João Cruz Oeiras de Portugal adesão a portal.membros@spautores.pt

Nome

Email *

Mensagem *

18 novembro 2010

zitu -untitled


Eras tudo tudo, tudo e mais alguma coisa...O meu cosmos as estrelas o sol, o céu azul, o mar, as ondas, a agitação, as gaivotas no Porto, o café na praça, a dança na sala com o VH1, o segundo café na máquina, o teu em contacto e o "outro", a gaia pra coruja como eu p ti, um sabor, um cheiro, um torpor, um gemido, uma mayonese pras batatas, um Reiki depois duma indisposição, recordação de todos os pormenores do corpo e da mente, e outras que tais inclusivé coisas como citologia e anatomia ou fisiologia, uma francesinha no verso em pedra, um red bull air race, uma ida a pé desde matosinhos à baixa, um moby e uma dançarina, uma viagem de bicicleta no passeio maritimo, outra a pé pelo passadiço, os meus banhos quase nocturnos com ganesha deliciada na areia, um Srgo e um por do sol, Um muro saltado para o palácio da pena, um travesseiro na piriquita, um inédito e inesperado lamento e um ultimo e inaudito gemido seguido dum silêncio... e tudo perdido...

24 setembro 2010

Dá deus vozes a quem não tem entes( incompleto e sujeito a alterações de ultima hora)


NãO TENHO JEITO PARA NADA. Das poucas coisa que tenho jeito é para imaginar. E se quero transmitir essa imaginaçãp, não pode ser via pintura contudo e como tenho uma inépcia total para fazer trabalhos com as mãos, talvez tenha com o pés, mas teria de ir para o centro de alcoitão( e desde já pelo mau gosto e sarcasmo o meu perdão) também não sei pintar, esculpir, coser, alinhavar, sou mesmo disparatar, pois até me custa saber amar com ou sem corantes....Com tinta só a de choco, embora não conste do meu menu. Bah...
O que seria
certo é
deveria
Tentei escrever um "post" sobre ele.
Como me da gozo escrever ia, numas poucas linhas escrever.Numas poucas linhas dissertar e analisar.
Tentei reescrever um texto de alguém, ou fazer um plágio, parecendo que não, não teria trabalho, colocava uns floreados peronalizando a coisa e parecia algo mais além! Mas não, versejei Porém!

Daí que vá tentar fazer um Poema,
ou mesmo um soneto,
ainda este ano não escrevi nenhum,
Dai que, como quem canta fado em alfama,
e dado ser só um,
põe-se de parte o dueto.
Talvez nem seja nenhum
nada nem ninguém,
duma nódoa
espera-se por alguém
e da mácula
só se desespera
ou obtem-se desdém
va

23 setembro 2010

Dar a mão à PALMA tória II - e derradeiro

Sub- Título:
Considerações e opiniões sobre alguém que é bizarro e paradoxal.(Mesmo para as mentes mais abertas e de visão liberal da vida)

Com tal personagem o diálogo é inexistente e fatalmente impossível.
Já tentei chegar ao diálogo, ou pelo menos a uma conversação minimamente coerente.. e como tentei... Na perspectiva psico-social fui Assertivo, passivo, manipulador e activo. E falhei, falhei redondamente.
O erro está em mim? Não. Está no receptor da mensagem. Poder-se-ia pensar que eu seria parcial, ou que dava a minha opinião sem me basear em factos ou por motivos mesquinhos como um ódio visceral ou piedade, mas não, neste momento o único móbil é já é a pena, sentimento que não se tem por ninguém. A haver um terceiro capítulo desta saga a minha motivação já será o desdém e o sarcasmo. Muita gente me pergunta por que me dou ao trabalho. Talvez por estar incluído num teatro que não pertença e me queira desvincular, sendo esta a única forma de o fazer. E talvez seja um bom exercício para a compreensão da psicologia ou mesmo a etologia dum caso raro,uma vez que é um espécime que eu julgava extinto. e cheio de Ismos....
Indo directo ao assunto e caracterizando a personagem, vejo uma alma marcada por mágoas antigas, rancores ao desbarato e uma tremenda angústia, quiçá por insegurança ou falta de auto-estima. Causa- Efeito quem tem de conviver com a personagem tem de o aturar, Alguém que é egoísta no ser e no estar, projectando as suas frustrações em terceiros.
Já não repara no que diz nem se preocupa em medir as palavras o que o torna extremamente egoísta, usando os outros para seu benefício e sempre provocando o drama, criando ardis inexistentes, e sempre com um discurso com uma carga bélica imensa, e o conflito a qualquer preço, uma vez que não detém a razão , vale-se da emoção, muitas vezes absurda e ridícula.
NUm exemplo prático, pede-me que me cale pois interrompo-lhe o seu discurso. Discurso esse que muitas vezes é baseado em opiniões não fundamentadas e com o intuito de ser o centro das atenções e asssim aumentar o ego. Gasta hora em argumentação conflituosa que redunda numa perda enorme de tempo, por haver um vazio na informação e ninguém para ouvir. Muita gente acena a cabeça em sinal de tomar atenção, mas não repara que os olhos buscam o infinito e o aceno é somente um sinal de comunicação.
O espécime pelo contrário, e após os seus banais, futeís e imberbes discursos aquando alguém intervém, faz o possível por atropelar, calcar, menosprezar e ridicularizar a ideia ou pensamento, porque como não haveria deixar de ser acha-se senhor e detentor da verdade absoluta. Uma espécie de Kant dos tempos modernos. Não me querendo alongar e em suma, tenho a declarar que certo espécime já foi rejeitado por quase 90% dos colegas e agora confronta-se com uma situação, a solidão, pois os restantes 10% disseram basta, depois de, muito estoicamente ter aguentado desaforos, disparates, e ofensas durante esta temporada.
Resumindo, não lhe desejo mal, mas espere qualquer reacção pois a aprtir de agora vai ser inexistente. Há limites e esses já foram ultrapassados, daí que o resto do caminho, será feito a solo, pois não haverá confessionários, pacóvios, ou gentalha a segurar o menino nas mãos.
O menino caiu. Levante-se e ande! E aguente-se.


Sinceramente com tanta verborreia, futilidade,discurso pseudo-sindicalista isento de mensagem, intervenções descabidas ao estilo panletário e outras tantas, mas tantas qualidades , faz de tal personagem um objecto de estudo excelente.

Porém não conte comigo para cobaia ou sujeito que ampara os golpes, ou mesmo se revê em qualquer tipo ou estilo de vida que demonstra ou emita.

17 setembro 2010

Dar a mão à PALMAtória

Carta aberta a alguém:
Tem um fito. Que é dialogar. Vou falar muito e provavelmente dizer pouco…mas faço o que me é possível a bem duma boa relação social e profissional, não só comigo como também com os quase 20 elementos que compõem esta equipa, por falta de tempo ou por acharem que não vale a pena o esforço, não intervieram, embora esteja certo que subscrevam esta missiva..
É em formato de carta, não passando dum monólogo, mas é a única forma de chegar ao “diálogo” contigo sem entrar em desespero ou virar as costas. Ninguém tem paciência para ti e geralmente só tu estarás cego, e decerto não te apercebes, pois fazes-te valer duns princípios bem peculiares, para não dizer bizarros, ou únicos!
Como dizia é em formato de papel, e acontece que dizer isto em directo e ao vivo a essa pessoa, será o mesmo que um monólogo, pois acha-se no direito de intervir. OK, é livre, mas também se acha no direito de interromper constantemente, cancelando assim o diálogo. e corrigindo quando opinamos, fazendo juízos de valor sem conhecimento de causa e por último, anula qualquer hipótese de conversa. Daí que este formato seja o único possível e mesmo assim duvido que chegue em boas condições ao receptor: 1º por ver nele uma imposição, logo uma tomada de posição sobre o seu modo de ser e estar.2º uma Indirecta ou critica e aqui será visto como uma tentativa de intervir, manobrar, ou afectar o caminho que segue, e também será interpretado como um ataque pessoal. Faço estas considerações pois espera-se tudo de alguém que se acha dono e senhor e detentor da razão ou verdade. E quanto a mim essa é dúctil, variando de pessoa, ideologia, religião corrente politica ou filosófica, etc. etc. Adiante:
Opiniões e considerações várias.Nenhum homem é uma Ilha (Palavra que em Italiano é bem aplicada ao conceito- Isola) Todos nós precisamos de amigos. Todos precisamos de alguém. Lidar com os outros implica que saibamos lidar connosco em primeiro lugar. Estar bem connosco é fundamental e é fulcral ter uma pedra basilar de valores e raízes sólidas, para nos podermos mexer livremente sem invadir o espaço doutrem ou a sua bolha (aquele espaço fundamental que cada um tem que é não é permeável.
Independentemente de todos nós sermos diferentes, quase todos perfilhamos das mesmas necessidades; amor, carinho, alegria, bom humor, e acima de tudo de nos levantarmos com vontade de acordar, ou seja haver algo que nos motive, que nos faça caminhar, que nos empurre para a frente para não estagnar.
A nossa impulsividade muitas vezes faz-nos chocar com terceiros, e o que para nós pode ser uma virtude é, e visto de fora, imparcialmente pode ser um grande defeito.O orgulho, e a capacidade de podermos mudar de opinião quando confrontados com diversas ideias, não só mostra bom senso, como é demonstrativo de uma personalidade em constante mutação e adaptação. Não só faz de nós uma melhor pessoa, como nos ajuda a obter mais informações para mais facilmente lidar com as milhentas e diversas situações com que nos deparamos ao longo da nossa vivência.Quem vive de uma forma consciente e pensando que é melhor que os outros, ou seja, quem lida com outros tomando por principio que é superior na capacidade de pensar, no raciocínio lógico ou mesmo tendo a ilusão que é o supra-sumo em inteligência emocional, vai, sem apelo nem agravo, ter várias decepções ao longo do seu percurso, que podem dar lugar a isolamento forçado ou por opção, embora a primeira seja a que custará mais, pois ninguém tem paciência para, como disse, lidar com alguém que não deixa ninguém expor as suas ideias seja numa conversa de café, seja profissionalmente. As conversas de café terão como consequência que eventualmente a sua mesa fique vazia, as outras as profissionais, fará com que perca o lugar ou seja relegado para segundo plano, colocado numa sub-cave, ou pura e simplesmente, afastado.
A eterna busca de conflito com os outros, servirá como um exercício para a sua capacidade de fazer regularmente novos amigos, pois os antigos já existem, e também um teste à sua capacidade dramática e de arranjar esquemas que cativem as pessoas. Até pode ser que resulte durante os tempos, mas também os ardis e as pessoas eventualmente se esgotarão.
A irritante intervenção em conversa de terceiros, e a forma belicosa de o fazer, e o que tem como resultado mais que provável será o efeito bélico de terceiros, o que não é favorável a nível salutar, a menos que se veja como um mártir e gosto de viver com o risco como sua profissão. Entretanto os anos vão passando e a “Ilha” estará deserta.Em suma, ou recapitulando, nada como ser uma pessoa que em vez de destilar fel, tenha algo para dar aos outros em retorno, e o facto de se vitimizar, pode agradar a alguns que tenham comportamentos altruístas, mas quando notarem que o comportamento é similar à mosca que está constantemente a bater na vidraça tentando passar para o lado da luz, e em breve e tão depressa como chegaram assim partem. Não há recomendações a fazer, nem métodos 100% eficazes, ou alguma forma milagrosa de integração, talvez o melhor e no caso referido, seja deixar cair a máscara altiva e prepotente, e deixar que venham à tona conceitos como humildade, a aceitação do outro, e um leque de princípios morais e éticos básicos. Sendo fundamental a liberdade de expressão e não uma posição defensiva que nos outros é e será sempre vista como agressiva, autocrata e pedante,UM abraço

15 setembro 2010

Explosão De Luz no gozo da Lua (e uma ou outra coisa minha e tua)


As cores perdiam o brilho na noite vazia,
e os tons pardacentos cresciam dando lugar a luz colorida,
caindo em cenários de fantasia.
Neste nosso caos animalesco muita gente havia.
Um corvo piava pela escuridão dentro, enquanto a Lua enchia.
O Morcego gritava em ultrasom e ninguém ouvia,
mas falava de coisas doces: insectos e poesia.
Um cão tardio uivava à Lua que aparecia.
Um rato da coruja se escondia, um Mocho das sombras se erguia.
E Naquele instante ninguém a Lua reconhecia.
O Corvo pensava que era sol e que não o aquecia.
O Morcego olhava-a e contava aos outros que nunca a via, não conseguia...
Outro cão meio adomercido e até dormente nada dizia.
No meio da barafunda apareceu um rato que disse que se mais baixo tivesse que a comia!
Todos o chamaram de fala-barato e já ninguém se entendia!
A noite e a madrugada em parceria, sorriam ao ver nascer o dia.
O Veu negro passou, o vento amainou, todos se calaram, veio o sol...
E não é que se fez mesmo dia?!

08 setembro 2010

Na Era do Onirilítico


Fechei os olhos e gritei.

Pensava ainda. Mas não raciocinava. Binário. Tal e qual mosca que esvoaçava contra o vidro a tentar sair para a luz. Tacteio à volta. Fechado e sem ar. A escuridao absorvia-me e fiquei no mesmo tom. Cada vez mais apertado, senti-me a definhar e a definir:

Um peixe fora de agua. Um pássaro privado de asas. Um fóssil num zoo em exibição.

Parei, abri os olhos e continuava na repartição. Um utente olhava-me à espera dum carimbo.
Levantei-me. Bebi café. Estava na hora, da mudança.

Tornei-me nómada e ocupei uma gruta. Bocejei. Que maçada!

31 agosto 2010

frases soltas


As férias passaram. Os dias quentes, a água o mar e o azul em efeito miragem.

transformam-se em memórias pardacentas e em tardes burocráticas cinzentas.

Os contribuintes voam de sul.

As cegonhas voam ao sabor das correntes ascendentes.

Os emigrantes morrem a norte.

As gaivotas engordam com os pombos e tresandam a morte.

O agosto a arder. O chiado também.

22 anos é muito. Muitos dias muitas horas a queimar tanto o espaço como o tempo.

Com o dom de se queixar consome-se também muita gente sem sorte.

A Miguel Bombarda a ruir, uma nova paisagem urbana que se especula para construir.

A maré sobe, a economia à tona e mais um assalariado à toa.

O país navega ao sabor rosa-laranja

O Saramago numa nova viagem que por ca a jangada cada vez mais aquém.

Os passarinhos largam os ninhos e os filhos agarram.se aos subsidios com mil cuidados.

Os tons esperam o outono, o clima treme de frio pelo o Inverno, a vida são dois dias, mais e é carnaval, e não tarda estamos no Natal!

Ora bolas. Adiante Tempo, e a Terra gira e gira...Que tontura e tolice. é a Reentré uma verdadeira parvoice. Votem neles.

Desastre


Vamos para as estrelas. Caminhamos porém pela orla da galáxia. Vislumbra.se o principio do fim da diaspora humana. A nossa vizinhança é desconhecida e o nosso Proprio quintal uma surpresa esperamos encontrar a solução na lonjura da distância dum qualquer sistema solar inteligente enquanto não afastamos de nos a nossa propria estupidez e ignorância.


Dúvida: Desastre não vem de longe dos tempos quase Biblicos? Não é da mitologia Fenicia? O suméria?.."Ashter" Ou "Istar"

Quem me elucida?
Nota: Foto tirada da série "Star Trek"( espero não haver celeuma por direitos de autor)

30 julho 2010

Férias!




Acaba um ciclo laboral, recomeça um reduzido periódo de lazer. Curto é certo, mas como o Universo, limitado mas infinito. Infímo também, mas grande, ou enorme, e mesmo gigante é a vontade de partir, sair, ir e descobrir. Parar, olhar, ver o mar, mergulhar, procurar o fundo e achá-lo e na areia molhada deitar.




O mundo continua a rodar, e para nós vai por momentos rodopiar, girar, para nos embriagar, entontecer e fazer vibrar.




Fora de nós e na rua, as gentes, as pessoas, o povo(como queiram) continua na sua vida, e entretanto, só para nós, o pano sobe numa nova representação, de improviso, com muito riso se possível e dos outros, apenas um sorriso quiçá improvável. No meio da nossa peça e na plateia mundial, o publico incógnito, algum atónito, outro apático e mesmo robótico, bate palmas, levanta-se das cadeiras e num sonho de uma madrugada quente, e somente para aquele que sente, nessa observação dum sol crescente, começa uma ovação de pé interminável e num desejo que seja determinante para que todo o mundo, pelo menos só num instante seja e esteja contente! As palmas quase que sangram, escorregam no suor, a linfa escorre e discorre nas veias libertando as endomorfinas e outras substâncias que podem ser vitaminas,que deliciam meninos e meninas, frase esta para versejar e alegrar. Vamos alegar que tudo é feliz e vamos num pequeno exercício hipotético e inédito, fazer com que os sorrisos se rasguem novamente, com o sol a gargalhar, outro Sol num esgar, que entra pela Terra adentro e no aguardar doutra madrugada e por essa noite dentro nos faça crescer, brilhar e com tudo e todos partilhar todos os instantes de suave, terno e doce estar... como o pensamento límpido e puro duma criança, claro como água, belo como a primavera.


E o pano desce, com as pancadas do senhorio, as de Molière, as nas costas também(


pancadinhas, isto é).


Num momento onirico, ainda dentro da cabeça da criança que nada sente e apenas dança ao ritmo da vida que passa e que por enquanto não a farta nem cansa, o universo conhecido salta à corda, anda à roda, dão as mãos e cantam e encantam e venham mais Cinco! Cinco dedos de conversa para a alcoviteira, meia duzia de felicidade para dar mais gozo, um quarto com vista para todos, um terço para o religioso, um segundo de nada para um nihilista rigoroso e um pouco de desdém para o invejoso...Que cantem, dancem, enrolem-se e rebolem, olhem o arco-íris, o arco e flecha disparado, os joelhos feridos, a cabana na mata, o Tomás, os médicos e as enfermeiras, a fisga, a lagartixa, os policias e os ladrões, o macaquinho chinês, as histórias do avô, as lendas, os mitos, os fantasmas na casa abandonada, a Dona Rosa e a velhinha que todos tinham medo, a inocência, o algodão doce, o carrossel e no final de tudo um bem-haja para aqueles que se esquecem de recordar da saudade das memórias de infãncia.


Entretanto parto bem acompanhado para lá do Tejo, do Sado e mais longe que qualquer lado!


Para os outros e para quem nos lê desejos da côr preferida.

Burokrat




O que se pretende dum funcionario que exerce as suas funçoes numa instituiçao publica é que cumpra as suas funçoes com rigor zelo profissionalismo e que seja eficaz e eficiente. Quando desempenha funçoes que implicam lidar com o publico num local de atendimento ao publico além das caracteristicas atras referidas pede.se tolerancia à pressao e assertividade. O utente exige competencia e resultados praticos por outro lado as chefias exigem além dos resultados uma acçao pratica que atinja e ultrapasse os 100%. Sabemos que em termos estritamente matemáticos e nomeadamente estatísticos existe essa possibilidade a nivel humano é improvável se não impossivel. A forma de colmatar o lado estatístico inatingivel é proporcionar ao utente um grau de satisfação que supere as expectativas. A emoçao sobrepõem.se à razao. Infelizmente na maioria dos casos há pouca informaçao ou melhor há gente pouco esclarecida nesta matéria. O que nao só piora o atendimento como a relaçao dos intervenientes é vista com desconfiança e degrada a relações implicando uma degradação dos serviços a qualidade dos mesmos e a sua eficiência.

Kayam Sonedra in O meio surreal visto do virtual. 1947

27 julho 2010

pensamento sazonal


O País das Calamidades: uma sina, um fado, ou sinais dos Tempos(meteorológicamente falando)?

É curioso ouvir o espanto da população quando há incêndios no Verão.

Parece que todos os anos se esquecem que faz calor nesta Terra. Inclusivé esquecem-se de limpar as matas, e fazem-no em JUNHO!...Tão ou mais paradoxal é também a situação das cheias. Caleiras, sarjetas e afins são desentupidas em Dezembro... pois ao que tudo indica parece que chove no Inverno.

São duas situações peculiares e que raramente acontecem, apanhando desprevenidos toda a gente nestas estações do ano, que ficam surpreendidas com estes "cataclismos" inéditos e inauditos....

É caso para aplicar a frase cliché:" Isto é uma pouca vergonha! Só neste País".


Não querendo sequer por a hipótese de pensar no que acontecerá num sismo 8.0 richter... Esperemos que nunca chegue.
nota: A foto está descontextualizada, mas é bonita...(digo eu)

08 junho 2010

01 junho 2010

O Massacre de Junho


A Madrugada começa. Aparentemente tudo está calmo. Na cidade tudo era alegre e luminoso, e num segundo tudo se transforma, numa espécie de paz encapotada, um subtil terror que se esconde, num horror prestes a explodir...Não nas ruas que continuam pacatas, nem vindo dos subterrâneos onde se instalam umas singelas criaturas tais como as baratas e as ratazanas. Não paira sequer no ar na forma de morcegos, nem se esconde em cada esquina qual violador. É antes um temor e um medo antigo e secular que acompanha a humanidade desde os primordios dos tempos, que se prepara para atormentar qualquer ser vivo, que espera poder sugar com um só sopro toda a réstia de vida em qualquer ser, seja ele vegetal ou animal. Que aguarda milénios por estender o seu poder não só á cidade como a todo o Mundo e mais além, acabando por carbonizar os planetas e extinguir o Sol.

Na casa de Nany, abate-se o silêncio enquanto que a própria luz é absorvida por um estranho elemento, tornando todas as divisões mais escuras que o céu sem estrelas, mais negro que o carvão. Naquela casa o odor a podridão invado-nos provocando um vómito quase instantaneo e umas dores lancinantes no corpo e na alma, que é impossível qualquer ser ali sobreviver. Só um ente preenche aquelas parede estéreis absorvendo todo o ar puro, tranformando-o em enxofre, retirando a luz, sem esquecer um único raio luminoso, destruídos por aquela estranha criatura amorfa. Uma respiração estranha ouve-se por toda a cidade, um estranho torpor entranha-se na atmosfera na forma dum denso nevoeiro de cheiro acre.
Na casa de Nany, uma mutação acontece subitamente, um corpo antropomorfo dá lugar a uma massa disforme e contudo viva. Viva talvez não seja a palavra certa para a descrever pois tresanda a morte e a podridão. Uns olhos negros abrem-se comendo o que sobra das réstias de luz em volta. Tudo silência enfim, as estrelas apagam-se, as folhas das árvores em pleno Junho caiem num único dia, como se se passasse um outono e um inverno mortal, gélido e terminal por elas, secam também as proprias árvores, as corujas e morcegos notivagos definham e debatem-se no chão com a morte a envolve-los e sem saberer porquê, o coração dos humanos pára, passando-lhes um calafrio pela espinha e um frémito gelado e gritante pela alma, sacando-lhes a energia.Toda e qualquer brisa pára, e todo o calor armazenado pela Terra do Sol em solstício de verão é consumido, chegando a todo o lado uma bruma negra e ártica que tudo mata e extingue.

Novamente na casa de Nany, as portadas das Varandas abrem-se, um vulto ergue-se e plana no ar, dirige-se para a Rua da Junqueira, com um único móbil, a Extinção de qualquer vida, o arrasar de qualquer sorriso, o exterminio de todo contentamento, a destruição de toda a alegria, um apocalipse que está prestes a chegar....e tudo a arrasar...

26 maio 2010

A moda a mediania e a mediocridade

Volto a um tema recorrente aqui no meu cantinho....A moral, os bons costumes, a etiqueta, ou então numa de devaneio intelectual/social: um "manual da Paula Bobone", no fundo queria escrever um manual do que está In e o que está Out mas penso que não esteja a altura dessa herculea missão e da responsabilidade moral que isso acarreta! Pois além de serem dois anglicismos que estão muito na moda, falo dum tema que me ultrapassa e transcende de modo que provavelmente terá várias lacunas e falhas graves.
É IN ser xenófobo- O racismo está em alta.
É IN ser-se comuna - O comunismo voltou a ser fashion e o capitalismo está OUT e é demodé (faltava aqui um galicismo que fica sempre bem), embora dê mostras de decadência, está na mó de cima,prova disso é a especulação bolsista e imobiliária a atingirem niveis nunca antes vistos, mesmo com a crise se ter batido no fundo.
É IN ser gay -Embora haja muito homofóbico, ser gay é quase um estatuto.
É IN o machismo - está ultrapassado mas a violência doméstica é noticia diária.
Assim como a nova moda do Bullying, outro IN, que sinceramente não sei o que isso é, mas sinto que seja qualquer coisa como as brincadeiras violentas que se fazem desde a minha escola primária mas que agora tem um anglicismo e assim aparenta ser algo de muito mais grave...
É IN ser feminista - Embora esteja fora de moda, por haver cada vez mais paridade entre os sexos é muito fashion haver feministas, mais ainda se é uma mulher casada e tenha um amante que seja outra mulher, assim acumula funções, além de ter uma relação extra-conjugal é lésbica. É IN ter animais domésticos, mas tê-los em formato time.sharing - Arranja.se um cãozinho para os pequenos em Setembro e abandona-se no ano seguinte em finais de Julho, quando a familia vai para Cancun.
É IN ir ao ginasio mas sem preocupaçoes de saude fisica - abusa- se do esforço fisico, não com preocupações de "corpo são em mente sã", mas apenas para queimar o superavit de chicken mcnuggets, Um bem-estar que é sazonal! Vai-se ao ginásio em Maio, antes das férias, e no resto do ano come-se que nem um alarve.
É IN ter o filho num psicologo\psiquiatra mesmo que não padeça de nenhuma maleita do foro psiquico-neurologico, sempre é tema de conversa no local de trabalho com os colegas, e o puto, mesmo que seja o mais saudável ficará maluquinho de certeza, e aí quando chegar à idade adulta, já se enquadre na sociedade e insere-se perfeitamente no mercado de trabalho pois não há ninguém que seja são da moleirinha.
É IN a familia auto-médicar-se, mesmo que não haja nenhuma doença e sempre se pode trocar comprimdos com os colegas e amigos, em vez de se trocar cromos da bola.
É IN ir a uma peça do La Féria mesmo que seja a brejeirice mais foleira, é um acto social de louvar e aos amigos diz-se se que foi a um peça de teatro.
É IN ir sitios exoticos nas férias, apesar da familia ser racista, e odiar misturar-se com aquela gente, passam 10 dias em regime de meia-pensao sempre com uma uma enorme desinteria, por querer experimentar a comida daquela gente, e é um must tirar 7 rolos e meio de fotos embora haja um desinteresse enorme pelos costumes locais! Interessa é que se comente depois numa festa ou com colegas e amigos que se foi à Papua Nova Guiné...
é IN pôr os pais num lar assim como os animais que sao descartaveis. E so dão jeito nos aniversarios dos miudos pois oferecem presentes mais caros, porque calha bem pois a familia ainda está a pagar a crédito as fèrias à Papua.
Enfim...só não é In o bom senso, nem as preocupações humanistas e do colectivo, vivemos numa época individualista e dum egoismo exacerbado.
Aboliu-se tudo e ultrapassámos a idade do proibido proibir que vem do Maio de 68 e que chegou aqui ao nosso cantinho só em 74 (e mesmo assim ainda chega aos pedaços faltando ainda muita coisa).
Já na altura de Camões mudavam-se os tempos e as vontades. Na actualidade e nestes tempos pos-modernistas que atravessamos, além das vontades muda-se tudo o resto, embora fique tudo na mesma. Não porque falte imaginação a esta geração mas porque desde dos anos 80 e 90 que está tudo criado e neste novo século, por mais que se crie apenas se recria, porque vivemos num periodo de vazio ideológico, cultural, artístico, etc. Apesar de tudo abrem-se novos conceitos e preconceitos. E assim se vive de aparências....

A Imensa Minoria



Diz o anúncio: "Se eu não gostar de mim quem gostará?" Podemos extrapolar isso para o nosso País... Se formos a contar com os nossos caríssimos governantes para ter esse papel, então estamos tramados, pois deixa muito a desejar a credibilidade, dedicação e estima que têm pelo País, e pelos seus concidadãos. Tratam do País? Ou de si e dos respectivos quintais? Dá ideia que vivemos à margem da governação, e essa elite- uma imensa minoria- qual sociedade secreta, é exclusiva dum grupo restrito de cidadãos, que volto a frisar marginaliza a maioria e que se aparta de quem vive dos rendimentos do seu trabalho e que não se movimenta nas altas esferas da aristocracia- proto-burguesa que vive à nossa custa, numa espécie de parasitismo simbiótico desde os tempos do Rei D. Fernando(p.Eg)
  • Chama-se evoluçao e progresso a projectos como o Alqueva, que supostamente era um dos últimos passos da "reforma agrária" ou mesmo uma nova revolução agrícola para o Alentejo! Iria irrigar todas as searas, olivais e vinhas. As pastagens para criação suina, ovina e bovina e produção queijeira e leiteira, além dos sobreiros e respectiva produção de cortiça. Certo é que a barragem está feita e a represa ao nível máximo da sua capacidade, mas passados oito anos, os canais de irrigação estão por fazer e a unica coisa que se produz é energia electrica e água para abastecer os campos de golf que crescem como cogumelos assim como os Spas/Resorts/Condominios privados e seus derivados...Entretanto a agricultura definha...E exporta cada vez menos, limitada que está pelas quotas impostas pela União Europeia


  • Temos em Troia, em plena reserva do estuário do Sado e das zonas mais virgens, mais puras e menos poluídas deste nosso canto à beira-mar, um"PIN"- anglicismo pomposo para "projecto de interesse nacional" que interessa a todos menos ao povo. Para fazerem mais um resortzito, para aquela classe e imensa minoria, que é a que mais abunda em Portugal que são os novos-ricos, uma espécie em "vias de extensão" para um turismo de luxo e de soberba qualidade, vão-se drenar os arrozais, ricos em espécies animais e vegetais, parte integrante da paisagem protegida da reserva do Estuário do Sado. É que o arroz ali produzido é arrasado para erradicar os mosquitos que incomodam o turista, e assim para limpar os mosquitos, destroi-se um ecossistema mais global, onde abundam as garças e os lagostins, além de provavelmente afastarem as cegonhas que são como que um Ex-libris e um orgulho para a população que ali habita e convive com essas aves há séculos. Mas há mais! A travessia de barco( Ferryboats Setubal - Troia) foi melhorada. Novos barcos, mais rápidos e mais confortaveis. Porém, não há bela sem senão: o preço aumenta para mais do dobro e o cais muda de lugar, para um local menos acessível às praias de modo a ser mais "cómodo" para o turista de primeira e num efeito "dois em um" afastar o turista pé descalço, tornando essa zona balnear quase excluiva e semi- privada.



  • A reabilitaçao urbana é sinónimo de uma salvo-conduto e uma entrada livre para as imobiliárias e construtores civis prosperarem. Contribuindo para a destruiçao de património de edificios classificados em vez de reabilitados. Deitam-se abaixo edificios do séc XVIII e XIX sendo mais rapido e mais barato, sendo só necessária a presença de operadores de maquinas, estou em crer que preferem pagar as coimas relativas à destruição de património do que empregar carpinteiros, Canalizadores, estocadores. pedreiros serventes etc. É obvio que é um tipo de obra mais demorada e que dava emprego a mais gente e numa altura em que é preciso produzir e dar emprego, faz todo o sentido. Prefere-se destruir um pedaço de história e também de uma dezena ou duas de familias que lucrariam com isso, em prol dum Pato bravo( vulgo construtor civil) e seu séquito que engordam! - Assim a especulaçao funciona e nunca acabará.
    Os exemplos são mais que muitos: Avenida da Liberdade, Fontes Pereira de Melo, Av da República e agora Rua da Junqueira, menos dois edifícios em Lisboa e mais um condominio de Luxo. Servirá esse empreedimento para trazer mais gente jovem para a Cidade de Lisboa que se desertifica e envelhece? Não... Servirá de segunda ou terceira habitação para aqueles dos resorts( a tal Imensa minoria) que compram como um investimento e Lisboa continua vazia. E depois queixa-se esta gente que lá fora é que é bom, as cidades vibram e estão plenas de locais de lazer durante as 24 Horas do dia, e há segurança, etc etc..Sem querer fazer comparações, e sendo objectivo. Destroiem, constroiem, desertificam e criticam a gestão da área metropolitana, dizendo que é Caótica...Mais uma vez a culpa.

    Termino fazendo a apologia daquele sentimento bem português de denegrir a nossa propria imagem, do negativismo e de fazer comparações com outros países, com aquela atitude primária do que vem de fora é que é bom e vendo sempre o lado mau do que por cá se faz , desculpabilizarmo-nos de tudo, não nos mentalizando que a culpa, a existir, é em primeiro lugar nossa, e se uma nova mentalidade tem que ser criada e uma mudança e evolução aplicada terá de partir de nós.
  • Apelo não a uma revolução mas sim a uma evolução interior que se propague e como um incêndio se alastre a toda a sociedade civil

25 maio 2010

Festim




Uma luz brilhante invadiu os céus, num instante o silêncio, sentiu a luminosidade branca invadir-lhe as pálpebras, e quase cega-lo apesar dos olhos bem fechados, os tímpanos contraiam-se, apenas um silvo. Abriu os olhos e viu avançar de rompante, um onda de destruição na sua direcção, foi empurrado para trás ficando colado ao metal do carro de guerra, sem tempo para se aperceber das dores, chegou uma segunda onda de calor infernal, quesubitamente lhe cremou os cabelos,as sobrancelhas e quasquer pelos não cobertos pela armadura, queimando-lhe também a pele até à carne, fazendo-a estalar e cair. Desfaleceu.


Recuperou a consciência estava vivo e baralhado! E a guerra ia longa! Com a sua crueldade insensível destruía tudo à sua passagem. No campo de batalha, jaziam corpos mumificados, esqueletos quebrados em mil pedaços, pedaços de carne humana espalhada como num talho abandonado, e o chão polvilhado de cápsulas de balas e ogivas, esburacado pelas bombas de fragmentação que estilhaçavam a paisagem circundante, as árvores mortas eram o único ser reconhecível que se mantinham de pé, a cor predominante era o cinzento no chão e um amarelo duma névoa de gases químicos, com um cheiro acre irritante às vias respiratórias misturado com o cheiro doce dos corpos impregnados de morte. O céu sem cor, o bréu, uma tonalidade quase fluorescente, não se sabendo se era dia ou noite, e toda a atmosfera estéril, seca e fria.



Na trincheira, o Soldado tinha perdido os seus companheiros. O Capitão mantinha-se há dois dias a olhar pelos binóculo o horizonte do inimigo, a zona tinha sido bombardeada com uma arma experimental, e o seu corpo mantinha-se na mesma posição, olhando eternamente para o inimigo, sem olhos, sem carne, todo ele carvão, decompondo-se. O soldado olhava-o e invejava a sua sorte. Despertou deste seus pensamentos com o barulhos longínquo de explosões preenchiam o seu espaço, olhava em volta e nada. Apenas sons de vozes mecânicas voavam por cima, pedindo a rendição e capitulação. Alucinava. Agachado dentro do seu tanque camuflado e meio enterrado, disparava um último morteiro sem apontar qualquer objectivo e como que a dizer que ainda ali estava. Tapou os ouvidos e seguiu o caminho do projéctil que se despenhava sobre a trincheira adversária. Talvez já vazia e abandonada ou plena de cadáveres. Não sabia o resultado de tal acção nem tão-pouco merecia a sua preocupação.O rádio avariado, transmitia interferências, o radar quebrado em dois já nada indicava. Não iria abandonar o seu posto, teria de procurar munições, avançou uma trincheira e procurou no meio dos escombros algum cadáver recente para se alimentar e munições para carregar a sua M4-mk. Não havia carne nos corpos e tudo estava incinerado e calcinado. Achou um par de granadas e um cantil. Era a sua madrugada de sorte naquela trincheira.


A poeira começava a assentar. Seguiu em frente, caminhou quilómetros, alcançou uma floresta, ou o que restava dela, uma quantidade de palitos frágeis e queimados que se erguiam do solo. Subia por uma colina, que antigamente vibrava de vida, com o chilrear dos pássaros e os barulhos de raposas e lebres e outras espécies que habitaram entre a vegetação. Restava a terra petrificada e vítrea e a amalgama de troncos quebradiços. Sabia que do outro lado, no vale, houvera uma vila, quiçá poupada por um milagre...chegou ao cume e viu uma massa de cimento e cinza, as casas sumiram-se, o alcatrão das ruas misturava-se com o metal retorcido dos carros e de silhuetas de corpos a eles grudados. Procurava um sinal de vida naquela paisagem horizontal negra, perdia-se, não distinguia as ruas, das casas, nem os passeios dos jardins, tudo era uma amontoado de escombros cravados no chão e arrastados pela força bruta da tecnologia destrutiva do Homem.


Encontrou uma casa com as paredes do 1º andar de pé, e miraculosamente com a porta fechada, a curiosidade de ter encontrado algo familiar e as saudades de se identificar com algo que lhe parecesse com um lar fê-lo entrar. Lá dentro tudo destruído e sem tecto, porém debaixo de alguns escombros sobressaia uma porta, talvez uma cave. A custo abriu-a, entrou e viu pela primeira vez cores. Um abrigo! Uma escada de mármore, um corrimão de metal levavam-no a uma cave, desceu agarrado ao corrimão sentido a suavidade do ferro polido e brilhante, liga a sua lanterna e lança uma gargalhada.Descobriu uma adega intocada, virgem, como que uma imagem dum tempo que nunca mais existiria e não fora o pó e seria o local mais idílico da Terra; Uma mesa comprida ao centro, com dois bancos compridos de cada lado acompanhando a mesa. As paredes com fileiras e fileiras de garrafas armazenadas e na parede do fundo, presos com pregos, presuntos e chouriços, e salpicões em fumeiro. Sacando da sua catana leva um presunto, e duas garrafas, para a mesa e comeu desalmadamente. Incapaz de impedir as lágrimas, continuava a devorar tudo, porém saboreava lentamente os enchidos, como que a sentir a sua textura e degustando os seus cambiantes de sabor, apreciando inclusivé o salgado extremo e o ranço de alguns. Esboçou um sorriso por encontrar algo familiar, disse umas palavras de agradecimento para aqueles que antes possuíam aquele lar. Acabou por adormecer, ébrio e esgotado, estendido com os braços e a cabeça sobre a mesa.


Não sabe quanto tempo tinha dormido. Levantou-se pegando numa garrafa, com a sua lanterna explorou melhor aquela cave: uma lareira, utensilios vários de jardim, ferramentas e ao lado dum armário, uma pequena porta, estava fechada à chave. Disparou à fechadura e arrombou-a. Lá dentro uma sala de garagem. Havia um carro , mais ferramentas, pneus por todo o lado, e sentia cheiro a óleo, havia um portão que a muito custo abriu, encontrava-se no meio da vila outra vez. caminhava sem destino, olhava à volta e observava a morte em todas as direcções, deitou a arma fora, o uniforme e as botas.


Voltou à casa, fechou a porta, e sentou-se. Pôs a mesa, dispôs os enchidos por categorias e as garrafas por diferentes castas e ordenou-as por anos. Levantou-se, recuou e olha para a obra à sua frente. Deu graças e começou a cear. Seria o talvez o último homem, sentiu-se vencedor da batalha, logo tinha motivos para celebrar, e de súbito, reclamou para si tudo aquilo e chamou àquele lugar a sua casa, reconstruíria um lar e quiçá a vila! Autointitulou-se de presidente da câmara e deu vivas! Tudo isto merecia um festim! Bebendo até a exaustão.




Um bomba caia do céu entretanto, entrando pela sua bela sala, tudo explodiu em mil pedaços, o corpo despedaçado, morreu sentado, com um prato de chouriços à frente e a um copo de tinto agarrado.

18 maio 2010

Outro desabafo (sem sentido mas com direcção....)


Está na ordem do dia a liberdade de expressão assim como a moral e os bons costumes. Uma vez que estamos deficitários económicamente estamos superavitários em criar dramas, ardis, tramas e em cuscar a vida do outro.

Falam-se de tempos em que os filhos respeitavam os pais, em que a autoridade não era posta em causa, e havia respeito mútuo. Nesses tempos os pais viam os filhos, a autoridade era misturada com autoritarismo e o respeito era um conceito muito próximo do receio, do medo e da perseguição, não se pode falar aqui duma perseguição ao bom estilo da Gestapo/SS, mas sim ao inimitável modus operandi português, os perseguidos, volto a frisar, eram sempre os mesmos. Analisando friamente a questão, a autoridade e o respeito era só para alguns, nomeadamente uma aristocracia decadente que se tentava impôr desde as revoluções liberais, por decretos reais e constituições, que se por um lado davam direitos ao mais comum dos mortais,( vulgo: povo) por outro aumentavam o poder e as regalias doutros que ascendiam à nobreza, ou pelos menos faziam por isso. Num país que vivia no faz de conta e tentava "levantar hoje de novo o esplendor de Portugal", coisa que tinha tanto de ineficaz como se mostraria impossível, devido a uma mentalidade provinciana, que poucos conseguiram ultrapassar, excepção feita às gentes do Orpheu e Geração de 70, que quiseram abalar com os tais brandos costumes e a tal moral anacrónica que se tanto fala.
Os tempos mudam, assim como os conceitos, e penso que há várias formas de analisar a questão, dos outros tempos, a infromação era veiculada por uma franja da população que detinha o poder e que escrevia a história, sendo essa portanto deturpada à partida, pois de isenta tinha pouco.
A democracia chegou, e a liberdade deu origem a excessos, como em qualquer país em que o povo é amordaçado durante 48 anos e dão azo a grandes revoluções, não culturais nem ideológicas mas sim sociais. A democracia impos-se assim como os grandes grupos económicos. Havia a imprensa livre, e cada um capaz de se expressar livremente, mas a imprensa livre dependia de um qualquer grupo e assim se faz uma qualquer conspiração, deitam-se abaixo governos, ou mesmo denegrir a imagem de um qualquer inimigo ou se livrava rápidamente de qualquer pedra no sapato.

Há demasiada informação canalizada para os nossos sentidos, e a capacidade de absorção da mesma torna-se selectiva, e tomam-se partidos, não sabendo o cidadão comum se a noticia que houve sobre uma qualquer assunto é credível por falta de noção de a fonte ser fidedigna.
Uma vez que não se absorve tudo, nem existe, uma capacidade da parte do cidadão da triagem por falta de formação, ou muitas vez por falta de bom senso. Muitas vezes por esse mesmo cidadão não fazer um esforço para estar informado e esclarecido sendo capaz de interpretar à luz do que lhe é transmitido e de ele próprio fazer a sua leitura, vivendo-se assim na ignorância.

A ditadura acabou, mas vivemos escravos da tv e da internet que são os novos ópios do povo, embora a recente visita do Papa demonstre que a religião ainda dá cartas, e que apesar dos recentes escandalos e de frases onde se profetiza que o preservativo em África serve para espalhar e contagiar doenças como a SIDA/HIV...palavras para quê?

Voltamos ao tempo em que a heraldica deixa de fazer sentido no entanto um "dr" à frente do nome equivale quase a um brasão de familia. Não será preciso falar dos cargos publicos que deixaram se ser definitivos e de passarem de pais para filhos, no séc XIX, para hoje em dia sabermos que o sistema continua a ser assim, embora não se chamem cargos definitivos, mas sim concursos publicos destinados a qualquer cidadão, desde que preencha uma série de critérios, que nomeadamente são tão redutores que elegem precisamente um qualquer familiar, parente, amigo, amante etc etc...

Vivemos no tempo da tolerância em desprimor do tão apregoado respeito. Mas quer isso dizer que se tolera o próximo mas não se aceitam as suas convicções???
Vivemos tão rápido que a vida do próximo é como a novela, e em que a imagem é mais importante que a presença de espirito e em que o amor ao próximo é uma virtual, uma vez que vivemos na era das redes sociais, e a socialização e o contacto já não é no café, é no ciber-café, o contacto não é real, passa a virtual e quanto a mim passa tudo a surreal...

( texto não revisto, nem actualizado e expressa apenas a minha opinião)


17 maio 2010

Quem é Tolerante...Tolera apenas? (será semântica???)

Pensamentos duma segunda-feira qualquer...
O empregado do mini-preço abriu uma terceira caixa:
"podem avançar para esta pela ordem de chegada!"
Um rapaz que levava 2 coca-colas uns donuts e 2 pacotes de batatas fritas e apesar de estar em terceiro na ordem e antes de mim, adiantou-se....
As duas senhoras antes dele protestaram mas caiu em saco roto.
Falaram da educaçao e da decencia.
Contestei e falei na solidariedade e como era um conceito que estava na moda.
A segunda senhora retorquiu com um seco e banal: para estes nao há nada disso!
discordei dizendo que o conceito que falei nao conhecia raça nem credo. A resposta nao podia ter sido mais acre: São todos iguais!
Disse eu entretanto que iguais era quem via as diferenças pelas cores e nao pelas atitudes...a senhora e o rapaz sairam fiquei com os meus pensamentos, chegando a ser condescendente com o rapaz e a ter pena e desdém pela senhora.
Mais à frente no tempo e no espaço: Pede-se licença para ir à casa de banho. Resposta maquinal: sò para clientes!
Sem alternativa e aflito faz-se no descampado junto à estaçao de alcantara... "olhem para aquilo! que animal!" dizem ao longe.
As portas do comboio abrem, e antes de alguém conseguir sair, uma senhora força a entrada, acto contínuo e pela 3ª lei de Newton, é empurrada em sentido contrário ao dela com um" com licença" sarcastico.A Senhora vai sentada e no restante trajecto resmunga e declama dramáticamente. Ao telemóvel fala de trivialidades mostrando à restante carruagem que hoje tinha vindo de comboio e que era horrivel viajar com o povo: "Bruto, analfabeto e insolente". Gente sem classe decerto!( faltam carruagens de 1ª, chamo à atenção a CP por essa falha imperdoável). Enquanto isso come um Épá, sai na sua estaçao e deita a embalagem para o chao. É chamada à atençao para esse facto.Talvez por alguém que passou à frente na fila supermercado e provavelmente quem a impediu de sair quando entrara no comboio. Gente fina é outra coisa!
"Vivemos no melhor dos Mundos" parafraseando Voltaire

19 abril 2010

Soberbo concerto dos Atma - correcção e actualização




Concerto dos Atma:

Sábado dia 17 de abril de 2010, Local: Espaço NIMAS, agora dedicado a sala de variedades culturais e um farol de ideias e de tranmissão cultural que decerto vingará na cidade de LIsboa e no País!
Umas palavras muito pessoais sem querer ter pretensões de crítico musical pois não passo de um leigo no assunto contudo sinto-me na obrigação de falar nesse momento marcante impressionante e memorável:

Depois de tal momento tenho de dizer umas breves palavras de gratidão e apreço.
Gratidão por ter como amigos uns excelentes artistas, apreço por não ter perdido um concerto memorável!
Dez da noite as luzes apagam-se e começa não só um concerto musical mas uma ode às diversas artes. Com o Jorge a imprimir o ritmo na percussão, a Berta na voz e na apresentação da banda e a introduzir os temas, criando uma diálise entre o palco e a audiência, o Hugo nas guitarras e acordeão numa performance excelente, a Caroline também na voz e guitarra além da dança trazendo consigo mais 3 bailarinas que preencheram a sala com mais cor e enchendo o palco com movimento, O João Novais no Contra-baixo, assim como o Guilheme da Luz no sintetizador, que apesar de não ter tocado em todas as músicas, não posso deixar de citar pois todos elementos foram admiráveis. Este colectivo imprimiu uma cadência que transcendeu a musicalidade e que como disse foi uma majestosa representação artística que influenciou o publico e conseguiu transmitir toda uma panóplia de estilos musicais, desde a musica tradicional portuguesa, o flamenco, os sons orientais que nos transportaram para longe daquela pequena sala, que mesmo esgotada, ficou enorme a transbordar de sons, cores e sabores deliciando-nos com a sua fantástica actuação, a sua tremenda qualidade musical e a sua soberba performance que no final do concerto soube a pouco.
Não tenho mais palavras nem adjectivos para classificar esta banda que excedeu as expectativas de todos os que tiveram a sorte de assistir.
Terminando não posso deixar de aconselhar vivamente os seus próximos espectáculos e a audição do seu novo album: COM A MESMA ALMA

NB: serve esta nova publicação para corrigir o nome do baixista e do teclista que estava ausente, por esquecimento, na descrição. O texto original não foi alterado. As minhas desculpas pelo lapso.
o Video apenso é da minha autoria, e a qualidade não é das melhores, mas se "uma imagem vale mais que mil palavras", então um relance do concerto certamente vale mais que mil emoções e sensações que nos alimentam a alma!( digo eu!)

05 março 2010

Derivação sobre a divagação

1
Nos épicos tempos biblicos e ao principio era: O Verbo.
O Adão e Eva, uma maçã, uma serpente, uma árvore ou, a tentação e o conhecimento, e o pecado original (respectivamente desordenados.)


O Deus (seja ele o do Judaísmo, Cristianismo e Islamismo, eu estava com a ideia de só haver um!) deve ter pensado:"Com estes Gajos( O Par original) é que isto vai andar para a frente!"

Veio a crise de valores do Baby BOOM e da era atómica, década de 40/50, e o Deus(nosso e o dos outros) deve ter apanhado um choque. Daí que provavelmente, nunca mais houve milagres e há agora tanto misticismo brejeiro e taberneiro, daí que, presumo eu, tenha dado de foguete e saído do nosso sistema Solar,e como muitos de nós, emigrou para parte incerta.

Hoje em dia e ao princípio não era o Verbo, seria os números Binários e compostos de silício, e o Adão e Eva entrariam em vias de extinção, e Caim já não mataria Abel, entraria por uma escola com uma M4 de mira-telecospica ou dispararia com uma AK47 ao acaso para um centro comercial...

As lendas e fábulas do antigo e novo Testamento, foram substituidas pelos contos do Hans Christian Andersen e pela Disney, primeiro em formato Tecnicolor e Cinemascope, agora em formato HD, 3D, dolby-suround.

2

Da aldeia primitiva e da sociedade neolitica, passou-se à sociedade da informação na aldeia Global.

Depois: O Bug do século XXI, a moda das redes sociais, e a falta de contacto de proximidade. Fazendo da Torre de Babel algo cada vez mais actual não só na incompreensão linguística como também na falta de entendimento entre povos, nações, ideologias e religiões. Uma espécie de Babel Universal, quase cosmogónica, donde surgimos, dum passado das Luzes para um Futuro Negro.

Entretanto o mundo ficou pequeno, a humanidade por causa do excesso populacional, ficou naturalmente mais proxima fisicamente mas mais longe do seu semelhante, vivendo no seu mundo virtual, criando novos vicios. Poder-se-á dizer que agora vivemos na corda bamba, qual artista de circo, mas temos por baixo o amparo da "rede".

A solidão não é evitada, mas contornada e os sentimentos como o amor, a saúde, a paixão etc, vem pela forma dum sms, de valor acrescentado, que nos diz quem é a pessoa compatível, o nosso destino, o horoscopo, o tempo para amanhã, e até a chave do totoloto com a musica do Pequenito Saul como oferta de toque para o telemóvel, por apenas 4 €/mês.

Do Teocentrismo passou-se para os automatismos e deste derivou-se para o egocentrismo digital. O real passou a virtual e este a surreal. Simplificou-se a linguagem, aumentaram as conversas, mas os diálogos passaram a monólogos.

3


Passando à actualidade. A recessão potencia a agressão. Verbal ou não.E exponencia a depressão.

Vivemos numa sociedade do contra .Do negativismo, dum pessimismo acentuado e exacerbado,duma personalidade colectiva negra e azeda.
Aqui, no nosso cantinho, somos auto-depreciativos, acontece-nos tudo mas culpamos os outros e não olhamos para o que podemos mudar nem o que eventualmente parte de nós.
Metemos a cabeça na areia, julgamo-nos e condenamo-nos .
Desde o Gil Vicente, passando ao melodrama de Camoes e seus velhos do restelo( e aos dos outros), à solidão de Mário de Sá Carneiro, até à mensagem melancolica do Pessoa, temos e vemos na nossa cultura um exemplo de bréu e bruma que nos envolve.
Folheando as obras dos nossos autores, os poemas de Florbela Espanca ou Antonio Nobre ou a prosa de Saramago, todos acenam a bandeira da depressao ,da angustia, da mágoa, azedume ou do depreceativo, alguns dão mostras de conhecerem a fundo a nossa sociedade, ironizando a nossa conduta, outros propõem formas de nos motivarmos e crescermos como povo, caso da "Geração de 70": Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão e Antero de Quental, entre outros.
4

Não só na literatura mas também noutras areas transparece este fenómeno. O Fado, musica muito nossa é na sua grande maioria doentia e triste, e se a esta unirmos o sentimento da Saudade, remete-nos para um povo nostálgico, triste e abandonado. O Cinema que na altura de Salazar nos fazia rir, apesar da conjuntura, é agora pouco característico e pobre em argumentos não tendo expressão, salvo raras excepções, e rejeitado pelo publico na sua grande maioria.Os que enchem salas, tem como chamariz a nudez da Soraia Chaves...
5
  • O país, desde que nasceu, é retratado e considerado como um nado-morto. Tudo é apontado e criticado.
  • Moribundo desnorteado e um fracasso. Desde a conquista de lisboa, à restauraçao da independencia.
  • Do 25 de abril à entrada na UE. Tudo é visto como um falhanço, actos inconsequentes, factos olhados com repulsa e desdém.
  • Critica-se a forma dos governos fazerem, questiona-se a propria existencia da identidade nacional.
  • Lê-se nos jornais sobre a crise e sobre o que está mal, ve-se na TV debates de gente entendida, de ex-politicos, comentadores, curiosos, espalha-brasas. Todos dissertam, manifestam, comentam, aconselham e dizem como fazer. Todos apresentam soluções, muitos têm a resolução dos problemas.Mas e afinal quem faz? Quem resolve? Espera-se o D. Sebastião???

Mas que temos de bom então?? Pelos vistos nada.

BOM...Uma vez que o nosso Pais entra várias vezes no Guiness...Sugiro um suicidio colectivo. Deixam de haver problemas e somos mais uma vez imbatíveis em mais um recorde absurdo...

Saudinha e sorte, espero que ao fazer desta se encontrem bem...

25 fevereiro 2010

17 fevereiro 2010

Versão do Burlesco que descartei mas que publico para uns leitores mais exigentes e que apreciem criticar versões adulteradas e /ou desprezadas

Um porco agrilhoado pairava no matadouro.

Fugiu, escondeu-se, desceu o rio Douro.

Mascarou-se passou a Javali.

Disfarçado entre a multidão.
Misturou-se com as gentes daqui e dali.
Sentou-se num café,

pediu uma cerveja
Não estava bem sentado e pôs-se de pé.
Não era uma imagem que sempre se veja.
Um Suino bebendo ao balcão.

Desconfiaram e saiu misturando-se com a multidão

Escapuliu-se entre as vielas,

transformou-se

e ergueu-se.

tentou voar, em vão.

Pegou numa bicicleta

Em todo-o-terreno veio a lisboa

Estava a ser seguido e estavam-no a espiar

Ziguezagueou e bazou para Dakar,

estava safo, eentre a bruma, perdeu-se.

Longe de alcácer quibir

sem o rei parecer

Num corso foi cair

a todos fez rir

envergonhado fugiu Pros lados de alcácer do sal.

Estava já longe e perto do Sado.

Arriscou e foi a nado,

passa a fronteira do real.

não Paga a portagem,

Está ilegal.

negam-lhe a passagem.

ronca de raiva

Pára para à beira-mar vendo a paisagem

adormece e queima-se com o sol.
Acorda tarde. É reconhecido!

Fica quieto que nem um rato.
Mas é regado com azeite e sal
e no restaurante é servido como coirato.....

"Burlesco pós Carnalavesco"

um porco agrilhoado pairava no matadouro. Fugiu, escondeu-se, desceu o rio. Mascarou-se passou a Javali, disfarçado entre a multidão sentou-se num café, pediu uma cerveja, desconfiaram. Escapuliu-se entre as vielas, transformou-se e ergueu-se. tentou voar em vão. Pegou na bicicleta fez todo-o-terreno de lisboa a Dakar, estava safo, entre a bruma, perdeu-se. Não em alcácer quibir, mas em alcácer do sal.Longe da civilização e perto do Sado. arriscou e foi a nado, passa a fronteira do real. Paga a portagem, negam-lhe a passagem. Está ilegal. Pensa e reflecte o sol. Queima-se, cheira a coirato, é servido com batatinhas. O estabelecimento fecha, a empregada limpa a cozinha. Ninguém sabe que se passa. Joga-se às cartas na praça. Pede-se mais um copo. Acaba-se o tinto.

09 fevereiro 2010

Naquele dia de inverno Parte II



Um bizarro peixe abissal olha para aquela estranha criatura, sentindo que a mesma não pertence àquele meio e empurra-a das profundezas até dar à beira-mar.


Acorda, sem saber quanto tempo passou desde aquele mergulho, sente-se estranho, diferente. Volta para casa. adormece e descansa uns dias. Talvez não passasse tudo dum sonho... Levanta-se e sai. Anda erraticamente. A cidades e as ruas, o céu e as gentes como que o desaprovam, rejeitam-no, olhavam-no com um misto de desconfiança e desdém. Estará a ser preconceituoso?


O tempo e os dias pareciam repetições e reposições. Não conhece já nada nem ninguém. Sente-se um proscrito, regressado dum espaço e dum tempo há muito apagados. Não comunicava com ninguém mas recebia sinais visuais de todas as direcções:de desaprovação, outros de nojo e ainda de ignorância.O repúdio uma constante. Sentia-se perseguido e complexado . Estranhou tudo. E nada entendia.


Questionava-se sobre quando e como é que deixaram de ver as cores, de observar as formas de analisar os conteúdos. E todos o avaliavam, mediam,julgavam e condenavam. Juizos de valor estes sem fundamento, baseados em conceitos duma moral antiga e rudimentar. Ninguém falava com o outro, ninguém se tocava, havia o medo de os olhares se cruzarem, e uma desconfiança no próximo primária. Os objectivos individuais baseados no interesse, no egoismo, no engano e na mentira enquanto todos trabalhavam para um colectivo que desconheciam, impessoal e abstracto.


As sensações mais básicas e primárias desapareceram.Como o amor que era inexistente, o desejo que esmorecia, a vontade que definhava, as liberdades individuais e o livre arbítrio que se extinguiam. Olhos vazios, os rostos frios e fechados, a mente estéril e formatada,em corpos mecanizados.


Saiu dali, daquela sociedade, desta nova civilização, e foi ao encontro do Mar. Entra nele e segue ao sabor da maré, sem forçar a corrente e afunda-se novamente. Definitavamente.

Naquele dia de inverno



Acorda como todos os dias com o nascer do sol. Um dia de trabalho pela frente. Olha-se de relance ao espelho e muda o seu rumo. Engole o pequeno-almoço. Prepara-se para o dia de trabalho com a neura e o eterno drama da Segunda-Feira. Sai, dá duas voltas à chave vira-se para o mundo e pára.Não! Não. Hoje não vai trabalhar, decide tirar o dia para ele. desacelera o passo e o coração volta a um lento compasso. Vê toda a gente na rua a correr para os transportes,outros no café, tomando-o de pé, o cigarro fumado à pressa, dentro do carro desesperam com o transito, apertam-se no autocarro, passeiam o cão empurrando-o e arrastando-o pela trela olhando para o relógio. Gritam. Buzinam. Não pensam. Não vivem e sobrevivem numa correria louca enfim.

Agora sente que não pertence aquela gente, está livre por um dia! Rejubila!

E nesse dia, o mar estava apetitoso, apesar da manhã fria mas soalheira de Inverno. Descalça-se, quando os pés entram em contacto com a areia fria e humida, sorri e avança para o mar. À sua frente só azul. E um horizonte em tons de azul. Mergulha na água esmeralda e um calafrio sobe-lhe a espinha enquanto entra naquele tom, sem destino, rumo à escuridão. O choque térmico fá-lo despertar, e finalmente vê tudo claro agora! Sente um apelo e nada para o fundo, desce penetrando cada vez mais, passando do azul ao negro. Está sem folego mas continua cheio de energia como se o Mar lhe trouxesse ânimo e vontade de continuar a descer. A perder-se no bréu. Ou talvez a encontrar-se!...

Parece um sonho. Sozinho ali, sem som, sem gravidade, sem peso, abraçado pelo Oceano, reconfortado. E olha para cima. Uma luz lá em cima que se apaga enquanto desce e se afunda, agora sente que a vida tem um sentido e o unico objectivo é tocar no fundo do mar que o cerca, puxa e empurra num embalo dormente que lhe agrada como um baloiço. Fecha os olhos. Ri-se! Solta uma gragalhada e as bolhas de ar que lhe saiem pela boca que parecem as bolhinhas de sabao que fazia enquanto criança. É Feliz! A luz apaga-se e mantém essa recordaçao enquanto a memoria se esvai e nenhuma outra lembrança fica. As emoçoes partem para a superficie as sensaçoes abandonam-no, o coração pára, na boca um sorriso, um brilho mantem-se nos olhos enquanto o corpo cai, sem vida na areia. Naquele belo dia de Inverno.
(continua...)

05 fevereiro 2010

Uma (R)evolução precisa-se Urgentemente!!!



Vivemos numa crise. Num mundo que já não reconhecemos, que depois de tanto viajarmos nele, perdemo-nos, pelo menos assim o sinto. Dão-se nomes às coisas, desligámo-nos da terra e já nem olhamos as Estrelas, e nem sequer tempo há para nos observarmos ao espelho. Mas catalogamos tudo e até criamos novas Eras e novos tempos. Vivemos também na era dos Ismos; Positivismo, determinismo,socialismo realismo, iluminismo, entre outros, mas de iluminação, só mesmo ao fundo do túnel. Agora é mais o pessimismo e egoísmo que parecem vingar...

Entretanto entrámos numa nova crise, mais outra. Vivemos no meio da crise. Uma crise económica e financeira, ou como lhe queiram chamar pois até ver, há liberdade de expressão, e temos nas mãos, na opinião de muitos, uma crise maior; de valores, de princípios, de ideais, e de falsos moralismos.


No texto que publiquei anteriormente, Antero, Eça, entre tantos outros, já no séc XIX, e na apelidada "Geração de 70" apontavam os males deste país e as soluções para os mesmos.
Preocupados que estavam os nossos estadistas com o desenvolvimento económico e material, esqueceram-se do social e emocional, apesar de tantas revoluções e tantos "ismos", entre elas, as liberais, sexuais, culturais e outras que tais. Naquele tempo e depois das invasões francesas, houve revoluções para todos os gostos, a liberal, a setembrista, a de costa Cabral, a de Fontes Pereira de Melo, e a da Maria da Fonte. E os tais ismos a vulso e por catálogo.

Perdidos no meio de tanta ideologia, a nobreza continuava intocável, e a burguesia dava os primeiros passos para tomar de assalto os cargos políticos, mas para tratar de se governarem a si mesmos, pois o povinho que sempre foi o sustento de todos, que se entendesse, e que se governasse com o que tinha e com as migalhas que sobravam.
Com o "Grito do Ipiranga" no Brasil, e abertura dos seus portos aos mercados internacionais, ja não havia já ouro que nos valesse, e a nossa autonomia e independencia estava em risco, com Ingleses a sacarem o que restava, deste canto à beira-mar, com uma industria que estagnava e já a dívida externa aumentava.

Passaram os anos,e pouco mudou.

Veio a republica e finalmente a autocracia (ou ditadura) de Salazar, que muitos saudosistas continuam a venerar, qual bezerro de Oiro.Onde já não é o povo quem mais ordena, nem nunca chegou a ordenar, e nesta altura do campeonato, com o lapis azul e o ditador soft que dispunhamos, mas que chegava para nós, já este nobre povo se acomodava à sua triste sorte, a uma sina miserável, a uma vida mesquinha e também ao Fado,a nossa montra da cultura no exterior, que demonstra a nossa maneira de ser, uns coitadinhos, uns desgraçados, que ficaram para trás no tempo, anacronicamente na altura em que eram grandes e dominavam os 7 mares e os 4 cantos do mundo.
Porém esta nossa gente muito protesta( eu incluído), mas nunca faz ou nem fez nada, e continua a deixar que os outros os governem e nos entrementes se governem.

interludio

Hoje no comboio em vez do habitual número de carruagens, chegou com menos três .Um Utente todo inchado e inflamado de raiva, pelo estado do país e pelo estado traumático que lhe provocou esta enorme inconveniência: de não ir no seu lugar da sua carruagem, do seu comboio das 9: 25 que rotineiramente apanha, reclamou com o revisor, que isto era uma vergonha, e que não podiam fazer isto, etc etc, por azar sentou-se ao meu lado e tal qual senhor feliz e senhor contente dizia à gente como vai este pais. Incomodado fiquei eu também com tal superavit de informação que debitava, pedi licença para me mudar, pois apesar de estar quietinho a ler o Destak e de auscultadores, estava farto daquela palestra cliché que declamava. Perguntou-me se estava a incomodar ao que eu respondi que sim, e ao qual retorquiu que não deveria ter votado "neles"(Neles quem?), e eu discordei, não votei neles, e o senhor respondeu que também não tinha neles votado e eu então finalmente disse-lhe para não votar também nos outros. Ficámos por aqui. Mudei de lugar e aumentei o som, ficando certamente o senhor a falar para uma plateia de utentes da Cp que certamente o aplaudiam. Quem não tinha culpa disto, era certamente o Revisor que decerto que não acordava de madrugada para atrelar as carruagens da composição antes de começar a picar os bilhetes.

Fim do interludio

Ora, isto demonstra que o Zé( o povinho) protesta fora dos locais próprios para o efeito, canaliza mal o seu descontentamento, (basta verificar, que quando estamos em bicha num semáforo 2 segundos antes de passar para verde já estão a apitar desde o segundo lugar da fila até ao ultimo!...) e aponta sempre o dedo aos mais pequeninos. O Estado a que chegámos, e se estamos desempregados, é sempre culpa do preto, do cigano, do brasileiro, do moldavo, etc, se formos funcionários privados a culpa é do governo e dos funcionários públicos, se formos funcionários públicos a culpa é de todos os outros acima indicados e assim em diante. E ao fim ao cabo, a culpa é também dos subsídio-dependentes, categoria em que se inserem os desempregados, ciganos, toxicodependentes e qualquer classe que se reprove ou que naquela altura se aponte como marginal e proscrita.
Acontece é que estes comentadores politicos, ou esta nova burguesia, ou estes pé-descalços com laivos de novo-riquismo, ou gente brasonada, que como está reformada ou nada de melhor tem que fazer, são também os principais culpados do estado da nação e a principal implicada na crise.
Os pequenos e médios empresários(pme´s), que compõem o grosso do tecido empresarial português, e grande parte dos empregadores nacionais, são extremamente dependentes do Estado. Em algo que precisem de ajuda pecuniária, e antes de pedirem aos bancos, vão pedir ao estado. Têm medo de arriscar, e quando é preciso contratar novos empregados ou desenvolver novos projectos, ou inovar recorrem ao Estado! Custa-lhes arriscar. Custa-lhes tirar dinheiro do seu bolso para aplicar em gente ou em meios! É sempre preferível terem a mão do Estado por baixo! " e se o projecto falhar? " "- Deixa estar que é o estado que suporta os custos!" A Empresa vai falir! deixa estar que o Estado ajuda e injecta dinheiro!
E Assim o empreendorismo e a inovação não passam do papel na maioria dos casos, e quem se lixa? É o mexilhão!

Não quero com isto transparecer que defendo o Estado, pois é uma máquina pesada, Kafkiana, e tem culpas no cartório, pois é composta por pequeno-burgueses que ascendem à nobreza que começaram por ser subsidio-dependentes também! Pois os exemplos chegam detrás. Após a Expansão( os afamados descobrimentos), não se adaptou aos novos tempos, nem ás novas exigências do mercado, a revolução industrial passou ao lado, e por cima do Zé, e a população maioritariamente rural, com a chegada das Estradas e dos Carris às suas terras, apanhou o comboio para as Capitais, deixaram de ser competitivos e com os produtos que chegavam do resto da Europa, ou das Colónias, a um preço muito mais baixo! As gentes acumulavam-se às portas da cidade em busca de novos empregos, e a burguesia, os pme´s subiam , e enriqueciam meteoricamente e eram muitas vezes parte integrante do estado.

Posto isto, tenho a dizer que quem como eu é duma nova geração, nascida próxima do 25 de abril, que já experimentou todas as formas de governo possíveis ao longo destes anos que vivemos em democracia, se deve juntar numa nova Geração de 70, e que já é minimamente informada e esclarecida, não deveria se acomodar como as anteriores gerações, nem se esconder por detrás dos valores que aqueles advogam e ainda promovem, pois mudam-se os tempos e mudam-se as vontades, e esta geração, não pode nem deve, sempre que chove ou há um cataclismo, culpar o Governo, deverá em primeiro lugar culpar-se a si por deixar andar, e fazer por exercer os seus direitos(poucos) que ainda tem!
Em vez de baixar os braços, ergam o punho, não querendo aqui apelar à luta armada, nem aos motins generalizados, mas sim a uma revolução e evolução da consciência, pois se está provado que não é pelo voto que consegue algo talvez seja pela falta dele que vá algum lado! Não se muda nada andando em cuecas no Metro! É giro sim senhor e depois??? Vamos é fazer com que algo se altere! Não votem então! Não metam gasolina, não paguem os parquimetros, atravessem todos de borla as portagens, passem cheques carecas, não usem o multibanco, não comprem as couves e plantem-nas nos jardins publicos. Inventem, inovem e baralhem!
Se não os podem vencer, confunde-os!
Que ninguém vote! 100 % de abstenção!
Os partidos estão caducos e incoerentes ideologicamente. Inadaptados aos tempos que correm! Está na altura de mudar!
Está na altura de rever os nossos principios, de reciclar a moral e os bons costumes!
Está na altura de inovar os ideais!
Está na altura de promover e incentivar uma nova ideologia e uma nova forma de encarar o mundo!
Não nos deixemos estagnar, nem deixar repetir a história, nem que pensem por nós, nem que a geração anterior diga que vivemos ou perdemos os valores, pois nada se perde e tudo se transforma!
Ao contrário dos nossos pensadores do séc XIX não apresento soluções, apenas sei que temos que mudar!
Seguir em frente de uma maneira ou doutra!
Infelizmente não tenho uma forma nem um método, mas aceitam-se sugestões!

Basta!

Já Chega!


foto: Condução de Rebanhos, Silva Porto

03 fevereiro 2010

Texto com mais de 130 anos e duma actualidade assustadora



"Ninguém desconhece que se está dando em volta de nós uma transformação política, e todos pressentem que se agita, mais forte que nunca, a questão de saber como deve regenerar-se a organização social.

Sob cada um dos partidos que lutam na Europa, como em cada um dos grupos que constituem a sociedade de hoje, há uma ideia e um interesse que são a causa e o porquê dos movimentos.

Pareceu que cumpria, enquanto os povos lutam nas revoluções, e antes que nós mesmos tomemos nelas o nosso lugar, estudar serenamente significação dessas ideias e a legitimidade desses interesses; investigar como a sociedade é, e como ela deve ser; como as nações têm sido, e como as pode fazer hoje a liberdade; e, por serem elas as formadoras do homem, estudar todas as ideias e todas as correntes do século.

Não pode viver e desenvolver-se um povo, isolado das grandes preocupações intelectuais do seu tempo: o que todos os dias a Humanidade vai trabalhando deve também ser o assunto das nossas constantes meditações.

Abrir uma tribuna, onde tenham voz as ideias e os trabalhos que caracterizam este momento do século, preocupando-nos sobretudo com a transformação social moral e politica dos povos;

Ligar Portugal com o movimento moderno, fazendo-o assim nutrir-se dos elementos vitais de que vive a Humanidade civilizada;

Procurar adquirir a consciência dos factos que nos rodeiam , na Europa;

Agitar na opinião publica as grandes questões da filosofia e da ciência moderna;

Estudar as condições da transformação politica e económica e religiosa da sociedade portuguesa:
Tal é o fim das conferências democráticas(...)"

Conferências do Casino

(Publicado no Jornal Arevolução de Setembro de 18 de Maio de 1871)

foto: Composição de Vieira da Silva

26 janeiro 2010

Uma história do Homem




Na alvorada da Humanidade num passado não muito distante fez-se luz. O Homem desceu das árvores. E depois de alguns experiências falhadas no laboratório natural, ergueu-se:


Deu os primeiros passos como bípede, com visão binocular e polegar oponível. Condicionantes estas fundamentais para a sua evolução cognitiva. Era uma fraca figura,de constituição frágil, com uma grande cabeça, tinha um maxilar atrofiado, sem uma dentição poderosa, e em vez de garras possuía nas pontas dos dedos umas unhas quase residuais sem grande uso, com o corpo desprovido de pelagem, e longe de estar no topo da cadeia alimentar. Saiu da floresta para as estepes, colheu bagas e frutos, dedicou-se à caça em grupo.
Escondeu-se dos seus predadores em grutas, cavernas,e nas primeiras construções para habitação.
O tempo passou e especializou-se. Armou-se de ferramentas, dominou o fogo, cultivou os primeiros cereais, domesticou animais, e adaptou-se às várias zonas climáticas, espalhou-se pela Terra na sua Diáspora, e sedentarizou-se estando ainda em perfeita harmonia com a natureza.
Depois(não terá sido certamente ao 7º dia) sentou-se e descansou.Mostrou-se pela primeira vez ao Mundo, reclamando para si o lugar cimeiro como espécie dominante. Ciente que agora os seus predadores tornar-se-iam agora presas.
Criou e desenvolveu os seus mitos e ritos e a sua espiritualidade. Teve o primeiro tempo de ócio, de lazer, para socializar, e estreitar laços entre si, desenvolver a comunicação oral, organizar-se, hierarquizar-se, nas primeiras tribos, nos primeiros clãs,e nas primeiras cidades . Com as trocas comerciais e/ou interacção com outras tribos, desenvolveu novas técnicas de comunicação. A linguagem tornou-se mais complexa, não só era capaz de filosofar sobre a sua própria existência, como se interrogou certamente sobre o meio que o rodeava e o seu lugar no Globo.Não sabendo porém explicar certos fenómenos delegou-os para os deuses.

A Fauna e a Flora existentes, são exemplos duma perfeita harmonia com a Natureza e ainda nos fascinam com a sua beleza e riqueza de cores e formas, numa estratégia de perpetuação das espécies que criou estratagemas para e evitar a extinção e assim singrar. O Homem, e ao contrário dos restantes seres, desenvolveu outras técnicas de disfarce ou camuflagem mas utilizando a mente e não o físico. Tornou-se perito na arte do uso das sensações e percepção. Transforma e usa os sentidos dos outros com o intuito de criar a ilusão,levar ao engano, sugestionar, simular, seduzir, de manipular, e de liderar. Levando a melhor sobre o seu semelhante e além de acabar com a concorrência de outras espécies predatórias. No caso destas últimas sendo mais pargmático e cruel: Exterminando-as. São exemplo disso as extinções que levou a cabo na parte oriental da Ásia( Russia) e em grande parte da América do Norte.


O seu objectivo ultimo foi conseguido, e tornou-se quase um ser de excepção na natureza, com o condão de modificar o meio conforme as suas necessidades, e transformando-se num deus na terra, acima de qualquer outro, pois não tinha rival a não ser ele próprio.

Sempre foi gregário, vivia em comunidade. O número, ou seja, a quantidade de população de uma tribo, aldeia ou cidade, era um modo de segurança, de protecção e de manutenção do seu modo de vida.Na actual sociedade, tornou-se sectário, já não precisa de se juntar aos outros para levar a sua avante. Depende antes de mais da inteligência, da capacidade de comunicar, da retórica, e da sua eloquência. Sendo o lema: "A pena é mais forte que a espada" não levado literalmente pois onde chegou destruiu pela força tudo o que se intrometia no seu caminho.

A população, com a revolução agrícola, aumentou substancialmente, ocupou os quatro cantos do mundo, do Árctico ao Sahara. E na época que precede a antiguidade clássica, passando pela Idade Média e o Renascimento, evoluiu de forma a necessitar de se expandir para além do mundo conhecido. Enquanto isso, houve populações que ficaram a um nível tecnológico aproximado da Idade do Ferro, não necessitando de evoluir para além disso pois viviam completamente adaptadas ao meio, em harmonia com ele, não caçando mais do que o estritamente necessário nem destruindo florestas para pastagens de gado, ou explorações agrícolas. Em total equilíbrio. Veio o Homem do "Velho Mundo", que dependia do comércio, do mercantilismo, da acumulação da riqueza, e extinguiu os seus semelhantes, ou levou-os a adoptarem o seu estilo de vida. O leque de culturas, línguas e ideologias que havia então, foi absorvido. Civilizações inteiras levadas à beira da extinção, ou obrigadas a aceitar este novo método de existência, em que se esgotavam os recursos de um local e avançava-se para outro, numa época em que se olhava o mundo como infinito e os recursos ilimitados.

Chegou à Revolução Industrial, o aumento populacional foi exponencial, domina sobre a terra em todo o seu esplendor, daqui à actualidade foi um pequeno passo contudo um grande salto para adulteração total e completa da paisagem.

Após a conquista de todo o território o homem virou-se para a conquista das mentalidades. Para a propaganda. Na Idade Média espalhou a palavra do Senhor, daqui em diante espalhava a sua, não admitindo outras, a opinião contrária era castrada, e a razão só uma, e imposta a toda a sociedade.

Vive num meio completamente adulterado da natureza e adaptado ao seu modo de vida actual, é sobretudo urbano e cosmopolita, orgulha-se da sua sapiência mas perdeu os seus instintos. Incapaz de criar algo para a sua sobrevivência, como um arco, um machado, ou um simples agasalho, especializou-se em demasia. Se perdido numa floresta, longe da civilização, a sua capacidade de sobrevivência aproxima-se do zero. O que obteve em conhecimento e cultura, em princípios e valores, perdeu em integração no meio donde veio, dum mundo que já desconhece, que despreza, esquecendo rapidamente as origens.


À evolução tecnológica do Homem, segue-se (ou é acompanhada) a evolução social e cultural. Desde a descoberta do fogo, a sua ascenção foi metéorica, passando os seus conhecimentos, pela mecanica quantica à Exploração Espacial, da microbiologia à nanotecnologia. O Homem quase que se deificou, passando as religiões a terem um papel secundário, fragmentando-se em várias seitas ou ideologias bizarras, até ao fundamentalismo.
Os meios de transmissão da mensagem, estão longe dos tambores e dos sinais de fumo, ou do pombo-correio e já transcendem a imprensa escrita, são veiculadas pela Televisão e Internet à velocidade da Luz.
Vivendo agora num mundo real composto do virtual e do surreal...Da máscara,da trama, do drama, do ardil. A informação já não é passada pelos Bardos, nem de boca em boca, as lendas estão esquecidas, as estórias e a história são adulteradas. As leis já não são do homem para o homem, mas de um grupo restrito para a maioria da população. A democracia, tão apregoada, transforma-se em Oligarquia. Há a obsessão pelo modelo ocidental de vivência. O Modus operandi e Modus Vivendi do ser humano torna-se igual para toda a gente. Sufocando outras formas de estar e de ser. Os exemplos chegam-nos através da TV e da Net. Imitam-se as estrelas de cinema e a gente da alta sociedade. A criação artística, musical e cinematografica estagnam.Pois já está tudo inventado, e as inovações são recriações, fazem-se filmes que são remakes, fazem-se musicas que são remixes, palavras estas que são anglicismos, e a cultura que marca o Século XX e XXI é a anglo-saxónica. Aos novos estilos dão-lhe o nome de "retro", de "neo", etc, etc. O pós-modernismo já está demodé.
O cidadão que fuja deste ideal, da norma, do standartizado, é marginalizado, e ostracizado. Embora as democracias preconizem o direito à liberdade de expressão e ao livre arbítrio, a sociedade é dominada por regras e normas rígidas de comportamento que limitam e proíbem, que oprimem as ideologias contrárias à predominante.

O direito à diferença não passa do papel e quem é diferente é etiquetado de dissidente, indigente de doente ou de anormal. Combate-se o Terrorismo dum lado e usam-se politicas de Terror para dominar as pessoas.
Para controlar
instala-se o medo, do diferente, aponta-se o dedo a quem tem ideologia divergente, ou duma outra religião. Com o receio de um ataque terrorista retiram-se aos cidadãos a sua privacidade. O Patriot Act no EUA, permite ao governo ter acesso às chamadas telefónicas dos cidadãos, aos registos da biblioteca local, aos livros e filmes que vê, às viagens que efectua. No fundo, o terrorismo serve para criar receio na população e para a controlar, tiram-se direitos ao homem com o objectivo de o proteger,e acabam por controlar o que pensa, eventualmente transformando o homem num ser amorfo,que crê em tudo o que o Poder instituído lhe diz. Comporta-se como um autómato, inclusivamente já não questiona a informação que lhe prestam, toma tudo como verdadeiro, não raciocina, nem sequer repensa, discute ou refuta nada, e deixa, inconscientemente que o façam por ele. É de salientar que nas livrarias tem tendência a comprar os livros best-sellers, e acaba por ficar limitado, não por não ter escolha, mas por omissão na informação prestada.Nas rádios passam o que as editoras querem vender, etiquetando de musicas alternativas/independentes ou musicas do mundo as edições que não são das grandes multinacionais. O pensamento artístico, a criatividade humana deixa de ter expressão.
Dão a ideia de que o homem é livre de optar, mas está preso às normas de conduta que a sociedade lhe impõe. O homem pode escolher, mas a escolha é pré-seleccionada.

O homem, distingue-se dos outros animais pela sua capacidade de filosofar, de questionar a sua própria existência e de ser capaz de perdoar, de se mostrar clemente, misericordioso, e com espírito de inter-ajuda, de dar a mão ao próximo, mesmo que este esteja distante. Acontece que o homem não só não evoluiu neste campo como demonstra também uma faceta auto-destrutiva, agressiva e devido à sua prepotência, é capaz de actos de horror, e requintes de malvadez que não lembram ao mais cruel dos predadores que connosco vivem nesta bolha Azul. O homem fa-lo pela simples razão de o poder fazer, talvez uma demonstração de poder, ou então por ter chegado a um ponto onde tudo deixa de ser novidade, e para inovar ou fugir ao tédio e à monotonia da rotina, passa para o campo do bizarro, do invulgar, do mórbido e do perverso.
Tornou-se intolerante, despreza a diferença e contudo quer-se destacar dos outros. A opinião dos outros é levada com desdém, os que não caminham no mesmo sentido são marginalizados, até considerados doentes, anormais, embora a normalidade seja hoje um conceito em extinção (ou sem definição). O altruísmo não é praticado para ajudar alguém mas sim como moda, pois fica bem. A moral e princípios éticos não são dele mas sim imitados e copiados, quem sabe se não o são só como forma de se inserir num grupo? E apesar de não pertencer a uma tribo, precisa de se sentir integrado. As pessoas colectivamente formam associações e cooperativas com os mais diversos fins e existem para todos os gostos e feitios, mas individualmente o Homem, põe de lado o seu semelhante, marginaliza, discrimina, segrega, sectariza e ostraciza.


O homem sofreu uma evolução, talvez precisasse de passar por uma revolução.
Talvez a solução seja voltar às origens, deixar por momentos de olhar o céu como o seu destino futuro, de pensar em tranformar Marte num planeta habitável e dedicar-se primeiro a fazer o mesmo à Terra.