tinha tudo mas não sentia nada.
Procurava no álcool nos alucinogénicos e nas performances espontâneas uma fuga.


Historia verídica de quem procura algo que não existe.




Uma busca duma verdade impossível ou inalcansável.




Um homem que queria ultrapassar o Adamastor e nem para Velho do Restelo servia.





Um Dom Quixote a lutar com moinhos de Vento ou numa escala menor e quiçá Moinhos de papel




Vivia numa ideologia pragmática e empírica porém utópica


Cheio de flores na cabeça e a abelhinhas em redor, porém com espinhos e estas ultimas com ferroadas




Que precisava de meditar e todos os dias entrava em comtemplacão.




bom observador MAS EM VÃO




muito analítico e pouco sintético




Uma vida passada numa paisagem onírica e sentida de forma surreal




sentida sem consciência, vivida sem essência




Procurando a simplicidade através dum modus operandi complexo




Perdendo algures o significado e a razão da existência




no meio de formulas e equações desadequadas ou anacrónicas




Complicando para avançar




Tendo motivos para investigar´




e observar tudo até a exaustão




com que intuito? Nenhum, Pura e simplesmente desconstruir




Fazendo um compêndio de filosofia de algibeira




e morrendo sozinho, na ignorância e e profetizando a desgraça




sufocando na fossa do desconhecimento e da auto-humilhação.




Finado. Desligado. Ignorado.








15 abril 2008

Que fazer?

Hoje ao almoço passei mais uma vez por um pedinte que deve ter a minha idade. Fico sempre na dúvida para que quererá o dinheiro. Fiquei a matutar se lhe desse 20 ou 30 cent, o que iria fazer? Iria encher o copo de vinho ou iria encher os estômago? Terei eu culpa da conjuntura económica e serei eu o salvador deste rapaz? Pensei também que com os cêntimos que lhe faltava iria encher as veias do produto que ressacava. Poderei eu terminar com o problema das drogas a nível mundial e com todos os problemas que isso acarreta? Divaguei se essa quantia seria o suficiente para uma dormida no meio de lençois em vez de pernoitar no meio de cartões no mármore de um qualquer lance de escadas? Poderei eu substituir-me à acção social?
Certo é que o meu copo está meio cheio e o dele está vazio.
Tempos havia em que trabalhava numa junta de freguesia, alimentava e vestia um rapaz chamado Carlos. Vivia no Seixal, mas tal como o seu irmão,preferia dormir nas ruas de Lisboa para fugir ao ambiente de violência familiar. Estava entre outros iguais e parecia relativamente feliz entre brincadeiras de putos na Praça da Figueira e os momentos de seriedade em que perseguiam os tóxicos que lhes causavam repulsa. Esperava-me no Cais do Sodré pontual com um relógio, sempre que me via sair do metro em direcção ao comboio. Uma vez não apareceu. Passou-se um tempo.Vi-o noutra ocasião com uma cara chupada, sujo a fazer choradinho e quase a humilhar-se perante as gentes que viajavam no metro. Dei-lhe uma reprimenda, desculpou-se dizendo que assim não tinha fome. Enfim.

13 abril 2008

Sonho de uma tarde primaveril


Era uma vez uma menina, um cabrito e um casebre.

A menina que vivia no casebre, queria ser princesa e passear-se por um principado e que todos a venerassem, gozar do titulo da mais bela do mundo, viver rodeada de servos e nobres que disputassem o seu coração em duelos mortais e que a enchessem de palavras, versos e belas canções. O cabrito queria ser um belo veado, a correr e saltar pelos verdes campos e pela vasta floresta, pastando aqui e ali, refugiando e embrenhando-se na floresta, ser livre e belo, livre de predadores e livrando-se da escravidão humana. O casebre queria ser um belo castelo, de torres altaneiras, de bonitas cores e de arrojada arquitectura.
Os anos passaram, a menina ficou uma frágil e rabujenta idosa faleceu sem ter conhecido ninguém além do cabrito, que foi assado numa época festiva. O casebre foi reconstruído no âmbito da recuperação de velhos edifícios pela Câmara Municipal. Recebeu fundos europeus, e passou a monumento de intereresse nacional e classificado de património pela UNESCO. Passaram séculos e a humanidade desapareceu, o casebre ficou, só e no meio da desolação da paisagem descaracterizada e poluída. Houve um dia que chegou uma Glaciação e todo o monumento se desmonorou. Ficou um lápide recordando o edifício. Da menina e do cabrito nada se soube mais, apenas que viveram e morreram. Consta que não eram mais que a memória e criação da imaginação de um rato que vive ainda nos subterrâneos. O rato prosperou.Chegou a príncipe e por ali reinou...

11 abril 2008

Bom Fim-de-Semana




Afinal o Verão não chegou.



O Homem continua a matar


A passar fome




A escravizar

A torturar
A violar
A Proibir
A Obrigar
A morrer
A nascer e a viver
A sobreviver
e entretanto a vida noutro lado começa a renascer

Espalhando a palavra...(recomendo vivamente) parte 2


Resposta ao blog em que se perguntava quem compraria cães de raça pitbull para lutar


Sabes? acho que gente dessa que usa o cão como extensão do seu Eu, é por falta de auto-estima ou por um ego minúsculo. É como quem compra o jeep Cherokee o lá como se chama ou então o nokia 9900xb. è como se fosse uma continuação do corpo. algo que lhes falta, alguma coisa coisa que precisam de demonstrar. Lavam a alma com cenas externas, delegam em adereços( se é que assim se podem chamar) o seu estatuto. Talvez por frustração. Por complexos. Tal como os putos que comparam o tamanho do dito. Há necessidade de afirmação pessoal. É como os gajos que levam o rádio aos berros no autocarro da Damaia para Algés e no comboio para Carcavelos. Necessidade de se mostrarem incomodando toda a gente com o seu Kuduro. Enrolando a ganza no banco de quatro da carruagem, provando que são "dreads". Pessoal da margem sul que por não ser capaz de socializar com o pessoal da 24 de Julho, pura e simplesmente se junta em bandos de 10 para encher de porrada o bacano que anda na faculdade ou para violar a rapariga que é de cascais e que por ter levado uma mini-saia e um decote está mesmo á espera disso.Em suma, Gente mentecapta e imberbe, povo rude e sem formação, que nunca se deu ao trabalho de ir à escola porque ficava mal no currículo e então os paizinhos puseram-nos a trabalhar mas nunca picava o ponto, trabalhava em paralelo na venda de auto-rádios gamados, e carteiras desviadas na linha verde... Gente boa...gente feliz...gente que vai compor a sociedade do século XXI...A malta Jovem que vai liderar as tendências dos census 2010...A classe operária...Os Novos-ricos

10 abril 2008

Mudam-se as vontades



Os Estados Unidos sempre lutaram em prol da democracia. Nos jogos Olímpicos de 1936 colocou dois negros no pódio contrariando assim a supremacia ariana da Alemanha Nazi.
10 Anos mais tarde os inimigos eram outros, o comunismo e os vermelhos vindos de Leste. 30 Anos depois somos todos amigos, e a ameaça vem na forma do terrorismo e remetida para uma ideologia o Islão.
Mário Machado disse que não era racista e que inclusivamente conhece negros mais inteligentes que brancos no entanto tinham mais propensão para os roubos etc e tal. Estranhamente está ligado ao movimento skin e não há muito tempo, ele e os amigos, punham um cartaz no Marquês desejando boa viagem aos imigrantes.
Quando eu era pequenito e ia passar férias as aldeias, geralmente éramos assaltados pelos "ciganos". Na cidade, quem prevaricava eram os "drogados". Verdade seja dita que na altura havia poucos negros à solta. A intolerância é um defeito genético talvez, e o racismo uma perturbação mental. Será que não temos mais nada que fazer? Ou devemos culpar: O D.Afonso? D.João V? A Dinastia Filipina? O Terramoto de Lisboa? As Guerras Napoleónicas? Os Miguelistas? O Salazar? A guerra colonial? O 25 de Abril? O Sócrates? Ou os "pretos" pelo estado do Pais???

Mudam-se os tempos


No mesmo dia em que um amigo fez anos nasceram gémeos doutro amigo que fica duplamente tio. Desafio o meu sobrinho para um jogo de xadrez, declina. Desafio-o para outro qualquer. "Não! Tu ganhas!". Pois é. Os Avós é que deixam ganhar...Encontrei hoje um saco com um action-man, um sebutteo( não sei como se escreve), os berlindes, fantoches, um relógio digital dos 8o´s que dava para ouvir rádio(am), um yo-yo, e tantas coisas mais. A Nostalgia apanhou-me no meio dum jogo de batalha naval com um amigo. Alturas que nos lembramos que subíamos às árvores e era como se fosse ganhar a um qualquer jogo das playstation. Tocávamos às campanhias com real medo de sermos apanhados. Roubávamos fruta e sentíamos o calafrio da ilegalidade e a excitação do lado errado da moral. Construíamos, com pau de mimosa e um arame, arco e flechas letais! Criávamos os nosso jogos. Inventávamos estórias. Esfolávamos os joelhos. Quem chorava era maricas, e a palavra era prejorativa - Ainda não havia a palavra gay ou então não havia preconceito... Éramos auto-suficientes em tudo. não havia guita mas havia vontade de viver! Só íamos para casa por fome, ou quando o frio apertava. As distâncias eram maiores ir daqui a Viseu era com uma grande epopeia. Significava também 2 meses ou 3 de férias, em cabanas fabricadas, corridas de bicicleta e idas à Feira de São Mateus...
Passam os anos, as décadas, lembramos e recordamos que nos esquecemos como tudo era fácil...

Positronics em Concerto Privado e em exclusivo na Crew Hassan

Gaia e eu

09 abril 2008

Um história em abril


O D. Carlos tinha uma padaria. Produzia pão e massas para todo o feudo. Os recursos da região eram escassos, e uma vez que o povo não tinha meios para cultivar os terrenos D. Carlos apoderou-se deles para a cultura de cereais. D. Carlos arrendava-lhes a terra, animais e charruas em troca do dizimo. Viviam cerca de 10 famílias na região, todas sobreviviam à custa dos míseros salários. Viviam em extrema pobreza e forçados a trabalhar em horários absurdos e desgastantes. Chegou um inverno rigoroso e a produção teve de aumentar, exportava para as outras regiões, vendia inclusive para o clero e realeza. Os trabalhadores já não saiam da zona de produção. Era necessário um esforço de 24 horas por dia! Os salários deixaram de existir, contratou guardas para não os deixar sair. Tinha de enriquecer rápido! Comprar o cavalo mais vistoso! As sedas mais finas! Ofertar à sua princesa as jóias mais belas e os vestidos mais caros! Prosperava! Já se ouvia falar dele nas regiões mais recônditas do reino e até o Rei queria conhecer tal personagem. Vem a primavera e com ela uma melhoria das condições. Dispensou a guarda e deu folga aos seus servos. Fechava-se em casa, o seu palácio, rodeado de todos os luxos e mordomias. Apenas contava os seus ganhos para competir com os outros senhores feudais. Um dia houve em que quis sair de casa para ir cavalgar pelos campos e mostrar a sua ilustre montada e suas lindas roupas importadas. Ao abrir a porta não conseguiu. Encontrava-se encerrado lá dentro, durante a noite todo o povo pregou as portas e janelas, fazendo da sua casa a mais luxuosa prisão do reino. D.Carlos acabou por morrer de fome e na miséria no meio de tanta opulência. Passaram-se anos e foi esquecido. Os locais ocuparam o palácio e os terrenos. A vida voltou ao normal.

07 abril 2008

Parque sociológico


A primeira visita de estudo! Pequenos Pardais, Garças, Texugos, Raposas, Cabrinhas e Javalis não se controlam de tanta excitação! Aproximam-se das cercas com curiosidade. Lá dentro um casal e um filho passeia olhando-os com indiferença, gritam-lhes e pateiam o chão tentando chamar-lhes a atenção! Mas nada..." Na placa lê-se: "Pertencem à famila normalis, normalmente passeiam por zonas livres de poluição e dão à sua cria liberdade para aprender e educam-na com mil cuidados. Espécie em perigo de extinção" Avançam até ao proximo nicho ecológico um pai com duas crianças selvagens. Um letreiro avisa: " Cuidado!Pontapeiam e berram com quem passa! Pai incapaz, dá-se em zonas urbanas, alimenta-se sobretudo em centros comercias e não se encontra em perigo de extinção. Propaga-se rápidamente" Intrigados os bichos querem ver mais especies, e andam curiosos até chegarem ao próximo nicho. Um avô e avó, dois netos e uns pais: "Perigo! Não alimente estes humanos nem o seu ego! Vivem em qualquer zona do globo, especializaram-se em torcer pescoços e capazes de guincharem para chamarem a atenção do seu grupo familiar. Encontram-se em vias de extensão.." Os animaizitos preocupam-se com esta fauna diversificada: " Eles pareciam todos iguais e afinal há diferenças comportamentais enormes!" Conclui um raposinho. Estão quase no final da sua visita, encontram mais um casal, ela observadora, ele esquivo receoso e nervoso: " Atenção! o macho ataca quando se sente perseguido e padece de agorafobia, manter a calma e o silêncio!" Chegam ao fim da visita. Ficam a saber que dentro deste género de ecosistema existem vários comportamentos díspares, e atitudes diferentes de se integrarem no meio e de socialização entre si. Criaturas complexas essas diz uma toupeira! Vá se lá entendê-las diz por ultimo um mocho...

04 abril 2008

"Pior a amêndoa que o cimento"


Local: Repartição Pública
Hora: Meio- dia e tal
Tempo Local: Céu limpo, cerca de 23º

Um senhor utente entra e dirige-se ao elevador. Apanhando o segurança de surpresa que se vê obrigado a fumar fora do edifício. Contudo e habituado a estas situações, larga o cigarro e interpela o homem. Pergunta-lhe o que pretende, para onde quer ir e diz-lhe que tem de pedir autorização. Chega o outro segurança da hora do almoço. O senhor diz-lhe que enviaram uma carta do serviço de inspecção e fiscalização para ir prestar declarações. Um dos seguranças telefona para o serviço respectivo. O homem na casa dos 50, bem vestido e bem apresentado, começa a tremer, revira os olhos, encosta-se à parede e deixa cair a carta. O terceiro segurança ( uma senhora) alertada pelo barulho aparece, dá a cadeira da portaria para o senhor se sentar, pergunta se não quer um copo com água e açucar para se acalmar. Entretanto os funcionários do edifício chegam do almoço e acumulam-se à entrada vendo tal espectáculo. perguntam-lhe porque veio ele. Resposta: "Porque tenho leucemia e um linfoma no pulmão e parkinson e tomo 15 comprimidos por dia".... e Porque não veio a mulher? Resposta: "Porque foi operada à anca e está muito doente" E o Filho? Resposta: " está com uma Grande depressão, só pensa em atirar-se da janela e diz que quer morrer"...
Mais tarde sabe-se que nada daquilo é real a doença é apenas mental, e o problema é só com as instituições públicas e dívidas ao erário público.

Conclusão: Quando se é vigaro, não se tem ninguém e quer-se chamar a atenção, nada como ser doente. Consegue-se fazer parar um serviço público e ter-se à volta cerca de uma dezena de funcionários. Mas será que isso é o suficiente para ficar impune das suas responsabilidades cívicas? Bom...lembremos o Pinochet e o Fujimori...

03 abril 2008

Retorno


Nova viagem com um destino já com sabor a antigo ou como regresso a casa. Em cada uma sempre uma descoberta, um avanço no espaço e uma paragem no tempo. Um entrada num mundo novo, uma conquista, uma rua recordada e da próxima vez reinventada. Uma Ida com a sina da volta. Partida de Santa Apolónia e chegada a Campanhã. Mas antes, e à saída, a procura do lugar, a monotonia do balançar, sempre a aproximar-me porém. Largo Lisboa e o estuário do Tejo, entra-se na Lezíria, e o rio estreita-se, a paisagem alarga-se e estende-se, assim como eu numa tentativa de chegar rapidamente. O cinzento e castanho dá lugar ao azul e verde. Os cavalos na planicie vistos de relance, o cheiro a terra lavrada, o sentir das gentes que ficam agora para trás. Os carris afastam-se no Entroncamento, e eu vou-me aproximando. Em seguida Coimbra, o Mondego, o Penedo e a Saudade, tudo fica enquanto o comboio avança... Um cigarro cá dentro às escondidas, enquanto lá fora o Mar vai engolindo o Sol.
Pára a composição em Aveiro, mas não o coração que acelera. Estica-se as pernas, estendo-me para ti, mas não chego. Passa-se Espinho, e é como se estivesse cravado em mim, o tumulto da chegada. O torpor da aproximação. Pega-se na mala, anda-se para trás e adiante. Ouve-se: "...Gaia" pelo altifalante, que convulsão no corpo, um nome familiar, que ressoa em mim . O rio cruzado, a visão cansada de tanto horizonte, eu maravilhado de mais uma e outra ponte. Um rio por baixo que nos lava a alma, que nos faz sorrir de estar tão perto...de nunca mais querer partir... De repente tudo pára, de súbito a calma. A um metro da trindade, de mão dadas, mais um passeio nos aliados, e olhares trocados. Contigo e com Ferrugem, e já bem oleado, dou-te uma flor nos Congregados, um regresso anunciado, mais uma encontro marcado com um abraço há muito sonhado...

01 abril 2008

Calor



Parece que a Primavera chegou ao sul e com ela o Sol. A vontade de passarinhar e de nada fazer... Dias de dolce fare niente, bebericando uma imperial numa esplanada virada a Poente. Acabar um livro de enfiada. Estar como um lagarto a sentir o sangue a aquecer. O suor a escorrer. Gostar da Brisa fresca a acariciar a face. Mergulhar no mar, adormecer na areia. Conviver e revisitar os amigos, andar sem objectivo, ir para fora cá dentro, ir por aí...

As férias, as festas e festivais!


As praias do Alentejo, a areia branca da praia, a cor dourada da planicie alentejana, o calor serrano e o céu bem azul, as folhas verdes, o vermelho do escaldão, a tez acastanhada, as noites em branco, o laranja do Por-do-Sol, uma palete de cores no solsticio! Quase a chegar os santos, os concertos à borla, as tardes no jardim, o sorriso rasgado, a sardinha assada, e tudo isto ou mesmo mais nada!

Eu e o Isaltino em Algés

Eureka! já sei pôr Fotos! Sou silicio-dependente! e Audiovisual!

1 passeio


De uma Graça sobre rodas apeados num convento,

sem Vicente de fora e um moscatel,

em Alfama num pulo sem gravidade,

um salto magnético e num impulso emocional,

puxados para trás por espectros,
e num ápice um por-do-sol

sinais de luzes,

torres gémeas,

santos designados por Apolónia e Amaro,

sonos trocados

num cabo

numa roca

sonhos cambiados
Um adeus

uma lágrima

e até já!

Saudades dos Santos!

Que mês fantástico que é o Junho!
Festas da Cidade em Lisboa!
Os Feriados!
O Santo António!
O Solsticio
E os dias enormes!
Que saudades!

Problemas imberbes da juventude actual

Questões:


"Why Pink Floyd´s Comfortably Numb playing every fuckin 3 minutes at Lisbon´s subway?"




Possíveis soluções:




porque é subterrâneo


porque é ímpar


mesmo invulgar


único


ordinário sem ser extra


sem megas


duzentos gigas


cenas binárias


coisas concretas


firmes


betão armado sem


paz.
nem tão-pouco debalde.

27 março 2008

Uma Volta e tal


Tanto ainda há por dizer. Palavras que não sairão nunca. Sentimentos que ficarão. Opiniões que se guardam à espera. E no entanto neste blogo de notas encontram-me e perdem-me, diatncio-me ou entendem-me. Disposições diferentes e estados variados. Tristezas e alegrias aqui relatadas. Ideias chanfradas, memórias gravadas, pedaços de vida fragmentados. Estórias, momentos, sensações e outras canções. Uma Volta e tal ao Sol de escrita e tantos circulos desenhados. Um trilho e tantos caminhos. Tantos sentidos e só uma estrada. Vamos andando por ela, cantando e rindo.

25 março 2008

A primavera




Ser tua pertença é finalmente saber ser alguém. Sinto como um corropio emocional ao ver-te do lado de lá da janela do comboio quando chego. Abre-se a porta da carruagem e irrompe de lá o teu sorriso que me acerta em cheio. é uma sensação forte o teu primeiro beijo. é um redemoinho vibrante agarrar-te com saudade. um torpor estonteante ter a tua mão a guiar-me para tua casa. Uma explosão de frescura sensacional ter-te perto. Um calafrio ardente sentir-te. É experimentar uma corrente de ar quente e um sol abrasador ao ouvir-te chamar por mim. é sentir-me completo ao ter-te ao meu lado quando estamos no sofá. é reconfortante saber que existes em mim. Um estímulo indescritível saber-te a conhecer o meu mundo. Uma felicidade suprema ver-te saborear os meus cozinhados com gosto. Uma tempestade aconchegante cantar-te as minhas músicas favoritas. Um frémito incontrolável de emoções ao conseguir fazer-te sentir o que te mostro. Uma tontura suave ver-te feliz. Uma alegria desmesurada ao perceber que sós temos o mundo. é de quase ir à lágrimas ser atingido pelo teu carinho. Mesmo no silêncio aqueces-me com o teu amor. É desesperante ter de partir, e agonizante saber-te agora distante, porém a angústia passa quando recordo os nossos instantes e sinto-te em mim. Longe não tenho o teu cheiro, nem sinto a tua mão, nem vejo a tua face, contudo brilho tanto como o sol pois trago cá dentro o amor e ternura que me ofereceste. Que mais posso dizer? Como consigo melhor descrever? É impossível. Nem mesmo ver para crer. As palavras não passam disso. Calo-me e pressinto-te.

19 março 2008

Arthur C. Clarke


Faleceu um inventor e um cientista e um escritor com 90 anos. Deixa saudades e uma obra impar. Os meus pêsames

18 março 2008

Notícias


Por ano morrem em Portugal e crise financeira parece ser pior do que se pensava inicialmente. Uma mulher de 29 anos foi alvejada ontem. Vómitos, febre, tonturas e corpo a tremer uma hora depois de ter saído do Centro de Saúde. Parte do contingente português integrado e três dos cinco jovens suspeitos da prática de uma série, dizem estar a ser alvo de perseguição por parte de alguns populares. Um ajuste de contas terá estado na origem e é amanhã inaugurada, pelas 16h00 um homem com rabo de cavalo e vários anéis nos dedos. Para quem tem filhos na escola, as férias da Páscoa são sempre um problema, a qualidade da carne proveniente dos centros de abate que Portugal aprovou em finais de Dezembro. A farmacêutica desistiu de construir a unidade de produção de vacinas. Em seis meses quase duplicaram os pedidos para a medição de radiações das antenas. Os alentejanos e os algarvios são os portugueses que demoram mais tempo no banho.

2semi na Fábrica do som

Numa deslocação que fizeram ao Porto os 2semicolcheiasinvertidas, provaram mais uma vez a irreverência do seu estilo peculiar. Com uma energia soberba e uma musicalidade excelente mostraram-se a um público escasso. Porém não se poderia ficar indiferente à força e ao estilo duma banda que merece a nossa atenção. Cinco elementos que se complementam onde juntam os rasgos de imaginação de cada um ao aspecto de improvisação do colectivo. Em cada acorde e em cada tom surpreendem-nos pela positiva, um som descontraído com uma mescla de um poder supremo em canções com um toque de violência auditiva, que nos deixam pregados ao solo e a cantarolar. Sons duma pujança impressionante, com variações incríveis em cada mudança de ritmo e é impossível não bater o pé, ou querer saltar desenfreadamente. Pena foi a pouca divulgação e adesão, dada a qualidade dos mesmos. Espera-se que para a próxima, o público já tenha reparado esteja preparado para quem sobressai desta forma... Em conclusão, 5 estrelas!

14 março 2008

Apeteceu-me


Your head come on is dead and gone it might as well be said so longIt's suds and soda a brain decoder and can I wait for my decoderGet off get up you son of pop the light below is bright on topIt's suds and soda a smile decoder and can I get yeah what I ordered?And there's always something in the air, sometimes, suds & soda mix ok with beerCan I, can I break your sentimentYou're just a monument, can't see no precedentJust wanna shout what the fuckJimmy Dean is Halloween like kerosene for dee dee sceneIt's suds and soda a brain decoder and can I skip this thing I orderedGet off get up you son of pop the light below is bright on topIt's suds and soda a vibe decoder and can I get yeah what I ordered?And there's always something in the air, sometimes, suds & soda mix ok with beerCan I, can I break your sentiment(To me) you're just a monument, can't see no precedentJust wanna shout what the fuckAnd there's always something in the airYour face come on is dead and gone, you might as well be said so longIt's suds and soda a brain decoder and can I wait for my devoterGet off get up you son of pop the light below is bright on topIt's suds and soda a smile decoder and can I skip yeah what I ordered?And can I break your sentiment?So can I break your sentiment, so can I break your sentimentSo can I break your sentiment, so can I break your sentimentSo can I break your sentiment, so can I break your sentimentSo can I break your sentiment, so can I break your sentimentSo can I break your sentiment, so can I break your sentiment Friday, friday, friday, friday,Friday, friday, friday

dEUS - Suds & Soda

13 março 2008

Lindissima ( Para ti)


(M. Doughty)
Janine, I drink you up
Janine, I drink you up
Janine, Janine, I sing
If you were the Baltic Sea and I were a cup, uh huh
Varick Street and I drove South
With my hands on the wheel and your taste in my mouth,
Janine
Jesus to my left, the Holland Tunnel on my right
Angels shine down from the traffic light,
Janine
I fell asleep by the blue light of Live at Five
And as I drifted off, I heard Al Roker say to me:
Dial one nine hundred
Four Jay Ay En Eye En Ee.
Slap myself to waking but now it's too late
Cause I spelled your name out on my licence plate,
Janine

Soul Coughing


Janine

Espalhando a palavra...(recomendo vivamente)

"Buenas tardes,
É só para relembrar que a banda chilena Familea Miranda continua a sua digressão por terras lusas. Esta quinta-feira (dia 13) tocam no Santiago Alquimista em Lisboa (Rua de Santiago, 19).
A acompanhá-los vão estar os Gnu e os dUASSEMICOLCHEIASINVERTIDAS.
Antes, entre e depois dos concertos o Tiago Sousa (Merzbau) vai estar no gira-discos.
A entrada custa 5 eurecos e excepcionalmente as bebidas vão estar mais baratas que o habitual (imperial = 1,5€). As portas abrem às 22h.
No dia seguinte (sexta-feira, dia 14) a Familea vai ao Porto. O concerto vai ser na Fábrica de Som (Avenida Rodrigues de Freitas, 27). A abrir as hostilidades vão mais uma vez estar os dUASSEMICOLCHEIASINVERTIDAS. O barulho começa por volta das 22h30 e a entrada custa 5 euricos.Em anexo seguem os respectivos cartazes. Mais informações em: www.myspace.com/famileamiranda & www.myspace.com/duassemicolcheiasinvertidas & www.myspace.com/gnulx
Aparece e espalha a palavra... abraços"

fim de citação

Reino de Deus


as 11:20 de dia treze de março numa rádio ideológica:

(pequeno excerto com sotaque)

"Filha cê estava mau mas Jesus cura! tem fé!"
havia uma senhora que viu o senhô junto ao rio com são joão batista, um arbusto em fogo e um leão. Todos fazendo uma bruta sardinhada ai! Um peixe era epileptico e o senhor curou, Pegou no peixe e todos comeram, coisa farta mêmo; todo o mundo a provar espalhando a palavra e doença infecciosa, sempre o mesmo peixe? E Aí? TEM MAL? Não! Pois Jesus é o senhô! Cura tudo: O aids, a arteroesclerose, dá o dizimo a mim, trafico a droga, ataco a criancinha, mas tenho o senhor como desculpa! me ajuda muito mêmo. Multiplica o vinho, subdivide o peixe, raciona o petróleo, subtrai o dinheiro, mete no bolso e faz desaparecer! Ilusão, milagre? Sabe-se lá Povão! é o Senhô! Mai nada! Vem a Páscoa e não esqueçam de dá o envelope com a nota para a morada da igreja. Viagem de avião tá doendo! Saravá!"

Sem comentários

Belissimo


tv talkshows shining light from every window
she pulls a dress on and she who cares where she goes and wake up, wake up
here's another day and wake up, wake up
it's time your wide awake and
don't make promises that don't mean anything and wake up,
wake up wake up, wake up
it's light out honestly it's time you're wide awake
go where the party goes
dressed up in shiny clothes
we drink the waterand it tastes like medicine
and wake up, wake up
here's another day and wake up, wake up
it's time your wide awake
and don't make promises that don't mean anything
watch the day go roundand wake up, wake up
watch the sun go down with all the animals
i watch the river run and wake up, wake up wake up, wake up, wake up, wake up
jeannie talks too muchto all the animals i hear a mad dog bark she'll tell you what it said
watch the day go roundand wake up, wake up
watch the sun go down with all the animals
i watch the river run and wake up, wake up
wake up, wake up wake up, wake up

love spit love - wake up

12 março 2008

Bang


sentia cores que não tinham sabor e imagens sem som, vivia no espaço sem a tridimensionalidade. caminhava nas ruas sem tocar a estrada. Vivia à margem contudo andava no centro. Ouvia sensacões sem tocar no ruido. Deslocou-se. Enlouqueceu? Ninguém sabe. Só ele via o que era perceptível. Contudo ao olhar, desfocava-se o horizonte, verticalizava os planos. Numa geometria esquizofrénica mexia-se como ninguém. Observavam-no do além e classificavam-no como género e espécie. Negava e reflectia as cores, sem porém ver mais do que lia. Pensava momentos impossíveis e davam-lhe instantes fotográficos. Revelava filmes a preto e branco ao invés de lhes sentir a coloração. Num dia iluminado escondia-se a escuridão, numa praça ruidosa guardava o silêncio. Cerrados os olhos vinham as tonturas. Aberta a consciência chegavam-lhe as loucuras. Tudo branco mas pouco claro. Tudo fácil mas de consciência inconstante. As leis da física contornáveis, as leis da óptica ridículas, as leis da vida insuportáveis.
Bang!

Um dia


No dia em que o mundo acabar vai haver finalmente paz.
No dia em que a civilização se extinguir vai haver entendimento.
No dia em que as nações desaparecerem haverá harmonia.
No dia em que os povos morrerem a vida florescerá.
No dia em que a produção industrial findar, terminará a poluição.
No dia em que as cidades ruirem, nascerão frutos
No dia em que os carros pararem, aparecerão novos animais
No dia em que os carris enferrugarem, crescerão plantas
No dia em que o Homem desaparecer, finalmente viveremos felizes.

11 março 2008

Universo

Sai do ovo e levanta do ninho,vai para o ar e alimenta,voa e paira , poisa e ganha forma, aumenta de tamanho, cria e transforma, constroi e reforma, orbita e acelera, agrega e cresce, concentra e brilha, explode e forma a vida!

Estórias


Acorda com suores frios ainda a sonhar:" Terão batido à porta?" apressa-se. Começa de madrugada saindo célere pela janela do 4º andar. Houve mais um crime envolvendo tráfico de cefalópodes na zona sul. Apanha a linha e o primeiro comboio. desce aos subterraneos. Investiga junto ao bairro dos artrópodes: " Chegou tarde amigo, já veio a policia de intervenção genética, levaram as provas." Não se deixa ficar, sobe ao bar onde encontra um informador camuflado:" Podes sempre ver junto ao cais, as redes são várias, há mais de 3 grupos a operar nesta área" Fica na mesma mas desconfia...Saí e acende o cachimbo de ópio, precisa de assentar ideias, o sol já vai alto, deambula pelas ruas, gentes aos encontrões perturbam-lhe o discernimento, vai ao cais. As descargas ilegais, e o tráfico às claras. Aponta a fusca a um encarregado ciclope. " que sabes dos octos?" pergunta ameaçando-o. Aponta para o armazém 18. Comunica ao seu parceiro para ir lhe dar apoio, não atende, está com tifo. Encontra-se sozinho, chegou a altura decisiva. Entra subrepticiamente pelo telhado sob a grua de apoio ao porto. Do topo vê a jogada toda. A altura é critica, todo o bando está reunido. Sem avisar dispara em todas a s direcções e desce as escadas metálicas. Lá dentro é o caos, todos se arrastam em fuga. Consegue apanha-los em pleno acto: " vocês são todos umas lesmas!" Mais um caso resolvido. Recolhe-se ao bar, mais dois copos de eter, a lula mete-se com ele e saiem juntos. "isto pode ser o principio de uma grande amizade"...

10 março 2008

Quem somos?


Ao encontramos alguém novo, falamos das semelhanças para encontrar pontos comuns.
Encontrando alguém de há muito tempo, falamos do passado até ao presente.
Estando com alguem presente, fala-se de quê? As semelhanças já foram encontradas, o passado debatido, o futuro quase garantido. Resta conversar dos outros, basta salientar o que está mal, propõe-se novas ideias ou ideais. Convive-se nada dizendo.
E se a alguém novo lhe falássemos de nós? se lhe apontassemos os defeitos de imediato? e se alguém que já não viamos há muito nada dissessemos? O que é hoje em dia o racional? O que é socialmente aceite? Será que perdemos a capacidade de ser sem parecer? Só gostamos da moda que nos incute a sociedade? Somos aversos ao diferente porquê? Porque temos medo do desconhecido? Quanto mais civilizados menos humanos. Quanto mais sabemos menos discernimos. Quanto mais cultos, mais fechados aos outros. Quem somos nós? O que fomos? E em que nos tornaremos?


Aceitam-se apostas

O alienigena


Havia um ser preto e esférico num planeta amarelo. Vivia sozinho entre muitos doutras cores e formatos. Tinha o seu feitio, era preto, mesmo quando estava com azuis. Continuava esférico mesmo quando junto a outros formatos. Vivia dum lado para o outro não se adaptando a nenhum lugar, uma vez que rolava, e nem sequer se afeiçoava a ninguém uma vez que não mudava de cor. Falava com todos, e contava-lhes os seus feitos, rebolava de cor em cor, circulava de formato em formato. Quando subia descia, quando ia ao fundo flutuava. Fartava-se de estar com todos os outros. Decidiu partir. Encontrou um Planeta branco com seres pretos e esféricos. Saltitava de contentamento, não tinha de argumentar, nem tão-pouco de provar nada a ninguém era aceite por si só. Rebolava com eles de cima para baixo, da esquerda para a direita. O dialogo não era necessário, a aceitação um facto consumado. Passou-se um século neste éden. Continuava a fazer o mesmo de sempre. Até ao dia em que não era capaz de comunicar, em que já não rolava, em que já nada via, em que o dia era sempre o mesmo. Ganhou outras cores, perdeu a forma e definhou.

03 março 2008

Narcoléptico - Um lenda de se ver grego




Hipnos vivia num palácio dentro de uma caverna no sul distante, onde o SOl nunca chegava, porque ninguém tinha um galo que o acordasse , nem gaivotas ou ar-condicionados, de modo que Hipnos viveu sempre em tranquilidade, em paz e silêncio.
Do outro lado de todo este lugar peculiar passava um rio, um rio do esquecimento, e nas margens, outras gentes viviam e cresciam junto ao murmuro liso de águas limpidas do rio a dormir. No meio do palácio estava uma cama bonita, cercada pelas cortinas pretas e suaves onde Hipnos descansava em penas macias com num sonho calmo . Seus amigos e familiares velavam para que ninguém o acordasse. Hipnos teve uma infãncia feliz. Hipnos era o deus do sono, da actividade a dormir, mas não dos sonhos em si. Em oposição havia Erís, sua arqui-inimiga, sempre infatigável e portadora duma actividade sobre-humana, tinha como objectivo semear a discórdia, entrava timidamente porém desde logo mostrava os seus intentos. Desceu ao vale onde Hipnos dormia e o atormentou até à eternidade. Deu-lhe a maçã e matou-o, acabou-lhe o silêncio, extinguiu-lhe o sono, desabou o seu mundo onirico, por fim desistiu. Saiu do Olimpo para nunca mais voltar.

(baseado em factos verídicos)

26 fevereiro 2008

Odes duma existência sideral ( remake dum poema no Espaço)


Gaia cria a vida ao simplesmente girar.
Também a destroi se espirrar.
Um volta mais rápida e está tudo no ar.
Uma paragem repentina e vai tudo voar.
Divaga com o sol e entre as outras estrelas,
desloca-se na galáxia e afasta-se do centro do Universo,
mas sem nunca o deixar.
Fazemos cálculos para tentar compreender,
esquemas para nos enquadrar,
tabelas para a saber ler,
e quadros para o demonstrar.

Apesar da ciência, apesar da técnica, sabemos pouco e nem sabemos quem nos vá ensinar. Apenas podemos agarrar-nos firmes e sorrir, estarmos presentes e testemunhar,
e apesar da nossa ganância não podemos ignorar, que em qualquer instante, em qualquer momento, com ou sem a nossa aquiescência, podemos expirar.
Assim é o Big Bang, assim se faz a criação, como num mecanismo automático que não requer a nossa compreensão, perante a nossa existência o tornamos axiomático, mas também, como num pequeno soluço, presenciamos a destruição.

20 fevereiro 2008

A Ilha


Viviam na Ilha. Uma população imensa de gente nobre e educada. Com todos os bens primordiais à civilização. A paz, com pão, em saúde, educação e habitação. Trabalhava-se para o bem comum, sem atritos, nem choques ideológicos. Nada faltava naquela sociedade perfeita. Passavam os dias, os anos, as décadas, e prosperavam. Sem aviso, o nivel das águas começou a subir. Fizeram-se diques, construiram-se canais, organizaram as construções em altura. Houve o dia em que o espaço não chegava, as gentes acotovelavam-se, os bens escasseavam, a estrutura desabava. Chegou a altura de se reunirem e tomarem decisões. Numa grande assembleia juntaram-se os representantes das várias ordens, para deliberar quem deveria abandonar a Ilha, e quem merecia ficar:
" Meus amigos!Em representação da ordem militar proponho que sejamos nós a ficar uma vez que a paz deve ser mantida, e que é só assim seremos felizes."
"Perdão meu caro senhor, eu como representante da ordem do advogados, devo avisar que sem Leis haverá o caos, e a Ilha não terá a razão!"
" Lamento afirmar senhores mas sem os engenheiros a manter as edificações tudo se irá desmoronar"
" Perdoaí-lhes Senhor! Sem a Ordem dos bispos, os fieis ficarão sem pastor, andarão tresmalhados e entraremos em perdição"
" Queiram desculpar, porém sem os médicos, a saúde piorará e todos padecerão de várias maleitas"
" Nós como agricultores queremos protestar, sem as terras para lavrar que iremos comer?"
A discussão prolongou-se ad eternum, até que o mar desceu, as terras secaram, as leis prescreveram, a fé perdeu-se, a doença avançou, a sociedade estagnou. Desaprendeu-se a fala.
Ficaram apenas os filhos das cinzas, e às cavernas se recolheram, fogueiras faziam, saiam para a caça e recolecção entre as ruinas da cidade e num vasto território por explorar. Uma unica tribo sem leis nem ordem. Sem rei nem roque. Felizes para sempre na sua desordem.

E Porque não?


"Porque não,
sentir apenas o acordar
Sentir o cheiro autêntico de uma laranja
Ouvir o autêntico cantar de uma gaivota..."

e porque não?
Porque não estender o braço e tocar as estrelas?
Porque não esticar o pescoço e brincar com as nuvens?
Porque não elevar o nariz e sentir toda a maresia do Oceano?
Porque não olhar para além da curvatura da Terra e seguirmos em frente?
Porque não abrir os braços e abraçar toda a Humanidade?
Porque não sorrir duma ponta a outra do Mundo?
Porque não correr pela praia e sentir a vida a fluir?
Porque não mergulhar, tocar o fundo e saber flutuar?
Porque não sentir o vento frio, abrir as narinas, respirar e a montanha aquecer?
Porque não ficar a ouvir o pássaro, as folhas e o insecto a voar?
Porque não ouvir as pessoas a passar?
Porque não deixar ser e estar?
Porque não?

19 fevereiro 2008

para Ti!


If you are my true friend
Then you'll listen
You see, I've been dreaming again
Looking for something
That's been lost
And these eyes have been a camera
They hold memories clear and fine
I'm turning away And I remember
The way it was to live
Inside a small girl
To cast no shadow on the ground
But there is someone here with me
And he is tying
A red, red ribbon to a tree
Oh my mother
My good friend
I knew you so little then
And my sister
And my two brothers
We can still talk to each other In the dark
So if today Is such a long, lonely time away
Then I'll remember
The sound of snow
And I'll remember
The forest
And I'll remember
The Mountain

Heidi Berry - The mountain

Vitamina C


Num campo havia um poço, e perto deste crescia uma alta e viçosa laranjeira. Nesta havia pendurado um baloiço e nele um menino. O menino viva numa quinta longe dali, e todos os dias vinha brincar perto do poço. Baloiçava enquanto se banqueteava a comer laranjas, cor-de-laranja grandes e sumarentas. Um dia caiu lá dentro e por lá ficou. Tinha saudades do baloiço. Das laranjas não. Caiam frequentemente lá dentro. E assim cresceu e tornou-se homem. A laranjeira nunca parou de dar fruto e alimentava-se dela. Um dia fartou-se e saiu. A laranjeira estava gigante e rasgou as cordas do baloiço que se encontrava gasto no chão pelo uso doutros meninos. O tamanho da laranjeira impressionou-o e subiu até ao mais alto dos ramos. Pelo menos aquele que lhe sustentava o peso. Por lá ficou. Os pardais incautos habituaram-se a ele, e o homem alimentava-se deles. A laranjeira crescia, o homem envelhecia. A laranjeira ficou.O poço também, e o homem morreu.

Sonho


Estando firme aqui neste penhasco, peço que não me acordem deste lindo pesadelo! Agarro-me às palavras com medo que as tirem. O vento circula à minha volta e arrefece-me a face, as folhas voam em circulos, assim como as frases que me aconchegavam, deixam de ser minhas e puxam-nas. As vozes longinquas falam mais de perto, aproximam-se de mim, e falam. Dizem lindas coisas. Contam belas intrigas, circundam e apertam-me. Brasas que se reacendem e me acertam no peito, rasgando-me a carne. As belas conversas rodopiam e elevam-me. Apontam-me e dizem que fui eu. Contam que sou eu. Falam que fiz eu. e Subo, subo mais, chegando aos céus. Condenado e julgado, e o corpo atirado ao circo é brevemente devorado, rapidamente desaparecido. E dizem que fui eu. E Apontam-me dividem os despojos, todos juntos à fogueira. Cantam e dançam.

18 fevereiro 2008

transcendencias

na noite, saiam as estrelas ao nosso encontro, a fuga impossível, uma velocidade que nos transcende! fugiamos pelas ruas escuras do bairro escuro, iluminado pelos archotes apagados, saíamos de casa com os cães cheios de raiva, a dentada poderosa num manto de alguém embriagado, gritavamos com medo, sufocavamos no nosso vómito! A maré puxava para o levante, a mente enviava-nos avante! sem sentido e com direcção perdemo-nos no deserto, levados pelo berbére que nos falava que era perto. a saida estava longe, a entrada era aqui. onde? não sabemos. a areia entrava pelos poros e afogava todos os esforços. Navegavamos em esforço e o troço sem rota, sempre em frente, adiante...

blah


Virgin mary was tired
So tired Tired of listening to gossip
Gossip and complaints
They came from next door
And a bewildered stream of chatter
From all sorts ofAll sorts of
Untidy whores
Came from next door
Came from next door
But some men are chosen from the rest
But their disappointment runs with their guests
Never would be invited to the funeral rosegarden
But their choice dont seem to matter
They got swollen breasts and lips that putter
And their choice of matter and their scream of chatter
Is just a little parasitic scream of whores
Screaming whores
In the rosegarden funeral of sores
Virgin mary was tired
So tired of listening to gossip
Gossip and complaints
In the

In the Rosegarden
Rosegarden funeral of sores


Rosegarden Funeral of Sores - Bauhaus "Press the eject and give me the tape"82

livre


livre! Livre para descer no buraco como alice
descer no país das maravilhas! tocar na sarjeta e subir alto
cavalgar nas estepes num cavalo turco e voar!
Aspirar o pó das pampas, ter como heroína uma das amazonas, carregar-me de tetra-hidro-canabinol e beber o a poção mágica que me inspira!
Livre para carregar a sela com Ketamina e partir!
Livre para em cada selo lamber uma carta!
Livre para selar o destino com lsd como remetente e rir!
Partir e dividir-me em Md
chegar e não parar de consumir-me em etanol
o cérebro em colapso o corpo em explosão sem nunca o sentir!
livre!

palavras

do alto do zigurate todos observam
do alto da torre todos vêem
de cima do observatório comentam
mas alguém interpreta?
será que ninguém descodifica?
haverá outrém que descomplica?
a linguagem um virus que se espalha
a mensagem uma cadeia que encalha
Todos a leem
mas quem é capaz de a sentir?
todos a vêem
será alguém capaz de a resumir?
Será que um dia descerão da torre de babel?
será que algum dia vão crer?
haverá alguém capaz de conseguir?
pelo menos de querer?...

Não ser


Fecho-me e impeço a luz de chegar, esqueço as cores e as imagens que me trespassam a memória apagando de vez todos os instantes e momentos vividos. Tapo os tímpanos e deixo de ouvir, rasgo as notas, os sons, as vozes e os tons constantes da recordação. Ponho as mãos sobre o corpo, inclino-me para trás, deixo de sentir, sentimentos queimados, emoções trituradas, sensações esmagadas. Pára a corrente sanguínea. A respiração inconstante, sem oxigénio. Aguardo a escuridão cardíaca. Deixo de ser. Os pensamentos não surgem, as vontades dissipam-se. Uma vertigem súbita, uma tontura tremenda, atiro-me. Fui.

Ser #2

Nunca saber com estar com alguém. Fabricação de gestos, invenção de estado, actuar por reacções pré-concebidas. Não saber amar ninguém. Realizar desejos, conviver de alma ausente, sentir de corpo inexistente. Socializar com uma máscara de acordo a ocasião, um sorriso trazido e ensaiado, uma catálogo de emoções idealizadas.
Um catavento, um papagaio, um girassol. Estar apenas para ser. Ser somente o que se exige. Passar subrepticiamente, correr o tempo, esperar por nada. Acordar para viver a fábula criada anteriormente, viver a encenação do egoísmo reeinterpretado. Sem objectivos nem tão-pouco almejar nada.Alimentarmo-nos porque surge a fome, agasalharmo-nos para tirar o frio, darmo-nos quando vem o cio. Nada saber, a mente vazia, qual insecto a bater na vidraça, não há mais caminho, secar e definhar no parapeito.

Ser


Como conviver com alguém? As aproximações sempre falsas, meias-verdades, máscaras e sorrisos encobertos com sarcasmo. Nunca ter uma verdadeira relação, antes actuações fora de palco, ensaios em branco, encarnar personagens. Nunca viver realmente, antes seguir o guião, funcionar por imitação, proceeri como a maioria. Nunca sentir realmente, apenas estar presente, reagir de modo pré-condicionado. Não amar realmente, aproximar-me e observar que estimulos são pedidos, funcionar como uma máquina reveladora de desejos.
No fundo uma mal-formação, um defeito de fabrico. Um catavento, um girassol, um papagaio.
Ter principalmente as funções vitais, ter fome e ir à procura de alimento, ter o cio e seguir o chamamento, ter frio e procurar abrigo. Não ter alma e coração artificial. Viver à espera de adormecer. Acordar para poder olhar algo diferente, que nunca vem, nem nunca aparecerá, não estar aqui, fugir, não pertencer, conseguir contornar os obstáculos, as questões, as dúvidas, viver superficialmente, esquivar, contornar, e chegar ao fim sem nada, apenas a mente vazia, sem problemas, nem ideias, nem objectivos. Desejar não ser, e à passagem do tempo, não estar a desejar. Seguir pela linha subrepticiamente, reparam mas não nos vêem, ouvem mas não escutam, e assim passar...A morte à espreita. Não levar nada nem ninguém atrás. Quem fomos? Não interessa...

15 fevereiro 2008

noite branca

Saímos entre a noite
de encontro às estrelas pelo caminho.
Bebemos para além da exaustão
nem é hoje que chego ao ninho
e cansamo-nos do turbilhão
falamos com alguém
sentimos os deja vu e os clichés
alteramos a sensação
dá uma dormência nos pés
vivemos a emoção
gastamo-nos como se fosse a perdição
uma ansia de ir à frente
estoiramos com a nação
com um impeto tremendo
criamos uma canção
estoiramos o acontecimento
parimos um cão
estagna-se a mente
andas pelo barril
a cabeça dormente
mas estás baril
rebenta a bolha
continuas na moda
tiras a máscara
já ninguém olha
sei que o mundo anda à volta do sol mas não faço ideia para onde vai...
conversa que não interessa a ninguém
e este atrofio também

14 fevereiro 2008

para que não restem dúvidas.

"Não existe diferença significativa entre os vocábulos “estória” e “história”, que partilham a mesma etimologia (do grego ‘historía’).
Contudo, “estória” é a grafia antiga de “história” que, entretanto, caiu em desuso no português falado em Portugal.
Por conseguinte, este vocábulo não aparece registado nos mais recentes dicionários de língua portuguesa editados em português de Portugal.
Porém, ainda o podemos encontrar no Michaelis. Moderno Dicionário da Língua Portuguesa, editado em São Paulo (em 2002), com um significado diferente de “história”.
Estória (segundo Michaelis):
1) Narrativa de lendas, contos tradicionais de ficção.
*estória em quadradinhos = série de desenhos, em uma série de quadros, que representam uma estória, com legendas ou sem elas.
**estória da carochinha = conto da carochinha
*** estória do arco da velha = coisas inverosímeis, inacreditáveis.
**** estória para boi dormir = conversa enfadonha, com intuito de enganar.
***** deixar-se de estórias = evitar rodeios, indo logo ao ponto principal.
No que se refere aos dicionários mais recentes editados em Portugal, todas as acepções supra-referidas são parte integrante da entrada “história”.
História
1) Narração ordenada, escrita dos acontecimentos e actividades humanas ocorridas no passado.
2) Ramo da ciência que se ocupa de registar cronologicamente, apreciar e explicar os factos do passado da humanidade em geral, e das diversas nações, países e localidades em particular.
3) O futuro, considerado como juiz das acções humanas (ex: A história o julgará.)
4) Biografia de uma personagem célebre.
5) Exposição de factos, sucessos e particularidades relativas a determinado objecto digno de atenção pública.
6) Narração de uma aventura particular. "

In prontuário ortográfico da língua portuguesa

13 fevereiro 2008

Aborigenes

Foi comovente ver o pedido de desculpas de John Howard. O facto das desculpas terem sido aceites não invalida os actos anteriores, porém é um passo e uma atitude honrada e corajosa. Tomara que os paises colonizadores, fizessem o mesmo; Os Espanhois com os Maias, Incas e Astecas, Nós com os africanos e os ingleses e americanos com o Mundo. Infelizmente em nome da guerra ao terror e em nome da liberdade continuam a invadir paises como fossem os grandes portadores do estandarte da razão e da paz...

12 fevereiro 2008

Atmosphere - Joy Division( só mais esta juro!)


Walk in silence,
Dont walk away, in silence.
See the danger,Always danger,
Endless talking,Life rebuilding,
Dont walk away.
Walk in silence,Dont turn away, in silence.
Your confusion,
My illusion,
Worn like a mask of self-hate,
Confronts and then dies.
Dont walk away.
People like you find it easy,
Naked to see,
Walking on air.
Hunting by the rivers,Through the streets,Every corner abandoned too soon,
Set down with due care.
Dont walk away in silence,Dont walk away.

o video está em www.myspace.com/joaocruz30 assim como anterior. Bem-vindos!

O superman - Laurie Anderson (sempre actual)


O Superman. O judge.
O Mom and Dad.
Mom and Dad.
O Superman. O judge.
O Mom and Dad. Mom and Dad.
Hi. I'm not home right now. But if you want to leave a message, just start talking at the sound of the tone.
Hello? This is your Mother. Are you there? Are you coming home?
Hello? Is anybody home?
Well, you don't know me,but I know you.And I've got a message to give to you.
Here come the planes.
So you better get ready. Ready to go. You can come as you are, but pay as you go.
Pay as you go.
And I said: OK. Who is this really?

And the voice said:
This is the hand, the hand that takes.
This is the hand, the hand that takes.
This is the hand, the hand that takes.
Here come the planes.
They're American planes. Made in America.Smoking or non-smoking?
And the voice said:
Neither snow nor rain nor gloom of night shall stay these couriers from the swift completion of their appointed rounds.
'Cause when love is gone, there's always justice.

And when justive is gone, there's always force.
And when force is gone, there's always Mom.
Hi Mom!
So hold me, Mom, in your long arms.

So hold me,Mom, in your long arms.
In your automatic arms.
Your electronic arms.In your arms.
So hold me, Mom, in your long arms.
Your petrochemical arms.
Your military arms.
In your electronic arms.


Este post tem fins educacionais e medicinais

www.youtube.com/watch?v=CvyIvBW3L9k