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05 março 2010

Derivação sobre a divagação

1
Nos épicos tempos biblicos e ao principio era: O Verbo.
O Adão e Eva, uma maçã, uma serpente, uma árvore ou, a tentação e o conhecimento, e o pecado original (respectivamente desordenados.)


O Deus (seja ele o do Judaísmo, Cristianismo e Islamismo, eu estava com a ideia de só haver um!) deve ter pensado:"Com estes Gajos( O Par original) é que isto vai andar para a frente!"

Veio a crise de valores do Baby BOOM e da era atómica, década de 40/50, e o Deus(nosso e o dos outros) deve ter apanhado um choque. Daí que provavelmente, nunca mais houve milagres e há agora tanto misticismo brejeiro e taberneiro, daí que, presumo eu, tenha dado de foguete e saído do nosso sistema Solar,e como muitos de nós, emigrou para parte incerta.

Hoje em dia e ao princípio não era o Verbo, seria os números Binários e compostos de silício, e o Adão e Eva entrariam em vias de extinção, e Caim já não mataria Abel, entraria por uma escola com uma M4 de mira-telecospica ou dispararia com uma AK47 ao acaso para um centro comercial...

As lendas e fábulas do antigo e novo Testamento, foram substituidas pelos contos do Hans Christian Andersen e pela Disney, primeiro em formato Tecnicolor e Cinemascope, agora em formato HD, 3D, dolby-suround.

2

Da aldeia primitiva e da sociedade neolitica, passou-se à sociedade da informação na aldeia Global.

Depois: O Bug do século XXI, a moda das redes sociais, e a falta de contacto de proximidade. Fazendo da Torre de Babel algo cada vez mais actual não só na incompreensão linguística como também na falta de entendimento entre povos, nações, ideologias e religiões. Uma espécie de Babel Universal, quase cosmogónica, donde surgimos, dum passado das Luzes para um Futuro Negro.

Entretanto o mundo ficou pequeno, a humanidade por causa do excesso populacional, ficou naturalmente mais proxima fisicamente mas mais longe do seu semelhante, vivendo no seu mundo virtual, criando novos vicios. Poder-se-á dizer que agora vivemos na corda bamba, qual artista de circo, mas temos por baixo o amparo da "rede".

A solidão não é evitada, mas contornada e os sentimentos como o amor, a saúde, a paixão etc, vem pela forma dum sms, de valor acrescentado, que nos diz quem é a pessoa compatível, o nosso destino, o horoscopo, o tempo para amanhã, e até a chave do totoloto com a musica do Pequenito Saul como oferta de toque para o telemóvel, por apenas 4 €/mês.

Do Teocentrismo passou-se para os automatismos e deste derivou-se para o egocentrismo digital. O real passou a virtual e este a surreal. Simplificou-se a linguagem, aumentaram as conversas, mas os diálogos passaram a monólogos.

3


Passando à actualidade. A recessão potencia a agressão. Verbal ou não.E exponencia a depressão.

Vivemos numa sociedade do contra .Do negativismo, dum pessimismo acentuado e exacerbado,duma personalidade colectiva negra e azeda.
Aqui, no nosso cantinho, somos auto-depreciativos, acontece-nos tudo mas culpamos os outros e não olhamos para o que podemos mudar nem o que eventualmente parte de nós.
Metemos a cabeça na areia, julgamo-nos e condenamo-nos .
Desde o Gil Vicente, passando ao melodrama de Camoes e seus velhos do restelo( e aos dos outros), à solidão de Mário de Sá Carneiro, até à mensagem melancolica do Pessoa, temos e vemos na nossa cultura um exemplo de bréu e bruma que nos envolve.
Folheando as obras dos nossos autores, os poemas de Florbela Espanca ou Antonio Nobre ou a prosa de Saramago, todos acenam a bandeira da depressao ,da angustia, da mágoa, azedume ou do depreceativo, alguns dão mostras de conhecerem a fundo a nossa sociedade, ironizando a nossa conduta, outros propõem formas de nos motivarmos e crescermos como povo, caso da "Geração de 70": Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão e Antero de Quental, entre outros.
4

Não só na literatura mas também noutras areas transparece este fenómeno. O Fado, musica muito nossa é na sua grande maioria doentia e triste, e se a esta unirmos o sentimento da Saudade, remete-nos para um povo nostálgico, triste e abandonado. O Cinema que na altura de Salazar nos fazia rir, apesar da conjuntura, é agora pouco característico e pobre em argumentos não tendo expressão, salvo raras excepções, e rejeitado pelo publico na sua grande maioria.Os que enchem salas, tem como chamariz a nudez da Soraia Chaves...
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  • O país, desde que nasceu, é retratado e considerado como um nado-morto. Tudo é apontado e criticado.
  • Moribundo desnorteado e um fracasso. Desde a conquista de lisboa, à restauraçao da independencia.
  • Do 25 de abril à entrada na UE. Tudo é visto como um falhanço, actos inconsequentes, factos olhados com repulsa e desdém.
  • Critica-se a forma dos governos fazerem, questiona-se a propria existencia da identidade nacional.
  • Lê-se nos jornais sobre a crise e sobre o que está mal, ve-se na TV debates de gente entendida, de ex-politicos, comentadores, curiosos, espalha-brasas. Todos dissertam, manifestam, comentam, aconselham e dizem como fazer. Todos apresentam soluções, muitos têm a resolução dos problemas.Mas e afinal quem faz? Quem resolve? Espera-se o D. Sebastião???

Mas que temos de bom então?? Pelos vistos nada.

BOM...Uma vez que o nosso Pais entra várias vezes no Guiness...Sugiro um suicidio colectivo. Deixam de haver problemas e somos mais uma vez imbatíveis em mais um recorde absurdo...

Saudinha e sorte, espero que ao fazer desta se encontrem bem...

25 fevereiro 2010

17 fevereiro 2010

Versão do Burlesco que descartei mas que publico para uns leitores mais exigentes e que apreciem criticar versões adulteradas e /ou desprezadas

Um porco agrilhoado pairava no matadouro.

Fugiu, escondeu-se, desceu o rio Douro.

Mascarou-se passou a Javali.

Disfarçado entre a multidão.
Misturou-se com as gentes daqui e dali.
Sentou-se num café,

pediu uma cerveja
Não estava bem sentado e pôs-se de pé.
Não era uma imagem que sempre se veja.
Um Suino bebendo ao balcão.

Desconfiaram e saiu misturando-se com a multidão

Escapuliu-se entre as vielas,

transformou-se

e ergueu-se.

tentou voar, em vão.

Pegou numa bicicleta

Em todo-o-terreno veio a lisboa

Estava a ser seguido e estavam-no a espiar

Ziguezagueou e bazou para Dakar,

estava safo, eentre a bruma, perdeu-se.

Longe de alcácer quibir

sem o rei parecer

Num corso foi cair

a todos fez rir

envergonhado fugiu Pros lados de alcácer do sal.

Estava já longe e perto do Sado.

Arriscou e foi a nado,

passa a fronteira do real.

não Paga a portagem,

Está ilegal.

negam-lhe a passagem.

ronca de raiva

Pára para à beira-mar vendo a paisagem

adormece e queima-se com o sol.
Acorda tarde. É reconhecido!

Fica quieto que nem um rato.
Mas é regado com azeite e sal
e no restaurante é servido como coirato.....

"Burlesco pós Carnalavesco"

um porco agrilhoado pairava no matadouro. Fugiu, escondeu-se, desceu o rio. Mascarou-se passou a Javali, disfarçado entre a multidão sentou-se num café, pediu uma cerveja, desconfiaram. Escapuliu-se entre as vielas, transformou-se e ergueu-se. tentou voar em vão. Pegou na bicicleta fez todo-o-terreno de lisboa a Dakar, estava safo, entre a bruma, perdeu-se. Não em alcácer quibir, mas em alcácer do sal.Longe da civilização e perto do Sado. arriscou e foi a nado, passa a fronteira do real. Paga a portagem, negam-lhe a passagem. Está ilegal. Pensa e reflecte o sol. Queima-se, cheira a coirato, é servido com batatinhas. O estabelecimento fecha, a empregada limpa a cozinha. Ninguém sabe que se passa. Joga-se às cartas na praça. Pede-se mais um copo. Acaba-se o tinto.

09 fevereiro 2010

Naquele dia de inverno Parte II



Um bizarro peixe abissal olha para aquela estranha criatura, sentindo que a mesma não pertence àquele meio e empurra-a das profundezas até dar à beira-mar.


Acorda, sem saber quanto tempo passou desde aquele mergulho, sente-se estranho, diferente. Volta para casa. adormece e descansa uns dias. Talvez não passasse tudo dum sonho... Levanta-se e sai. Anda erraticamente. A cidades e as ruas, o céu e as gentes como que o desaprovam, rejeitam-no, olhavam-no com um misto de desconfiança e desdém. Estará a ser preconceituoso?


O tempo e os dias pareciam repetições e reposições. Não conhece já nada nem ninguém. Sente-se um proscrito, regressado dum espaço e dum tempo há muito apagados. Não comunicava com ninguém mas recebia sinais visuais de todas as direcções:de desaprovação, outros de nojo e ainda de ignorância.O repúdio uma constante. Sentia-se perseguido e complexado . Estranhou tudo. E nada entendia.


Questionava-se sobre quando e como é que deixaram de ver as cores, de observar as formas de analisar os conteúdos. E todos o avaliavam, mediam,julgavam e condenavam. Juizos de valor estes sem fundamento, baseados em conceitos duma moral antiga e rudimentar. Ninguém falava com o outro, ninguém se tocava, havia o medo de os olhares se cruzarem, e uma desconfiança no próximo primária. Os objectivos individuais baseados no interesse, no egoismo, no engano e na mentira enquanto todos trabalhavam para um colectivo que desconheciam, impessoal e abstracto.


As sensações mais básicas e primárias desapareceram.Como o amor que era inexistente, o desejo que esmorecia, a vontade que definhava, as liberdades individuais e o livre arbítrio que se extinguiam. Olhos vazios, os rostos frios e fechados, a mente estéril e formatada,em corpos mecanizados.


Saiu dali, daquela sociedade, desta nova civilização, e foi ao encontro do Mar. Entra nele e segue ao sabor da maré, sem forçar a corrente e afunda-se novamente. Definitavamente.

Naquele dia de inverno



Acorda como todos os dias com o nascer do sol. Um dia de trabalho pela frente. Olha-se de relance ao espelho e muda o seu rumo. Engole o pequeno-almoço. Prepara-se para o dia de trabalho com a neura e o eterno drama da Segunda-Feira. Sai, dá duas voltas à chave vira-se para o mundo e pára.Não! Não. Hoje não vai trabalhar, decide tirar o dia para ele. desacelera o passo e o coração volta a um lento compasso. Vê toda a gente na rua a correr para os transportes,outros no café, tomando-o de pé, o cigarro fumado à pressa, dentro do carro desesperam com o transito, apertam-se no autocarro, passeiam o cão empurrando-o e arrastando-o pela trela olhando para o relógio. Gritam. Buzinam. Não pensam. Não vivem e sobrevivem numa correria louca enfim.

Agora sente que não pertence aquela gente, está livre por um dia! Rejubila!

E nesse dia, o mar estava apetitoso, apesar da manhã fria mas soalheira de Inverno. Descalça-se, quando os pés entram em contacto com a areia fria e humida, sorri e avança para o mar. À sua frente só azul. E um horizonte em tons de azul. Mergulha na água esmeralda e um calafrio sobe-lhe a espinha enquanto entra naquele tom, sem destino, rumo à escuridão. O choque térmico fá-lo despertar, e finalmente vê tudo claro agora! Sente um apelo e nada para o fundo, desce penetrando cada vez mais, passando do azul ao negro. Está sem folego mas continua cheio de energia como se o Mar lhe trouxesse ânimo e vontade de continuar a descer. A perder-se no bréu. Ou talvez a encontrar-se!...

Parece um sonho. Sozinho ali, sem som, sem gravidade, sem peso, abraçado pelo Oceano, reconfortado. E olha para cima. Uma luz lá em cima que se apaga enquanto desce e se afunda, agora sente que a vida tem um sentido e o unico objectivo é tocar no fundo do mar que o cerca, puxa e empurra num embalo dormente que lhe agrada como um baloiço. Fecha os olhos. Ri-se! Solta uma gragalhada e as bolhas de ar que lhe saiem pela boca que parecem as bolhinhas de sabao que fazia enquanto criança. É Feliz! A luz apaga-se e mantém essa recordaçao enquanto a memoria se esvai e nenhuma outra lembrança fica. As emoçoes partem para a superficie as sensaçoes abandonam-no, o coração pára, na boca um sorriso, um brilho mantem-se nos olhos enquanto o corpo cai, sem vida na areia. Naquele belo dia de Inverno.
(continua...)

05 fevereiro 2010

Uma (R)evolução precisa-se Urgentemente!!!



Vivemos numa crise. Num mundo que já não reconhecemos, que depois de tanto viajarmos nele, perdemo-nos, pelo menos assim o sinto. Dão-se nomes às coisas, desligámo-nos da terra e já nem olhamos as Estrelas, e nem sequer tempo há para nos observarmos ao espelho. Mas catalogamos tudo e até criamos novas Eras e novos tempos. Vivemos também na era dos Ismos; Positivismo, determinismo,socialismo realismo, iluminismo, entre outros, mas de iluminação, só mesmo ao fundo do túnel. Agora é mais o pessimismo e egoísmo que parecem vingar...

Entretanto entrámos numa nova crise, mais outra. Vivemos no meio da crise. Uma crise económica e financeira, ou como lhe queiram chamar pois até ver, há liberdade de expressão, e temos nas mãos, na opinião de muitos, uma crise maior; de valores, de princípios, de ideais, e de falsos moralismos.


No texto que publiquei anteriormente, Antero, Eça, entre tantos outros, já no séc XIX, e na apelidada "Geração de 70" apontavam os males deste país e as soluções para os mesmos.
Preocupados que estavam os nossos estadistas com o desenvolvimento económico e material, esqueceram-se do social e emocional, apesar de tantas revoluções e tantos "ismos", entre elas, as liberais, sexuais, culturais e outras que tais. Naquele tempo e depois das invasões francesas, houve revoluções para todos os gostos, a liberal, a setembrista, a de costa Cabral, a de Fontes Pereira de Melo, e a da Maria da Fonte. E os tais ismos a vulso e por catálogo.

Perdidos no meio de tanta ideologia, a nobreza continuava intocável, e a burguesia dava os primeiros passos para tomar de assalto os cargos políticos, mas para tratar de se governarem a si mesmos, pois o povinho que sempre foi o sustento de todos, que se entendesse, e que se governasse com o que tinha e com as migalhas que sobravam.
Com o "Grito do Ipiranga" no Brasil, e abertura dos seus portos aos mercados internacionais, ja não havia já ouro que nos valesse, e a nossa autonomia e independencia estava em risco, com Ingleses a sacarem o que restava, deste canto à beira-mar, com uma industria que estagnava e já a dívida externa aumentava.

Passaram os anos,e pouco mudou.

Veio a republica e finalmente a autocracia (ou ditadura) de Salazar, que muitos saudosistas continuam a venerar, qual bezerro de Oiro.Onde já não é o povo quem mais ordena, nem nunca chegou a ordenar, e nesta altura do campeonato, com o lapis azul e o ditador soft que dispunhamos, mas que chegava para nós, já este nobre povo se acomodava à sua triste sorte, a uma sina miserável, a uma vida mesquinha e também ao Fado,a nossa montra da cultura no exterior, que demonstra a nossa maneira de ser, uns coitadinhos, uns desgraçados, que ficaram para trás no tempo, anacronicamente na altura em que eram grandes e dominavam os 7 mares e os 4 cantos do mundo.
Porém esta nossa gente muito protesta( eu incluído), mas nunca faz ou nem fez nada, e continua a deixar que os outros os governem e nos entrementes se governem.

interludio

Hoje no comboio em vez do habitual número de carruagens, chegou com menos três .Um Utente todo inchado e inflamado de raiva, pelo estado do país e pelo estado traumático que lhe provocou esta enorme inconveniência: de não ir no seu lugar da sua carruagem, do seu comboio das 9: 25 que rotineiramente apanha, reclamou com o revisor, que isto era uma vergonha, e que não podiam fazer isto, etc etc, por azar sentou-se ao meu lado e tal qual senhor feliz e senhor contente dizia à gente como vai este pais. Incomodado fiquei eu também com tal superavit de informação que debitava, pedi licença para me mudar, pois apesar de estar quietinho a ler o Destak e de auscultadores, estava farto daquela palestra cliché que declamava. Perguntou-me se estava a incomodar ao que eu respondi que sim, e ao qual retorquiu que não deveria ter votado "neles"(Neles quem?), e eu discordei, não votei neles, e o senhor respondeu que também não tinha neles votado e eu então finalmente disse-lhe para não votar também nos outros. Ficámos por aqui. Mudei de lugar e aumentei o som, ficando certamente o senhor a falar para uma plateia de utentes da Cp que certamente o aplaudiam. Quem não tinha culpa disto, era certamente o Revisor que decerto que não acordava de madrugada para atrelar as carruagens da composição antes de começar a picar os bilhetes.

Fim do interludio

Ora, isto demonstra que o Zé( o povinho) protesta fora dos locais próprios para o efeito, canaliza mal o seu descontentamento, (basta verificar, que quando estamos em bicha num semáforo 2 segundos antes de passar para verde já estão a apitar desde o segundo lugar da fila até ao ultimo!...) e aponta sempre o dedo aos mais pequeninos. O Estado a que chegámos, e se estamos desempregados, é sempre culpa do preto, do cigano, do brasileiro, do moldavo, etc, se formos funcionários privados a culpa é do governo e dos funcionários públicos, se formos funcionários públicos a culpa é de todos os outros acima indicados e assim em diante. E ao fim ao cabo, a culpa é também dos subsídio-dependentes, categoria em que se inserem os desempregados, ciganos, toxicodependentes e qualquer classe que se reprove ou que naquela altura se aponte como marginal e proscrita.
Acontece é que estes comentadores politicos, ou esta nova burguesia, ou estes pé-descalços com laivos de novo-riquismo, ou gente brasonada, que como está reformada ou nada de melhor tem que fazer, são também os principais culpados do estado da nação e a principal implicada na crise.
Os pequenos e médios empresários(pme´s), que compõem o grosso do tecido empresarial português, e grande parte dos empregadores nacionais, são extremamente dependentes do Estado. Em algo que precisem de ajuda pecuniária, e antes de pedirem aos bancos, vão pedir ao estado. Têm medo de arriscar, e quando é preciso contratar novos empregados ou desenvolver novos projectos, ou inovar recorrem ao Estado! Custa-lhes arriscar. Custa-lhes tirar dinheiro do seu bolso para aplicar em gente ou em meios! É sempre preferível terem a mão do Estado por baixo! " e se o projecto falhar? " "- Deixa estar que é o estado que suporta os custos!" A Empresa vai falir! deixa estar que o Estado ajuda e injecta dinheiro!
E Assim o empreendorismo e a inovação não passam do papel na maioria dos casos, e quem se lixa? É o mexilhão!

Não quero com isto transparecer que defendo o Estado, pois é uma máquina pesada, Kafkiana, e tem culpas no cartório, pois é composta por pequeno-burgueses que ascendem à nobreza que começaram por ser subsidio-dependentes também! Pois os exemplos chegam detrás. Após a Expansão( os afamados descobrimentos), não se adaptou aos novos tempos, nem ás novas exigências do mercado, a revolução industrial passou ao lado, e por cima do Zé, e a população maioritariamente rural, com a chegada das Estradas e dos Carris às suas terras, apanhou o comboio para as Capitais, deixaram de ser competitivos e com os produtos que chegavam do resto da Europa, ou das Colónias, a um preço muito mais baixo! As gentes acumulavam-se às portas da cidade em busca de novos empregos, e a burguesia, os pme´s subiam , e enriqueciam meteoricamente e eram muitas vezes parte integrante do estado.

Posto isto, tenho a dizer que quem como eu é duma nova geração, nascida próxima do 25 de abril, que já experimentou todas as formas de governo possíveis ao longo destes anos que vivemos em democracia, se deve juntar numa nova Geração de 70, e que já é minimamente informada e esclarecida, não deveria se acomodar como as anteriores gerações, nem se esconder por detrás dos valores que aqueles advogam e ainda promovem, pois mudam-se os tempos e mudam-se as vontades, e esta geração, não pode nem deve, sempre que chove ou há um cataclismo, culpar o Governo, deverá em primeiro lugar culpar-se a si por deixar andar, e fazer por exercer os seus direitos(poucos) que ainda tem!
Em vez de baixar os braços, ergam o punho, não querendo aqui apelar à luta armada, nem aos motins generalizados, mas sim a uma revolução e evolução da consciência, pois se está provado que não é pelo voto que consegue algo talvez seja pela falta dele que vá algum lado! Não se muda nada andando em cuecas no Metro! É giro sim senhor e depois??? Vamos é fazer com que algo se altere! Não votem então! Não metam gasolina, não paguem os parquimetros, atravessem todos de borla as portagens, passem cheques carecas, não usem o multibanco, não comprem as couves e plantem-nas nos jardins publicos. Inventem, inovem e baralhem!
Se não os podem vencer, confunde-os!
Que ninguém vote! 100 % de abstenção!
Os partidos estão caducos e incoerentes ideologicamente. Inadaptados aos tempos que correm! Está na altura de mudar!
Está na altura de rever os nossos principios, de reciclar a moral e os bons costumes!
Está na altura de inovar os ideais!
Está na altura de promover e incentivar uma nova ideologia e uma nova forma de encarar o mundo!
Não nos deixemos estagnar, nem deixar repetir a história, nem que pensem por nós, nem que a geração anterior diga que vivemos ou perdemos os valores, pois nada se perde e tudo se transforma!
Ao contrário dos nossos pensadores do séc XIX não apresento soluções, apenas sei que temos que mudar!
Seguir em frente de uma maneira ou doutra!
Infelizmente não tenho uma forma nem um método, mas aceitam-se sugestões!

Basta!

Já Chega!


foto: Condução de Rebanhos, Silva Porto

03 fevereiro 2010

Texto com mais de 130 anos e duma actualidade assustadora



"Ninguém desconhece que se está dando em volta de nós uma transformação política, e todos pressentem que se agita, mais forte que nunca, a questão de saber como deve regenerar-se a organização social.

Sob cada um dos partidos que lutam na Europa, como em cada um dos grupos que constituem a sociedade de hoje, há uma ideia e um interesse que são a causa e o porquê dos movimentos.

Pareceu que cumpria, enquanto os povos lutam nas revoluções, e antes que nós mesmos tomemos nelas o nosso lugar, estudar serenamente significação dessas ideias e a legitimidade desses interesses; investigar como a sociedade é, e como ela deve ser; como as nações têm sido, e como as pode fazer hoje a liberdade; e, por serem elas as formadoras do homem, estudar todas as ideias e todas as correntes do século.

Não pode viver e desenvolver-se um povo, isolado das grandes preocupações intelectuais do seu tempo: o que todos os dias a Humanidade vai trabalhando deve também ser o assunto das nossas constantes meditações.

Abrir uma tribuna, onde tenham voz as ideias e os trabalhos que caracterizam este momento do século, preocupando-nos sobretudo com a transformação social moral e politica dos povos;

Ligar Portugal com o movimento moderno, fazendo-o assim nutrir-se dos elementos vitais de que vive a Humanidade civilizada;

Procurar adquirir a consciência dos factos que nos rodeiam , na Europa;

Agitar na opinião publica as grandes questões da filosofia e da ciência moderna;

Estudar as condições da transformação politica e económica e religiosa da sociedade portuguesa:
Tal é o fim das conferências democráticas(...)"

Conferências do Casino

(Publicado no Jornal Arevolução de Setembro de 18 de Maio de 1871)

foto: Composição de Vieira da Silva

26 janeiro 2010

Uma história do Homem




Na alvorada da Humanidade num passado não muito distante fez-se luz. O Homem desceu das árvores. E depois de alguns experiências falhadas no laboratório natural, ergueu-se:


Deu os primeiros passos como bípede, com visão binocular e polegar oponível. Condicionantes estas fundamentais para a sua evolução cognitiva. Era uma fraca figura,de constituição frágil, com uma grande cabeça, tinha um maxilar atrofiado, sem uma dentição poderosa, e em vez de garras possuía nas pontas dos dedos umas unhas quase residuais sem grande uso, com o corpo desprovido de pelagem, e longe de estar no topo da cadeia alimentar. Saiu da floresta para as estepes, colheu bagas e frutos, dedicou-se à caça em grupo.
Escondeu-se dos seus predadores em grutas, cavernas,e nas primeiras construções para habitação.
O tempo passou e especializou-se. Armou-se de ferramentas, dominou o fogo, cultivou os primeiros cereais, domesticou animais, e adaptou-se às várias zonas climáticas, espalhou-se pela Terra na sua Diáspora, e sedentarizou-se estando ainda em perfeita harmonia com a natureza.
Depois(não terá sido certamente ao 7º dia) sentou-se e descansou.Mostrou-se pela primeira vez ao Mundo, reclamando para si o lugar cimeiro como espécie dominante. Ciente que agora os seus predadores tornar-se-iam agora presas.
Criou e desenvolveu os seus mitos e ritos e a sua espiritualidade. Teve o primeiro tempo de ócio, de lazer, para socializar, e estreitar laços entre si, desenvolver a comunicação oral, organizar-se, hierarquizar-se, nas primeiras tribos, nos primeiros clãs,e nas primeiras cidades . Com as trocas comerciais e/ou interacção com outras tribos, desenvolveu novas técnicas de comunicação. A linguagem tornou-se mais complexa, não só era capaz de filosofar sobre a sua própria existência, como se interrogou certamente sobre o meio que o rodeava e o seu lugar no Globo.Não sabendo porém explicar certos fenómenos delegou-os para os deuses.

A Fauna e a Flora existentes, são exemplos duma perfeita harmonia com a Natureza e ainda nos fascinam com a sua beleza e riqueza de cores e formas, numa estratégia de perpetuação das espécies que criou estratagemas para e evitar a extinção e assim singrar. O Homem, e ao contrário dos restantes seres, desenvolveu outras técnicas de disfarce ou camuflagem mas utilizando a mente e não o físico. Tornou-se perito na arte do uso das sensações e percepção. Transforma e usa os sentidos dos outros com o intuito de criar a ilusão,levar ao engano, sugestionar, simular, seduzir, de manipular, e de liderar. Levando a melhor sobre o seu semelhante e além de acabar com a concorrência de outras espécies predatórias. No caso destas últimas sendo mais pargmático e cruel: Exterminando-as. São exemplo disso as extinções que levou a cabo na parte oriental da Ásia( Russia) e em grande parte da América do Norte.


O seu objectivo ultimo foi conseguido, e tornou-se quase um ser de excepção na natureza, com o condão de modificar o meio conforme as suas necessidades, e transformando-se num deus na terra, acima de qualquer outro, pois não tinha rival a não ser ele próprio.

Sempre foi gregário, vivia em comunidade. O número, ou seja, a quantidade de população de uma tribo, aldeia ou cidade, era um modo de segurança, de protecção e de manutenção do seu modo de vida.Na actual sociedade, tornou-se sectário, já não precisa de se juntar aos outros para levar a sua avante. Depende antes de mais da inteligência, da capacidade de comunicar, da retórica, e da sua eloquência. Sendo o lema: "A pena é mais forte que a espada" não levado literalmente pois onde chegou destruiu pela força tudo o que se intrometia no seu caminho.

A população, com a revolução agrícola, aumentou substancialmente, ocupou os quatro cantos do mundo, do Árctico ao Sahara. E na época que precede a antiguidade clássica, passando pela Idade Média e o Renascimento, evoluiu de forma a necessitar de se expandir para além do mundo conhecido. Enquanto isso, houve populações que ficaram a um nível tecnológico aproximado da Idade do Ferro, não necessitando de evoluir para além disso pois viviam completamente adaptadas ao meio, em harmonia com ele, não caçando mais do que o estritamente necessário nem destruindo florestas para pastagens de gado, ou explorações agrícolas. Em total equilíbrio. Veio o Homem do "Velho Mundo", que dependia do comércio, do mercantilismo, da acumulação da riqueza, e extinguiu os seus semelhantes, ou levou-os a adoptarem o seu estilo de vida. O leque de culturas, línguas e ideologias que havia então, foi absorvido. Civilizações inteiras levadas à beira da extinção, ou obrigadas a aceitar este novo método de existência, em que se esgotavam os recursos de um local e avançava-se para outro, numa época em que se olhava o mundo como infinito e os recursos ilimitados.

Chegou à Revolução Industrial, o aumento populacional foi exponencial, domina sobre a terra em todo o seu esplendor, daqui à actualidade foi um pequeno passo contudo um grande salto para adulteração total e completa da paisagem.

Após a conquista de todo o território o homem virou-se para a conquista das mentalidades. Para a propaganda. Na Idade Média espalhou a palavra do Senhor, daqui em diante espalhava a sua, não admitindo outras, a opinião contrária era castrada, e a razão só uma, e imposta a toda a sociedade.

Vive num meio completamente adulterado da natureza e adaptado ao seu modo de vida actual, é sobretudo urbano e cosmopolita, orgulha-se da sua sapiência mas perdeu os seus instintos. Incapaz de criar algo para a sua sobrevivência, como um arco, um machado, ou um simples agasalho, especializou-se em demasia. Se perdido numa floresta, longe da civilização, a sua capacidade de sobrevivência aproxima-se do zero. O que obteve em conhecimento e cultura, em princípios e valores, perdeu em integração no meio donde veio, dum mundo que já desconhece, que despreza, esquecendo rapidamente as origens.


À evolução tecnológica do Homem, segue-se (ou é acompanhada) a evolução social e cultural. Desde a descoberta do fogo, a sua ascenção foi metéorica, passando os seus conhecimentos, pela mecanica quantica à Exploração Espacial, da microbiologia à nanotecnologia. O Homem quase que se deificou, passando as religiões a terem um papel secundário, fragmentando-se em várias seitas ou ideologias bizarras, até ao fundamentalismo.
Os meios de transmissão da mensagem, estão longe dos tambores e dos sinais de fumo, ou do pombo-correio e já transcendem a imprensa escrita, são veiculadas pela Televisão e Internet à velocidade da Luz.
Vivendo agora num mundo real composto do virtual e do surreal...Da máscara,da trama, do drama, do ardil. A informação já não é passada pelos Bardos, nem de boca em boca, as lendas estão esquecidas, as estórias e a história são adulteradas. As leis já não são do homem para o homem, mas de um grupo restrito para a maioria da população. A democracia, tão apregoada, transforma-se em Oligarquia. Há a obsessão pelo modelo ocidental de vivência. O Modus operandi e Modus Vivendi do ser humano torna-se igual para toda a gente. Sufocando outras formas de estar e de ser. Os exemplos chegam-nos através da TV e da Net. Imitam-se as estrelas de cinema e a gente da alta sociedade. A criação artística, musical e cinematografica estagnam.Pois já está tudo inventado, e as inovações são recriações, fazem-se filmes que são remakes, fazem-se musicas que são remixes, palavras estas que são anglicismos, e a cultura que marca o Século XX e XXI é a anglo-saxónica. Aos novos estilos dão-lhe o nome de "retro", de "neo", etc, etc. O pós-modernismo já está demodé.
O cidadão que fuja deste ideal, da norma, do standartizado, é marginalizado, e ostracizado. Embora as democracias preconizem o direito à liberdade de expressão e ao livre arbítrio, a sociedade é dominada por regras e normas rígidas de comportamento que limitam e proíbem, que oprimem as ideologias contrárias à predominante.

O direito à diferença não passa do papel e quem é diferente é etiquetado de dissidente, indigente de doente ou de anormal. Combate-se o Terrorismo dum lado e usam-se politicas de Terror para dominar as pessoas.
Para controlar
instala-se o medo, do diferente, aponta-se o dedo a quem tem ideologia divergente, ou duma outra religião. Com o receio de um ataque terrorista retiram-se aos cidadãos a sua privacidade. O Patriot Act no EUA, permite ao governo ter acesso às chamadas telefónicas dos cidadãos, aos registos da biblioteca local, aos livros e filmes que vê, às viagens que efectua. No fundo, o terrorismo serve para criar receio na população e para a controlar, tiram-se direitos ao homem com o objectivo de o proteger,e acabam por controlar o que pensa, eventualmente transformando o homem num ser amorfo,que crê em tudo o que o Poder instituído lhe diz. Comporta-se como um autómato, inclusivamente já não questiona a informação que lhe prestam, toma tudo como verdadeiro, não raciocina, nem sequer repensa, discute ou refuta nada, e deixa, inconscientemente que o façam por ele. É de salientar que nas livrarias tem tendência a comprar os livros best-sellers, e acaba por ficar limitado, não por não ter escolha, mas por omissão na informação prestada.Nas rádios passam o que as editoras querem vender, etiquetando de musicas alternativas/independentes ou musicas do mundo as edições que não são das grandes multinacionais. O pensamento artístico, a criatividade humana deixa de ter expressão.
Dão a ideia de que o homem é livre de optar, mas está preso às normas de conduta que a sociedade lhe impõe. O homem pode escolher, mas a escolha é pré-seleccionada.

O homem, distingue-se dos outros animais pela sua capacidade de filosofar, de questionar a sua própria existência e de ser capaz de perdoar, de se mostrar clemente, misericordioso, e com espírito de inter-ajuda, de dar a mão ao próximo, mesmo que este esteja distante. Acontece que o homem não só não evoluiu neste campo como demonstra também uma faceta auto-destrutiva, agressiva e devido à sua prepotência, é capaz de actos de horror, e requintes de malvadez que não lembram ao mais cruel dos predadores que connosco vivem nesta bolha Azul. O homem fa-lo pela simples razão de o poder fazer, talvez uma demonstração de poder, ou então por ter chegado a um ponto onde tudo deixa de ser novidade, e para inovar ou fugir ao tédio e à monotonia da rotina, passa para o campo do bizarro, do invulgar, do mórbido e do perverso.
Tornou-se intolerante, despreza a diferença e contudo quer-se destacar dos outros. A opinião dos outros é levada com desdém, os que não caminham no mesmo sentido são marginalizados, até considerados doentes, anormais, embora a normalidade seja hoje um conceito em extinção (ou sem definição). O altruísmo não é praticado para ajudar alguém mas sim como moda, pois fica bem. A moral e princípios éticos não são dele mas sim imitados e copiados, quem sabe se não o são só como forma de se inserir num grupo? E apesar de não pertencer a uma tribo, precisa de se sentir integrado. As pessoas colectivamente formam associações e cooperativas com os mais diversos fins e existem para todos os gostos e feitios, mas individualmente o Homem, põe de lado o seu semelhante, marginaliza, discrimina, segrega, sectariza e ostraciza.


O homem sofreu uma evolução, talvez precisasse de passar por uma revolução.
Talvez a solução seja voltar às origens, deixar por momentos de olhar o céu como o seu destino futuro, de pensar em tranformar Marte num planeta habitável e dedicar-se primeiro a fazer o mesmo à Terra.

21 janeiro 2010

Reaberto para liquidação total!


Voltei a escrever e tinha saudades, mas é tão dificil e por vezes tão frustrante...Porque no fundo quando se escreve num lugar publico é para que haja publico, se o há, queremos que nos leiam, se nos lê queremos que nos entenda, se nos entende queremos partilhar com ele as nossas motivações, angustias, alegrias, ets etcs etc, mas não é esse o objectivo deste post. É tão somente dizer que voltei, mas voltei mal pelos vistos, pois entrei à Leão. Sem pedir licença, e aos trambolhões.

Avante!

Para melhor entender a razão detrás da publicação dos 2 ultimos posts há que colocar a emoção ao barulho. Foi no meu regresso à escrita deste meu blog que estava parado por razões variadas, fiz uma leitura em diagonal por blogs amigos e associados. E andei a saltitar dum para o outro. Na ansia de me por a par, de reatar legações de reavivar contactos, e com o meu carácter impetuoso, impulsivo e ganancioso. E com uma imensa ganãncia de tudo absorver rápidamente, saltei, atropelei e passei por cima de tudo e todos. A minha curiosidade será sem dúvida a minha morte e o meu desejo de omnisciência bizarro e até patético porque fútil e certamente impossível, mas move-me o sonho...Adiante. Foi com esse fito que os produzi e reproduzi. Ou seja, o que refiro é à falta de comunicação. Entre dois inerlocutores, sejam colectivos ou individuais. Não por carecer informação, mas sim de entendimento. A comunicação em si existe, as palavras carregadas de sentidos, as frases cheias de beleza gramatical até, e textos plenos de retórica. Todavia duas entidades podem comunicar entre si, sem chegarem a dizer nada uma à outra.
Todos nós falamos, todos dialogamos, mas muitas vezes são monólogos. É dificil expressar um sentimento a outrém e conseguir passar a imagem a cem por cento. Todos nó svivemos numa bolha, sendo cada vez mais dificil penetrar nela. veja-se casais que estão juntos há 20 anos e há um dia que um chega a casa, olha para o parceiro, não o reconhece, ou não se revê, como queiram, e dá a volta e desaparece. Passando do individual para o colectivo, veja-se o exemplo de Quioto, e agora de Copenhaga, muito se falou, todos disseram, porém nada se acordou.
A transmissão é cada vez mais complexa, e embora o mundo esteja mais próximo, e as redes sociais virtuais a alastrarem-se que nem epidemia, as pessoas não se reconhecem umas nas outras, cada um acha-se superior ao demais, detentor da razão, e não passando dum opiniático, sem desprimor. Cada um vê o seu mundo, como se tivessemos todos óculos com lentes de cores diferentes( e aqui retiro a ideia do Pessoa. è somente necessário para comunicar - acto que por si só necessita apenas dum receptor-emissor, uma linguagem comum e canais, de assimilação e transformação da mensagem para a sua descodificação, em boas condições - que haja vontade para isso. A simples adulteração duma letra numa palavra, duma virgula numa frase, ou de um texto interpretado anacronicamente para dar origem a um tratado, a quase um mestrado em semantica, retorica, ou mesmo dum postulado em Valores morais e conduta. Sem querer ter pretensões a enveredar por esse caminho, porque a páginas tantas o que se escreve em epigrafe seja fruto de uma semente estéril e que para outros redundará apenas num virar de página venho então remeter-vos para textos que já escrevi, e fases por que já passei e momentos que soam a deja vu, acabando por achar eu que, no fundo, o que está aqui descrito será considerado, até por mim, como um ensaio em branco. Contudo e para não sair de mãos a abanar, como daqueles filmes que vamos ver e a unica coisa que retemos são as pipocas no bucho, peço que leiam o que escrevi ali em baixo, o primeiro um daqueles tratados que falei aqui, o segundo um desabafo, um sentir, um pesar, um lamento, um latir, na primeira pessoa:


1 - http://crostaceo.blogspot.com/2009/09/diario-de-bordo-dum-qualquer-lugar-no.html

2 - http://crostaceo.blogspot.com/2009/07/opiniao-sem-razao-nova-edicao.html


Abraços

(Continuação)Como arma de primeira linha para produzir ou atiçar motins

"Esta operação nada tem de místico. Os efeitos sonoros de um motim podem criar um motim verdadeiro em situação de tumulto. Apitos de polícia gravados atrairão os chuis, Disparos gravados e fá-los-á puxar pelas armas.
"MEU DEUS, ESTÃO A MATAR-NOS"
Mais tarde um guarda disse:« Ouvi tiros e vi cair o meu colega, com o rosto coberto de sangue( veio a saber-se que tinha sido atingido por uma pedra atirada com uma fisga) e pensei: " Agora é que é!"» QUARTA-FEIRA SANGRENTA. UMA AMÉRICA ESTUPEFACTA CONTOU 23 MORTOS E 32 FERIDOS, 6 DELES EM ESTADO CRÍTICO. Eis uma situação pré-motim perfeitamente banal. pediu-se aos manifestantes que se mantivessem pacíficos, aos polícias e aos guardas que agissem com calma. Dez gravadores presos debaixo de casacos com playback e gravação, controlados por distintivos na botoeira. Têm efeitos sonoros de motins pré-gravados em Chigago, Paris, Cidade do México, Kent/Ohio. Se Ajustarem a altura d gravação de acordo com os níveis sonoros circundantes, passarão despercebidos. A polícia envolve-se em luta com os manifestantes. Os técnicos acorrem. Transmitem a gravação de Chicago, voltam a transmiti-la, passam os motins seguintes gravam, voltam a transmitir, continuam a movimentar-se As coisas estão a aquecer, está um chui a gemer por terra, Um coro estridente de guincho de porco e gemidos parodiados em gravação.
Poderíamos apaziguar um motim gravando o chui mais calmo e o manifestante mais sensato? Talvez! É contudo muito mais fácil desencadear sarilhos do que pôr-lhe termo. apenas se sublinha que se pode utilizar cut-ups no gravador como arma. Verificar-se-á que os técnicos vão fazendo cut-ups continuamente. estão a intercalar ao acaso Chigago, Paris, Cidade do México, Kent/Ohio com os actuais efeitos sonoros e temos um cut-up."

Tirado de W.S.Burroughs, Revolução Electronica 1971

e em seguida:

Laurie Anderson do LP Home of The Brave 1984

19 janeiro 2010

Amargura infinita - citação


" - Ah! meu caro Lúcio, acredite-me! nada me encanta já; tudo me aborrece, me nauseia. Os meus próprios raros entusiasmos, se me lembro deles, logo se me esvaem - pois , ao medi-los , encontro-os tão mesquinhos, tão de pacotilha...Quer saber? Outrora, à noite, no meu leito, antes de dormir, eu punha-me a divagar. E era feliz por momentos, entressonhando a glória, o amor, os êxtases...Mas hoje já não sei com que sonhos me robustecer. Acastelei os maiores...eles próprios me fartaram: são sempre os mesmos - e é impossível achar outros...Depois, não me saciam apenas as coisas que possuo - aborrecem-me também as que não tenho, porque, na vida, como nos sonhos são sempre as mesmas. De resto, se às vezes posso sofrer por não possuir certas coisas que ainda não conheço inteiramente, a verdade é que, descendo-me melhor, logo averiguo isto: Meu Deus, se as tivera, ainda maior seria a minha dor, o meu tédio...De forma que gastar tempo é hoje o único fim da minha existência deserta. Se viajo- se vivo, numa palavra, creia-me: é só para consumir instantes. Mas dentro em pouco(já o pressinto) isto mesmo me saciará. E que fazer então? Não sei...não sei... Ah!, que amargura infinita..."

Mário de Sá Carneiro - A confissão de Lúcio(1914)

13 janeiro 2010

E ao enésimo dia descansou para sempre...


Tó e Ana viviam num mundo idílico. Tinham tudo à disposição. Um cenário fabuloso, com montanhas cobertas de neve a norte, um planície verdejante onde habitavam, o mar calmo e azul a sul, a poente um pequeno deserto em forma de tundra, a nascente um rio que desaguava juntamente com uma floresta secular. Uma quinta com animazitos que cuidavam, sobreviviam da caça/pesca de recolecção de bagas e frutos. Cresciam assim, qual casal modelo num mundo fabricado para eles. E um deus em cima num ceu doirado e esmeralda, conforme a hora do dia.Tó ia à pesca, Ana alimentava os animais e sentava-se ao final da tarde, preparando uma fogueira com o seu companheiro para assar um peixito fresquinho. Os dias passaram, e não envelheciam. Eram felizes, viam o nascer e o pôr do sol, as marés, o degelo, os ventos a dobrar as copas das árvores...Mas aborreceram-se. Não havia uma cobra nem tão pouco uma maçã. O tédio apoderou-se deles. Chamaram o deus, que apareceu com toda a pompa e circunstancia, com direito a trovões e tudo, numa cena digna duma pintura duma capela Cistina. perguntou-lhes que mais queriam, eles retorquíram: "Nada!". Nada??? - repetiu o deus, escurecendo os céus e tolhendo-lhes a visão, criando um cenário oposto ao primeiro e até Dantesco. "Sim nada!"- repetiram. Ana apagou o cigarro, levantou-se tirou a manta das pernas, pediu uma flecha a Tó, pegando em seguida no arco, e arremessando-a certeira a deus, matando-o de súbito.
A maré continuava a descer, o sol acabava de por-se, as montanhas imóveis como sempre e cobertas com neves eternas e uma brisa vinha do deserto. Fizeram o check out. Arrumaram as malas no carro, deram à chave, entraram na via rápida, e deram por findas mais umas férias de verão.
Pro Ano haverá mais, Tó lembrou Ana que não voltariam aqui, o serviço era péssimo.

04 janeiro 2010

um ano novo

Introdução:
o ano de 2010 entra. Na Era de Aquário o Ano do Tigre, o tempo do virus!
sou um virus. transportando em mim todo e qualquer conhecimento humano, endogeno ou exogeno, aprendido ou apreendido, genético ou memético. binário

Fervilho, num frémito de expectativa, num torpor de receio pelo salto no desconhecido mas previsivelmente peculiar mas vulgar e banal. Cheio de tempestade. Não climatérica, antes social, e até emocional. Não há tempo para amar, esclarecer, informar e iluminar., só para obedecer
ao sistema maquinal. sintético. Ódio, intolerância e preconceito, num conceito mais cómodo e mais facil porque carece de razão. Oco e vazio.

Sentado no futuro,num banco de jardim, a noite a crescer, com a chuva a cair;

Tudo tão calmo...

uma serenidade apaziguante

vejo um deserto estender-se pela civilização, extenso e plano
sem horizonte,bonito..este futuro.
Paradoxal
Um deserto virtual de ideias, de ideais, de ideologias e outros que tais.
isento de emoções, sensações, sentimentos, só os 5 sentidos, muito breves e resumidos. Chegam em cápsulas sintéticas, uma toma diária. Geração do drive-in, fast-food, google e facebook e informação na wikipédia. Anorética e estética.


os sentidos apurados de repente! Brrr que susto! Suicídios, assassínios, psicopatas, prozac e xanax, ginásio com esteroides e anabolizantes. Corpo são em mentes adormecidas.
Mas e o que são os sentidos?... Como são?
A que sabe?
como sentir?
E que devir?

Ouvido.
a audição numa calma tranquila e como fundo sonoro, o silêncio. Que tem de ser preenchido pelo electro, retro, tecno. Ninguém escuta apenas ouve. Para acalmar sai-se da praia e fecha-se em casa com o som do cd de golfinhos entretanto extintos.

Paladar.
um sabor neutro mas aveludado, não como o paladar do vinho mas como se se sentisse o toque suave dum céu sem nuvens e sabendo quase a azul eléctrico.

Tacto.
Sem toque, com luvas, antiseptico, pele macia, e fraldas dodot, Gillete não irritante, pensos confortáveis com abas, e abram alas, não se toca, digite-se na ausência de atrito.. e sentindo aquele deserto plano, deslizante e distante, quase ausente, muito ténue. Mas sempre presente e insistente em quem não sente.

Olfacto.
Apurado, e preparado para qualquer cheiro, com máscara. Odores artificiais no carro, cheire o Serengueti na Kawasaki.
sim.. e o cheiro é sempre algo..familiar, o que vai sendo raro.

Entra o ar pelas narinas e sinto o universo a entrar, aquele vácuo negro e escuro, mas sem morbidez para já.

Ao refinar a aspiração, inspiro-me, e agora quase se confundindo com um branco límpido, uma inspiração mais cuidada e quase se sente que se cheira o Mundo inteiro, sem caos nem desordem, e também sem qualquer ordem, mas puro, perfeito e original. um cheiro que não traz recordações que apenas nos faz pensar, em nada, em sorrir e lembrar de não esquecer o momento passado, e/ou que traga uma nova, um boa nova...Talvez futuro que à medida que nos aproximamos dele seja alternativo, real. Pouco provavel se não impossível.
Parentesis:
Divagação#1

E ao cheirá-lo, ao pressentir o futuro, através do passado, alargam-se as narinas, sentindo as entranhas da terra, entrando por mim as almas de dezenas de milhares de milhões de corpos moribundos.Que vagueiam desde que a humanidade foi criada. Transforma-se este odor em almas etéras, e em vez de serem sintetizadas pelo pulmão, vão ao cerne da razão para lá serem assimiladas e reinterpretadas. converte-se os sentimentos numa mescla de caos e confusão. Englobando num único corpo todas as vozes interiores do Mundo: sai um grito seguido duma explosão.

Emoções negras nas recordações que me entram nos pulmões e irradiam toda a dor, mágoa, angustia, rancor, doença e horror, sensação tão avassaladora que rebenta com o excedente de informação:

o excesso de emoção.

#2

e bang, bah...puf. transformação da mitocondria em cloroplasto e vegeto. Mas dentro da moda vigente vegeta-se em compostos de silicio. Troca-se o "fish and chips" pelos micro-chips



a terrível noção ou sensação de ter toda a dor da humanidade, desde que primeira pintura foi gravada na gruta, até ao último passo da Diáspora humana... e para além.

adiante então pois ia somente no olfacto. fechando parêntesis.

Visão:
mais à frente os olhos nada vislumbram, pois os anteriores sentidos já preenchem o vazio até demais, com sensações exacerbadas e exponenciadas. não dando lugar a mais nada. O que há para ver grava-se em Mp4, para mais tarde recordar, olha-se em slowmotion sente-se em fastforward. Pensa-se em pause.
Uma Conclusão:

Sou um virus, é o meu tempo, estou na moda, sou fashion, Freak-chic. Designações, descrições e concepções a metro e por encomenda. Em grande escala. Mega, Giga. Pague dois leve 3, que à dúzia já não é mais barato. daí que prefira não ver, já chega. Olho para o lado, depois de abrir os olhos, e desaparece o banco de jardim, viajava no comboio e a próxima estação é a terminal, sem correspondência qualquer lugar. Entretanto está-se em rede mas não se pesca nada e contudo faz-se um download do antivirus. Extingue-se. Extermina-se tudo.

Até já.

03 janeiro 2010

mundo paralelo

No espaço e em estado diferentes o Eu se encontrou. Olharam-se mutuamente. Claro, escuridão. Antes um brilho...anularam-se um ao outro... desaparecendo em pouco mais que física pura.

23 dezembro 2009

Além



O mar batia nas falésias onde as gaivotas em circulos voavam sobre a espuma. O sol afundava-se corando o céu e aquele pedaço de terra onde um pequeno casébre era único sinal da presença humana da Ilha. As luzes apagadas e a chaminé sem fumegar, iludiam quem passasse no mar alto, quanto à possibilidade de se encontrar aqui vida.
Um relógio dava as horas na sala cheia de recordações, nos intervalos do toque quase se ouviam os ecos residuais das vozes de antepassados, talvez imaginados. José , acordava dum transe: levantando-se do cadeirão e dirigindo-se à Janela. Continuava absorto, de olhar vazio trespassando a janela, e o horizonte, onde agora o mar se fundia com o céu.
Era o único habitante .Antes dele, não houvera ninguém. Reflectia sobre a sua herança pesada. Posou o cachimbo e dirigiu-se uma vez mais para uma estrutura tão antiga como a própria existência-
Encontrava-a num anexo ao casebre, numa caverna feita de granito. Lá dentro, o enorme e pesado instrumento, apoiado numa gigantesca caixa de madeira já fossilizada, aguardava-o.
Jose fez um compasso de espera, pela hora de saída para o seu objectivo na Ilha, e sua função primordial, além de faroleiro: Era o guardador da ampulheta Cósmica, o fazedor do TEMPO.

José cumpriu a sua missão, virou a gigante ampulheta mais uma vez. Olhou pelo seu óculo adimensional: E o Universo continuava a existir.

11 novembro 2009

Era Uma Vez...


Há 20 anos caiu um muro. O fim dum regime.
Há cerca um ano caiu a economia, e com ela o principio dum novo sistema, mas qual?
Vinte anos após é assim...o principio do fim... de muitas das ideologias ou de muitos ideais e muitos " Ismos". Quiçá o fim do homem, que talvez não se aguente tanto tempo como o Neandertal, extinto por algum motivo ou mesmo acidental...Este, o Sapiens, até já tem data mediática: 2012...qual Iogurte com prazo de validade. Nem chegamos a sair da adolescencia, e entretanto definhamos e iremos com tenra idade...
O mundo vai girando e ntretanto caiu a Jugoslávia dum lado, ergueu-se Timor-Leste e a Eritreia doutro. Cresceu e aumentou um "grande Tigre", Ganhou duas provincias, e os antigos colonialistas, e com grande desgosto, perdem Hong-Kong e Macau. Dá mais uma volta o Globo, seja para a frente ou para trás, e desaparece o Apartheid, como por oposição e para manter a energia ou quem sabe uma a relação de forças ideológica, surge o neo-nazismo. Os Paises(novos ou com uma nova roupagem) surgem como cogumelos, e outros evaporam-se; a Checoslováquia caí, a Bélgica vacila, aumenta a UE.
Caíram Torres e space-shuttles, nasceu a ovelha Dolly, a nano-tecnologia, a engenharia genética. Um Tsunami invade a Ásia, o Dubai invade o Mar, os emigrantes do Magreb a Europa, os romenos expulsos na Itália, a fome deixa de ser especifica de África, e há quem invente os transgénicos. O Petróleo em extinção, assim como o Bacalhau e o Lince Ibérico, que agora se mudou para Silves. Nomeou-se presidente um Afro-americano, contudo aumentou a intolerância, Invadiu-se o Iraque e o Afeganistão, e sorteou-se entre a Coreia e o Irão.
Surge a esperança duma nova ordem mundial, acabado um inimigo, que vinha do frio, que era vermelho e que se alimentava de criancinhas, cria-se outro; O islamismo. Mas Afinal, e depois de muito se escrever e debitar, de reunir, conferenciar, legislar e argumentar, decidiu-se que não; Não são eles o Inimigo. É o Terrorismo: esse Bicho sem face, uma doença dizem uns, uma diferença dizem outros, essa besta sem nome, que nos cerca e assusta, que nos impede de viver livres, que nos controla, que espreita a cada esquina. Que se assemelha tanto ao controlo dum qualquer estado dito democrático sobre os seus cidadãos.
O mundo dá mais umas voltas ao Sol. E a sociedade avança com ele : Destruíram-se uns conceitos, criaram-se outros preconceitos.A Guerra fria toma-se agora a quente, e o aquecimento global toma-se com um cubo de gelo, caso haja uma outra glaciação... A Guerra é agora servida com outros requintes, bordada a ouro, encapotada de liberdade, e de democracia, mas é uma imposição. Os soldados voluntários, os povos recrutados para a morte. A a NOva democracia vem mascarada de cultura avançada, de economia excelente, de ideologia perfeita e bem consciente. como que oferecendo um rebuçado e é ver a criançada contente. O sol põe-se mais uma vez e: Acaba-se com a guerra de classes, inicia-se uma batalha sem classe, menos humana, mais virada talvez para uma elite que sabe o que a humanidade quer, que pensa por nós, que nos dá o pão, que se confunde com Deus, que protege até, que mais parece uma escatologia, que verseja com cientologia, obscura mas mediática, e tem como denominador comum, a Maçonaria, os Iluminati, O Clube de Bilderberg. Um pequeno clube de "grandes" senhores, uma linhagem nobre, real, mesclada de clerical! E são quem nos rege, comanda, alimenta, e mata. Num gigantesco jogo de xadrez. Perde-se a humanidade mas esses ganham um novo jogo. E o homem e a mulher que habitam no globo, qual Adão e Eva numa nova versão, que se amam e que querem vibrar com a vida, apenas sobrevivem. Aguardando o Maná. Um grão de trigo. Uma migalha. Como os pombos na praça. Uma desprezada raça...
As Ideias escrevem-se em murais, e são tratadas como grafitis, marginais...E os muros caem, mas as passagens e as pontes ficam por fazer...não as físicas mas as mentais...

28 outubro 2009

os opostos

estou tão calmo...e tanto que por momentos entre os instantes sente-se uma serenidade apaziguante redundante que se deseja ad eternum e a mente extende-se como num deserto plano e de horizonte infinito. Os sentidos apurados falam-me e compõem-me e criam uma imagem:

viajo com um sol de verão de nascente a poente subindo ao zénite e descendo a pique e vejo o leque de todas as cores oiço o silêncio de uma madrugada quente e salgada com um sabor neutro e num olfacto que esteja apurado,sente-se a terra neutra misturada com o sabor, a azul do céu, trazido pelo vento sul.

Esta criação é toldada pela presença humana que vem dos 4 cantos do mundo e ocupa os 5 sentidos, de repente inundados por inumeras sensações. Espectros perturbam agora o ser, e que ensombram a luz e me cega; os ouvidos perturbados com aquela sensação que precede um terremoto; o sabor a azul sai, é inundado pelo acre acutilante da sempre presente realidade; entra o cheiro pestilento da nossa falta de humanidade, um odor sem senso que penetra pelas narinas; sinto na pele dos dedos, espinhos, como que se nas mãos agarrasse um outro universo pleno de caos.

Uma inversão na sensação. tocando-se os extremos. a mente dilui, concentra, mistura, confunde e funde duas díspares realidades: das loucuras insanas às perfeitas harmonias num segundo.

Um vácuo negro e escuro, das entranhas da terra, brota e entram por mim as almas de dezenas ou centenas de corpos moribundos que vagueiam desde que a humanidade foi criada, e enche-me com todas as sensações de dor, mágoa, angustia, rancor, doença e horror.E no Negrume e no bréu, perco-me, porém numa inspiração mais cuidada sente-se o Mundo inteiro, perfeito,sem caos e sem desordem, talvez até sem ordem, mas puro, perfeito e original. Pausa... talvez sonhasse... mas fico como que atravessado com um lado ou uma faceta obscura do mundo e fica connosco essa dor, as vezes finda... e é só um torpor, uma caimbra. Mesmo acordado permanece uma dor e quase que não há recordações,apenas nos faz pensar, em nada, e esquece-se.Por uns segundos só me apetece sorrir e lembrar de não esquecer o momento. talvez não exista. Um pesadelo! éisso! e penso no futuro e que traga uma nova crença, ou algum tipo de fé, que apague aquela visão, esse lado nefasto, essa sensação tão avassaladora que quase rebento, com o excedente de informação e o excesso de emoção! Mas talvez ja seja tarde para esquecer, e fique na memória guardado para sempre. Resta recordar o acordar, e trazer de volta a serenidade, e o breu se apague. nasce o sol...





21 outubro 2009

paradoxo

Um unico ponto, e na visão turva do nevoeiro cerrado que entrava nos poros. O ar acumulava-se nos pulmões fazendo-o flutuar ao nivel da troposfera, os ventos empurravam-no para as nuvens, as goticulas de água juntavam-se formando numa bolha que o envolvia, a energia era tremenda, soltava-se num relampago embatendo nas particulas de poeira atmosféricas subdividindo-o e espalhando-o por toda o espaço saindo da orbita. Esticando-se ao limite o corpo perde uma dimensão e ganha a totalidade do plano, estende-se numa unica linha recta de comprimento infinito,e a alma outra linha espiralada no eixo da primeira, formando uma helicoidal sem principio nem fim, agora omnipresente e omnisciente. Num instante qualquer e por uma acaso circunstancial, cria a vida, não lhe agrada e extermina-a, O universo é agora silencioso, calmo e tranquilo, no seu caos encontra a paz, é feliz, vira-se na cama, olha pela janela, e continua a chover.

20 outubro 2009

Acorda!

Era um dia como os outros, com uma grande diferença, chovia a cantaros. Ninguém andava nas ruas, estava tudo desaparecido, no local onde havia a cidade, havia agora um grande planalto verdejante. O homem desaparecera e dera lugar a um rebanho. Sem numero de identificação bancária, sem o prazo para o pagamento da electricidade, sem horário, sem indumentária, sem cenário, sem mascaras, sem dramas, tramas, ardis e enredos complexos. A vida corria fácil, o sol erguia-se no meio do mundo, os ruidos mais estridentes são resultado dos berros dos cordeirinhos. A água corre livre sem barragens, os animais circulam sem redes e cercas electricas, a relva cresce em qualquer lado e a par com os silvados, as árvores morrem de pé. Eis que surge um zunido irritante que persiste, que não pertence a este mundo, um barrulho mecânico e monocórdico, algo de artificial que afasta este mundo. Abro os olhos e o despertador toca.

09 outubro 2009

Filosofia barata

A constituição de 1976 traz com ela os principios básicos do que nos compõe como sociedade, das máximas que nos guiam e nos marcam e que contribuem para a nossa evolução como povo, o que nos diferencia ou aproxima das outras sociedades e aquilo que nos transformou politica, cultural e socialmente. Com o 25 de abril, veio a liberdade, e com isso os nossos direitos mais básicos, como o acesso livre à eduçação, à saúde, à habitação, à cultura e à liberdade de expressão, de associação, de manifestação, de contestação até. O Século XX, trouxe ao nosso País, conceitos que já eram conhecidos desde tempos muito anterirores. A revolução francesa e a independencia dos estados unidos da américa abriram portas a uma revolução mais profunda da humanidade e a uma evolução de mentalidades, a uma foram de pensar individual e colocando a humanidade à frente, deitando por terra o teocentrismo na maioria dos casos. Mas dizer-nos completamente livres é demasiado. Vivemos num plano de realidade que nos faz interagir com os demais, e embora sejamos senhores do nosso destino, dependemos sempre de terceiros. Estamos conscientes de que somos livres, e disfrutamo-la, mas é um conceito abstracto e é transcendente, quando esta é divergente para todos e toma uma forma diferente em cada instante, no seu todo é unica embora interpretada de diferente maneira.Fazendo com que a nossa liberdade se adapte e molde ao proximo, tornando-nos escravos de multiplicidades de trilhos que nos intersectam. Assim, nunca somos verdadeiramente livres uma vez que habitamos no mesmo plano com uma infinitude de opiniões, e para se seguir o nosso caminho teremos de inevitávelmente de pisar o trilho do outro, convergem e divergem, andam em paralelo ou concorrentes ao nosso, e assim sendo a liberdade é uma prisão da nossa opção e uma verdadeira servidão humana.
Estamos no fundo como o ratinho que corre na sua rodinha, sem nunca sair do mesmo sitio.

29 setembro 2009

Um Lugar no Cosmos


Segundo dizem,cada pessoa nasce com um Karma.Outros dizem que nascemos já com uma sina.Ainda há quem diga que temos o destino traçado (esta será similar à primeira e à segunda, embora estas ultimas soem mais a sabedoria popular ocidental)
Somos iguais no sentido que todos possuímos os mesmos sentidos, e diferentes uma vez que cada um é único, e tem a sua forma de pensar, ser e estar.
Reagimos diferentemente a situações iguais, consequência das experiências passadas, aos reflexos condicionados, aos impulsos, ao património genético e memético. Uma reacção a uma qualquer acção pode ser motivada de diferente forma segundo a carga hormonal de cada um.
Na Psicologia diz-se que todos temos as seguintes componentes comportamentais e sociais: assertiva, manipuladora, agressiva e passiva.Reduzir o ser humano a estas funções é ser redutor( passo a redundância).
Não seremos mais que isso? Deveremos ser, pois temos uma mente rica cheia de sinapses,neurónios e dendrites nervosas, ligadas de forma aleatória (ou não!). Além dessas componentes há pessoas mais emocionais, mais racionais, etc e etc, e ao tentar explicar uma acção de alguém, com o exemplo de outras pessoas,ou tentar explicar com as nossas próprias convicções é fazer de nós máquinas que reagem roboticamente, que respondem por impulsos binários. e que reagirão sempre de igual forma.
Somos mais que zeros e uns, que sim e que não.Mas estarão as formas de ser relacionadas com o passado de cada um, com a faixa etária, a classe, o sexo, o credo e até a cor? Justificarmo-nos com padrões previamente estudados é simplificar o pensamento humano e reduzi-lo a matrizes matemáticas.
O problema é que a matemática e ou informática é baseada em conceitos antagónicos, por oposição, por contrários e pelas combinações dos mesmos. O ser humano vai mais longe, funciona com o talvez, e trabalha com a imaginação e a criatividade. Que transcende qualquer equação matemática.
Há pessoas que se integram bem na sociedade. Há outras que não se revêem nesta. Há outras ainda que buscam mais que a sociedade e que viviam bem sem ela. Aliás, há mesmo aquelas que não sabem que esta existe.
O problema de viver é complexo, seria simples se nos dedicarmos à caça e à recolecção, mesmo assim suponho que tenham tido as suas crise existencialistas. O problema de se aceitar o que se tem também. AS formas de estar são milhentas, e as justificações para tais atitudes muitas vezes são condenações e julgamentos dum pensamento ou de um sentir diferente, se não diferente pelo menos particular, ou sui generis, ou especial. Cada um vive como sabe, e muitos como querem, outros passarão a vida à procura do que são.
As ambições esgotam-se quando já nada de novo existe.
Tem de se conviver com o que se possui.
Falta-nos sempre tudo, quando não nos lembramos do que possuímos.
Quanto mais se tem, mais frustrados ficamos,e em chegando a um zénite emocional racional ou material, a tendência é para estagnar, ou procurar algo mais que ainda não exista ou que não seja convencional, muitas vezes refugiando-nos no que já transcende a ética e a moral, para que a fasquia seja novamente elevada.
Quando os nossos princípios não nos permitem ultrapassar essa barreira, atingimos um pico, e a essa curva ascensional, que é a vida, e que tendia para o infinito, tende agora para se aproximar do zero. Pois nada mais há nas coordenadas do sentir e do ser.
Leva-nos a questionar o nosso papel aqui, o porquê de continuar, a indagar método de resistir, a procurar nos outros um objectivo que nos falte, a buscar fora de nós um motivo para prosseguir, um apoio externo que anule a nossa fútil condição humana.
A nossa evolução passada, que culmina com este cenário, conduz-nos a uma sensação de servidão humana. Em que nada nos surpreende, nada nos fascina, nada puxa pela nossa inteligência, a função cognitiva torna-se nula, a criatividade inexistente, a visão da beleza universal é enevoada e descabida de fundamento pela nossa situação de termos chegado a um ponto em que já é deja vu. Os sonhos, memórias e recordações de bons momentos são guardados no mais profundo fosso mental, ficando a mente entregue às lembranças de tudo o que é nefasto e desagradável. Um sentimento de espera se apodera do nosso corpo e alma, acções auto-destrutivas preenchem os espaços que antes eram ocupados pelo vibrar do existir, pela felicidade que o tempo inibiu, pela vontade de rumar sem destino. O caminho outrora desconhecido, é agora mais que recalcado, e já não há lugar a continuar por ele, ou prosseguir por se mostrar entediante e monótono.
Chega-se portanto a um abismo forçado, muitas vezes por falta de auto-estima ou insegurança interna, quiçá também sinal dos tempos, em que tudo nos é dado de mão beijada e que a informação é transmitida, absorvida e dissecada a uma velocidade avassaladora, tornando-nos consequentemente mais vazios, e sentindo-nos mais fúteis e banais, numa sociedade que nos torna mais iguais, que nos normaliza, e contudo impõe e mostra as diferenças a outras culturas, mais antigas até,mas que não vivem de acordo aos padrões impostos por esta sociedade que tem como pilares a igualdade e tolerância,e no entanto tende a tornar-se mais adversa à diferença, criando assim estigmas, provocando atritos e conflitos, numa tentativa de absorver e abafar, sufocando, as sociedades culturais antigas que ainda se regem sem a máquina da propaganda e da publicidade por trás.
Assim sendo somos vitimas duma sociedade de consumo imediato que tudo nos impõe. Tem regras até pra nos fazer felizes,com quem estar, com quem casar, como viajar, como passear, com quem dormir, como ser melhor que o outro, como lixar melhor o outro...
E assim vamos andando, cantando e rindo, muitas vezes com excesso de estímulos exteriores e deficit de estímulos interiores, que é como quem diz, um pouco mais de amor e carinho, e um dialogo interpessoal mais construtivo, virado mais para nós, para o nosso intimo em vez de julgamentos de personalidade, e conversas de afirmação pessoal,e de se tentar provar algo a alguém. Pois acho não temos de justificar a nossa forma de ser perante os outros como forma de desculpar as nossas omissões ou falhas.As coisas acontecem por si, não por serem provocadas. E isso era ter o condão e o requinte de prever todo um modus vivendi desde o nascimento. E não seria necessário muito auto-controle e uma capacidade de auto-analise sobre-humana e coerência muito eficaz para viver segundo esses moldes? Na volta não...Infelizmente eu não possuo tais caracteristicas. Sou um ser longe da perfeição, cheio de incongruências e inépcia. Ou talvez toda a minha vida seja uma justificação. OU então toda a justificação seja uma vida. Ou será que devo-me deixar de existencialismos e estar quietinho e ser carneirinho? Deixar de me sensibilizar, de mostrar afecto, de me expôr, de gostar de carinho e amor, de alimentar-me de paixão? Talvez seja melhor mudar. Ser alguém indiferente, rígido, inabalável, curto e grosso, sem expressão, lívido, apóstata, frio e calculista? Seria decerto muito mais feliz!

28 setembro 2009

24 setembro 2009

dedicado a ti

Tensão por detrás das grades

O tempo passava lentamente, naquele qualquer dia de uma verão em um qualquer lugar campestre. A situação era incontornável e inadiável. Todos estavam reunidos numa pequena parcela daquela que era uma gaiola gigante. Em grande agitação mas num silêncio sepulcral. Esperando um outro elemento que todos desconheciam mas que iria revolucionar as suas vidas. O sol que apesar de se estar a pôr e terminando mais um dia, era quente e tornava a paisagem ainda mais silenciosa, com ondas de calor que irradiavam do solo e que pareciam que abafavam as sonoras, esbatendo as cores e variando o tamanho das Iris. Ninguém tugia nem mugia, os olhares cruzavam-se como que comprometidos, desviando-o logo em seguida e fitando o infinito, simulando todos um ar pensativo e de mentes distantes. Parecia que o mundo tinha parado, nada se mexia naquela tarde soalheira de céu muito azul, tal era a tensão. Embora num quadro quase idilico, pareciam estar todos às portas do Inferno. A comunicação além da visual era inexistente, um esgravatava o chão, outro andava de um lado para o outro, outro ainda subia e descia ao que aparentava ser um poleiro, logo descendo tanto era o desconforto da situação. Um ambiente de cortar à faca, as gargantas secas, as vistas cansadas da poeira que voava no ar provocado pelo movimento dos corpos naquele chão arenoso. De súbito, ao longe, bem perto da linha do horizonte surge uma figura humana que se dirige para eles, vem apressado com algo nas mãos, tentam focá-lo para terem a certeza que era o contacto pretendido, estava distante e a contra-luz apenas podiam supôr quem era pela forma e maneira de andar. A agitação era enorme, andavam agoar dum lado para o outro, presos dentro daquela cerca metálica, todos queriam ver melhor, aproximando-se da rede e atropelando-se uns aos outros, chegavam a degladiar-se para serem os primeiros a obterem algo dele, o que aparentava ser um grupo homogeneo, provou ser um aglomerado caotico de seres, cada um por si não olhando a meios para atingir os seus fins. Magoavam-se tentando voar pela cerca, alguns sangravam mas ninguém desistia.A figura humana longinqua aproximava-se rápidamente, e sem mais demoras abre a cancela, parece dizer algo para os acalmar, calça as botas e entra, todos se afastam à sua passagem dando-lhe espaço. Em poucos segundos chega aos gamelos, despeja o farelo e deixa que todos se aproximem e comecem a alimentar-se. E assim mais um dia termina na capoeira.

21 setembro 2009

A ingovernabilidade,a procriação, o "momento de dizer verdade", os cabo-verdeanos e ucranianos no Aeroporto, e as cabalas pré-fabricadas

Pensamentos confusos Parte I

O dec. Lei 122 de 21 de maio dá competências às conservatórias do Registo Comercial para transmitirem oficiosamente e a nível informático, todos os actos das empresas à DGCI e à Seg. Social, tal como aconteceu com as empresas on-line e empresas na Hora. Assim sendo as Lojas da Empresa criadas, para facilitarem os contribuintes, não carecem da presença de funcionários destas duas entidades. Passará a ser da exclusiva responsabilidade das conservatórias comunicar todos os actos administrativos e burocráticos às outras entidades para a formalização de todo e qualquer inscrição ou alteração das sociedades constituidas, e perde-se um organismo que era invejado por esse mundo fora, a dita cuja Loja da Empresa.

Quer isto dizer que a Empresa X, quando quer alterar a denominação, a sede e a gerência, basta deslocar-se à conservatória dentro ou fora duma Loja da Empresa. E se por ventura os dados que constarem da base de dados das outras entidades não forem coincidentes com as que estão averbadas na Certidão permanente da Empresa, aquando do cruzamento de dados, terão que as outras entidades pedir ao contribuinte todos os dados referentes à empresa X, fazendo com que um processo que virtualmente demoraria meia-hora, passe demorar quase um mês, o que na pratica faz com que sejam sempre necessários os funcionários da DCGI e da SS, para o bom desenvolvimento e seguimento dos procedimentos administrativos, voltando à maneira antiga, e muitas vezes duplicando dados, fazendo crescer o número de papeis e tornando ainda mais kafkiano o sistema.
Serve portanto este diploma para dispensar funcionários desses serviços, e ao invés de se simplificar o processo, simplifica-se o número de colaboradores, e acto contínuo, reduzir a despesa do estado.
Esta Geração de políticos, que agora está e esteve no poder e que na altura do 25 de abril tinham pouco mais de 30 anos, e nacionalizou tudo o que havia para nacionalizar, foi mudando de partido para continuar no poder, para liderar e poder cuidar principalmente de si. Entretanto privatizaram essas mesmas empresas, arrecadando milhões, que foram distribuidos não pelos cofres do estado mas pelas suas bolsas. Anos depois, veio a União europeia que deu mundos e fundos, e as bolsas engordaram. Chegaram perto da idade da reforma, e puseram-se a fazer contas: e nos ultimos 5 anos em actividade contribuíram para a seg social somas exorbitantes, para usufruírem de pensões milionárias. Mas antes de saírem, mudaram as regras do jogo e impuseram que o cálculo da reforma fosse todo período contributivo, ao contrário do que com eles aconteceu, pondo em cheque o futuro de milhões de beneficiá rios que não vão ter nem um décimo das suas reformas nem uma ninharia das suas regalias, esse senhores apregoam que "tem de ser, que o país não está para luxos", mas entretanto tratam de si e dos seus, comprometendo as gerações vindouras.

Os mesmos senhores que através das negociatas, controlam agora as grandes empresas, e detêm o monopólio politico económico e social do país, os mesmos que agora são contra TGV`s Aeroportos, Pontes e outras obras publicas, pois são os mesmos que têm o dinheiro aplicado em off-shores, e os mesmos senhores que quando estão na oposição têm que contrariar as politicas dos seus opositores, sendo quase uma condição axiomática para ser oposição, O ser do contra. Mas tudo vai bem, porque felizmente para eles as reformas são em média de 12000 euros ao contrario da média dos salários em Portugal que não ultrapassa os 700 euros.


Posto isto, e levando em consideração que muitas das empresa na hora, são feitas por motivos obscuros, que as grandes empresas nacionais estão nas mãos de administradores do bloco central, que os interesses das resoluções ministeriais, programas eleitorais e diplomas legais servem essas mesmas pessoas, e não servem o interesse nacional.
Não é preciso ser muito inteligente, e basta estar minimamente formado e devidamente esclarecido, com uma mente aberta para: Chegar-se à conclusão que independentemente da ideologia do governo que esteja no poder, nunca é para servir o povo, mas para servir um reduzido numero de famílias desses mesmo senhores.
Enfim...Votem neles pois vivemos no melhor dos mundos....





19 setembro 2009

Quando voltar


Quem me dera ser dia.
Sábado ou Domingo.
Um só Dia. Um Verão.
Às sete da manhã por exemplo.
Um dia eterno e porque não?
Acordar dum longo sono e desfrutar. Gozar o calor, o Sol, os horizontes abertos, o espaço infinito num tempo ilimitado.
Sonhar.
Poder ter horas sem horários.
Poder ter caminhos sem indicações.
Partir sem destinos.
Andar fora dos trilhos.
Sair do curso, da rota, sem norte.
Observar tudo e o Todo ver.
Entregue à minha sorte.
Ser um ser diferente a cada instante, moldar-me a cada momento, adaptar-me instantaneamente.
Encontrar-me a cada esquina do mundo.
Descobrir-me numa qualquer praia que banha a Terra.
E talvez chegar lá atravessando o campo de flores amarelas e vermelhas, às centenas.
Deitar-me na areia branca; olhando o céu azul, contemplar-me no mar esmeralda, encandear-me com o sol, percorrer o arco-íris com a mente, esvaziar o corpo, e estar pleno.
Focar o mar, ver as ondas, rebentar de alegria e explodir de êxtase com elas.
Levantar-me com o sol a erguer-se, e com a aurora esquecer a eterna noite, e correr.
Saltar e voar até mergulhar e lá permanecer.
Sem nada escutar. Apenas sentir o oceano a envolver-me, fazer parte dele. Ficar por ali, apenas envolto no fluido e fluir com ele.
Ir ao sabor da maré qual cliché.
Perder o pé.
Nadar, nadar, andar até perder.me de vista.
Perder-me. Achar-me e fazê-lo novamente.
Sozinho entre a terra e o mar.
Acompanhado por tudo o que me é sagrado.
Esquecer os tons pardacentos, pintalgar tudo de verde e prateado.
Retocar os cinzentos e apagar o breu.
Iluminar o negro e brilhar.
Novamente o mar
e tocar da chão o céu
Secar ao sol para outra vez molhar
Criar essa outra rotina até me fartar.
Depois?
Sair da praia e entrar na floresta de cheiro a pinho.
Ver e ser como um pássaro, sem voar nem ter ninho mas desfrutar.
Caminhar pelo mato, os silvados, atravessa-los através dos espinhos
Sim. rasgam-me a pele, já nem sente ardor.
Nada rasga a alma com este recente torpor.
Nada é frio, nada nem ninguém está vazio.
E sim. Está calor e recomeçar, quiçá estar sempre em viagem, sem avião, sem malas, sem culturas e arquitecturas.
Viajar não para ir mas somente estar.
Não parar.
Um sábado que se inicia, um dia que não acaba, um sol que não se põe, uma vida que recomeça sem nunca acabar.
Sem nada findar, tudo está por iniciar.
E quem me dera ser...