Cheguei do trabalho agora e estou em casa,e assim que entrei, não sei porquê, senti um vazio não no peito ou coração mas sim na cabeca.
Não sei como explicar ou ter a certeza, do que é este mal-estar, este tormento ou tristeza.
Quero me deitar e esquecer este sentimento para ver se amanhã consigo ver em volta algo que me interesse, fascine ou qualquer outra coisa.
Vou dormir mas deixar uma pequena luz acesa, que dê alento, e me deixe sem lamento
Talvez acenda uma vela para evitar a escuridão, mas para ser sincero não tenho medo do escuro nem da solidão mas para ser franco receio mais a tristeza. Talvez a vela traga luz ao quarto, mas faça muita sombra
E hoje estou em baixo e porquê não tenho certeza...
E a chama a brilhar faz mexer a penumbra e lembrar-me que desse pavio até à parede nada se esconde, só o vazio e isso é perturbante pois é igual ao interior da minha mente, e recordo o vazio....e na cama olhando para cima, em vez do aconchego dos lençóis só sinto frio e luto contra mim próprio por ter este desafio, de ter a pequena chama acesa, para me ajudar no vazio, porém preenchi o quarto com reflexos no meio do sombrio, e cada sombra remexe-se com o bruxulear e recorda partes da minha mente a oscilar.
Não sei se estarei melhor neste ambiente sem cor, apenas o preto e branco e tons de cinza, além dum ponto incandescente, que em breve irá se apagar, ficando da cor do meu pensamento. Porque às vezes assim temos um momento em que nada há ca dentro, tudo vazio, isento e pardacento! Enquanto cá fora nas paredes imagens se vão metendo e mexendo ou desaparecendo, assim com Eu que na cama, não dormindo, nem pensando, apenas estando sem alma, nem dor sou um ardor e tremendo com o frio de me estar sempre a destapar e virando o corpo as costas no colchão, depois o peito e indo trocando os ombros e olhando as sombras por cima nas paredes e tecto a voar. Em qualquer outro dia ira imagens criar até adormecer e até cenas imaginar por ter algo cá dentro vivo para usar. Contudo hoje? Não! e por isso me estar a perturbar, nem imagino imagens ou carneiros chegam para contar nem adormecer consigo por ter ficado neste ponto negro, por estar num lugar cinzento e escuro, e tudo é branco sem mais nenhuma cor! E tem piada que no meio deste tremendo nada e apesar de apenas estar, e nem ser, veio-me um momento de clarividência, talvez por insegurança desta existência, ou ignorância desta vivência, e uma questão se veio à tona colocar:" Nós temos capacidade de ver imagens cá dentro, e recriar momentos e sonhar instantes, mas poderemos nós internamente fazer cores, ou tudo se passa a preto e branco? Ou nem sequer inagens criamos? Apenas a concepção das mesmas uma vez que são somente abstracções?" Pois se nós quando falamos não pensamos com palavras uma vez que quando somos pequenos nem sabemos escrever logo não faz sentido ter um plano onde se regista um texto que iremos buscar antes de falar. Assim como eu no quarto cinza vejo recortes, traçados, riscos, e rasgos de branco em preto, na mente estarão outras formas, formatos ou antes conteúdos que darão origem a conceitos concepções e de diferentes dimensões nos estímulos internos sairão retratos, traçados, modelos e diversas criações. Porém o meu pensamento não está disposto a divagar pois as divagações são muito devagar por causa deste meu pesar ou imenso vazio existente sem capacidade para ser pois só estou e olho sombras e como seria se fosse possível agora as pintar? Pois como descrever uma cor a quem nunca pode olhar ou seja cego e nunca as conseguiu enxergar?
Será que o Mundo possui cores, para evitar que haja este vazio monocromático e monocórdico onde me encontro a definhar, e transcende precisamente o preto e branco para o alargar e haver mais espaço para a luz preencher e não somente estar mas poder ser por o arco-iris existir fazendo a mente brilhar?
EM SUMA:
Se houver apenas preto
não há tons e contraste
E assim nada acrescento
estou um pranto e um desastre
Ao juntar branco
Que vou ter?
Se misturar, dá um cinzento
Se anexar, dá as sombras
E isso é o Que é o que vejo de momento!
Não interessa que cores são, não! Só quero apagar a luz, não escuridão nem a luz acesa!
Quero uma chama mas cá dentro que retire a tristeza! E as cores? Quero todas! Nada de especial apenas quero ficar mais colorido! Seja com amarelo, vermelho ou encarnado, azul ou rosa choc! Que venha a cor dar harmonia, trazer luz e alegria! Tragam vários verdes e brancos ou tintos, mas é melhor não pois já mudo da cor para o copo, e não irá ser essa alegria a sanar-me, pois a copofonia já me estragou não só a noite mas diversos dias, e se este vazio que tenho preencho como vício tamanho não apenas vem o tormento como o desalento e o descalabro! Assim venho com cor e de cor ou decorado com várias matizes, tonalidades e gradiantes! Sejam díspares iguais ou diferentes pois é-me indiferente e de frente enfrento e confronto o medo e retiro-o de mim e daqui daquilo que me é sagrado que é ser capaz de estar deitado sem vazio e antes aconchegado fechar os olhos e adormecer descansado e prontos é isto enfim e afinal assim o fim!


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