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29 maio 2011

Ode de Solsticio naif

Chegaste do ar

e o teu encanto trouxeste,

e eu sem te poder tocar

assim inalcancável tiveste

Passou o Inverno

e o solsticio

não olvidando esse momento

de ver teu semblante terno

no meu corpo apenas um bulicio

E a alma num frémito e suplicio

Chegou a Primavera

E o equinócio

Tu voltaste alada

Eu Recordei o momento

e já de alma arranjada

Em ti fixei meu sentimento

Quase no Verão

e com o sol em Zénite

O meu ser e alma em ti fisgada

acto continuo no coração gravei-te

Cresceu a emoção

e de coração refeito

Larguei o ócio

quando me atingiste-me no peito

Todo o meu ente mudaste

ao deixar a minha tristeza partir

quero preparar-te para comigo sorrir

Iluminar-te de luz e carinho

dum sopro dar-te todo alento

para em ti entregar num só momento

todo o meu amor e ternura ao de leve,

levezinho...

27 maio 2011

Esquecimento


Para trás da ponte, estende-se o rancor a mágoa e a angustia, num terreno estéril.
O rio por baixo leva a nostalgia nefasta do que foi.
Para lá cresce a saudade do que cá fica e que está para ser.
Na outra margem o sol vai nascer e brilhar.
Amanhece e a escuridão à luz dá lugar.
Aqui é o sitio para estar.
Nesta margem, uma nova imagem
Sem marginalizar a miragem.

03 maio 2011

O Caminho

Que fazer para seguir o caminho sem cair?
Olhar para a frente, não para o horizonte, mas sim o espaço de cada passo que dou.
E sou apenas um momento aqui. Vivendo fora e dentro da vida, do trilho. Talvez da forma mais fácil, porém seguindo um caminho difícil.Aquele que eu proprio crio.
E páro, sento-me no bréu, à procura. Sento-me tal como um velho, cansado e frágil. E questiono todo o trilho até agora, procurando a causa de tudo isto, e fico na escuridão, esperando fundir-me com ela e desapareça ou me apague. Não.
Num novo começo, há um outro fim? Talvez um meio, melhor. Sem grandes caminhadas. Não vulgar mas mediano. Sem subir demasiado e contudo tentar não descer.
Tão dificil que é encontrar o caminho, sem medo e sem lágrimas. E que chegue aqui, a este ou aquele caminho, o meu; Seguro, mas surpreendente, mediano mas invulgar, acertado e no entanto especial e único. Quem sabe se ele existe ou não é impossível? Não sei.
Talvez seja melhor esperar. Às vezes é melhor sentar-me, aqui no silêncio e no breu, olhando o nada, e aos poucos tudo encontrar. Ver tudo convergir e muita coisa fugir, e sei que não consigo tudo agarrar!
É melhor esperar, e talvez encontre, um caminho para achar.... E descobrir.

01 abril 2011

Rota da vida

hoje não durmo. Talvez por sentir que algo corre mal. Talvez por imaginar um mundo diferente. Talvez por querer uma existência que seja normal, sendo "normal" algo que toda a gente tenha e nem se preocupe em vir para o blog às 2:28 da manhã dissertar sobre ela.

Toda a gente tem diferendos com alguém.
Seria bizarro se assim não fosse pois da discussão nasce a luz.

Posso ser excentrico, bizarro, anormal, complexo, bipolar, esquizofrénico ou seu derivado, mas sei de quem devo gostar e se gostar se devo amar e amando como me dedicar, e dedicando, como me entregar.

Depois duma vida de experiências e ensaios em branco, é bom e sabe bem, juntarmo-nos à mulher que nos faz bem;
que nos preenche.
que nos completa, e complementa,
que é a peça do puzzle que falta
que nos serve de bussola
e fio de prumo
e não nos dá o rumo mas orienta,
e que ajuda a manobrar nos meandros da vida, e que nos alerta dos obstáculos.
e no ultimo instante nos puxa aquando da nossa quase subita queda no abismo.

Pena é que por vezes.... o trilho e o leito do rio nos conduz à cascata,
e por mais que se reme, a queda é inevitável...

30 março 2011

Ardil temporal


Passa rápido o Passado. Olha para o lado e anda em frente devagar. Rumo: O futuro e o presente em mente. Sente e mente. aproxima com uma lente, lenta. Numa hora. Sabe agora, sabor amargo. A mar e a hortelã-pimenta. Experimenta e tenta mais uma vez. Aos três. Salta. No escuro.no FUTURO. ouve dizer no presente do indicativo, uma indicação, tudo afirmativo, num laivo negativo. Fica na mesma, e avança como a Lesma, cai, recai, descai. "Até aqui tudo bem" a queda é acelerada o embate travado. Cravado no chão, levanta-se e anda, renasce, reaprende, cresce. aparece. adormece, acorda, lembra-se e volta a passar pelo passado, assim ou assado continua num drama, tramado...

29 março 2011

pescadinha


havia greve contaram-lhe. E eram mais de 3. tudo parado e mais avançavam. Deram a volta à procura. Chegaram em busca. uma equipa, um par, uns parceiros, parelha, companheiros, sozinho estavam. Camaradas amavam.Enquanto isso o comboio apitava,havia partido. A gente quebrada, a greve cortada. Não sabiam dele e falaram-lhe depois de dizer que não. Quem foi nunca se soube, havia porém. E suspeitava-se também. Embora numa nova situação, o estado era. Liquido? um gelo nessa noite, em placas e chuviscos. meteoritos e caracois em helicoidal. Tudo á volta. Em circulos. Tonto. Estúpido. Tolo. Em rolo, rodava sobre os carris, e havia greve e contaram-lhe E eram mais 3. tudo parado e mais avançavam. eram a volta à procura. circularam, em circulos, à volta em orbita, em tudo...


Acorda e está algo diferente...não pode correr...Sem saber que fazer dá a volta à gaiola. procura algo em volta que o distraia e nada encontra. Decide armazenar comida no seu ninho. Passam os dias e à medida que a comida aparece guarda-a. Já nada cabe. Tira o algodão para colocar ainda mais comida....assim sempre se entretem. O ninho está cheio e passa a dormir cá fora. Como nada o satisfaz tem de arranjar outra ocupação: O algodão irá para cima do ninho, e dia após dia, coloca-o em pequenos montes por cima do ninho. O tempo passa e nada há pra fazer, decide outra coisa. E se puser o algodão no ninho e a comida por cima? Durante dias assim procede. A tarefa é completada. O inverno está aí. Decide fazer o inverso e pôr tudo como estava. Termina a tarefa e é tempo de hibernar. Mas não está preparado. Que fazer agora? Roi os arames da gaiola. Troca a comida pelo algodão. O algodão pela comida.Não! Dá mais uma volta à gaiola.Não! Decide roer os arames. Não! Colocar a comida e tirar o algodão? Tirar o algodão e colocar a comida?!! Não! Está perdido. Começa a roer as unhas, depois as mãos os braços e antebraços, os pés e as pernas....Não se mexe nem pode comer, roi a cauda e come-a. não passa dum corpo disforme e amorfo.Acaba por morrer...

Passam 3 dias é cadáver ressequido.

O algodão em cima e o ninho cheio de comida.

Ninguém o lamenta. A roda vem de arranjar e voltam a coloca-la para o rato correr....

tarde demais...

28 março 2011

Desespero na Primavera


Morreu uma andorinha porque nada a seduz. a primavera definha enquanto o bréu ocupa a luz. grita sem esperança e a voz nada alcança. o tom segue como como um eco emitido por um morcego que em vez de bater na caverna prolonga-se pela eternidade do Universo. sem fé nem tão-pouco crença. Apesar da rima nada é verdade neste verso. nem tudo o que reluz é oiro e nada vê e é cego. aquele que ontem está cima estará amanhã e para sempre submerso. o que foi colorido em tons de alegria é agora o bréu com laivos de monotonia. As cores esbatidas, as horas passadas, o tempo perdido e o caminho longo num espaço demasiado comprido. para sempre, e a andorinha morre hoje amanhã e sempre...

15 março 2011

A minha primavera


à espera da primavera, vim ver o mar.

ainda não chegou, e mesmo assim já me faz desesperar.

Aguardo com obcessão,

procuro no horizonte também pelo verão

andam sempre juntos, ele e a primavera

porém nunca se encontram só no dia de transição.

vou no comboio do tempo, num desenfreado vagão

só o pararei num equinócio ou no solsticio de verão.

a primavera aproxima-se no tempo

mas ainda longe no espaço

faz-me e sonhar com ela e por ela suspirar

e entretanto que eu faço?

talvez procurar os sinais

como a andorinha no ar,

as flores na terra

e os e os pardais?

Prestes a nascer e a chilrear

enquanto não chega tento continuar,

e não páro nem posso parar

o inverno passa e chega de hibernar

As cores, as novas formas e odores recentes

trazem lembranças dum passado e de coisas ausentes,

as nuvens negras em cima são dissipadas por recordações

memórias de conversas à beira-mar,

e com a primavera passear

ouvi-la vê-la e receber tudo o que tem para dar,

e a ela ofertar todas as minhas sensações e emoções,

e continuar estupidamente a partilhar,

ou apenas ingenuamente a contemplar

o contentamento eminente

o rejubilo ausente

a alegria presente

tudo! e mesmo tudo está aqui para ficar

pois se vem a primavera

e em mim reparar

vou dar uma volta à terra

rodear toda a esfera

e ir até ao Sol sorrir e continuar a esperar

06 março 2011

hoje

A noite é escura e sem ideias claras. Em castelo que se compõe e arranja, atitudes e vontades que tentem contraiar, e força a corrente. alterna. Muda, REvive!

13 fevereiro 2011

sentimento


A noite não aquece e as ideias não acalentam. Nada de novo no panorama, sem visão e tudo um drama. Auto-destruição emocional num instante cavernoso e sepulcral. O muro à frente e saltar fora de questão. Fixa-se um tijolo e vegeta-se. um urro e dois depois e a parede aumentam. Sobem e crescem de tamanho, altitude,atitude, falta dela, vontade, que é dela? cadela, cão, caravana que se passa. nada e o cosmos à frente ficando atrás, a luz acelera e não se acompanha, não há como a apanhar. foge, recuo, sinto, sento-me, não. deixo-me ficar, vejo-me lá de cá, longe. Onde e quando não são referência, apesar de experiencia cai-se sempre no mesmo buraco molhando o sapato, descalço pela frescura da noite que arrefece e a não as consigo agarrar, parecem querer fugir parecem escapar. nada se armazena, nada se guarda, procura-se o breu como resguardo e a miséria ela só como aliada e companhia. Parte também e lá de dentro não se vê as cores, só dores, lamentos e maus odores. ligações de palavras que vão pelo vento, sem visões que não acalento, deixo-me ficar aqui. neste instante, contando mais este momento.

09 fevereiro 2011

A alternativa?


Nasce-se ao acaso num qualquer local sem nome e/ou designação.
Inocente e ingenuamente olhamos para todos como iguais não discernindo o bem do mal no outro e em nós. Sendo observados da mesma forma, naqueles breves segundos em que estamos nus e choramos.Nessa altura nibguém nos cataloga seja social, racial,cultural ou ideologicamente.

Crescemos.

Somos ensinados com os principios dos pais, os cheiros bons, as cores relevantes, os animais maus, as pessoas que não interessam....E fazemos uma selecção.

Chega a escola e os valores são alterados; os cheiros, as cores, os animais e pessoas, esses,maus ou bons, relevantes ou não, serão outros, diferentes. Estranhamos mas devido à novidade e dislumbramento do nosso ser e do pensamento, e capacidade de raciocinar, aceitamos.

E Regredimos....

Ensinam-nos valores como os pecados e a intolerância. A inveja e o desdém. A catalogar o nosso Mundo, a distanciarmo-nos do Universo. Aprendemos pela primeira vez a Odiar.
E estamos quase prontos a entrar na sociedade.

Em adultos convivemos com gente mediática, e quem se acha detentor da razão, seja lá isso o que for. Lidamos com gentes diferentes, discursos variados, percursos distintos...Em criança veriamos pessoas - Em adultos vemos conceitos díspares: Surge a segregação duns pelos outros, a separação do trigo e do joio, a repulsa duns afasta-nos, a raiva doutros alimenta-nos, o ódio de todos conduz-nos e agora sim!

Estamos pronto a enfrentar o Mundo.

Trazemos connosco uma mescla dos piores defeitos da humanidade, e somos incapazes de aceitar ideias diferentes, momentos alternativos, desvios ao padrão, e sem amor para receber e dar, sabemos simplesmente odiar, guerrear, sem fé nem esperança no futuro e sem a mão para dar.

Se é tudo um designio?
Depende só de nós esta situação mudar.


E Se não buscassem no exterior a solução e se não olhassem para fora e para o céu ou para o ar, e apenas observassem em baixo e cá dentro para variar?

A Vida - Florbela

É vão o amor, o ódio, ou o desdém;
Inútil o desejo ou o sentimento...
Lançar um grande amor aos pés de alguém
O mesmo é que lançar flores ao vento!

Todos somos no mundo "Pedro Sem",
Uma alegria é feita dum tormento,
Um riso é sempre o eco dum lamento,
Sabe-se lá um beijo de onde vem!

A mais nobre ilusão morre... desfaz-se...
Uma saudade morta em nós renasce
Que no mesmo momento é já perdida...

Amar-te a vida inteira eu não podia.
A gente esquece sempre o bem de um dia.
Que queres, meu Amor, se é isto a vida!...

08 fevereiro 2011

surrealizações

fica a saudade,
crescem as emoções,
procuram-se sensações,
encontram-se desilusões
e entretanto saio de casa e
vou ao pingo-doce
esta semana sem cartões e outras promoções...

02 fevereiro 2011

Sê Fé

Não sou um António Aleixo
nem sei tão-pouco versejar
não digo nada nem me queixo

contudo vou dizer e falar

Alguns na loja entram
e fazem o seu trabalho
outros por lá passam
mandando todos pro c******

Quem é amigo do seu amigo
e os outros tenta proteger
em breve vêm ter comigo
e decerto te vão f****

Alguns fazem pela calada
e cometem ruindades
e no fim dizem até amanhã
fica por aí.... e mais nada

Quem nada deve e nada teme
e faz a sua função
tem de estar bem pacato
pois quem vai no leme
fará dele gato sapato

Tem de haver um bode expiatório
não haverá qualquer dúvida
e quem seja "observatório"
e sabendo com quem se lida
uma no cravo outra no rico horário
e terá a uma rica vida
quem seja honesto será precário
e tem a semana fod***

Não é preciso inteligência
para ver quem trabalha sóbrio
basta haver diligência
em topar o tipo ébrio

acusar é facil
basta apontar o dedo
acertar é que é dificil
coragem de ver pelos vistos mete medo

Uns fazem trinta por uma linha
ou limitam-se a existir e a zelar
outros para ser chibo e galinha
mais louvores vão levar

O trabalho feito
e horario cumprido
não chega para ser satisfeito
quiçá ser bufo e depois fod***
e ai sim será o funcionário perfeito

Uns olham para os objectivos
outros pra quantidade
alguns continuam fodi***
se primam pela qualidade

Não interessa quem produz
valoriza-se a ignorancia
não interessa que vejam a luz
ou trabalhem para a eficiência

Uma rica loja é
este posto de trabaho´
seja um c cheio de fé
vão mazé todos pro ca*****

28 janeiro 2011

Sonho


hoje o céu parece-me mais longe. O chão estará mais perto? A visão desfocada, como se as cores do mundo se juntassem tirando a forma as coisas. Os cheiros intensos como que mais fortes e semelhantes, e todos me puxam para eles como se fosse preciso toca-los para os sentir. Os sons estão estranhos vindo de todas as direcções e confundindo-me fazendo-me escutá-los em uníssono causando uma barulheira imensa, os tons, os ruídos, os sibilos, os chiados, as vozes -Tudo misturado! Parei para pensar, e saber de mim. Não me recordei do que era nem lembrei nada familiar, assustei-me. Nada reconhecia, e ninguém entendia. Seria este o meu mundo?
Sentei-me num poste de iluminação, fiz um casulo e hibernei. Lembro-me que o ultimo pensamento foi: "Amanhã voarei", deslizei e caí num sono profundo.

23 janeiro 2011

Eu votei cavaco por que sei que amanhâ o dia será risonho!
E a afronta do caso BPN estará em breve terminado.
A Função publica não terá mais cortes no seu ordenado.
E a vida será plena de o futuro de sonho!

Elegi o Cavaco por que é honesto,
Embora crie mais um tabu,
O País não será mais um resto
,e apesar de na cauda da europa não será um mais o cú!

Optei por cavaco
votei em consciencia
o Escudo foi um pataco
e com ele
o Euro será de excelência

A partir de agora
verei descer a gasolina
nem vejo a hora
de a consumirmos como Heroina

O cavaco é do Povo
e é quem mais ordena
Viveremos num admirável mundo Novo
e do passado não teremos pena

Sendo o Homem do Leme
Veremos a ecomonia crescer
Até a Alemanha nos teme
Por tal homem eleger

Havia só um candidato
que nos tirará da miséria
basta para ele ser-lhe inato
tornar a assembleia numa coisa séria

Já nada há a temer
são cinco anos a governar
muita opulência na europa ira tecer
enquanto o povo com ele singrar

Com ele na presidência
nem de o governo precisamos
apenas dele e da sua anuência
quando nos ofertar Bolo-rei e com ele mastigamos

Nunca eu fui poeta
porém com este homem no leme
tudo o resto é uma treta
e o centro do mundo estará em Boliqueime

O Povo está feliz e contente
a malta está num torpor
satisfaz toda a gente
e Portugal é somente paz e amor

Muita gente tomará este verso
com muita ironia e sarcasmo
O objectivo é esse mesmo
(A medalha terá sempre o reverso)
Muitos o vão ler e ter um orgasmo
Pena é que um Pais fique num Marasmo!


Autor: Anómino (com medo de represálias)

16 janeiro 2011

A Mulher de vermelho

Estarei apaixonado? Ou antes tudo sonhado?
Num domingo começado e terminado, em mais um dia passado de nascente a poente e sempre numa constante de vazio e inconsequente.
Um domingo lento, enfadonho e pardacento, pleno de nada e sonolento. Tão díspar e frio se comparado com outro de antigamente e que contigo era tão diferente . Num tempo e num lugar em que entraste de rompante e mostraste-te forte e num instante, deixando a tua marca impressa, o teu sinal gravado, a tua presença imposta, com o teu cheiro em mim impregnado em todo o meu ser e o meu ente, foste a minha agua o meu sol e tudo de repente.
E neste domingo fiquei esperando acordar deste tormento. estar ness´outro lugar e noutro momento.Pleno de calor torpor e alento.
E neste domingo, por fim, senti-me novamente apaixonado, num pleno acaso, numa passagem de ocasião, já depois do ocaso dei com esta nova ilusão. Um miragem pensei eu, ou um sonhar acordado, não esperava ver eu tal ser tão encantado; passou de mota, e de vermelho trajado, parou na rua, e ali! Aquela a Única a mulher de vermelho ali ao meu lado!
Tanta sensação me percorreu como que um deja vu observado, que enorme emoção ali se viveu que me deixou assoberbado. Naquela imagem de vermelho se projectava toda uma vida, em tons de carmim se inspirava a minha alma enquanto a face se tornava lívida.
Por momentos, tudo parou, e a noite virou dia, e neste domingo sempre eu ficaria e tudo pararia, pois do breu transbordava alegria e eu só de luz transparecia.
E desse domingo aborrecido e duma boleia de ocasião veio-se a transformar no meu domingo de eleição.
Os olhos ainda habituados ao banal, quase não entranhavam esta visão, e a alma já coberta de breu estranhava e tratava esta bela e real imagem com uma miragem ou ilusão. E como num conto de fadas, tudo enfim estaria terminado, pois não seria um princepe encantado e mais uma espera por D Sebastião. E então,Como tudo começou, mais depressa acabou.
E este domingo assim se passou, e por momentos a paixão, e aquela bela visão, daquela mulher motard passou a ser fruto da minha imaginação.
E depois desse Domingo veio a segunda sem mulher de vermelho. E ao acordar, fiquei apenas a olhar, o meu triste e sonhador semblante ao espelho.

03 janeiro 2011

Hoje ao acordar....


Um qualquer domingo, num qualquer mês, dum qualquer ano de hoje em diante. Depois de um sono curto, cheio de sonhos incertos e entre cortados por momentos de vigília na escuridão, onde já não se tem posição na cama, se olha de quando em vez para a janela, à espera de vislumbrar a luz da aurora. Única luz que nos preenche, única que nos enche a mente e única coisa que está presente. Agora que tudo é passado. E a luz, assim que entra pela divisão onde se amontoam as nossas poucas posses, divisão essa à qual agora chamamos lar, e com a luz da madrugada, que nessa altura entra e tudo toma forma, que sentimos que é altura de acordar. Parando então de recordar, tomando contacto com a realidade, onde vemos que tudo o que temos, não está na mente, mas sim nessas quatro paredes que agora contém toda a nossa existência e a memória de toda uma vida esquecida. É nesse momento, tal como um enorme estalo na cara, ou um balde de água fria, que sabemos que isto é, e será definitivamente, toda a nossa existência. Sabemos então e independentemente de qualquer emoção, que é tempo de levantar. Mas nesse instante porém, em que prendemos os lencois e os cobertores e que em posição fetal nos deixamos ficar, aguardando talvez que aquela não seja esta rude cama, nem estas paredes desse estranho e bizarro lar, e talvez o cheiro que nos entra pelas narinas, não seja daquele quarto estéril e sem vida, mas seja então inalado aquele cheiro tão familiar, e que afinal, quando nos viramos, damos de caras com aquela que é, toda a nossa vida e aquela que é o nosso objectivo de acordar diariamente; Que só com um sorriso ou um único respirar e suspirar, faz com que esse dia mesmo antes de começar, já seja pleno, já possa mesmo acabar. E esse mesmo dia apesar de mesmo agora começar, possa já terminar! Pois tem tudo para nos realizar, e fazer vibrar! Não...

Mas não... Ao nos virarmos na cama, encontramo-nos a sós com uma parede branca. Sem qualquer cheiro. E tudo vazio e inócuo. E aliado à vontade de sair da cama só nos vem a vontade de hibernar e nunca mais acordar. Abrimos então os olhos e olhando à volta está tudo despido de vida; objectos sem valor; formas sem cor; com conteúdos sem qualquer calor; e saímos dali sem qualquer torpor. Procuramos num qualquer gesto que façamos uma memoria duma rotina passada,e em qualquer passo uma qualquer emoção guardada, numa qualquer acção realizada,a esperança de reencontrar nem que seja um segundo, ou um instante ou uma fragrância daquela que foi a nossa paixão idealizada... Não! Mas não....Mais uma vez não...O nada. O vazio e o silêncio é tudo o que nos envolve e anima, e o breu é a única coisa que nos abraça. Sendo tudo branco, ou incolor, inodoro, lívido e a vida e toda a ideologia apóstata, sem sabor, sem sensação, sem calor e isento de emoção...


Saímos para a rua e no passeio sente-se o enorme frenesim das gentes que passam, e em qualquer outro dia isso seria a nossa energia, a nossa tremenda alegria, mas hoje, e onde outrora o sol de inverno e o azul do céu seriam prenuncio duma qualquer graça, hoje, é apenas um anuncio de mais um dia que passa.


Procuramos fazer um caminho rotineiro, que nos encha o ego e nos traga alento. Mas em cada virar de esquina vem-nos a lembrança, uma recordação, dum outro dia ou doutra manhã passada que agora não é mais que um pensamento.


Muda-se de direcção! De sentido! E mudamos de andamento e dos passos pequenos em que caminhamos, quase que corremos para um outro espaço,uma outra praça, outra esplanada e num qualquer outro café em que nos sentamos sozinhos, para tentar cair no esquecimento.


E assim se passa um dia, e mais um mês, um ano, e uma vida, até que nós próprios não sejamos também mais que uma recordação, sem qualquer lembrança e memória. E finalmente voltamos àquele quarto e àquelas paredes vazias que são, e serão, todo o nosso sentimento.

31 dezembro 2010

rabiscos sobre um amor

É quase um antônimo viver para amar assim. Talvez seja preciso saber odiar para poder esquecer. Ou talvez seja melhor não recordar que se amou para se poder viver a amargura. Ou lembrar que nunca se amou para se pode continuar. Prosseguir sem viver em desgosto. Não gostar de quem desdenhou apesar de ter amado. Tudo palavras que não teão sentido nenhum para quem não as sentiu. E descrever um amor que quem sabe nunca se tenha recebido:
Viveu sempre uma vida individualista, mas não egoísta, talvez egocêntrica pois habituado que estava a tratar só de si.
Porém avançou de estádio, ou estado( questão de semântica agora irrelevante) de consciência, e de posse emocional para um estado "duocentrista"(neologismo ou estupidez como queiram) e tendendo mais para o outro- O ser amado(ou de quem se estava ou está apaixonado). E ama de verdade. Não sabendo contudo se o contrário era verdade e se preteria a si para colocar o outro em primeiro....
Verdade seja dita que isto das colocações em primeiro lugar tem muito que se lhe diga. depende dos nossos ideais de vida e de vivência.
Nunca tendo sido do material e do estético, dava portanto previlégio sempre ao emocional e ao funcional. A casa para si, era Quem a habitava, não o que a compunha...ou seja, pertencia às almas e não aos objectos inanimados. Logo, as visões são diferentes, tal como o modo de encarar a arrumação e organização dos interirores da casa. Confundia-se preguiça e desleixo, com despreocupação e alienação, e não com a ocupação da mente com funções mais sentimentais. Muitas vezes interpretava-se como inércia a falta de cuidado ao interpretar-se ou o tratar dum corpo imóvel na casa, mas tratava-se ou olhava-se como vegetal quem por vezes, e apesar de animado tratava-os com indiferença ou despreocupação, mas nunca com descuido . Visto portanto, quase como um espectro que não dava andamento ao percurso que idealizava. Não só em casa com também muitas vezes fora dela.Percurso esse que tem vários caminhos. E : "tortuosos são os caminhos do amor ".
Um estado vegetativo para um poderia ser um estado de contemplação para o outro.
Perfeição de um em desprimor de outro? Não. Conceptualizações diferentes, da forma de estar e no conteúdo do ser.
Se impossíveis de conciliar? Dependendo da capacidade de tolerância e paciência e de compreensão do outro.
Se um estilo é melhor que o outro? Perspectivas, mas nada impossível de lidar.
Principalmente quando se lida alguns anos e certas coisas já devem ser esquecidas e cuidar do que é realmente imprtante.
Sobretudo quando já se viu todas os modos de actuar e todos os métodos de estar. Se nos regemos por algo rígido a nível de adaptação a um meio que não o nosso, será mais complicado moldarmo-nos a alguém, que não nós próprios, com um modus operandi díspar do nosso.
A capacidade de selecção de um método comum, depende da disponibilidade e da entrega dos mesmos e de cada um. Quem não se mostra flexivel, provavelmente sofrerá de solidão, uma vez que viverá segundo os seus moldes, e não tolerará outros modelos.
As adaptações ao outro não têm necessáriamente de se dizer ao aoutro nem de se explicarem, muitas vezes, as modificações subtis, e aproximações suaves e lentas talvez sejam mais eficazes, com a vantagem de não provocarem no outro reacçõe adversas e aos poucos as modificações e ou melhoramentos são efectuados, mas por serem mais graduais e lentos provocam, reacções no outro, apesar do objectivo da subtileza, fosse evitar o conflito, e na mesma os atritos surgem... e ao querermos seguir na mesma diecção do outro, estamos a remar contra a maré e ir contra a sua vontade
Diáriamente surgem provações no casal que se podem tentar resolver duma forma pragmática e se possível não verbal, e quando estamos perante pessoas com um forte carácter e uma firme personalidade, melhor será se se evitar que essas se tranformarão em confrontos, atritos , discussões e disturbios na paz ou harmonia do casal. Problemas estes que são facilmente afastados, se se focalizarem nos problemas em si e não em quem, derivado à sua personalidade, tem como objectivo ganhar uma batalha semantica e não tiver em mente a efectiva resolução da situaçao que se debate. Aliado isto ao facto de se ao invés duma tentativa de se concordar com o outro na forma da expressão lexical, e se tiver em conta que se poderão entender, ou ter preconcebido anterioremente, uma forma de ideologia de se saber estar e ser sem a comunicação verbal. Seja esta comunicação um entendimento com um olhar, uma expressão facial, um gesto, ou , não passe duma aproximação, hormonal, sexual, ou unica e simplesmente uma tão forte harmonia que dispense qualquer tipo de comunicação convencional.
Todo este discurso é quase esotérico, mas por vezes dá-se mais valor ao entendimento verbal que ao singelo acto de dois corpos se atrairem sem mais qualquer tipo de artificios. E quando se conhecem, e já passaram pela fase da verbalização aquando do início da vida a dois, e em que se procura o entendimento mutuo, para acertar agulhas e limar arestas, nada como o silêncio, que deixa de ser compremetedor, e só demonstra a harmonia e sintonia do par na realização de qualquer tarefa, até a mais simples, a de simplesmente se tolerarem a ponto de as suas diferenças, e das suas formas de ser e eetar diferentes, porque no fundo estamos a falar de dois individuos com raizes culturais, sociais, emocionais, ideologicas, religiosas e até de principioa morais que podem ser radicamente opostos, mas que no seu cerne, no seui intimo, no seu amago se atraiem. Porquê? Porque é assim o amor... e é triste quando factores mais ou menos graves, pormenores muito ou pouco importantes, interesses mais ou menos diferentes, os separam...Só demonstra até que ponto não se tinha em conideração o amor, mas sim a aparência duma relação que se queria ou não bela, que era ou não perfeita, que era ou não aceite, por eles, ou mais grave ainda, quando se levava em conta a opinião de terceiros. Seja qual for a razão, e pelo facto de, e apesar da convivência ser tolerável, a partilha excelente, a entrega e dedicação considerável, a relação termina. E quando vimos a saber que existe a solidão a infelicidade, a frustração e até a procura dum elemento externo para a procura de conforto emocional, e se termina e quebram os laços que os unem, fica-se numa extrema crise esxistencial em que se tenta descobrir no que falhou, quando no final de contas se vivesse apenas um acto que era unilateral...E só se pode especular acerca disso..e com o afastamento surge a incredibilidade do acro em si, seguido dum tremendo vazio uma maior angústia e uma tremenda impotência em compreender o incompreensível.

26 dezembro 2010

Estorinha daquelas para quem me deseja mal . edição cut-up

Eram dois irmãos siameses. Um estava agarrado ao cordão umbilical, outro não estava garrrado a nada e caiu. Uma enfermeira saltou também conseguindo uma distância considerável. Um psiquiatra da superioridade em choque não viu o acidente, um cirurgião que fazia consultas e largavae stava possuído por algo fez um TAC e descobriu-se plutão., porque ele tinha problemas de posse..., mas não sabia o quê, E tendo este planetoide desclassificado um ego do tamanho do Mundo e a estórinha como se passava antes de Erastostenes o Grego medir o perimetro da Terra então ele não estava ciente do que realment possuia causando-lhe problemas nao só psiquicoc ocmo juridicos, tendo contratado O fernão, aquele de magalhâes pra dar uma volta, mas ele fez um circuito integrado, tendo feito o achamento do microchip, e decidiu vendê-lo como microchip and fish, enrolado em papel de jornal foi comido como o nestum abelhas e mel . A descoberta foi bombastica sendo enviado pela Ryanair para a Turquia, que de inferioridade e recorreu estavam esgotadas devido à crise .o mestre o senhor seu Deus, que até ao momento era conhecido como Maior, entretanto souberam que não tinha muito, caindo na secção crédito e quando ia a conduzir na via lactea , ficando privado do unico documento , protestou e não foi crucificado, apresentou queixa que fez um sorriso da mesma côr e ficou tudo em águas no livro amarelo a bomba de Nqagazaky que sofria de complexos de bacalhau, lá pros lados da noruegapois deus estava ilegal na UE e teve de ser expulso, onde procurou o consulado e o consolo de uma matriarca, mas não haviam...mais bombastica , virou-se então para o outro lado, tendo mudado de dimensão, e de tamanho, infantil sendo acusado de pedofilia e ao contrario de seu filho mas sim simplificado e transformado num cereal killer os cereais preferidos da criançada o que causou um incidente diplomatico e assim em vez de dominar a terra , apreciado desde a planicie até à serra...

amor 2!

Os casamentos de outrora, eram vistos como um contrato averbado entre duas partes. Partes essas que eram abstractas, podiam ser duas famílias, dois reinos, duas empresas, ou mesmo duas entidades que precisavam uma da outra para obterem lucros, fossem eles na forma pecuniaria, militar, territorial, heraldica, ou com objectico de meterem a mão na herança da velha. Era portanto uma acto em que firmavam um acordo social, militar ou comercial e não envolvia as duas entidades que de facto se amavam/respeitavam. Nesse acto tão intimista( no que concerne ao amor ou amizade) em que se anunciava ao mundo os valores com que se uniam, a paixao que os aproximava ou no minimo o interesse que tinham um no outro. Dito duma forma fria e calculista, os unicos seres verdadeiramente interessados, não eras relevantes para a dita cuja união. Para falar, desta ligação como uma empresa comercial, elaborava-se um pacto, com uma minuta pré-redigida, como se duma sociedade por quotas se tratasse, ou de um acordo firmado, em que os amantes, eram um bem material e e em que se toma a relação(a dois) quase como um pacto de não agressão; um papel assinado e em que as pessoas envolvidas - o casal-e volto a insistir, não têm voto na matéria, e são apenas bens.
Esta visão não tem só como base o aspecto temporal do antigamente( e a tão famigerada Idade média, ou mesmo a época salazarista que ainda é vista por muitos, com saudosismo e que ainda cria acesos debates, e como uma época dourada da nossa sociedade), em 2011, ainda há gente que se junta(une, casa, etc) e essa visão não perdeu força nem está descatualizada, em que se coloca à frente das pessoas o aspecto económico-socio-cultural, retirando mérito ao amor livre, e livre arbitrio , e querendo dar enafse a este aspecto, caindo no erro de ser enfadonho e de me repetir:As famílias retrógradas que põem a heraldica à frente do interesse pessoal e dão mais importancia ao aspecto material em desprimor do espiritual. Falo portanto num ambiente conjectural em que as pessoas que vivem ou que querem viver numa relação, e devido ao enquadramento moral, ético, cultural e social, são vitimas dum ardil com um fito unica exclusivamente materialista e de vontades alheias às suas. Onde são tratadas, como um investimento, de cariz material e não emocional. Tendo unicamente preocupações de ordem moral e ética primárias, onde a união era vista como uma vantagem de ordem variada designadamente:Terras, gado, ou bens pecuniários. Famílias essas, educadas com princípios rígidos e cujos problemas que poderão ter, não são os das duas pessoas envolvidas mais sim os de terceiros, os seus familiares ou Senhores feudais, em que o casal acaba por viver num mundo de aparências e estão juntos para manter uma espcécie de status quo, fradulento a nível emociono-sentimental, vivendo uma encenação que não passa de uma espécie de alegoria da caverna de Platão, tendo como base a sua vida na opinião dos outros sem se preocuparem nem dando primazia nem valor, aos laços que os unem, fazendo dessa relação uma peça teatral, onde os objectivos primordiais, não tem valor intrinseco ao csal mas sim o que é passado para o exterior, com pompa e circunstancia.
O que é interior e do seu foro intimo,e portanto exclusivo do casal é apenas uma visão fútil e banal do que deve ser a sua união. Em suma, e falando muito friamente, a sua união é uma fusão, vivendo dum mundo ilusório em que o casal vive apenas numa mundo criado artificialmente e abstracto, onde o interesse primordial é a conservação da relação a todo o custo, sem haver uma real e verdadeira parceria, sendo portanto dois seres, sem vontade própria e sem uma consciência comum verídica, não passando de um par, que é uma relação edílica e perfeita por fora, mas plena de amarguras, por não haver qualquer tipo de sentimento que os una, e objecto duma concepção apenas material, renegando para segundo plano o aspecto sentimental e amoroso.
As relações hoje em dia baseiam-se não só no amor(um conceito abstracto), e na paixão, que é perecível(um sentimento que não passa de uma atracção física e química que se extingue)e que depois de alicerçada,é transformada e cimentada em valores bem mais fortes, tais como: a confiança; o respeito mútuo; o espírito de equipa, a confidência, o carinho, a saudade, a ternura, o afecto, a sexualidade que transcende perpetuação da espécie e sem intenções de criar uma descendênciae um filho varão mas que seja apenas fruto da paixão, da vontade, da demonstração desse sentimento tão mais nobre que é o prazer e gozo de se dar ao outro a mais bela das sensações, muito mais nober como disse, do que deixar o brazão da familia para outra geração e a continuação duma arvore filogenética que quanto a mim não passa dum valor para deixar um registo genético que roça o ariano- ( queria evitar a palavra Nazi)
O conhecimento desse par, e ao longo do tempo, sofre uma metamorfose, onde se passa da criação dum paradigma e dum elo mais forte e mais perene que é tão e somente a união de dois seres num só, com os mesmos ideiais, a mesma ideologia, os mesmos ansejos, os mesmos princípios, e até (fazendo uma parábola: pilotando o barco fazendo-o chegar a bom porto, mesmo através das tempestades e das condicões adversas) atravessar um marasmo de problemas, situações de conflito, habituação ao outro, através da aceitação dos seus defeitos e virtudes e características .Além de, e como o passar do tempo,conhecimento e reconhecimento do seu feitio e modo de estar, e a sua maneira de ser, o seu saber, a sua entrega etc etc. Até que a certa altura a criação de laços emocionais e a adaptação por convivência diária que transcendem o amor, e em seu lugar forma-se uma necessidade de estar, um hábito, e também cria-se desleixo e más formações. A relação baseai-se em pontos que se têm em comum, e não em paixão ou amor, pois a paixão como disse aqui atrás é um sentimento perecível e o amor é abstracto, e nunca se deixa de amar, apenas o que acontece é quando surgem sentimentos de repulsa, ou de nojo, ou mesmo de facotes externos quando os pontos em comum tranformam a relação rotineira e procuramos em terceiros algo que nos alimente a chama, e que se sinta que se é apreciado, quando isso acaba o amor extingue-se não porque não exista mas porque somos aliciados por algo que nos traz coisas novas, pois o homem é um animal de hábitos, mas precisa da inovação e também de estímulos que lhe elevem a auto-estima e o amor próprio( incompleta enecessita de revisão)

18 dezembro 2010

Quero


Quero viver num mundo branco, com laivos de azul no céu, com cheiro de maresia mesclado de aromas de cevada cortada de fresco a viajar mentalmente num horizonte de planicie alentejana polvilhado de olival e sol queimando-me a face acoitando-me de quando em vez debaixo dum sobreiro ouvindo o silencio e olhando o nada. Sentado a apreciar e afastar-me de mim vendo-me de fora e cada vez mais longe subindo ao céu e olhando o meu corpo inerte Ate ser um corpo ausente e continuar a ascender Ate deixar de me distinguir e embrenhar-me nas nuvens transpondo-as e chegando à aboboda celeste polvilhada de estrelas e estar presente numa delas e nela ve-la como uma fogueira longinqua de alguém que repousa na noite fazendo exactamente o mesmo que eu e que se transcende e transforma também num ponto e olha o horizonte nada escutando e fundimo-mos trocando experiencias do vazio do nada no vacuo. Esperando o tempo que passa num espaço que nos preenche e abarca e acolhe num abraço e num momento pleno de ternura e alento de contemplaçao e onde o vazio do universo traz todas as sensaçoes e emoçoes numa unica particula que me atinge provocando uma explosao imensa e tremenda de felicidade que me faz girar e emitir alegria e fazendo agora eu parte dum astro. Sou o astro nao sentindo nao chorando nada lamentando so estando e sendo a eternidade. Pra sempre.

18 novembro 2010

zitu -untitled


Eras tudo tudo, tudo e mais alguma coisa...O meu cosmos as estrelas o sol, o céu azul, o mar, as ondas, a agitação, as gaivotas no Porto, o café na praça, a dança na sala com o VH1, o segundo café na máquina, o teu em contacto e o "outro", a gaia pra coruja como eu p ti, um sabor, um cheiro, um torpor, um gemido, uma mayonese pras batatas, um Reiki depois duma indisposição, recordação de todos os pormenores do corpo e da mente, e outras que tais inclusivé coisas como citologia e anatomia ou fisiologia, uma francesinha no verso em pedra, um red bull air race, uma ida a pé desde matosinhos à baixa, um moby e uma dançarina, uma viagem de bicicleta no passeio maritimo, outra a pé pelo passadiço, os meus banhos quase nocturnos com ganesha deliciada na areia, um Srgo e um por do sol, Um muro saltado para o palácio da pena, um travesseiro na piriquita, um inédito e inesperado lamento e um ultimo e inaudito gemido seguido dum silêncio... e tudo perdido...

24 setembro 2010

Dá deus vozes a quem não tem entes( incompleto e sujeito a alterações de ultima hora)


NãO TENHO JEITO PARA NADA. Das poucas coisa que tenho jeito é para imaginar. E se quero transmitir essa imaginaçãp, não pode ser via pintura contudo e como tenho uma inépcia total para fazer trabalhos com as mãos, talvez tenha com o pés, mas teria de ir para o centro de alcoitão( e desde já pelo mau gosto e sarcasmo o meu perdão) também não sei pintar, esculpir, coser, alinhavar, sou mesmo disparatar, pois até me custa saber amar com ou sem corantes....Com tinta só a de choco, embora não conste do meu menu. Bah...
O que seria
certo é
deveria
Tentei escrever um "post" sobre ele.
Como me da gozo escrever ia, numas poucas linhas escrever.Numas poucas linhas dissertar e analisar.
Tentei reescrever um texto de alguém, ou fazer um plágio, parecendo que não, não teria trabalho, colocava uns floreados peronalizando a coisa e parecia algo mais além! Mas não, versejei Porém!

Daí que vá tentar fazer um Poema,
ou mesmo um soneto,
ainda este ano não escrevi nenhum,
Dai que, como quem canta fado em alfama,
e dado ser só um,
põe-se de parte o dueto.
Talvez nem seja nenhum
nada nem ninguém,
duma nódoa
espera-se por alguém
e da mácula
só se desespera
ou obtem-se desdém
va

23 setembro 2010

Dar a mão à PALMA tória II - e derradeiro

Sub- Título:
Considerações e opiniões sobre alguém que é bizarro e paradoxal.(Mesmo para as mentes mais abertas e de visão liberal da vida)

Com tal personagem o diálogo é inexistente e fatalmente impossível.
Já tentei chegar ao diálogo, ou pelo menos a uma conversação minimamente coerente.. e como tentei... Na perspectiva psico-social fui Assertivo, passivo, manipulador e activo. E falhei, falhei redondamente.
O erro está em mim? Não. Está no receptor da mensagem. Poder-se-ia pensar que eu seria parcial, ou que dava a minha opinião sem me basear em factos ou por motivos mesquinhos como um ódio visceral ou piedade, mas não, neste momento o único móbil é já é a pena, sentimento que não se tem por ninguém. A haver um terceiro capítulo desta saga a minha motivação já será o desdém e o sarcasmo. Muita gente me pergunta por que me dou ao trabalho. Talvez por estar incluído num teatro que não pertença e me queira desvincular, sendo esta a única forma de o fazer. E talvez seja um bom exercício para a compreensão da psicologia ou mesmo a etologia dum caso raro,uma vez que é um espécime que eu julgava extinto. e cheio de Ismos....
Indo directo ao assunto e caracterizando a personagem, vejo uma alma marcada por mágoas antigas, rancores ao desbarato e uma tremenda angústia, quiçá por insegurança ou falta de auto-estima. Causa- Efeito quem tem de conviver com a personagem tem de o aturar, Alguém que é egoísta no ser e no estar, projectando as suas frustrações em terceiros.
Já não repara no que diz nem se preocupa em medir as palavras o que o torna extremamente egoísta, usando os outros para seu benefício e sempre provocando o drama, criando ardis inexistentes, e sempre com um discurso com uma carga bélica imensa, e o conflito a qualquer preço, uma vez que não detém a razão , vale-se da emoção, muitas vezes absurda e ridícula.
NUm exemplo prático, pede-me que me cale pois interrompo-lhe o seu discurso. Discurso esse que muitas vezes é baseado em opiniões não fundamentadas e com o intuito de ser o centro das atenções e asssim aumentar o ego. Gasta hora em argumentação conflituosa que redunda numa perda enorme de tempo, por haver um vazio na informação e ninguém para ouvir. Muita gente acena a cabeça em sinal de tomar atenção, mas não repara que os olhos buscam o infinito e o aceno é somente um sinal de comunicação.
O espécime pelo contrário, e após os seus banais, futeís e imberbes discursos aquando alguém intervém, faz o possível por atropelar, calcar, menosprezar e ridicularizar a ideia ou pensamento, porque como não haveria deixar de ser acha-se senhor e detentor da verdade absoluta. Uma espécie de Kant dos tempos modernos. Não me querendo alongar e em suma, tenho a declarar que certo espécime já foi rejeitado por quase 90% dos colegas e agora confronta-se com uma situação, a solidão, pois os restantes 10% disseram basta, depois de, muito estoicamente ter aguentado desaforos, disparates, e ofensas durante esta temporada.
Resumindo, não lhe desejo mal, mas espere qualquer reacção pois a aprtir de agora vai ser inexistente. Há limites e esses já foram ultrapassados, daí que o resto do caminho, será feito a solo, pois não haverá confessionários, pacóvios, ou gentalha a segurar o menino nas mãos.
O menino caiu. Levante-se e ande! E aguente-se.


Sinceramente com tanta verborreia, futilidade,discurso pseudo-sindicalista isento de mensagem, intervenções descabidas ao estilo panletário e outras tantas, mas tantas qualidades , faz de tal personagem um objecto de estudo excelente.

Porém não conte comigo para cobaia ou sujeito que ampara os golpes, ou mesmo se revê em qualquer tipo ou estilo de vida que demonstra ou emita.

17 setembro 2010

Dar a mão à PALMAtória

Carta aberta a alguém:
Tem um fito. Que é dialogar. Vou falar muito e provavelmente dizer pouco…mas faço o que me é possível a bem duma boa relação social e profissional, não só comigo como também com os quase 20 elementos que compõem esta equipa, por falta de tempo ou por acharem que não vale a pena o esforço, não intervieram, embora esteja certo que subscrevam esta missiva..
É em formato de carta, não passando dum monólogo, mas é a única forma de chegar ao “diálogo” contigo sem entrar em desespero ou virar as costas. Ninguém tem paciência para ti e geralmente só tu estarás cego, e decerto não te apercebes, pois fazes-te valer duns princípios bem peculiares, para não dizer bizarros, ou únicos!
Como dizia é em formato de papel, e acontece que dizer isto em directo e ao vivo a essa pessoa, será o mesmo que um monólogo, pois acha-se no direito de intervir. OK, é livre, mas também se acha no direito de interromper constantemente, cancelando assim o diálogo. e corrigindo quando opinamos, fazendo juízos de valor sem conhecimento de causa e por último, anula qualquer hipótese de conversa. Daí que este formato seja o único possível e mesmo assim duvido que chegue em boas condições ao receptor: 1º por ver nele uma imposição, logo uma tomada de posição sobre o seu modo de ser e estar.2º uma Indirecta ou critica e aqui será visto como uma tentativa de intervir, manobrar, ou afectar o caminho que segue, e também será interpretado como um ataque pessoal. Faço estas considerações pois espera-se tudo de alguém que se acha dono e senhor e detentor da razão ou verdade. E quanto a mim essa é dúctil, variando de pessoa, ideologia, religião corrente politica ou filosófica, etc. etc. Adiante:
Opiniões e considerações várias.Nenhum homem é uma Ilha (Palavra que em Italiano é bem aplicada ao conceito- Isola) Todos nós precisamos de amigos. Todos precisamos de alguém. Lidar com os outros implica que saibamos lidar connosco em primeiro lugar. Estar bem connosco é fundamental e é fulcral ter uma pedra basilar de valores e raízes sólidas, para nos podermos mexer livremente sem invadir o espaço doutrem ou a sua bolha (aquele espaço fundamental que cada um tem que é não é permeável.
Independentemente de todos nós sermos diferentes, quase todos perfilhamos das mesmas necessidades; amor, carinho, alegria, bom humor, e acima de tudo de nos levantarmos com vontade de acordar, ou seja haver algo que nos motive, que nos faça caminhar, que nos empurre para a frente para não estagnar.
A nossa impulsividade muitas vezes faz-nos chocar com terceiros, e o que para nós pode ser uma virtude é, e visto de fora, imparcialmente pode ser um grande defeito.O orgulho, e a capacidade de podermos mudar de opinião quando confrontados com diversas ideias, não só mostra bom senso, como é demonstrativo de uma personalidade em constante mutação e adaptação. Não só faz de nós uma melhor pessoa, como nos ajuda a obter mais informações para mais facilmente lidar com as milhentas e diversas situações com que nos deparamos ao longo da nossa vivência.Quem vive de uma forma consciente e pensando que é melhor que os outros, ou seja, quem lida com outros tomando por principio que é superior na capacidade de pensar, no raciocínio lógico ou mesmo tendo a ilusão que é o supra-sumo em inteligência emocional, vai, sem apelo nem agravo, ter várias decepções ao longo do seu percurso, que podem dar lugar a isolamento forçado ou por opção, embora a primeira seja a que custará mais, pois ninguém tem paciência para, como disse, lidar com alguém que não deixa ninguém expor as suas ideias seja numa conversa de café, seja profissionalmente. As conversas de café terão como consequência que eventualmente a sua mesa fique vazia, as outras as profissionais, fará com que perca o lugar ou seja relegado para segundo plano, colocado numa sub-cave, ou pura e simplesmente, afastado.
A eterna busca de conflito com os outros, servirá como um exercício para a sua capacidade de fazer regularmente novos amigos, pois os antigos já existem, e também um teste à sua capacidade dramática e de arranjar esquemas que cativem as pessoas. Até pode ser que resulte durante os tempos, mas também os ardis e as pessoas eventualmente se esgotarão.
A irritante intervenção em conversa de terceiros, e a forma belicosa de o fazer, e o que tem como resultado mais que provável será o efeito bélico de terceiros, o que não é favorável a nível salutar, a menos que se veja como um mártir e gosto de viver com o risco como sua profissão. Entretanto os anos vão passando e a “Ilha” estará deserta.Em suma, ou recapitulando, nada como ser uma pessoa que em vez de destilar fel, tenha algo para dar aos outros em retorno, e o facto de se vitimizar, pode agradar a alguns que tenham comportamentos altruístas, mas quando notarem que o comportamento é similar à mosca que está constantemente a bater na vidraça tentando passar para o lado da luz, e em breve e tão depressa como chegaram assim partem. Não há recomendações a fazer, nem métodos 100% eficazes, ou alguma forma milagrosa de integração, talvez o melhor e no caso referido, seja deixar cair a máscara altiva e prepotente, e deixar que venham à tona conceitos como humildade, a aceitação do outro, e um leque de princípios morais e éticos básicos. Sendo fundamental a liberdade de expressão e não uma posição defensiva que nos outros é e será sempre vista como agressiva, autocrata e pedante,UM abraço

15 setembro 2010

Explosão De Luz no gozo da Lua (e uma ou outra coisa minha e tua)


As cores perdiam o brilho na noite vazia,
e os tons pardacentos cresciam dando lugar a luz colorida,
caindo em cenários de fantasia.
Neste nosso caos animalesco muita gente havia.
Um corvo piava pela escuridão dentro, enquanto a Lua enchia.
O Morcego gritava em ultrasom e ninguém ouvia,
mas falava de coisas doces: insectos e poesia.
Um cão tardio uivava à Lua que aparecia.
Um rato da coruja se escondia, um Mocho das sombras se erguia.
E Naquele instante ninguém a Lua reconhecia.
O Corvo pensava que era sol e que não o aquecia.
O Morcego olhava-a e contava aos outros que nunca a via, não conseguia...
Outro cão meio adomercido e até dormente nada dizia.
No meio da barafunda apareceu um rato que disse que se mais baixo tivesse que a comia!
Todos o chamaram de fala-barato e já ninguém se entendia!
A noite e a madrugada em parceria, sorriam ao ver nascer o dia.
O Veu negro passou, o vento amainou, todos se calaram, veio o sol...
E não é que se fez mesmo dia?!

08 setembro 2010

Na Era do Onirilítico


Fechei os olhos e gritei.

Pensava ainda. Mas não raciocinava. Binário. Tal e qual mosca que esvoaçava contra o vidro a tentar sair para a luz. Tacteio à volta. Fechado e sem ar. A escuridao absorvia-me e fiquei no mesmo tom. Cada vez mais apertado, senti-me a definhar e a definir:

Um peixe fora de agua. Um pássaro privado de asas. Um fóssil num zoo em exibição.

Parei, abri os olhos e continuava na repartição. Um utente olhava-me à espera dum carimbo.
Levantei-me. Bebi café. Estava na hora, da mudança.

Tornei-me nómada e ocupei uma gruta. Bocejei. Que maçada!

31 agosto 2010

frases soltas


As férias passaram. Os dias quentes, a água o mar e o azul em efeito miragem.

transformam-se em memórias pardacentas e em tardes burocráticas cinzentas.

Os contribuintes voam de sul.

As cegonhas voam ao sabor das correntes ascendentes.

Os emigrantes morrem a norte.

As gaivotas engordam com os pombos e tresandam a morte.

O agosto a arder. O chiado também.

22 anos é muito. Muitos dias muitas horas a queimar tanto o espaço como o tempo.

Com o dom de se queixar consome-se também muita gente sem sorte.

A Miguel Bombarda a ruir, uma nova paisagem urbana que se especula para construir.

A maré sobe, a economia à tona e mais um assalariado à toa.

O país navega ao sabor rosa-laranja

O Saramago numa nova viagem que por ca a jangada cada vez mais aquém.

Os passarinhos largam os ninhos e os filhos agarram.se aos subsidios com mil cuidados.

Os tons esperam o outono, o clima treme de frio pelo o Inverno, a vida são dois dias, mais e é carnaval, e não tarda estamos no Natal!

Ora bolas. Adiante Tempo, e a Terra gira e gira...Que tontura e tolice. é a Reentré uma verdadeira parvoice. Votem neles.

Desastre


Vamos para as estrelas. Caminhamos porém pela orla da galáxia. Vislumbra.se o principio do fim da diaspora humana. A nossa vizinhança é desconhecida e o nosso Proprio quintal uma surpresa esperamos encontrar a solução na lonjura da distância dum qualquer sistema solar inteligente enquanto não afastamos de nos a nossa propria estupidez e ignorância.


Dúvida: Desastre não vem de longe dos tempos quase Biblicos? Não é da mitologia Fenicia? O suméria?.."Ashter" Ou "Istar"

Quem me elucida?
Nota: Foto tirada da série "Star Trek"( espero não haver celeuma por direitos de autor)

30 julho 2010

Férias!




Acaba um ciclo laboral, recomeça um reduzido periódo de lazer. Curto é certo, mas como o Universo, limitado mas infinito. Infímo também, mas grande, ou enorme, e mesmo gigante é a vontade de partir, sair, ir e descobrir. Parar, olhar, ver o mar, mergulhar, procurar o fundo e achá-lo e na areia molhada deitar.




O mundo continua a rodar, e para nós vai por momentos rodopiar, girar, para nos embriagar, entontecer e fazer vibrar.




Fora de nós e na rua, as gentes, as pessoas, o povo(como queiram) continua na sua vida, e entretanto, só para nós, o pano sobe numa nova representação, de improviso, com muito riso se possível e dos outros, apenas um sorriso quiçá improvável. No meio da nossa peça e na plateia mundial, o publico incógnito, algum atónito, outro apático e mesmo robótico, bate palmas, levanta-se das cadeiras e num sonho de uma madrugada quente, e somente para aquele que sente, nessa observação dum sol crescente, começa uma ovação de pé interminável e num desejo que seja determinante para que todo o mundo, pelo menos só num instante seja e esteja contente! As palmas quase que sangram, escorregam no suor, a linfa escorre e discorre nas veias libertando as endomorfinas e outras substâncias que podem ser vitaminas,que deliciam meninos e meninas, frase esta para versejar e alegrar. Vamos alegar que tudo é feliz e vamos num pequeno exercício hipotético e inédito, fazer com que os sorrisos se rasguem novamente, com o sol a gargalhar, outro Sol num esgar, que entra pela Terra adentro e no aguardar doutra madrugada e por essa noite dentro nos faça crescer, brilhar e com tudo e todos partilhar todos os instantes de suave, terno e doce estar... como o pensamento límpido e puro duma criança, claro como água, belo como a primavera.


E o pano desce, com as pancadas do senhorio, as de Molière, as nas costas também(


pancadinhas, isto é).


Num momento onirico, ainda dentro da cabeça da criança que nada sente e apenas dança ao ritmo da vida que passa e que por enquanto não a farta nem cansa, o universo conhecido salta à corda, anda à roda, dão as mãos e cantam e encantam e venham mais Cinco! Cinco dedos de conversa para a alcoviteira, meia duzia de felicidade para dar mais gozo, um quarto com vista para todos, um terço para o religioso, um segundo de nada para um nihilista rigoroso e um pouco de desdém para o invejoso...Que cantem, dancem, enrolem-se e rebolem, olhem o arco-íris, o arco e flecha disparado, os joelhos feridos, a cabana na mata, o Tomás, os médicos e as enfermeiras, a fisga, a lagartixa, os policias e os ladrões, o macaquinho chinês, as histórias do avô, as lendas, os mitos, os fantasmas na casa abandonada, a Dona Rosa e a velhinha que todos tinham medo, a inocência, o algodão doce, o carrossel e no final de tudo um bem-haja para aqueles que se esquecem de recordar da saudade das memórias de infãncia.


Entretanto parto bem acompanhado para lá do Tejo, do Sado e mais longe que qualquer lado!


Para os outros e para quem nos lê desejos da côr preferida.

Burokrat




O que se pretende dum funcionario que exerce as suas funçoes numa instituiçao publica é que cumpra as suas funçoes com rigor zelo profissionalismo e que seja eficaz e eficiente. Quando desempenha funçoes que implicam lidar com o publico num local de atendimento ao publico além das caracteristicas atras referidas pede.se tolerancia à pressao e assertividade. O utente exige competencia e resultados praticos por outro lado as chefias exigem além dos resultados uma acçao pratica que atinja e ultrapasse os 100%. Sabemos que em termos estritamente matemáticos e nomeadamente estatísticos existe essa possibilidade a nivel humano é improvável se não impossivel. A forma de colmatar o lado estatístico inatingivel é proporcionar ao utente um grau de satisfação que supere as expectativas. A emoçao sobrepõem.se à razao. Infelizmente na maioria dos casos há pouca informaçao ou melhor há gente pouco esclarecida nesta matéria. O que nao só piora o atendimento como a relaçao dos intervenientes é vista com desconfiança e degrada a relações implicando uma degradação dos serviços a qualidade dos mesmos e a sua eficiência.

Kayam Sonedra in O meio surreal visto do virtual. 1947

27 julho 2010

pensamento sazonal


O País das Calamidades: uma sina, um fado, ou sinais dos Tempos(meteorológicamente falando)?

É curioso ouvir o espanto da população quando há incêndios no Verão.

Parece que todos os anos se esquecem que faz calor nesta Terra. Inclusivé esquecem-se de limpar as matas, e fazem-no em JUNHO!...Tão ou mais paradoxal é também a situação das cheias. Caleiras, sarjetas e afins são desentupidas em Dezembro... pois ao que tudo indica parece que chove no Inverno.

São duas situações peculiares e que raramente acontecem, apanhando desprevenidos toda a gente nestas estações do ano, que ficam surpreendidas com estes "cataclismos" inéditos e inauditos....

É caso para aplicar a frase cliché:" Isto é uma pouca vergonha! Só neste País".


Não querendo sequer por a hipótese de pensar no que acontecerá num sismo 8.0 richter... Esperemos que nunca chegue.
nota: A foto está descontextualizada, mas é bonita...(digo eu)

08 junho 2010

01 junho 2010

O Massacre de Junho


A Madrugada começa. Aparentemente tudo está calmo. Na cidade tudo era alegre e luminoso, e num segundo tudo se transforma, numa espécie de paz encapotada, um subtil terror que se esconde, num horror prestes a explodir...Não nas ruas que continuam pacatas, nem vindo dos subterrâneos onde se instalam umas singelas criaturas tais como as baratas e as ratazanas. Não paira sequer no ar na forma de morcegos, nem se esconde em cada esquina qual violador. É antes um temor e um medo antigo e secular que acompanha a humanidade desde os primordios dos tempos, que se prepara para atormentar qualquer ser vivo, que espera poder sugar com um só sopro toda a réstia de vida em qualquer ser, seja ele vegetal ou animal. Que aguarda milénios por estender o seu poder não só á cidade como a todo o Mundo e mais além, acabando por carbonizar os planetas e extinguir o Sol.

Na casa de Nany, abate-se o silêncio enquanto que a própria luz é absorvida por um estranho elemento, tornando todas as divisões mais escuras que o céu sem estrelas, mais negro que o carvão. Naquela casa o odor a podridão invado-nos provocando um vómito quase instantaneo e umas dores lancinantes no corpo e na alma, que é impossível qualquer ser ali sobreviver. Só um ente preenche aquelas parede estéreis absorvendo todo o ar puro, tranformando-o em enxofre, retirando a luz, sem esquecer um único raio luminoso, destruídos por aquela estranha criatura amorfa. Uma respiração estranha ouve-se por toda a cidade, um estranho torpor entranha-se na atmosfera na forma dum denso nevoeiro de cheiro acre.
Na casa de Nany, uma mutação acontece subitamente, um corpo antropomorfo dá lugar a uma massa disforme e contudo viva. Viva talvez não seja a palavra certa para a descrever pois tresanda a morte e a podridão. Uns olhos negros abrem-se comendo o que sobra das réstias de luz em volta. Tudo silência enfim, as estrelas apagam-se, as folhas das árvores em pleno Junho caiem num único dia, como se se passasse um outono e um inverno mortal, gélido e terminal por elas, secam também as proprias árvores, as corujas e morcegos notivagos definham e debatem-se no chão com a morte a envolve-los e sem saberer porquê, o coração dos humanos pára, passando-lhes um calafrio pela espinha e um frémito gelado e gritante pela alma, sacando-lhes a energia.Toda e qualquer brisa pára, e todo o calor armazenado pela Terra do Sol em solstício de verão é consumido, chegando a todo o lado uma bruma negra e ártica que tudo mata e extingue.

Novamente na casa de Nany, as portadas das Varandas abrem-se, um vulto ergue-se e plana no ar, dirige-se para a Rua da Junqueira, com um único móbil, a Extinção de qualquer vida, o arrasar de qualquer sorriso, o exterminio de todo contentamento, a destruição de toda a alegria, um apocalipse que está prestes a chegar....e tudo a arrasar...

26 maio 2010

A moda a mediania e a mediocridade

Volto a um tema recorrente aqui no meu cantinho....A moral, os bons costumes, a etiqueta, ou então numa de devaneio intelectual/social: um "manual da Paula Bobone", no fundo queria escrever um manual do que está In e o que está Out mas penso que não esteja a altura dessa herculea missão e da responsabilidade moral que isso acarreta! Pois além de serem dois anglicismos que estão muito na moda, falo dum tema que me ultrapassa e transcende de modo que provavelmente terá várias lacunas e falhas graves.
É IN ser xenófobo- O racismo está em alta.
É IN ser-se comuna - O comunismo voltou a ser fashion e o capitalismo está OUT e é demodé (faltava aqui um galicismo que fica sempre bem), embora dê mostras de decadência, está na mó de cima,prova disso é a especulação bolsista e imobiliária a atingirem niveis nunca antes vistos, mesmo com a crise se ter batido no fundo.
É IN ser gay -Embora haja muito homofóbico, ser gay é quase um estatuto.
É IN o machismo - está ultrapassado mas a violência doméstica é noticia diária.
Assim como a nova moda do Bullying, outro IN, que sinceramente não sei o que isso é, mas sinto que seja qualquer coisa como as brincadeiras violentas que se fazem desde a minha escola primária mas que agora tem um anglicismo e assim aparenta ser algo de muito mais grave...
É IN ser feminista - Embora esteja fora de moda, por haver cada vez mais paridade entre os sexos é muito fashion haver feministas, mais ainda se é uma mulher casada e tenha um amante que seja outra mulher, assim acumula funções, além de ter uma relação extra-conjugal é lésbica. É IN ter animais domésticos, mas tê-los em formato time.sharing - Arranja.se um cãozinho para os pequenos em Setembro e abandona-se no ano seguinte em finais de Julho, quando a familia vai para Cancun.
É IN ir ao ginasio mas sem preocupaçoes de saude fisica - abusa- se do esforço fisico, não com preocupações de "corpo são em mente sã", mas apenas para queimar o superavit de chicken mcnuggets, Um bem-estar que é sazonal! Vai-se ao ginásio em Maio, antes das férias, e no resto do ano come-se que nem um alarve.
É IN ter o filho num psicologo\psiquiatra mesmo que não padeça de nenhuma maleita do foro psiquico-neurologico, sempre é tema de conversa no local de trabalho com os colegas, e o puto, mesmo que seja o mais saudável ficará maluquinho de certeza, e aí quando chegar à idade adulta, já se enquadre na sociedade e insere-se perfeitamente no mercado de trabalho pois não há ninguém que seja são da moleirinha.
É IN a familia auto-médicar-se, mesmo que não haja nenhuma doença e sempre se pode trocar comprimdos com os colegas e amigos, em vez de se trocar cromos da bola.
É IN ir a uma peça do La Féria mesmo que seja a brejeirice mais foleira, é um acto social de louvar e aos amigos diz-se se que foi a um peça de teatro.
É IN ir sitios exoticos nas férias, apesar da familia ser racista, e odiar misturar-se com aquela gente, passam 10 dias em regime de meia-pensao sempre com uma uma enorme desinteria, por querer experimentar a comida daquela gente, e é um must tirar 7 rolos e meio de fotos embora haja um desinteresse enorme pelos costumes locais! Interessa é que se comente depois numa festa ou com colegas e amigos que se foi à Papua Nova Guiné...
é IN pôr os pais num lar assim como os animais que sao descartaveis. E so dão jeito nos aniversarios dos miudos pois oferecem presentes mais caros, porque calha bem pois a familia ainda está a pagar a crédito as fèrias à Papua.
Enfim...só não é In o bom senso, nem as preocupações humanistas e do colectivo, vivemos numa época individualista e dum egoismo exacerbado.
Aboliu-se tudo e ultrapassámos a idade do proibido proibir que vem do Maio de 68 e que chegou aqui ao nosso cantinho só em 74 (e mesmo assim ainda chega aos pedaços faltando ainda muita coisa).
Já na altura de Camões mudavam-se os tempos e as vontades. Na actualidade e nestes tempos pos-modernistas que atravessamos, além das vontades muda-se tudo o resto, embora fique tudo na mesma. Não porque falte imaginação a esta geração mas porque desde dos anos 80 e 90 que está tudo criado e neste novo século, por mais que se crie apenas se recria, porque vivemos num periodo de vazio ideológico, cultural, artístico, etc. Apesar de tudo abrem-se novos conceitos e preconceitos. E assim se vive de aparências....

A Imensa Minoria



Diz o anúncio: "Se eu não gostar de mim quem gostará?" Podemos extrapolar isso para o nosso País... Se formos a contar com os nossos caríssimos governantes para ter esse papel, então estamos tramados, pois deixa muito a desejar a credibilidade, dedicação e estima que têm pelo País, e pelos seus concidadãos. Tratam do País? Ou de si e dos respectivos quintais? Dá ideia que vivemos à margem da governação, e essa elite- uma imensa minoria- qual sociedade secreta, é exclusiva dum grupo restrito de cidadãos, que volto a frisar marginaliza a maioria e que se aparta de quem vive dos rendimentos do seu trabalho e que não se movimenta nas altas esferas da aristocracia- proto-burguesa que vive à nossa custa, numa espécie de parasitismo simbiótico desde os tempos do Rei D. Fernando(p.Eg)
  • Chama-se evoluçao e progresso a projectos como o Alqueva, que supostamente era um dos últimos passos da "reforma agrária" ou mesmo uma nova revolução agrícola para o Alentejo! Iria irrigar todas as searas, olivais e vinhas. As pastagens para criação suina, ovina e bovina e produção queijeira e leiteira, além dos sobreiros e respectiva produção de cortiça. Certo é que a barragem está feita e a represa ao nível máximo da sua capacidade, mas passados oito anos, os canais de irrigação estão por fazer e a unica coisa que se produz é energia electrica e água para abastecer os campos de golf que crescem como cogumelos assim como os Spas/Resorts/Condominios privados e seus derivados...Entretanto a agricultura definha...E exporta cada vez menos, limitada que está pelas quotas impostas pela União Europeia


  • Temos em Troia, em plena reserva do estuário do Sado e das zonas mais virgens, mais puras e menos poluídas deste nosso canto à beira-mar, um"PIN"- anglicismo pomposo para "projecto de interesse nacional" que interessa a todos menos ao povo. Para fazerem mais um resortzito, para aquela classe e imensa minoria, que é a que mais abunda em Portugal que são os novos-ricos, uma espécie em "vias de extensão" para um turismo de luxo e de soberba qualidade, vão-se drenar os arrozais, ricos em espécies animais e vegetais, parte integrante da paisagem protegida da reserva do Estuário do Sado. É que o arroz ali produzido é arrasado para erradicar os mosquitos que incomodam o turista, e assim para limpar os mosquitos, destroi-se um ecossistema mais global, onde abundam as garças e os lagostins, além de provavelmente afastarem as cegonhas que são como que um Ex-libris e um orgulho para a população que ali habita e convive com essas aves há séculos. Mas há mais! A travessia de barco( Ferryboats Setubal - Troia) foi melhorada. Novos barcos, mais rápidos e mais confortaveis. Porém, não há bela sem senão: o preço aumenta para mais do dobro e o cais muda de lugar, para um local menos acessível às praias de modo a ser mais "cómodo" para o turista de primeira e num efeito "dois em um" afastar o turista pé descalço, tornando essa zona balnear quase excluiva e semi- privada.



  • A reabilitaçao urbana é sinónimo de uma salvo-conduto e uma entrada livre para as imobiliárias e construtores civis prosperarem. Contribuindo para a destruiçao de património de edificios classificados em vez de reabilitados. Deitam-se abaixo edificios do séc XVIII e XIX sendo mais rapido e mais barato, sendo só necessária a presença de operadores de maquinas, estou em crer que preferem pagar as coimas relativas à destruição de património do que empregar carpinteiros, Canalizadores, estocadores. pedreiros serventes etc. É obvio que é um tipo de obra mais demorada e que dava emprego a mais gente e numa altura em que é preciso produzir e dar emprego, faz todo o sentido. Prefere-se destruir um pedaço de história e também de uma dezena ou duas de familias que lucrariam com isso, em prol dum Pato bravo( vulgo construtor civil) e seu séquito que engordam! - Assim a especulaçao funciona e nunca acabará.
    Os exemplos são mais que muitos: Avenida da Liberdade, Fontes Pereira de Melo, Av da República e agora Rua da Junqueira, menos dois edifícios em Lisboa e mais um condominio de Luxo. Servirá esse empreedimento para trazer mais gente jovem para a Cidade de Lisboa que se desertifica e envelhece? Não... Servirá de segunda ou terceira habitação para aqueles dos resorts( a tal Imensa minoria) que compram como um investimento e Lisboa continua vazia. E depois queixa-se esta gente que lá fora é que é bom, as cidades vibram e estão plenas de locais de lazer durante as 24 Horas do dia, e há segurança, etc etc..Sem querer fazer comparações, e sendo objectivo. Destroiem, constroiem, desertificam e criticam a gestão da área metropolitana, dizendo que é Caótica...Mais uma vez a culpa.

    Termino fazendo a apologia daquele sentimento bem português de denegrir a nossa propria imagem, do negativismo e de fazer comparações com outros países, com aquela atitude primária do que vem de fora é que é bom e vendo sempre o lado mau do que por cá se faz , desculpabilizarmo-nos de tudo, não nos mentalizando que a culpa, a existir, é em primeiro lugar nossa, e se uma nova mentalidade tem que ser criada e uma mudança e evolução aplicada terá de partir de nós.
  • Apelo não a uma revolução mas sim a uma evolução interior que se propague e como um incêndio se alastre a toda a sociedade civil

25 maio 2010

Festim




Uma luz brilhante invadiu os céus, num instante o silêncio, sentiu a luminosidade branca invadir-lhe as pálpebras, e quase cega-lo apesar dos olhos bem fechados, os tímpanos contraiam-se, apenas um silvo. Abriu os olhos e viu avançar de rompante, um onda de destruição na sua direcção, foi empurrado para trás ficando colado ao metal do carro de guerra, sem tempo para se aperceber das dores, chegou uma segunda onda de calor infernal, quesubitamente lhe cremou os cabelos,as sobrancelhas e quasquer pelos não cobertos pela armadura, queimando-lhe também a pele até à carne, fazendo-a estalar e cair. Desfaleceu.


Recuperou a consciência estava vivo e baralhado! E a guerra ia longa! Com a sua crueldade insensível destruía tudo à sua passagem. No campo de batalha, jaziam corpos mumificados, esqueletos quebrados em mil pedaços, pedaços de carne humana espalhada como num talho abandonado, e o chão polvilhado de cápsulas de balas e ogivas, esburacado pelas bombas de fragmentação que estilhaçavam a paisagem circundante, as árvores mortas eram o único ser reconhecível que se mantinham de pé, a cor predominante era o cinzento no chão e um amarelo duma névoa de gases químicos, com um cheiro acre irritante às vias respiratórias misturado com o cheiro doce dos corpos impregnados de morte. O céu sem cor, o bréu, uma tonalidade quase fluorescente, não se sabendo se era dia ou noite, e toda a atmosfera estéril, seca e fria.



Na trincheira, o Soldado tinha perdido os seus companheiros. O Capitão mantinha-se há dois dias a olhar pelos binóculo o horizonte do inimigo, a zona tinha sido bombardeada com uma arma experimental, e o seu corpo mantinha-se na mesma posição, olhando eternamente para o inimigo, sem olhos, sem carne, todo ele carvão, decompondo-se. O soldado olhava-o e invejava a sua sorte. Despertou deste seus pensamentos com o barulhos longínquo de explosões preenchiam o seu espaço, olhava em volta e nada. Apenas sons de vozes mecânicas voavam por cima, pedindo a rendição e capitulação. Alucinava. Agachado dentro do seu tanque camuflado e meio enterrado, disparava um último morteiro sem apontar qualquer objectivo e como que a dizer que ainda ali estava. Tapou os ouvidos e seguiu o caminho do projéctil que se despenhava sobre a trincheira adversária. Talvez já vazia e abandonada ou plena de cadáveres. Não sabia o resultado de tal acção nem tão-pouco merecia a sua preocupação.O rádio avariado, transmitia interferências, o radar quebrado em dois já nada indicava. Não iria abandonar o seu posto, teria de procurar munições, avançou uma trincheira e procurou no meio dos escombros algum cadáver recente para se alimentar e munições para carregar a sua M4-mk. Não havia carne nos corpos e tudo estava incinerado e calcinado. Achou um par de granadas e um cantil. Era a sua madrugada de sorte naquela trincheira.


A poeira começava a assentar. Seguiu em frente, caminhou quilómetros, alcançou uma floresta, ou o que restava dela, uma quantidade de palitos frágeis e queimados que se erguiam do solo. Subia por uma colina, que antigamente vibrava de vida, com o chilrear dos pássaros e os barulhos de raposas e lebres e outras espécies que habitaram entre a vegetação. Restava a terra petrificada e vítrea e a amalgama de troncos quebradiços. Sabia que do outro lado, no vale, houvera uma vila, quiçá poupada por um milagre...chegou ao cume e viu uma massa de cimento e cinza, as casas sumiram-se, o alcatrão das ruas misturava-se com o metal retorcido dos carros e de silhuetas de corpos a eles grudados. Procurava um sinal de vida naquela paisagem horizontal negra, perdia-se, não distinguia as ruas, das casas, nem os passeios dos jardins, tudo era uma amontoado de escombros cravados no chão e arrastados pela força bruta da tecnologia destrutiva do Homem.


Encontrou uma casa com as paredes do 1º andar de pé, e miraculosamente com a porta fechada, a curiosidade de ter encontrado algo familiar e as saudades de se identificar com algo que lhe parecesse com um lar fê-lo entrar. Lá dentro tudo destruído e sem tecto, porém debaixo de alguns escombros sobressaia uma porta, talvez uma cave. A custo abriu-a, entrou e viu pela primeira vez cores. Um abrigo! Uma escada de mármore, um corrimão de metal levavam-no a uma cave, desceu agarrado ao corrimão sentido a suavidade do ferro polido e brilhante, liga a sua lanterna e lança uma gargalhada.Descobriu uma adega intocada, virgem, como que uma imagem dum tempo que nunca mais existiria e não fora o pó e seria o local mais idílico da Terra; Uma mesa comprida ao centro, com dois bancos compridos de cada lado acompanhando a mesa. As paredes com fileiras e fileiras de garrafas armazenadas e na parede do fundo, presos com pregos, presuntos e chouriços, e salpicões em fumeiro. Sacando da sua catana leva um presunto, e duas garrafas, para a mesa e comeu desalmadamente. Incapaz de impedir as lágrimas, continuava a devorar tudo, porém saboreava lentamente os enchidos, como que a sentir a sua textura e degustando os seus cambiantes de sabor, apreciando inclusivé o salgado extremo e o ranço de alguns. Esboçou um sorriso por encontrar algo familiar, disse umas palavras de agradecimento para aqueles que antes possuíam aquele lar. Acabou por adormecer, ébrio e esgotado, estendido com os braços e a cabeça sobre a mesa.


Não sabe quanto tempo tinha dormido. Levantou-se pegando numa garrafa, com a sua lanterna explorou melhor aquela cave: uma lareira, utensilios vários de jardim, ferramentas e ao lado dum armário, uma pequena porta, estava fechada à chave. Disparou à fechadura e arrombou-a. Lá dentro uma sala de garagem. Havia um carro , mais ferramentas, pneus por todo o lado, e sentia cheiro a óleo, havia um portão que a muito custo abriu, encontrava-se no meio da vila outra vez. caminhava sem destino, olhava à volta e observava a morte em todas as direcções, deitou a arma fora, o uniforme e as botas.


Voltou à casa, fechou a porta, e sentou-se. Pôs a mesa, dispôs os enchidos por categorias e as garrafas por diferentes castas e ordenou-as por anos. Levantou-se, recuou e olha para a obra à sua frente. Deu graças e começou a cear. Seria o talvez o último homem, sentiu-se vencedor da batalha, logo tinha motivos para celebrar, e de súbito, reclamou para si tudo aquilo e chamou àquele lugar a sua casa, reconstruíria um lar e quiçá a vila! Autointitulou-se de presidente da câmara e deu vivas! Tudo isto merecia um festim! Bebendo até a exaustão.




Um bomba caia do céu entretanto, entrando pela sua bela sala, tudo explodiu em mil pedaços, o corpo despedaçado, morreu sentado, com um prato de chouriços à frente e a um copo de tinto agarrado.