João Cruz Oeiras de Portugal adesão a portal.membros@spautores.pt

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02 julho 2008

Algum dia


Paisagens sem sono atravessam-se em mim. Prossigo em direcção a um qualquer sentido. Retorno o caminho nunca trilhado. Deito fora a mente antiga, renovo as sinapses. Troco tudo em segunda mão. Renasço. Parto a casca, à minha volta alimentam-se da placenta, sacudo-me, vivo e hiberno.

01 julho 2008

Ruidos dum Sonho de Roedor

O rato chega-se ao balcão. Embriagado já se vê à varanda. Com Jean Genet fantasia ser um coelho. Corre livre pela pradaria espectral de Stanislaw Lem; transforma-se na Laika e cruza a Ionosfera. A Radiação quase o extermina qual raticida universal e potente. Caí numa chuva de estrelas na cidade. Baila comigo, reagrupa-se e pede mais uma imperial.

Palavras ao vento

O Homem progrediu. Cresceu. Diz Ele que evoluiu!
A Cultura numa corrente ascendente.
A tecnologia ao mais alto nível.
A sua moral e ética eleva-o aos céus.

Livre, anda ao sabor do vento.

Com Ele arrasta a Terra.
Sem Ele ficam os despojos,

Rodopiam, acumulam-se e até dançam!

Quiçá talvez cante com o cisne...


30 junho 2008

Frases soltas. fases Altas



Saltando de visão em observação, vou gravando cada palavra. Vou vendo as faces e retirando expressões. Lendo as mãos e tirando impressões. Escrevo sentimentos e trago emoções. Salto páginas e rasgo maldições. Preencho folhas com novas canções. Armazeno poemas, guardo memórias e bebo ilusões.
Encho-me contigo, construo-me em ti e reorganizo-me por lá. Consumo, trato, meço, calculo, disseco e sintetizo. Baralho tudo e dou de novo. Fico confuso e até tonto, porém dou-te o que possuo e assim aumento, cresço, enriqueço, floresço, brilho, ardo e expludo! Feliz por saber-te, alegre por ter-te, contente por sentir-te. Sou mais, estou melhor e faço tudo.
Subi e aumentei. Dali vi o Mundo, daí vejo-te a ti. Toco o Universo.
Xi!

26 junho 2008

brevemente


Joaninos: O filme

Ode naif ao Verão


As Ondas chegam ao céu.
Os pés largam o chão.
A areia escalda as palmas
O sol esquenta as almas

Os corpos rasgam-se em sorrisos,
as cores sobressaem na luz
coram os rostos
tempos bem dispostos

à Chegada do Verão
nascem fantasias
sofre-se por antecipação
com o aumento dos dias
Criam-se sonhos
ilusões e ideais
tal como novas e belas poesias.

25 junho 2008

tudo!


por cima do arco-iris andei
mudei de direcção
consegui cair. pairar
vi tudo!
O sol vigiava os meus passos
orbitei-o e curvei,
para cima ou para baixo nem sei!
viajava a alta velocidade
pleno de aceleração
pontos brancos passavam
tocava as estrelas
gritava no vácuo
ninguém me ouvia
no centro de tudo
estava só
no meio ou na ponta de tudo,
de tudo o que era ou seria
no meio do pó
brilhava
e transparecia!

24 junho 2008

23 junho 2008

O Pedro e os Lobos


Grita dentro da noite e acorda em sobressalto. Empurrado num sonho recorrente. Torturado em silêncio, sufocado pelas gentes. Pedaços de lã nos lábios dos que se riem. Sangue fresco escorrendo e troçando à roda da fogueira. Adormecem esquecendo a destruição provocada, acordam questionando por quem não fez nada. Cativo num pesadelo permanente...

22 junho 2008

Joaninos





Passam as francesinhas pra lá dos Aliados. Sente-se o Solstício na ribeira no meio dos momentos gravados. Um casamento entre o Sol descente e a Lua vazante. Na Praça em cubo e numa passagem pedonal um instante circular. Uma busca de gente e muitas cabeças no ar. Uma rosa oferecida. Uma ligação social, uma relação consolidada num dia a dormitar. Saída da hibernação numa entrada no Verão. Olhos postos no São João. A expectativa criada desfeita na madrugada. Pôr um sol ardente e nascente, um dia perfeito e já com o Sol a Poente. Festas, feiras, fitas, e fogos! Artificios e artifices, vendedores e versos em pedra, canções em play-back, discussões gravadas, fotos tiradas. Um dia passado, uma noite casada, um trivial jogado, a noiva cansada, um moscatel gelado, um noivo histérico excitado! E tudo, mas tudo para ser vivido e para sempre recordado!

20 junho 2008

Já receberam este mail?




É impressionante a quantidade de fantochada com que nos bombardeiam.

"Acabou o Sonho Europeu!"


E começou com quê?

Com D. Afonso Henriques?
Com D. Manuel I?
Marquês De Pombal?
Com a Dinastis Filipina?
As Invasões Francesas?
As Lutas Liberais?
A Implementação da Republica?
A ditadura?
O 25 de Abril?
A Entrada na CEE?

E quando acabou?...

A Norte saiu a Lua



Sai a morte da rua

18 junho 2008

Atiro-me ou não?


Em 20 anos fui capaz de fazer muita coisa.
Menti,enganei,iludi e omiti. Fui livre de fazer o que me dava na gana! As maiores cruledades e atrocidades passam-nos pela cabeça quando somos jovens imberbes. Só depende da nossa consciência ética e moral. Muitas vezes fui posto à prova e não desiludi...Enfim são alturas da vida de liberdade extrema! Nem são escolhas, são opções. O que faço depende do mundo interior e exterior. Da Vontade, do Desejo, da nossa Moralidade, Ética e aquilo que nos torna humanos. Que no fundo é o mesmo que nos faz animais. Os Instintos. Porém podemos escolher. Será que não devemos? ~
Atiro-me ou não?

Recomendado

partir


Não sei se me faço ao mar, nem sei se na areia me vou deitar! Quero sentir o Sol e para o Sul partir! Ver o azul do mar e o verde achar! Descer com a corrente, subir com o ar ascendente! Subir e crescer e voar, do alto da céu olhar, toda a gente ver e todos abraçar. Rir de nascente a poente. Uma tontura crescente, numa sensação emergente e respirar a brisa duma noite quente. Deitar-me com o piar da coruja, adormecer com o calor resistente e sonhar com o sol presente!

amanhã


Mais um dia que corria lento de janelas fechadas.O corpo inerte assentava no mundo. Relutante em mostrar-se à sociedade permanecia na penumbra. Esquivava-se das populações. Evitava o contacto. Hesitava em tranformar-se, adiava a mutação. O amanhã chegava rápidamente. Inadiável . Esperava contudo a metamorfose . Chegaria decerto num momento qualquer. A água fétida evaporava-se subitamente. Rompeu a pulpa e voou, ganhou altitude e respirou fundo. Cheirou um pantano, e direccionou-se. Alojou-se na carne viva dum herbívero. Alimentou-se e cresceu. À sua volta o cheiro a morte, abandona a carcaça e ocupa outra. Passam vários amanhãs e encontra-se só. Já nada para consumir. Assenta no mundo e espera. Acordará novamente.

16 junho 2008

Interrogação

Como catalogar um blog que tem 200 textos pelos 3 últimos?

Será correcto avaliar o carácter da população mundial por um país apenas?

lembra-me a expressão:

"Cão que ladra não dorme"

máxima


"Não julgues um frase pelo seu sentido, tenta antes dar um caminho ao que leste" - Jong Li

Descrição sumária


De SAnto amaro de Oeiras fomos ter com o Santo António. Com a santa apolónia por começo e de encontro ao santo estevão num rendez-vous com o Cristo no meio da santidade. As sardinhas no pão e o Pato por companhia assim como as respectivas consortes. As cervejas a jorrar, a socialização total, a bandalheira universal, as horas a passar, mesmoo lugar marcava presença, e a Joaninha a pairar, esperar e desesperar. O alcool a acelerar, os disparates a jorrar, as brasas a queimarem, tudo a saltitar, gente a cantar, os Ponkies a bombar em Alfama, sempre a dar! A excitação e o torpor, do falatório sem sentido, as estorias criadas, os vendilhões do templo, os passageiros do tempo, presos neste espaço, lindo e belo como momento.
Uma tradição instantanea, como uma marcha a caminhar, mesmo fora do recinto a dançar , presos pelos corpos que enchiam cada calçada, as vozes falavam mais alto e pisavam a estrada.Foi tudo isto e muito mais! A falta de imaginação a juntar à confusão faz-me calar e dizer mais nada

09 junho 2008

Os santos


Vou pregar a Santo antoninho
e acender uma velinha
para que haja muito vinho!
Que não falte o pão
nem à tua mesa nem na minha!
e que além de alegria e boa companhia
Venha mais uma sardinha!
Vou rogar ao São João
que tenha juizinho
não faça mau tempo
nem me dê co`m martelinho

deuses


Terá sido Deus feito à nossa imagem para termos sempre perdão?
Teremos nós criado as religiões para termos um motivo para a maldade?
Teremos escrito os mandamentos para evitarmos julgamentos?
O sol é criador. Nós criámos um novo "sol"!

05 junho 2008

Recomendado



Teatro do Vestido

Esta leitura é sobre a Zona Autónoma Temporária de Hakim Bey: "A inevitável tendência dos indivíduos se juntarem em grupos para buscarem a liberdade". Criar uma ZAT para atingir um fim – a maximização da liberdade numa sociedade que sufoca – através das armas que temos ao dispôr, armas como o terrorismo poético, o imediatismo, o boicote e a liberdade de acção, expressão e criação.
Esta leitura é sobre nós nesse processo. Somos uma ilha isolada e somos um mar de gente. Somos sós e somos nós.

Autores: Hakim Bey, Henry Miller, John Donne

Com: Gonçalo Alegria, Joana Sapinho, Pedro Caeiro, Rosinda Costa, Sabina Delgado, Tânia Guerreiro

com o apoio do Útero Teatro e Miguel Moreira



agradecimentos: Primeiros Sintomas


contactos: 918388878 / 961854794 Simon Frankel

03 junho 2008

Que evolução?


Somos um sub-produto de um acaso de uma mistura de ingredientes provenientes do cosmos...Num dos braços da espiral duma qualquer galáxia, a poeira química condensa-se e mistura-se.A formação da nossa estrela e dos planetas em órbita. Num deles os elementos pesados mais comuns afundam-se e formam o núcleo. No manto a matéria em ebulição e por cima deste uma crosta que solidifica. Dos gases e elementos químicos existentes surge um caldo primordial onde se juntam as primeiras moléculas,a replicação do ADN, a primeira célula, a fotossíntese... um clima propicio à evolução de organismos mais complexos, a posição bípede, o polegar oponível, a visão binocular, as populações aborígenes escassas e amedontradas no meio de um vasto e desconhecido mundo verde e azul. Segue-se a descoberta do fogo, do bronze, o neolítico, a sedentarização, as primeiras filosofias, as primeiras orações, a deificação da natureza, a adoração do sol, e de todos os elementos. As primeiras civilizações. A Evolução de um ser perfeitamente adaptado, completo e inteligente. Mas então, quando foi que nos tornamos assim?





em caso de dúvida sintonize uma emissão televisiva perto de si

30 maio 2008

Tu


O meu amor está sempre a subir, é sair da atmosfera e não cair!
A paixão quase a rebentar, é encher-me de ti e nunca estoirar!
Tocar-te é enebriante! É segurar-te e viajar a uma velocidade alucinante
Ter-te é preencher-me, é possuir tudo e ser omnisciente
Sentir-te é agigantar-me, é estar omnipresente
Ouvir e ver-te faz-me sentir único, deificado, um ser alado e levar-te!
És única por não ter igual, especial porque inigualável , extraordinária por ser fora do vulgar, fantástica por que é impossível ser mais feliz!

a Ti

Dramática notícia esta que me deste hoje. Se há altura para relativizar tudo é esta! Se é altura para repensar tudoserá esta! Estarei aqui e aí com todo o meu ser, e batalharemos juntos! O momento é mau, mas serão tempos bons!

29 maio 2008

Pessoal e já intransmíssivel


Tempos deslocados, espaços cronometrados. Afinal as surpresas não chegaram, mas as expectativas não foram goradas. Apenas uma nova tomada de posição. O rigor das decisões futuras, a objectividade vs. impulsividade. O medo em oposição à vontade. Tudo virá um dia. Quando? Em breve, mas sem forçar. Sem provocar nada. Sem nada induzir ou artificializar. O futuro está nas mãos, e é moldável!

28 maio 2008

e alegram as crianças em Coimbra!

Djordjileh! Pela publicidade quero cachet!

Os Ponkies ao mais alto nível!


Mares convulsos, ressacas estranhas, abraços viscosos, cheios de pavor...

27 maio 2008

Pausa


Extra extra! Brevemente, novidades.

O que há de bom nestas coisa dos blogs é a beleza de haver um espaço de expressão.


A incerteza da solidão é embaraçosa, embora os espaço funcione como um despejar de ideias é bom haver

a surpresa da interacção.


A riqueza da partilha da informação, traz-nos um novo folêgo, um renascimento, uma ascensão.




No fundo, a alegria da diferente comunicação.

Em breve surgem novas almas, novo sangue e outra conexão...





Grafias da foto


Há tanta palavra numa só imagem.


Pedaços de escrita retratados em fotos.
Momentos guardados na memória digital e mental.






Instantes recordados num clic.



Mil imagens guardadas numa só palavra...



Teatro em drama


Fui ver uma peça de teatro. "O Balcão" de Genet. Não interessa para o caso. No palco os actores, na plateia também. Quais deles dramatizavam mais? Quem criava os cenários, os conceitos? Quem construía, quem dissecava e/ou dissertava? Não sei. Fiquei com a impressão que ninguém ou tudo e todos. N avolta era apenas um ensaio em jeito de farsa, ou um baile de máscaras. Talvez fosse uma farsa ensaiada. A peça era uma, mas todas as que estavam presentes davam um puzzle complexo. Uma teia social emaranhada.
Interessou-me contudo a obra.
Fica aqui a bibliografia
Jean Genet

Filho ilegítimo e abandonado pelos pais, Jean Genet nasceu em Paris a 19 de Dezembro de 1910. Com apenas 10 anos foi acusado de roubo e levado para uma instituição destinada a jovens delinquentes. Apesar de inocente, Genet decidiu, devido à falsa acusação, tornar-se ladrão. Assim, passou grande parte da infância e da juventude em instituições para delinquentes, tendo vindo a desenvolver uma crença própria: endurecer-se contra a dor e repudiar um mundo que não o aceitava. Na década de 1930, Genet viveu em vários países europeus como ladrão, até que, em 1943, depois de ter cumprido uma pena de prisão por roubo, começou a escrever. As suas peças transmitem as suas experiências na prisão, abordando temas como a prostituição, o roubo e a homossexualidade. Enquanto dramaturgo, Genet tornou-se uma voz importante do teatro do absurdo. A sua obra inclui também vários romances e argumentos de filmes.Jean Genet morreu no dia 15 de Abril de 1986.

26 maio 2008

Depois duma ida à Feira...



"Como sabemos, nada angustia mais os editores do que publicar livros numa época em que a "lei de Lem" reina por todo o lado( ninguém lê o que quer que seja; aquele que apesar de tudo lê não percebe nada; e se percebe depressa trata de esquecer). A razão disto é que ninguém tem tempo para ler, porque o mercado está inundado de livros, e porque a publicidade se tornou um instrumentos muito perfeito. A publicidade - essa nova utopia - é actualmente objecto de um verdadeiro culto. Se podemos olhar sem discernimento todas as emissões aterradoras, ou simplesmente aborrecidas que a TV nos propõe( e as sondagens de opinião bem o provam), é porque as sequências publicitárias que passam no intervalo nos dão uma descontracção suficientemente apreciável depois do espectáculo mortificante de todos aqueles políticos disparatados, daqueles cadáveres ensanguentados caídos pelo chão por motivos diferentes, em vários pontos do globo, ou daquelas telenovelas, que nem conseguimos seguir bem, de tal forma são intermináveis( não esquecemos só o que lemos, mas também o que vimos). A Arcádia não subsistiu, portanto, senão no mundo da publicidade. Aí vemos lindas mulheres, uma de cada vez, homens expansivos com ar distinto, crianças felizes e pessoas de idade como os olhos cintilantes de inteligência, geralmente usando óculos. Um prato apresentado numa nova embalagem, uma limonada com aroma natural, um "spray" contra transpiração dos pés, lenços de papel impregnados com essência de violetas(...) A expressão de felicidade intensa que se lê nos olhos ou nos traços dessa encantadora mulher, ocupada a examinar um rolo de papel higiênico ou a abrir um armário como se fosse a caverna de Ali Baba, comunica-se imediatamente a todos os espectadores. Neste fenómeno de empatia esconde-se, talvez, um sentimento de ciúme e até mesmo uma ponta de irritação, porque todos sabemos que não podemos sentir o mesmo entusiasmo ao beber aquela limonada ou ao utilizar aquele papel higiênico; as portas da Arcádia estão-nos fechadas, mas isso não impede que o seu doce fascínio nos toque. Aliás, para mim a coisa era clara desde o inicio; ao desenvolver até à perfeição a "luta pela vida" dos artigos de consumo, a publicidade tinha totalmente de nos subjugar; e se conseguiu fazê-lo, não foi porque a qualidade dos produtos tenha aumentado, mas sim porque a do mundo não fez senão piorar. Depois da morte de Deus,o que é que aconteceu aos sublimes ideais., ao sentido da honra, aos sentimentos desinteressados, nas nossas cidades superpovoadas, inundadas pelas chuvas ácidas? Nada nos resta senão o êxtase das senhoras e dos homens da publicidade gabando os bolos, os pratos e os lubrificantes, como se proclamassem o reino dos céus. No entanto, uma vez que a publicidade afirma com uma eficácia perturbadora a perfeição de tudo quanto se propõe, quando se trata de escolher um livro - não interessa qual - o potencial leitor sente-se seduzido por vinte mil Miss Mundo simultaneamente, e como não pode decidir-se por nenhuma, fica paralisado numa espécie de expectativa amorosa, entorpecido como um imbecil. A advertência vale para tudo o resto. A TV por cabo, capaz de transmitir simultaneamente 40 programas, convence o espectador, impressionado pelo número de canais, de que aquele que ele não sintonizou deve ser melhor do que aquele que está a ver: e assim começa a saltar de canal em canal como uma pulga numa frigideira; isto prova que uma técnica perfeita é altamente frustrante.
Ninguém disse de forma explícita, mas prometeram-nos o mundo inteiro, deram-nos a ideia de que poderíamos, senão possuir tudo, pelo menos ver tudo, tocar tudo... 

"Como arte, a literatura, que não é mais do que um eco do mundo, o seu reflexo e o seu comentário, caiu na mesma armadilha."
Stanislaw Lem - Berlim, 1983

imagem: Pavilhão Rosa Mota
 ou na neo-nomenclatura panfletaria- "Super Bock Arena"(Uau!que charme e classe...)

23 maio 2008

Uma bolha


A bolha de sabão escorregava pelo chão. Uma corrente ascendente e elevou-se muito de repente! Quanto mais se afastava mais a vista se alargava. Tão alto ficou que que toda a Terra mirou. Ao vê-la de tanta distancia sentiu a semelhança. Era frágil, azul, verde mas nada ágil. Parecia-lhe pequena e igual a si, não passava duma bolha distante. Pegou num alfinete e esvaiu-se de repente. Tomou o lugar dela, adoptou o seu nome. Orbitava agora alegremente à volta do Sol.E Ninguém no Universo deu pela diferença.

21 maio 2008

http://dn.sapo.pt/2008/05/21/opiniao/onde_esta_o_lado_certo.html

José Sócrates fuma nos aviões e, acaso, fora deles; Sarkozy é muito dado às pequenas; Gordon Brown rói as unhas; o filho da princesa Ana de Inglaterra casou-se com uma canadiana; Hugo Chávez perdoou a Espanha a grosseria de El-Rei; a actriz Ellen Degeneres anunciou a felicidade que a inunda, pois vai trocar alianças matrimoniais com Portia de Rossi, a companheira de mesa e de leito; Campos e Cunha, economista, professor e antigo ministro, amolga o carácter de Manuela Ferreira Leite, acusando-a de "esfaqueamento" pelas costas; Pedro Santana Lopes qualifica a referida senhora de "deprimente"; Bush revela-se um pouco alarmado com a América Latina, "demasiado vermelha"; o PSD parece um saco de gatos, mas três "cientistas políticos", Marina Costa Lobo, André Freire e António Costa Pinto sossegam o nosso alvoroçado espírito, afiançando ser "normal" a crise naquele partido, o qual não corre "perigo de extinção"; em escassos cinco dias o preço dos combustíveis subiu duas vezes, e o admirável ministro Teixeira dos Santos declama, à posteridade, que "temos de nos habituar"; enfim, o dr. Bagão Félix publicou um livro de contos, O Cacto e a Rosa, por ele próprio definido como "histórias mais ficcionalmente reais do que realmente ficcionadas".Há, em todas estas notícias, um discreto fio que as une e, até, explica: a vacuidade, com a aparência de seriedade, em que se tornaram as sociedades nossas contemporâneas. São os caprichos do momento convertidos, pela imprensa, as rádios e as televisões, nas falsas evidências da razão. E embora saibamos (alguns) que o tempo é mais importante do que aquilo que com ele fazemos, estamos a aceitar o temporário como definitivo, e a não compreender que a vida é um permanente processo de correcção.Vivemos, desde a década de 80, um novo período de sufocação, que se manifesta em vários sectores: desemprego, emigração, esvaziamento ideológico e ausência da política, economia, justiça, cultura, educação. Há, hoje, dificuldade em escolher o que se julga ser o lado certo onde se deve estar. E essa dificuldade serve de pretexto para as mais vis renúncias, e de condescendência para com sórdidas traições.Inculcaram-nos a ideia de que Portugal é inviável e de que somos um povo de madraços. Como já poucos lêem o que deve ser lido, a afirmação fez fé. Mas não corresponde à verdade. Recomendo aos meus dilectos alguns autores antagonistas da absurda tese: Vitorino de Magalhães Godinho, José Mattoso, Luís de Albuquerque, António Borges Coelho e, até, António José Saraiva. Todos interpelam o País, criticam-no porque o amam, e ensinam-nos que o passado altera-se de todas as vezes que o lemos e interrogamos.O lado certo está, creio-o bem, quando recusamos a indiferença e não admitimos a resignação.

Baptista-Bastos escritor e jornalista

20 maio 2008

a fabula do caracol

(aceitam-se sugestões para o mote)

a estorinha premiada ganha uma viagem e estadia completa no mundo dos gastropodes

19 maio 2008


A vida é bonita. Quando mergulhamos no mar e adormecemos na praia. Quando estamos com boa gente. Quando a vida nos embriaga nos leva a flutuar. Estar sentado ao sol a observar. O dia passa, deixa a sua marca na pele queimada. Uma tarde que passou. Um momento para guardar. Mais um. O Tempo passa. Mas não se perde. Fica. Nem que seja na visão de mais uma maré cheia, ou mais um pôr-do-Sol.

palavreados #1 e #2( versão não revista)


#1


"A Verdade não passa de uma mentira disfarçada de verdade como cordeiro sem lã, a ovelha sente-se nua. Sem pão o Homem não cava a terra. A natureza dele confunde-se as ideias, baralham-se os conceitos, distorcem-se as formas e a geometria esvai-se. Vazio vagueou pelo vácuo e plenos de esperança só tememos perdê-la e perdemos o medo. Apesar de ganhar, o custo pode ser elevado. A filosofia que nos faz jogar com os ideais e os princípios morais até se alteram com o acordo ortográfico e um desacordo fotográfico, com rigor biográfico mas quase ilegivél na sua imensidão e complexidade. Tudo no inicio duma frase está em aberto! Fechado! Aberto! Não! Fechado! A loucura prossegue dentro de momentos. A sanidade, essa, exige pouco ou nada exige. Ahhh! Gritas. Oh! Choras! Ih! Ris. De quê? Quem? Eu? Não quero mas tenho de perguntar: Será que se deve questionar? e responder: Entro naquele ciclo vicioso donde só sai quem sabe viver."









#2
"A Mentira é um dos fundamentos da sociedade confrontada por grandes assimetrias sociais constantes inerentes e perenes. Apesar de tudo consegue-se a caducidade, é necessária. A revolução é eterna e o terrorismo a que assistimos não é poética a nível utópico e fatalista num meio onírico. Um tratado feito onde o sonho é distorcido e destroçado porém ainda não despedaçado e uno. Indivisível. Pasmado, fico perplexo. Olho e vejo tudo que não passa a ferro todos os que se atravessam à frente da passadeira. Passam mas não param. escutam e olham, vê-se a luz ao fundo do túnel.E haverá luz? Não será apenas escuridão total? Não! mas sim uma espécie de cegueira que não só lhes tolhia a vista como também a mente! A mente, o coração, a alma, o desespero..E assim vão as glorias do mundo. mas num momento tudo pode mudar! O amor, erros meus má fortuna parafraseando o outro, que apesar de morto não escrevia torto!mas podia salvar. se houver fé. esperança, e perseverança e assim toda a família humana alcança e até uma estrela dança. No horizonte, um rosto reflectido. Esfreguei um olho e de repente o sonho esfumou-se, a casa ruiu e o universo tombou."

Textos com a participação de Tomás (biblico)da Cunha 19/05/08 Subterraneamente de madrugada.

18 maio 2008

Imagens que valem mais do que 1000 palavras para quê...







Parabéns Ricardo! Um dezena deles!


Bem-vinda Joana!

Bom concerto Manos!

Palavras para quê?