João Cruz Oeiras de Portugal adesão a portal.membros@spautores.pt

Nome

Email *

Mensagem *

31 outubro 2008

Para que conste

As histórias, estorinhas, memórias, contos, descontos e demais palavreado deste blogo de notas, é na sua grande maioria saído da minha imaginação ou falta dela. Os retratos descritos, as descrições retratadas, não reflectem o meu estado de humor, a minha identidade, a minha entidade como ser vivente e ou pensante, o meu modus operandi/vivendi.

Há talvez textos que são páginas da minha condição emocional momentânea, ou do meu estado psiquico, mas há quem veja neles, um reflexo de mim, ao estilo de florbela espanca, ou devaneios ao estilo do W.S. Burroughs. Esses são as excepções. A regra, é não haver regra. Qualquer semelhança com a realidade é pura surrealidade.

Estado sentimental: Feliz
Emocional: Contente
Social: Alegre

Saúde: Regular

Colesterol: 181

Diabetes: 73

Pressão sanguinea: 128/68

Pulsações: 73

Local: Saldanha

Temperatura: Ambiente( cerca de 20º)
Pressão atmosférica: humm devem estar um 1o15 milibares


Para mais informações consulte o meu médico ou farmacéutico

29 outubro 2008

Fuligem da memória futura



Sai da Hibernação.


Num tempo indeterminado.


Um local qualquer


e numa memória infinita


Tinha dentro dele as sensações de todos os seres.


Arauto do pensamento universal.


Era transmissor da história da vida, dum catálogo de tudo o que foi e aconteceu, fosse na terra nos mares ou nos céus, desde o primeiro estromatólito ao último primata.
Abriu a porta estanque, mas antes...Inspirou derradeiramente o ar primevo.
saiu.

A rua deserta.


A praça consumida.


A cidade perdida.
As arvores queimadas.


Os montes infectos.
A planície estagnada
A fauna e flora carbonizada.
Caminhava pela estrada de alcatrão derretido, colava-se aos pés em cada passada. A borracha da sola confundia-se com o crude. Descalço pela matéria em ebulição, prosseguia vagarosamente, os ossos pesavam-lhe, a carne cremada junto à pele.
O sol tudo infectava, a intempérie a tudo chegava, o frio gélido tudo assolava. Congela.
Sentou-se fumando o cachimbo de cana entupido com ópio.


Tolhava-se-lhe a visão.


O cinzento da paisagem confundia-se com o acimentar da ilusão.


As alucinações vinham em sequencia e repetidas eternamente.


Voava por cima de tudo, mesmo acima do zénite.
transportava nele os sentimentos e emoções do Mundo.
trazia com ele as recordações dos sorrisos e das cores dos desenhos infantis.

Era o último.


Era único.


A lembrança do passado era vaga e apagada pelo horizonte em decomposição.
Abrandou a velocidade.
Aterrou.
Combustão espontânea.
Apagou-se.
Tudo terminava
.


O vazio.

24 outubro 2008

Ocupado

Veja as diferenças. Repare na indiferença. Anote a referência.

ao23f-45t6y-g7h89-90nm4-rt0jf-34vve

ligue o 705 123 213 (chamada de valor acrescentado 0.75 c + IVA)
por cada 100 chamadas habilite-se!

Completamente bué

Conversa num restaurante:
" e os gajos estão sempre numa daquela merda dos Macdonalds e KfC e cenas assim! Fo**-se, até já mete nojo, por isso não tenho saído muito com eles. Bom, mas que t´apetece comer? Eu ia numa dum bacalhau assado, ou uma carninha grelhada que achas?!" "Por mim é na boa!" (Depois de consultar a lista): "Então são dois hamburguers se fizer favor e duas colas..."(...) " Pois é temos de fazer umas viagens a sitios fixes. Para nao morrermos estupidos. Ao nepal? Aí nao! Eles cheiram mal e nunca tomam banho, ias fazer o que? Andar de lama? Podíamos é tipo ir à inglaterra. É fixe, o pessoal ao menos percebe a lingua, e os gajos sao bacanos, barcelona também é fixe ir ver as cenas do gaudi, aquele jardim, é um espectaculo. E aquelas avenidas, ele tinha uma visao! E ja foi ha bue!"

É a malta jovem...

22 outubro 2008

Incerteza com certeza


Hoje duvidei do que vi. As pessoas no comboio. A cor do céu. O cão que me ladrava. O vento que me tocava. O café que bebia. As horas que batiam. O transito que me rodeava. A temperatura que baixava. O cigarro que fumava. Seria tudo real. Estaria eu vivo? Seria um sonho de um argumentista? A vida resume-se aos sentidos? A nossa essência reduz-se aos pensamentos? Serei um sub-produto da imaginação de alguém? Serei eu o desenhador de tudo o que me envolve, rodeia, preenche e observo neste meu mundo?

Estória de z para b, no interregno do Apontamentes Versão 2


Era uma vez 3 viajantes que percorriam o mundo em buscas de respostas? A quê?! Perguntam vocês e muito bem. A questões fulcrais deste nosso mundo. A Grandes mistérios da humanidade. Uma demanda pela verdade, pelos caminhos que deverão ser percorridos! Pelos meios e fins que nos determinam e classificam como espécie. Verdade esta que será mentira para muitos. Cada um opina. Cada outro Uma realidade que rodeia esta esfera que é maleável, não a esfera mas a verdade, ou as duas. Uma sofre a tectónica outra é distorcida conforme a vontade de quem a vê ou sente, ou apenas é deformada por requinte dum ser petulante ou apenas estúpido. Verdade que não é nada, é uma visão, uma ilusão, uma coisa que ninguém vê, mas adora filosofar sobre isso. DEmasiado tempo livre, como na antiga grécia, enfim resultado da revoluçao industrial e agora evolução da mecanização e automatização. Da necessidade de afirmação, de integração, de participação...Seja na humanidade, na comunidade, ou no seio familiar. Verdade que é demonstrada quando o "chefe" de família bate na mulher. Ou se entristece quando o Benfica perde, e se embebeda, ou o filho mais velho dá na prata porque a mãe morreu. Apesar da mãe ter morrido durante o parte. São momentos desta nova sociedade, o climax desta nossa civilização! Pura, límpida, perfeita e eficaz. Que potencia os recursos, que aproveita os excessos, que transforma os excedentes e os distribui de maneira justa e com ética social. Mas voltando à história, o s3 viajantes queriam conhecer o mundo, em busca das tais repostas, calcorrearam a terra durante décadas, esforçaram-se por falar com as diferentes ideologias, as diversificadas religiões, as díspares classe sociais. Classificaram e catalogaram tudo e todos. Pesaram e mediram bem as opiniões e razões de qualquer ser, desde o mais pequeno ao mais influente. No final sentiram-se satisfeitos pois compilaram o mundo, conseguiram obter respostas ás questões mais prementes, soluções para os problemas mais exigentes. Por fim descansaram, reflectiram e decidiram acabar com o Mundo. Tudo resolvido. Um sossego. Uma verdade, um fim...

Sabem que mais?


Hoje acordei dentro dum frasco. Estava certo que tinha adormecido noutro lado. Uma amnésia impedia-me de olhar para trás. Via o futuro. Via-me embalado. Via-me enroscado qual lâmpada. Senti-me selado. Constatei-me enviado por mail. Emitido via satélite. Reflectido num espelho. Pendurado numa parede. Afinal estava morto. Inanimado. Estático. Preso num fundo preto. Não estava como uma estrela a salvo dum qualquer pensamento num planeta. O que via era o futuro como um carril. Mas não se prolongava para o infinito mas sim torcia-se e perdia-se em si. Numa espiral colorida. Afinal era mais que isso. Era um dia. Um instante talvez. Era eu. Mas quem. O fio parte-se e caio. O fim aproxima-se. Um sol nasce. Sou o criador e invento. Estou ciente, sou um doutor mais que paciente. Espero, a minha vez. Salto, sonho e dou uma cambalhota num espaço amplo, silencioso e vazio. Toca a campainha. Desligo-me e sigo um um ideal numa recta sou um ponto transladado e uma linha.

20 outubro 2008

2semi em Lisboa e Porto




este Ultimo Em lisboa no Lounge pelas 23 horas de dia 25/10

Ps: Porque sim

As perguntas anteriores eram direccionadas.

17 outubro 2008

Porquê?

Porque será que quando estamos no Inverno desejamos o Verão?
Porque será que quando estamos quase no Natal esperamos que a época passe rápido?
Porque será que quando estamos atrasados perdemos sempre o transporte?
Porque será que quando estamos desapaixonados dizemos mal do sexo oposto? e das relações?
Porque será que é quando não temos dinheiro que jogamos no euromilhões?
Porque será que dizemos mal dos governos mas votamos sempre neles?
Porque será que é quando acendemos o cigarro que chega o comboio, autocarro, táxi, etc?



porque será que quando nada questiono é que me lembro de colocar este post?

Estas e outras respostas, nos vossos comentários, na revista Lux e Prof. Bambo

Formatação


"haverá um tempo em que nos vamos recordar que fomos humanos"
Kayam Sonedra

O Bicho, o micro-ondas e a vontade de cismar


A principio não via nada, estava escuro, a chuva caia a potes, a estrada escorregadia. Encostou na berma. As palavras não saiam e demoravam a passar-lhe pela cabeça. Não que tivesse dificuldades de dicção, apenas não possuía boca. Saiu e vagueava pela beira rio. Os peixes saltavam e brilhavam à luz fosca da fosforescência natural do dia. Não pescava nada. Os anzóis rombos prendiam-se na calçada. Pesavam-lhe. Demoravam-lhe a caminhada. Descansava à sombra, a árvore tapava-lhe os horizontes verticais. Tremia de frio e de medo. De falhar, de não conseguir. Atirou a primeira pedra, saltou na água até ao infinito, Tentou segui~la com a vista, mas perdeu-se na densa floresta. a humidade era tremenda, cheia de mosquitos e ruídos estranhos. Receava encontrar algo medonho.Trancou-se por dentro da mente. Não conseguia sair mais tarde e chegou atrasado. Já o comboio tinha partido assim como o serviço de chá, tomou apenas um café, seguiu de metro para casa e ligou-se na TVI e passava a novela Filhos do Firmamento, história que conta a passagem de dois irmãos gémeos que separados à nascença vieram a saber mais tarde que eram siameses e sempre estiveram juntos, fez zapping e vegetou.Um dia assim se passou.

16 outubro 2008

Zitu


Encontrei-o no alto de uma rua,

plena e rica

como quando eu divago na lua.

Tão suave como uma brisa quente

e estimulante vinda do mar.
Linda de se ver, que me põe de pernas para o ar.

Um céu tão quente e azul,

como o calor vindo dum oasis no meio do deserto, a sul.
Terna tal qual um gatinho,

um cachorro ou algo que aos meus olhos sinto-a assim.
Bela e cheia de luz e cor, seja em amarelo, azul ou vermelho carmim.

Fogo como o sol que nos aquece e acalenta.
Misteriosa como a noite escura,

mas que alegra até a névoa mais cinzenta.

Preciosa qual rubi, topázio ou esmeralda.

Sem preço, Joia rara, de valor incalculável!
Doce destilando a seiva qual uma floresta,

ou o cheiro selvagem da erva,

e frágil e potente como a abelha sorvendo o nectár e todo o mel.

Palavras estas sem sentido, conversa sem qualquer direcção, fico parvo e tonto... como enrolado por uma vaga do oceano, que me envolve, aperta, consome e me leva com ela.

Não remo contra a maré, vou firme pelo o meu próprio pé!

A minha inspiração, o meu fulgor, o meu coração! E... e fico pasmo, de tanto reflectir esta sensação e qualquer outra emoção.

Descrição esta insuficiente para definir o que tenho,
ou o que sinto e
ou o que passei a ser.

Uma felicidade alcançada, um caminho percorrido, uma ambição almejada, a minha alma mais que amada!

Termino com um suspiro, um grito, uma poesia tola, e esta declaração.

Ilhas


Estreou ontem pelo Teatro do Vestido, Ilhas. 4 actores, com várias ideias e ideais em Palco, Actuações a solo, em dueto e a quarteto. Cada um actua para si, para os outros e para nós. Constroi-se a peça em palco, dialogos trocados, monologos variados e trabalha-se no sentido de criar um cenário conjunto. Uma Peça cativante, hilariante e tremendamente acutilante. Recomendo!

4ªs a sábados as 21.30 no novo espaço da ZdB, no Inicio da Rua do Século

15 outubro 2008

dois ponto nove por cento

2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%2.9%

14 outubro 2008

Maldição!


Sai daqui levanta-te e parte!

Não te quero ouvir!
Não quero saber de ti! Nem sequer se existes!

Desaparece! Vai e leva-os contigo!
A todos!
Arde!
Extingue-te!

13 outubro 2008

Entre o Céu e a cave.

Era noite escura. dormiam no rés-do-chão. acordam com um estranho grito inumano. Entretanto um corpo disforme, arrasta-se sobre as suas cabeças. Ouve-se o estilhaçar dos vidros e o ceder das grades metálicas ao romperem-se para deixar passar tal criatura. A estrutura de betão salta da parede e desmancha-se como papel. Cá fora respira todo o ar. Preenche a noite escura, abafa o piar das corujas, silencia o latido dos cães, faz tremer os gatos que estancam, os roedores recolhem-se em qualquer canto. Os insectos incautos petrificam-se. Os morcegos incapazes de voar. Cala-se o vento. As árvores param e secam, as plantas ao redor morrem.
Abre as suas asas, escurecendo a própria noite e absorvendo toda a luz eléctrica criando um breu jamais visto.As ruas cobrem-se dum denso, espesso e compacto nevoeiro composto de finas partículas de um fumo pestilento que enlouquece qualquer ser vivo que o toque. Segue-se um guincho inaudível que se sente dentro peito e da alma de todos os habitantes de Paço D`Arcos, um frio gélido, um torpor doloroso que percorre as espinhas de qualquer vertebrado ou de qualquer coisa viva que esteja à escuta, uma dor surda atinge a população. Contorcem-se pelo chão.
Finalmente do cimo da sua torre, salta para o abismo recém criado, eleva-se nos céus, voa neste mundo e reina sobre o submundo. O silêncio é intenso, partiu...não se vê, não se ouve, nem se sente.
No rés-do-chão respiram fundo, a senhoria saiu mais uma vez...


(Baseada em factos verídicos)

08 outubro 2008

Interludio #2


Caros amiguinhos, leitores, curiosos, ou simplesmente pessoas:



não tenho estado por cá.

agradeço os comentários.
tentarei responder quando me for possivel

Há 15 dias fui vitima de abducção na zona de alcoitão.

obrigado e até à proxima

Ps: não ando bem.

02 outubro 2008

Interlúdio


Responda ao questionário sobre ãs grandes questões do século no final da página

01 outubro 2008

De religião em região - Capitulo I

"Pela boca morreu o peixe" terminou assim um pescador a sua profecia. Um pecador na sua heresia. (Fade Out) Juntaram-se nas margens do Tigre, milhares de infiéis à facção Fonita, que apregoava o regresso à terra dos deuses-mineiros. Tinham erguido uma estátua ao seu avatar Jangó e Biné seu profeta. A reunião acabou mal, pois vieram do sul seguindo a estrela da Manhã, os 5 apóstatas e seus milhares de seguidores que abriram caminho através do mar morto abrindo as suas águas e mais um arbusto em chamas( mas isso é outra história..).
Próxima reunião na Rua de São Paulo, nº28 s/cv Esq da igreja Reino dos seus e dos primeiros dias santos e feriados. Pelas 13 h de domingo! Comparece e apedreja alguém!

Nas imagens Jango e Bné ou vice-versa

Grito


Acordei de gosto seco na boca e lábios gretados. As pálpebras coladas. A luz magoa. O corpo e membros dormentes. Ausentes? Tento levantar a cabeça para me ver. Não tenho força, ou está presa. O tecto branco, olho para os lados e passa uma multidão, estou na rua por baixo duma varanda agarrado a uma maca. Chamo por alguém, ninguém parece ouvir. Pára uma senhora e depois outra, conversam as duas a meio metro de mim. peço que me soltem que me tirem dali, nem sequer olham, ou não querem ouvir. tento mexer o braço para lhes tocar. Não o sinto, será que não se mexe? Estarei paralisado? Porque me ignoram? As senhoras partem, e continuam a passar por mim dezenas ou mesmo centenas de pessoas. Nem um olhar, uma única expressão, ou qualquer sentimento pela minha presença. Grito! Agito a cabeça! Tento espernear! Apesar de não saber se tenho pernas. Ninguém me acode? Porquê? Mais gente pára perto de mim. Este olha para mim. Sorriu-me! baixa-se para me falar, e eu sorrio para ele e quase choro de alegria! Mas não! de repente baixa-se mais que a minha cabeça e pega ao colo um cachorro e parte! Não pertenço ali , não existo para aquela gente! sou uma ilusão? ou sou eu que imagino tudo isto? A rua apinhada de gente que não sabe da minha presença, que não imagina o meu sofrimento. Chega a noite, e estou esgotado por tanto gritar e debater-me para me soltar dali e daquele lugar. A rua deserta e o meu apelo ecoa pelas paredes, oiço o barulho da cidade a adormecer. Fico ali, tudo a sentir, tudo a desaparecer, definha a minha imagem, o meu ser, consumo-me e desapareço, desfaço-me em mil estilhaços com uma lágrima que bate no chão.

Receita para um Raticida ideal num genocidio radical( sem corantes nem conservantes)

Um mundo à parte decerto. E Deserto.
Ocupe-se pois claro!
A gazela pasma,
a chita pára.
O abutre aterra.
O elefante ocupa o charco.
O crocodilo boquiaberto.
(Aparenta asma)

Os bufalos em desespero.
Uns chamam-na de Terra
A pastagem que desaparece.
Os insectos reagem e propagam-se
No ar viajam as partículas primordiais.
Um ecossistema com certeza que cresce.
e um meio para a nossa existência.
Espécies que se multiplicam para a extinção.
Mas´ inda não!
esperem pela ciência

Um segundo cósmico depois e fez-se luz.
Adão e Eva.
Caim e Abel.
O Neil Armstrong
Oppenheimer.
Um gajo chamado Manel.
E um senhor com uma Cruz
uma Hiroshima.
E roda o Carrossel
Aparecemos portanto.
Vindos do pó e das estrelas que brilham.
Reclamamos tudo para nós! E apontamos para cima

Configurar.
Adaptar.
Terraplanar.( palavra curiosa)
Transformar,
Rconstruir
Dividir, reinar. ( Uma chegada aparatosa)
Idealizar. DEstruir

Chega à Terra a espécie que sente e que pensa.
Tem de tudo até A emoção e a razão !
Que se arrepende e repete o erro.
Deja vu? estava a ver que não!

Que domina, e que é ultrapassado por Gaia.
Predisposta a reformular o ideal
Um novo Protocolo ou decisão
reonfigurando o banal
Sempre pronto para a extinção
Pois se antes chegou que agora saia.

Se num instante e extingue.
Como lhe apraz.
Uma Matança por cardápio.
VoCês nem sabem do que é capaz

Sem piedade ou misericórdia.ou comtemplação também
Mas com muita Fé!
Na diáspora proclama o bem.
E daqui não tira o pé!

Conquista e reclama em nome duma religião
A destruição do mal como sua criação
Passa o tempo, os dias a divagar.
e EM TUDO METE A MÃO
Essa espécie racional desaparece,
Esta Terra já não tem vagar.

Um fim e um início.
fez-se história e fez-se um balanço,
Daí tanto equilibrio e à beira do precipicio

A Terra com estes talentos
para isto ja não tem idade
diz que tudo isto foi insano
E com pouca humanidade.

Pede-se um mundo mais humano,
ou nova mentalidade
e uma nova era, com menos metano
que a esta, já só resta a Fatalidade.

Kraftwerk



este trans-europeu serviu-me de banda sonora e inspiração para o texto anterior, salvaguardadas as devidas diferenças de qualidade e perfeição

Ratos



Passam o dia dentro do escritório enegrecido pela sua própria silhueta. Os prédios em volta crescem, para eles como cogumelos. Plenos de alucinações, inundam-nos com o pó do asfalto que entorpece os movimentos mas também os fascina e fá-los trabalhar maquinalmente. O objectivo cumprido, os números batem certo e excedem expectativas. A alegria contagiante de mais um dia de imensa produtividade ineficaz e ineficiente. Tocam algumas badaladas, e a toque de caixa a saída é anunciada. Todos se dirigem para fora, o exterior, seguem os indicadores digitais, pré-programados e pré-fabricados que lhes indicam os destinos predestinados em frisada redundância. Destinos esses sempre fugazes, gentes que amanhã partem e se apagam como o semáforo que se acende na plataforma que cresce de pessoas em ebulição. Que se amontoam nos percursos. Aumentam à velocidade da partida enquanto outros encontram a chegada. Movimentos inconstantes e constantes. Caminhos conhecidos plenos de aglomerados desconhecidos. Gente adormecida circula na rua. Outros acordam e gritam, e falam do regresso do absurdo da vontade própria. Em vão.


e foram.



são esquecidos.



Passa-se por eles




e o semáforo verde.


As portas abrem e os carris seguem o seu caminho pelo tubo incolor e vazio de sentimento. Indolor. Pára mais uma vez e sobem as escadas.

A multidão expectante observa os painéis. O tempo não lhes obedece e continua. leva-os para longe, para um lar por instantes, para algo familiar por momentos, esfuma-se num cruzamento. O comboio arranca-os do espaço.

Sai-se novamente, espera-se pela sirene. arrancam! trocam olhares a medo, estranha-se o lugar reconhecido, segue-se em frente. As pálpebras fecham. Os carris em recta, comunicações em todos os sentidos diálogos perdidos e escutados em todas as direcções. pensamentos cruzados.


Tanta vida junta,


Pulsam com a energia electrica que os alimenta. Vivem viciados na roda do amanhã. Como o roedor, imunes à dor, em mentes pesadas. Dormentes pelo peso da carruagem que os conduz. Paragem à frente. sente-se a mágoa e o riso. Misturam-se num batido e mais um café servido de demência e rasgos de sanidade entre cortados por loucura calculada e à distância de um banco e de mais um lugar que vaga. Assim como uma mente.


passa mais um dia,




o indicador luminoso aponta,




e a sirene assinala.

30 setembro 2008

Uma nova Luz se acende


Vi tu e eu, num palácio!
Num sonho meu, com arcos
a ver os navios? Não!
O Oceano e os barcos!
Um parque e um jardim
um perto de mim,
outro com poetas,
cheio de rimas,
e voam as letras,
por cima,no céu azul,
e Tudo é verde,
numa vida a sul,
até uma nova luz que se acende!

29 setembro 2008

Sons of Arqa

Leftfield - Original



vejam-nos como a banda sonora

Leftfield - Final Hit

final alternativo

O cães cheiravam-lhe o sangue, quase que sentiam o sabor, deixou-se estar no seu refúgio, a matilha avançava enraivecida, preparava as armadilhas e as lanças feitas de pau. Um cão entra de rompante, é furado dum lado ao outro ainda olhando para a sua presa enquanto agoniza. Outro dispara por ali dentro agarrando a lança, sacode-a e parte-a com os dentes aguçados, um outro cão salta por cima e avança ao pescoço, cai! nada está perdido com a faca rasga~lhe a carne, estripando-o, gane e deixa atacar. O outro cão ajudado por mais outros dois agarra-lhe os membros. cada um puxa na sua direcção, não grita de dor, nem cai uma lágrima, olha por uma ultima vez o seu refúgio e orgulha-se do seu empreendimento. O corpo está irreconhecivel, metem os pedaços num saco e penduram-no no portão como aviso aos infractores...

26 setembro 2008

O homem do bosque





Nasceu num orfanato ou coisa parecida. Sem pai ou mãe, sem família nem lar. No meio de centenas de crianças sem nome. Apenas numeradas. Como surgiu ali nunca se soube. Vivia em silêncio, escutando o berrar contínuo de todos. Era o que menos chorava e o que mais dormia. Pelo menos é o que dizem. E pouco disseram, talvez porque nada soubessem. O único afecto que conhecia era facultado pela Ama que lhe mudava a fralda. Enquanto o fazia, sorria e falava coisas, embora nunca tenha percebido o quê. Não apreciava aquele ritual, e aborrecia-se. O único momento em que se alegrava era quando lhe davam o leite, que sorvia como se não houvesse amanhã! Odiava quando tiravam a tetina da boca. Ficava sempre a sugar em seco, exigindo mais com os olhos e esbracejando freneticamente. Sempre achou que fazia de propósito e nunca deixava beber o suficiente. Cresceu e deixou aquela sala rude e branca de luz pálida. Dava os primeiros passos e os primeiros vocábulos, nunca conseguiu articular uma frase. Decidiu portanto manter-se calado. Os anos passaram, a sua existência resumia-se a levantar-se de madrugada, comer o pão e a sopa naquele refeitório sempre igual, com as mesmas monitoras, a passarem revista às mesas, obrigando todos a comer, e em seguida a envia-los para um pátio interior com chão de granito, onde passavam o resto do dia, e deixados à sua sorte. Uns jogavam as corridas, outros à malha, as escondidas, Etc. Deixava-se ficar a um canto, esperando o jantar e a hora em que chegava um professor de fora que ensinava esgrima, a manejar um arco e flecha e outras actividades, quase como se fosse um treino militar e com uma rígida disciplina, onde quem desobedecesse era açoitado, e castigado sendo colocado no quarto escuro. Uma pequena divisão na cave, sem luz, com uma pequena janela gradeada no tecto, por onde de vez em quando escorriam os esgotos. Pela sua vontade passava ali o tempo, preferia a solidão e evitava ter de estar com as outras crianças e ter de interagir com os monitores. Tornava-se uma criança robusta. Na escola fazia os exercícios como os outros mas nunca o chamavam ao quadro ou pediam qualquer tipo de participação. A escola era interna e nunca saiam daqueles muros altos e cinzentos de cimento bolorento. Lá dentro havia uma mata com pinheiros, era enorme e tinha uma fauna variada, alguns professores, ao domingos, caçavam perdizes e coelhos. Estava sempre desatento das aulas, havia uma sala que tinha vista para a copa das árvores e para o seu balançar com a brisa, era para lá que canalizava toda a sua atenção.
As noites sempre iguais. Havia a chamada pelos números e era encaminhado para o dormitório. Costumava observar todos os movimentos das contínuas que controlavam as camas. Aproveitou uma zaragata, tirando a atenção e causando a distracção do pessoal para escapulir-se antes de ver a sua porta fechada. Correu pelos corredores até à entrada. Daí um pulo até à mata. Suspirou de alívio. Tinha a noite para ele. Despiu a farda, partiu o crachá com o seu número. Voou para o muro. Olhou-o. Alto. Muito alto. Precisava de um tronco ou duma árvore perto para o transpor. Desiste e explora antes o bosque que sabe agora ser bem maior que imaginava. Do outro lado do muro a floresta continua interminávelmente. Descobre nuna pequena ravina uma saliência entre as rochas que lhe serve de esconderijo. Acha o sítio ideal... Acorda com uma azáfama cá fora, vários funcionários procuram-no. Deixa-se ficar até ao anoitecer novamente. A fome aperta, a escuridão e o silêncio inundam o local, avança até ao edifício, entra pela cozinha, tira vegetais, carne, e alguma fruta e chocolates. Precisa de ferramentas, retira uma faca e um machado da dispensa. Abandona o local não deixando rasto. Com ramos e folhas secas compõe o seu abrigo, quem olhe não diz que há ali um ser humano escondido. Os dias passam, parece que se esqueceram dele ou então dão-no como fugitivo. Vive da terra e dos animais que apanha.Aos domingos, no dia da caça, dedica-se a fazer armadilhas e apanha os cães, únicos que podiam denuncia-lo. Convencem-se que existem lobos ou talvez um urso na mata. Os cães aparecem mortos, com rasgos de dentição no pescoço.

Torna-se um homem do bosque os anos passam e não se dedica só à caça dos cães. Elimina todos os que passam por lá. Fala-se que a instituição está assombrada, e quem lá entra nunca mais sai. Fala-se da lenda dum demónio que lá vive. Cria-se o mito da existência dum lobisomem - Pelo menos é o que dizem! O sítio é largado e abandonado, a mata avança pelas construções, os edificios desaparecem no meio da vegetação. Está só, pela primeira vez é dono e senhor de algo. Pela primeira vez sente-se livre, a alegria invade-o e Sorri!




Para ti minha musa

25 setembro 2008

Bambi

Conheci-a em 89, na altura jovem e esbelta. Não resisti. Em casa tratava-a como uma deusa. Apesar de pouco faladora tinha aquela expressão no olhar que dizia tudo. Anda sempre com ela pela mão com medo de a perder. Íamos ao lago e nadava com ninguém! Mergulhava fundo e por vezes assustava-me pois ficava debaixo de água imenso tempo. Não gostava muito do sol e descansava sempre na relva abrigada na sombra. Tinha uma pele macia e sedosa e cuidava dela bastas vezes. Quando alegre fazia-em rir saltando como uma doida! Não sei que faria sem ela, fomos muito felizes naquele verão. E jamais me esquecerei das ternura e carinho que por ela nutria! Passaram os anos, e é insubstituível. Naquele dia chuvoso acordo e não a vejo deitada, desço e vejo a porta da rua aberta, chamo por ela, e nada! Saio e grito em desespero.Uma multidão encontra-se junto à casa do André Gomes, meu vizinho vai para 10 anos, que já assistiu naquele cruzamento a dezenas talvez centenas de acidentes. Um calafrio percorre-me a espinha, corro na direcção deles com o coração nas mãos e esperando o pior. Paro e fecho os olhos, uno as mãos em suplica e numa réstia de esperança, peço a Deus que me leve a mim. O André observa-me, baixa a cabeça em sinal de respeito, e com uma voz amargurada mas resignada diz:
"A Bambi morreu. Eu ainda tentei agarrá-la mas saltava como louca! A tua rã foi atropelada...Lamento "

24 setembro 2008

I believe

"Desde que tive um encontro imediato. passei a olhar para os dois lados antes de atravessar nas passadeiras"
Dois anos depois Quim morreu num acidente trágico e bizarro enquanto sintonizava a rádio Nostalgia.

Imagens impressionantes!

O fenómeno Ovni em Portugal( Relato do Jornal de Benavente em 3 de Janeiro 1996)


Joaquim era conhecido em Salvaterra de Magos como bom homem e um bom conversador. Todas as noites ia para o Café da Ti Laura, onde jogava às cartas com os colegas, bebia o seu copo e conversava até a altura do fecho. Nessa noite, no ano de 95 numa noite quente de Junho, como todas as noites, ia trabalhar. Fazia pesca artesanal, possuia um pequeno barco no Samouco. Nessa noite o Paulo, seu amigo e camarada de pesca não apareceu, no entanto fez-se ao mar, levava uma rede e alguns camaroeiros, esperou pela maré cheia e levantou ancora. Pescava fazia 10 anos e muitas vezes tinha a sorte de apanhar uns bons robalinhos e alguns sargos. Porém, e dadas as circunstâncias de ir sozinho, iria apenas largar os covos para apanhar no dia seguinte. No meio do Tejo, no Mar da Palha , Quim após ter realizados as suas tarefas, dirigia-se para terra. Sem dar por isso, surgiu um nevoeiro vindo sabe-se lá donde, o calor nessa noite apertava e a humidade pegava-se ao corpo. Só trazia uma pequena lanterna, e ouvia ao longe as sirenes dos faróis. Decidiu parar um pouco, e fumar um cigarro, esperar pela madrugada e o nascer do sol que não tardaria. Nessa altura aparecem umas luzes que vão na sua direcção, pensou tratar-se dum barco da transtejo, mas a velocidade a que se aproximavam assustaram-no. As luzes mudavam de tamanho e de forma, tão depressa estavam a 1 metro da água com a 20 ou 30. Pensou tratar-se dum helicóptero militar da base do Montijo. De repente sentiu um aperto no coração, que o deixou paralisado, e um barulho sibilante penetrava-lhe nos ouvidos e na cabeça como agulhas que o punham em tremenda agonia. Não se conseguia mexer, nem sequer gritar. As luzes estavam à sua volta, um foco de luz intensa envolveu-o, viu que não se tratava dum barco nem sequer de um qualquer aparelho militar, eram milhares de luzes que o rodeavam e pareciam fazer parte dum mesmo objecto, que se mexia como se fosse um tornado à volta dele. Sentiu-se sugado.
O barco foi encontrado 2 dias mais tarde na lagoa de albufeira, e Quim acordou perto de Linhares da Beira, com escoriações no pescoço e uma marca triangular na nuca. Nunca mais se lembrou se nada. Disse à policia que se chamava Manuel Alexandre, era de Belmonte, e que estava à espera do filho que saia da escola quando foi vitima de car-jacking por um grupo de seres cinzentos, e que o imobilizaram com um raio de qualquer espécie. Disse também que falavam brasileiro e que lhe mexeram no cérebro, pois recordava-se de numa vida anterior ter estado num convento, chamar-se Maria Da Anunciação e ser Carmelita.

Nunca se provou a veracidade desta história, o que é certo é que a sua descrição de Maria Da Anunciação, correspondia a uma Carmelita que habitava no Convento do Beato, de 1280 a 1324 e cuidava de leprosos.
Em Salvaterra de Magos todos diziam desconhecer Quim, apesar de existir uma casa que estava devoluta, e que ainda está por vender, por haver uma escritura em nome de Joaquim do Vale Lopes.

perspectivas


a minha realidade não é igual à tua. A minha versão tem capitulos e finais diferentes. A tua visão varia da minha em proporção da percepção e da alucinação imaginada. o meu caminho tem a mesma direcção, diverge apenas onde coloco as curvas e as lombas. O meu sol nasce e é para todos, o teu põe-se e é para alguns. A minha posição é diferente da tua orientação. Eu oiço em estereo e vejo a cores. Eu viajo, plano, orbito, saltito, divago carrego, e entendo. Tu percorres voas circulas pululas vagueias acartas e percebes?


23 setembro 2008

O festim( versão 1z)

Uma luz brilhante invadiu os céus, por momentos tudo ficou em silêncio, sentiu a luminosidade branca invadir-lhe as pálpebras, e quase cega-lo apesar dos olhos bem fechados, os tímpanos contraiam-se, e só ouvia um silvo, de repente abriu os olhos e viu avançar um onda de destruição na sua direcção, foi empurrado para trás ficando colado ao metal do carro de guerra, nem um segundo depois veio um calor infernal que lhe arderam os cabelos e pelo e queimaram a pele até à carne, fazendo-a estalar e cair. Que sorte, estava vivo! E a guerra ia longa! No campo de batalha jaziam esqueletos já mumificados , o chão crivado de balas, e esburacado pelas bombas de fragmentação que estilhaçavam a paisagem circundante, as árvores mortas eram o único ser de pé, a cor predominante era o cinzento no chão e o amarelo duma névoa de gases químicos e atmosfera estéril no céu.
Na trincheira o Soldado tinha perdido os seus companheiros, o General morto há dois dias que cheirava a carne em decomposição era carvão, pelo binóculo observava no horizonte o inimigo. Vivalma. Barulhos de explosões preenchiam o seu espaço, olhava em volta e nada. sons de vozes mecânicas voavam por cima, pedindo a rendição e capitulação. Alucinava. Agachado dentro do seu tanque camuflado e meio enterrado, disparava um último morteiro sem apontar, como que a dizer que ainda ali estava. Tapou os ouvidos e seguiu o caminho do projéctil que se despenhava sobre a trincheira adversária. Não sabia o resultado de tal acção. O rádio avariado, transmitia interferências, o radar partido nada indicava. Não iria abandonar o seu posto, teria de procurar munições, avançou uma trincheira e procurou no meio dos escombros algum cadáver recente para se alimentar e munições para carregar a sua M4-mk. Não havia carne nos corpos e tudo estava incinerado e calcinado. Achou um par de granadas e um cantil. Era o seu dia de sorte naquela trincheira.Tirou a cabeça de fora e a poeira começava a assentar. seguiu em frente, caminhou quilómetros, alcançou uma floresta, composta apenas por troncos quebrados e negros sem uma única folha ou ramo. Subia por uma colina, que antigamente vibrava de vida, com o chilrear dos pássaros e os barulhos de raposas e lebres que passavam entre a vegetação, agora a terra estava petrificada e a floresta tinha desaparecido, sabia que dou outro lado, no vale havia uma vila, chegou ao cume e viu uma massa de cimento e cinza, as casas sumiram-se o alcatrão das ruas misturava-se com o metal retorcido dos carros e de esqueletos a eles grudados. Procurava um sinal de vida naquela paisagem horizontal negra, perdia-se, não distinguia as ruas das construções, tudo era uma amalgama de escombros cravados no chão e arrastados pela terra. Encontrou por acaso um abrigo, entrou e viu pela primeira vez cores. Uma escada de mármore, um corrimão de metal levavam-no a uma cave, descobriu uma adega, uma mesa comprida no centro, com dois banco um de cada lado com o mesmo comprimento da mesa. As paredes com fileiras e fileiras de garrafas armazenadas e na parede do fundo, presos com pregos presuntos e chouriços formavam um fumeiro. Sacou dum presunto, e de duas garrafas. sentou-se na mesa e comeu desalmadamente. Quase que rebentava de tão cheio, esboçou um sorriso por encontrar algo familiar, o que antes seria um lar. Acabou por adormecer estendido com os braços e a cabeça sobre a mesa. Não sabe quanto tempo tinha dormido. levantou-se pegando numa garrafa, por detrás dos enchidos uma pequena porta, estava fechada à chave. Disparou á fechadura e arrombou-a em seguida, lá dentro uma sala de garagem. Havia um carro antigo, várias ferramentas, pneus por todo o lado, e sentia cheiro a óleo, havia um portão que a muito custo abriu para fora, encontrava-se no meio da vila outra vez. caminhava sem destino, olhava à volta e observava a morte em todas as direcções, deitou a arma fora, o uniforme e as botas. Entrou novamente, fechou a porta, e sentou-se novamente. Pôs a mesa, dispôs os enchidos por categorias e garrafas de diferentes anos e qualidade à sua frente. Deu graças e começou a cear. Era o talvez o último homem, venceu a batalha portanto, estava em casa, reconstruiria um lar e a vila! Auto-intitulou-se de presidente da câmara e deu vivas! Tudo isto merecia um festim!

Os viciados, os doentes, os anormais e os outros


hoje passei por um fulano que se chutava na rua. Ninguém comentou.Uma vez que estava em plena via pública e o acto passou despercebido devido à facto de o fazer as claras numa praça lisboeta disfrutando do sol de setembro e de um compal.
Hoje fui eu que entrei pela metafísica do social. ou pela sociologia sei lá eu.Questionei-me sobre os vícios e os julgamentos inerentes aos mesmos feitos pelo comum dos mortais.
Lembrei-me duma situação em que fui ao casino do estoril com um amigo e onde ganhamos algum dinheiro. Achei caricato o facto do fulano ao lado ter gasto 100 Euros e nos só 10.
Pensei nas cerca de 100 mil pessoas que estão dependentes de drogas prescritas por médicos. Recordei-me do meio milhão que tem problemas com o álcool.
Depois destas considerações tomei em conta que os primeiros são os únicos verdadeiramente marginalizados. O seu objectivo de vida é a próxima dose. Muitos deles ganham 70 Euros diários a arrumar carros. São autênticos empresários! Uma vez que conseguem gerir o seu dinheiro para concretizar o seu sonho de vida. Nós, os outros, o cidadão normal, o não doente, muitas vezes com o dinheiro que ganha, não consegue realizar os seus sonhos. Precisa de trabalhar uma vida para possuir algo. E muitas vezes, só na velhice,quando lhe restam poucos anos, assim consegue.
A vida é feita de conceitos e preconceitos.
Sem julgar ninguém e sem menosprezar alguém chego à conclusão que há vidas infelizes e há outras completas e plenas. Resta saber qual o caminho certo.
Olhando o mundo de fora, e pondo em perspectiva todas as soluções de vida, sem tirar valor a nenhuma, poderemos de facto apontar o dedo e dizer que este é bom e aquele é mau? Fica a interrogação. É tudo uma questão de perspectiva. De razão. De opinião. As vezes penso porque raio é que os mandamentos foram inventados? Sejam eles judaico-cristãos, do islão, budista, hinduista ou de qualquer outra religião.Se não passamos de animais não nos regemos pelas leis da natureza?? E pelo livre arbítrio, um vez que somos animais cognitivos?
Deixemos viver e vivamos em paz. Digo eu!

Para os analfabeto sociais, para mim, para ti, para nós!

se deixarmos a nossa casa e viajarmos 3000 km para sul ou para leste, veremos outras vidas outras existências e verdadeiros problemas. Como pode alguém realmente ser feliz? ou estar alegre? não seremos todos autistas?

Que Futuro?


Fala-se muito do abrilhantar e aligeirar da função pública. Diz-se que tem um peso muito grande na economia. O que é certo é que o número de funcionários publicos está dentro da média europeia e até é menor. O que já se notou é que não são os funcionários que executam o trabalho que emagrecem o orçamento de estado, mas sim os gestores públicos, esses sim com ordenados chorudos e que acinzentam o sistema. Além estarem a leste do gabinete ou equipa que lideram, por ignorância ou laxismo. Propõem estatísticas e números aos funcionários que são desenquadrados e desajustados das ambições e expectativas dos utentes. Fala-se do Prace do Simplex etc etc, a tal reorganização da máquina que cada vez está mais suja e ferrujenta. Com os funcionários cada vez mais desmoralizados com as condições de trabalho, pois os objectivos que lhes propõem são irrealistas, e questionam-se do seu papel, há os que remam contra a maré e logo se cansam e os que não querem saber e pactuam com o sistema tornando-o ainda mais negro. Que futuro para o nosso país quando as medidas são tomadas a curto prazo e para satisfazer caprichos mesquinhos das hierarquias que se agarram ao poder como gato a bofe sem qualquer tipo de preocupação social, ética ou moral mas apenas politica e burocrática?

22 setembro 2008

z


- Estão aí!

- Nem vi!

- Sinto por aqui!
- Oiço?!...
- Não?!!..




Era os barulhos fascinantes da escuridão.

Sonhos #2


Alguém sonhou.

Tudo Acabou.

Sonhos


Um homem sonha. Pode serpássaro e voa.chita e corre. um urso polar nada e caça, um caracol e rasteja, uma abelha e o mel colhe, um fruto e duma árvore cresce, uma semente e uma árvore é, um golfinho e no mar flutua, uma planta e o sol alcança. Um homem e é nómada. Em projectar-se. Em filosofar. Um homem tudo pode ser, , estar e poder.Um homem pode fazer, sentir, mentir, jurar, e chorar... Um homem é. Será e acabou de ser. Foi.

o Tempo (Versão 1.3)


Longe vai o tempo, e rapidamente varre o distante. Com ele percorro o espaço infinito, volto ao mesmo sitio e nem passou um minuto! E tudo isto sem sair da cadeira! Que canseira!

17 setembro 2008

A solidão, o caos e o cosmos


Ainda a propósito dos temas musicais anteriores e por associação de ideias lembrei-me do Carl Sagan. De associação de ideias em série, de pensamento em pensamento cheguei a um sentimento que me é profundo. Seria de muito mau tom da parte do Universo e de mau gosto da parte duma entidade divina hipotética, estarmos sós no Cosmos.
Que sensação atroz de solidão! Que tremenda fatalidade esta sermos a única espécie que pode contemplar a beleza perene dos céus!
Condenados a viver nesta bola azul na imensidão negra do Tempo e do Espaço.
Ainda por cima quis a evoluçao que fossemos pequenos mesquinhos e ridiculos.
Fico deprimido.
E caso para dizer tudo isto existe tudo isto é triste tudo isto é fado!

16 setembro 2008

4 hero



Livros


O Dn teve a excelente ideia de publicar uma colecção de livros que infelizmente já acabou. Ando a lê-los à desgarrada.
O ultimo foi o retrato do Gogol. Bestial! Que poder!
Parabéns!

Ou tou no Verão?( um post idiota mas já estou com saudades do dito)

Um esquilo subiu com uma ultima noz.
As andorinhas abandonaram os céus.
As cegonhas sairam dos ninhos.
As garças voaram para sul.
As folhas dos plátanos cairam no chão.
Um caracol procurou o sol.
A lagartixa sumiu.
A osga dormiu.
O ouriço adormeceu.
O azul do céu desapareceu
O sol já desceu.
E o outono apareceu.

Permutation

Na noite serena e tranquila os animais trocavam informações. Havia alguém que andava a roubar galinhas. Suspeitaram do Urso, mas as abelhas confirmavam que hibernava fazia 3 meses. Falou-se do lobo, mas as ovelhas avistaram-no a ir para a Montanha. Dizia-se decerto que era animal matreiro pois não deixava rasto, só se conhecia o cheiro. Excluiram a raposa, estava reformada e a águia andava emigrada. Então montaram um cerco. O mocho sabichão, guardaria a noite e ordenou que formassem grupos de busca e fizessem turnos. O galo cantaria pela manhã. Os cães uivariam à Lua. As pombos trariam o correio. As vacas correriam nos prados. As lebres saltariam pela floresta. As cabras cercariam as colinas. Um dia, andava um burro a passear alegremente na estepe quando por detrás duma rocha vê algo. Assustou-se e correu para a aldeia zurrando alto! Juntaram-se em assembleia.
Que viste tu Burro? - Pergunta o Mocho
Burro: "Eram da minha altura, andavam em grupo, traziam o pêlo tapado e cores berrantes! Mas não eram papagaios pois nem voavam!... tinham duas patas apenas e as outras eram pequenas mas compridas. dirigiam-se para aqui. Eram muitos mais que uma manada! Mais que um bando, mas não voavam. Talvez mais que um enxame!...Cantavam mal logo não seriam rouxinois."
-Talvez fossem os bichos das lendas e dos mitos. Aqueles que viviam segundo as leis que eles mesmos inventavam? Os homens!? AHHH! Acudam!- Disse o Mocho aterrorizado! - Fujamos para os campos!...

E assim abandonaram as aldeias, num ápice desapareceram e extinguiram-se. Deixando os homens ocupar as suas casas, usar os seus caminhos e aprenderem a utilizar a internet.
O homem ficou com as galinhas e inventou os galinheiros, vivendo feliz para sempre...

Fim!


Banda sonora: like regular chickens

15 setembro 2008

Fábula


As cores perdiam o brilho na noite vazia, e os tons pardacentos cresciam assim como se criavam cenários de fantasia. Neste caos animalesco muita gente havia.Um corvo piava pela escuridão dentro, enquanto a Lua enchia. O Morcego gritava em ultrasom e ninguém ouvia, mas falava de coisas doces, insectos e poesia. Um cão tardio uivava à Lua que aparecia. Um rato da coruja se escondia, a Coruja das sombras se erguia. Naquele instante ninguém a Lua reconhecia. O Corvo pensava que era sol que não o aquecia. O Morcego olhava-a e contava aos outros que nunca a via. O cão dormente nada dizia. No meio da barafunda apareceu um rato que disse que se mais baixo tivesse que a comia! Todos o chamaram de fala-barato e ninguém o ouvia. A noite e a madrugada em parceria, sorriam ao ver nascer o dia. O Veu negro passou, o vento amainou, todos se calaram, veio o sol e não é que se fez mesmo dia?! ******************************************************************************************************

13 setembro 2008

sou-te e és-me


Estou doente por ti, e fui contagiado pelo teu ser.Deito-me contigo no pensamento, adormeço com o teu sentimento, trago-te nos meus sonhos, levo-te quando desperto, transporto-te se viajo no comboio, acompanhas-me pelas estações do metro, segues-me pelas ruas que atravesso, persegues-me ao dobrar a esquina, carrego-te quando subo as escadas rolantes, vejo o teu rosto na praia, sinto-te quando o sol me toca, abraças-me quando a chuva me encharca, o observo o teu sorriso ao ver o mar e o teu olhar atinge-me quando fecho os olhos. Não tem cura, e não vou resistir a tão bela, tremenda e ternurenta infecção. Ocupou-me a alma, e afectou-me o coração.

num segundo..contigo


Há momentos que se tornam inesquecíveis apenas por um clic. Por recordarmos um cheiro, um sabor, uma fragrância, um filme ou uma canção. Trazem à memória instantes belos e que s provoca um calafrio no corpo. Os primeiros acordes de uma música , trouxeram à tona, o teu sorriso, a tua presença, a tua voz a chamar-me, a paixão que me consome e o amor que me incendeia. Hoje aconteceu novamente. E que bonito que é sentir-me assim. Para Ti, que sabes quem és: Envio-te um beijo, um carinho, uma caricia, um xi e todo o meu ser!

O Blogue e o louco( parte I)



loucura?

haverá consequencias?

sim!
loucura
amargura

um não sei que de emoções contraditórias

um desvario emocional

um descontrolo sensacional

isso está tudo lá, no teu blog?

correrei nu pelas ruas gritando por insanidade paar todos

escreverei nas portas a vermelho que a culpa é dos anti-depressivos

e afogar-me-ei no Tejo num bote de plástico e um pato donald de borracha

está o q no blog?

a loucura que descreves neste momento

está presente a cada instante

em cada letra
em cada esquina

espreita
observa e aguarda

de atalaia

pelo momento certo

de agora em diante
até a eternidade...

12 setembro 2008

Mais uma vez, neste jogo de xadrez


Curiosa a politica internacional dos Eua. Colonialismo encapotado de salvadores da pátria
Intervenções na Colombia e criar o caos e As plantações de cocaína aprovados pela CIA( com selo de qualidade),Odios viscerais pelo Chávez e o bacano do Irão - OPEP sem nato- desnatados
Zimbabwe, um tirano, um pai e um amigo do povo, outros no Kosovo e um enclave.
Rwanda em mortandade e os porta-avioes nos estaleiros.
e agora a Georgia um entrave.
Colocam misseis na Europa, Nova guerra fria, numa antiga e gelada paz.