João Cruz Oeiras de Portugal adesão a portal.membros@spautores.pt

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23 maio 2008

Uma bolha


A bolha de sabão escorregava pelo chão. Uma corrente ascendente e elevou-se muito de repente! Quanto mais se afastava mais a vista se alargava. Tão alto ficou que que toda a Terra mirou. Ao vê-la de tanta distancia sentiu a semelhança. Era frágil, azul, verde mas nada ágil. Parecia-lhe pequena e igual a si, não passava duma bolha distante. Pegou num alfinete e esvaiu-se de repente. Tomou o lugar dela, adoptou o seu nome. Orbitava agora alegremente à volta do Sol.E Ninguém no Universo deu pela diferença.

21 maio 2008

http://dn.sapo.pt/2008/05/21/opiniao/onde_esta_o_lado_certo.html

José Sócrates fuma nos aviões e, acaso, fora deles; Sarkozy é muito dado às pequenas; Gordon Brown rói as unhas; o filho da princesa Ana de Inglaterra casou-se com uma canadiana; Hugo Chávez perdoou a Espanha a grosseria de El-Rei; a actriz Ellen Degeneres anunciou a felicidade que a inunda, pois vai trocar alianças matrimoniais com Portia de Rossi, a companheira de mesa e de leito; Campos e Cunha, economista, professor e antigo ministro, amolga o carácter de Manuela Ferreira Leite, acusando-a de "esfaqueamento" pelas costas; Pedro Santana Lopes qualifica a referida senhora de "deprimente"; Bush revela-se um pouco alarmado com a América Latina, "demasiado vermelha"; o PSD parece um saco de gatos, mas três "cientistas políticos", Marina Costa Lobo, André Freire e António Costa Pinto sossegam o nosso alvoroçado espírito, afiançando ser "normal" a crise naquele partido, o qual não corre "perigo de extinção"; em escassos cinco dias o preço dos combustíveis subiu duas vezes, e o admirável ministro Teixeira dos Santos declama, à posteridade, que "temos de nos habituar"; enfim, o dr. Bagão Félix publicou um livro de contos, O Cacto e a Rosa, por ele próprio definido como "histórias mais ficcionalmente reais do que realmente ficcionadas".Há, em todas estas notícias, um discreto fio que as une e, até, explica: a vacuidade, com a aparência de seriedade, em que se tornaram as sociedades nossas contemporâneas. São os caprichos do momento convertidos, pela imprensa, as rádios e as televisões, nas falsas evidências da razão. E embora saibamos (alguns) que o tempo é mais importante do que aquilo que com ele fazemos, estamos a aceitar o temporário como definitivo, e a não compreender que a vida é um permanente processo de correcção.Vivemos, desde a década de 80, um novo período de sufocação, que se manifesta em vários sectores: desemprego, emigração, esvaziamento ideológico e ausência da política, economia, justiça, cultura, educação. Há, hoje, dificuldade em escolher o que se julga ser o lado certo onde se deve estar. E essa dificuldade serve de pretexto para as mais vis renúncias, e de condescendência para com sórdidas traições.Inculcaram-nos a ideia de que Portugal é inviável e de que somos um povo de madraços. Como já poucos lêem o que deve ser lido, a afirmação fez fé. Mas não corresponde à verdade. Recomendo aos meus dilectos alguns autores antagonistas da absurda tese: Vitorino de Magalhães Godinho, José Mattoso, Luís de Albuquerque, António Borges Coelho e, até, António José Saraiva. Todos interpelam o País, criticam-no porque o amam, e ensinam-nos que o passado altera-se de todas as vezes que o lemos e interrogamos.O lado certo está, creio-o bem, quando recusamos a indiferença e não admitimos a resignação.

Baptista-Bastos escritor e jornalista

20 maio 2008

a fabula do caracol

(aceitam-se sugestões para o mote)

a estorinha premiada ganha uma viagem e estadia completa no mundo dos gastropodes

19 maio 2008


A vida é bonita. Quando mergulhamos no mar e adormecemos na praia. Quando estamos com boa gente. Quando a vida nos embriaga nos leva a flutuar. Estar sentado ao sol a observar. O dia passa, deixa a sua marca na pele queimada. Uma tarde que passou. Um momento para guardar. Mais um. O Tempo passa. Mas não se perde. Fica. Nem que seja na visão de mais uma maré cheia, ou mais um pôr-do-Sol.

palavreados #1 e #2( versão não revista)


#1


"A Verdade não passa de uma mentira disfarçada de verdade como cordeiro sem lã, a ovelha sente-se nua. Sem pão o Homem não cava a terra. A natureza dele confunde-se as ideias, baralham-se os conceitos, distorcem-se as formas e a geometria esvai-se. Vazio vagueou pelo vácuo e plenos de esperança só tememos perdê-la e perdemos o medo. Apesar de ganhar, o custo pode ser elevado. A filosofia que nos faz jogar com os ideais e os princípios morais até se alteram com o acordo ortográfico e um desacordo fotográfico, com rigor biográfico mas quase ilegivél na sua imensidão e complexidade. Tudo no inicio duma frase está em aberto! Fechado! Aberto! Não! Fechado! A loucura prossegue dentro de momentos. A sanidade, essa, exige pouco ou nada exige. Ahhh! Gritas. Oh! Choras! Ih! Ris. De quê? Quem? Eu? Não quero mas tenho de perguntar: Será que se deve questionar? e responder: Entro naquele ciclo vicioso donde só sai quem sabe viver."









#2
"A Mentira é um dos fundamentos da sociedade confrontada por grandes assimetrias sociais constantes inerentes e perenes. Apesar de tudo consegue-se a caducidade, é necessária. A revolução é eterna e o terrorismo a que assistimos não é poética a nível utópico e fatalista num meio onírico. Um tratado feito onde o sonho é distorcido e destroçado porém ainda não despedaçado e uno. Indivisível. Pasmado, fico perplexo. Olho e vejo tudo que não passa a ferro todos os que se atravessam à frente da passadeira. Passam mas não param. escutam e olham, vê-se a luz ao fundo do túnel.E haverá luz? Não será apenas escuridão total? Não! mas sim uma espécie de cegueira que não só lhes tolhia a vista como também a mente! A mente, o coração, a alma, o desespero..E assim vão as glorias do mundo. mas num momento tudo pode mudar! O amor, erros meus má fortuna parafraseando o outro, que apesar de morto não escrevia torto!mas podia salvar. se houver fé. esperança, e perseverança e assim toda a família humana alcança e até uma estrela dança. No horizonte, um rosto reflectido. Esfreguei um olho e de repente o sonho esfumou-se, a casa ruiu e o universo tombou."

Textos com a participação de Tomás (biblico)da Cunha 19/05/08 Subterraneamente de madrugada.

18 maio 2008

Imagens que valem mais do que 1000 palavras para quê...







Parabéns Ricardo! Um dezena deles!


Bem-vinda Joana!

Bom concerto Manos!

Palavras para quê?

16 maio 2008

Adenda



Achei o video anterior curioso. Não sou anti-sionista, mas também não sou pro...
É de condenar o Holocausto.
É também de condenar o extermínio dos Palestinianos e os muros que os envolvem.
Quem são os justos nesta apelidada, guerra santa ou jihad? Não sei. A História dirá.
Os cristãos têm também memória curta. No séc. XI, saiam da Europa hordas de Cavaleiros, com destino a Jerusalém. Objectivo? Matar os infieis...

Faltou-me o "Guerra e Paz"

15 maio 2008

Os Livros ( um desafio já do Cretácico)


Fahrenheit 451 - Ray bradbury
Solaris Stanislaw Lem
1984 - Goerge Orwell
O Trinfo dos Porcos - Idem
Admiravel Mundo Novo - Aldous Huxley
Werther - Goethe
Narciso e Goldmundo - H. Hesse
O livro do Desassossego - F. Pessoa
O Retraro de Dorian Gray - Oscar Wilde
O velho e o Mar - Hemingway
Crime e Castigo - Dostoievski
O Jogador - Idem
EStrangeiro - Camus
O Mito de Sisifo - Idem
Sonetos - Florbela Espanca
Só - António Nobre
Alegria Breve - Vergilio Ferreira
Naked Lunch - W.S. Burroughs
Cidades da noite Vermelha - Idem
Terras de Poente - idem
A Revolucão electronica - Idem
On The Road - Jack Kerouac
Big Sur - Idem
O processo - kafka
Castelo - Idem
America - Idem
Metamorfose - Idem
Candido - Voltaire
O Nariz - Nikolai Gogol
A Mãe - Maximo Gorki
Contacto - Carl Sagan
etc

As paragonas


Sócrates apanhado a fumar num avião fretado.
Pinto olha para Carolina durante 6 minutos.
Os cereais em crise redimiram-se. A produção de trigo em 07 cresceu 40%.
o Gasóleo aumentou, explicação dos entendidos: " é porque o preço do Barril de Crude subiu"...
O Leite e o Pão iam subir. A produção aumentou...
Em que é que ficamos?


Os Jornais são iguais aos casos da vida da Tvi
Os telejornais iguais aos programas de outrora da fátima lopes com o titulo: Profecias da Desgraça"
O nosso Pais é o das maravilhas. Pena não entrar na toca e não ter a minha dose de lsd.
Viva! Iupe!


Mundo estranho este onde terramotos e tufões são fait divers...

Nota do autor

Todos os blogs aqui escritos, descritos e até proscritos, são da minha inteira responsabilidade. Haverá alguns que se assemelharão a outros..é natural..são acasos e não vivemos isolados nem somos uma ilha, passo a redundancia.O teor, cariz ou carácter cientifico de alguns não tem o rigor e a acutilancia que alguns talvez precisem, necessitem e talvez se alimentem disso. Apesar de ter uma formação em Eng. Geologica e parcialmente em história, os factos aqui relatados são meus e só meus. Sei que ninguém liga a títulos ou à heráldica, pois olhamos sempre para o lado humano e social das gentes, mas fica aqui expresso que não sou doutor.

Fica o aparte. Capisce?

14 maio 2008

Na Terra dos Mohs





Era uma vez, um bairro que era habitado por entes pensantes que eram feitos de sílica e carbono e mais as suas variadíssimas combinações. Havia seres de quartzo, outros de vidro, outros de grafite, e ainda outros mais raros, de diamante. Transmitiam as suas ideias por fotões e comunicavam por impulsos eléctricos. No bairro, todos se achavam especiais, e havia uns que tinham dureza superior a outros. Havia um ente de diamante que adorava passar pelos outros e deixar-lhes uma marca. A Grafite escrevia nas paredes, o quartzo iluminava-se, o vidro espelhava-se e o Diamante, além das características anteriores, tinha o condão de deixar a sua marca. Todos no bairro comentavam tais atrocidades. A grafite pediu uma reunião urgente.
E em assembleia decidiram que medidas a tomar. A Grafite disse: Desenho-o todo!
O Vidro comentou: Eu tiro-lhe o brilho! O Quartzo, sem ideias ripostou: Retirem-lhe a dureza!
Mas nada resultava e o diamante continuava jocoso a pavonear-se pelas ruas. Um dia subiu à torre da igreja e gritou bem alto: " Eu sou o dez! A pureza, a beleza, e a dureza!" Rodava e mostrava-se aos outros, pulava de contentamento, girava em total divertimento! Embriagado com o seu poder não se segurava em si de contente e caiu desamparado. O problema, e segundo as leis da física, nem foi a queda mas sim a aterragem. Ao bater no chão despedaçou-se em mil cacos e transformou-se em areia fina, definhou e a brisa elevou-o como poeira. Restou um grão. Todos os outros o observavam, ainda espantados e confusos.Por fim decidiram colocá-lo junto ao talco, e no meio de tanto pó pereceu. Evaporou-se.
Ah! e viveu feliz para sempre.

( se os sintomas persistirem consultar os textos de fevereiro)

Sem titulo


Pedro trabalhava no campo. De sol a sol arava os campos, transpirava, dava de comer aos animais. Ao pôr-do-sol, voltava a casa, sentava-se para a ceia, acendia o braseiro, orava ao senhor e deitava-se.
No dia seguinte Pedro não acordou.

13 maio 2008

cut ups


O Jornal de Angola (JA) diz que "chegou a hora de dizer basta" ao que qualifica como "os mais baixos ataques ao país" e aos seus dirigentes políticos."Estou confiante quanto ao futuro do sistema democrático". "Os jovens - acrescentou - darão o seu contributo para a melhoria da qualidade da democracia." Ficou surpreendido com a libertação ontem de Mário Machado? " Fiquei relativamente espantado. Ele [Mário Machado] ligou-me há pouco e soube pelo próprio que tinha sido libertado. Ele fez questão de me dar a notícia em primeira mão." Myanmar, a antiga Birmânia, é um dos países mais pobres do mundo e, com a destruição pelo ciclone Nargis, a situação só pode piorar.As sondagens não deixam margem para dúvida, a menos que aconteça uma tragédia, Hillary Clinton será a vencedora das primárias de hoje na Virgínia Ocidental.O dicionário de Cândido de Figueiredo, um dos mais consensuais e prestigiados da língua portuguesa, não dá ao termo 'seduzir' significados airosos.

Pascoal


Pascoal desde cedo se mostrou maldito, na freguesia de nossa senhora dos degolados era desprezado. Aos 4 anos matou e comeu o irmão de berço. Foi expulso. Vivia na mata, à espera. Descalço e nu, crescia com os restos de carcaças de animais e bagas e frutos, evitava os aglomerados humanos, dormia nas árvores e descia as aldeias em busca da sua próxima vitima. Degolava alguns e trazia os que à força de braços conseguia puxar para cima dos ramos. Os mais novos eram tenros, as mulheres mais saborosas e os velhos mais secos e elásticos e custava-lhe a deglutição. Vivia na noite, durante o dia acoitava-se do sol, e costumava sonhar em ser um animal selvagem doutro continente, poder viver e correr nas grandes e largas savanas sem horizonte. Um dia souberam onde se escondia, toda a gente se juntou no adro da Igreja, com armas e fogo, subiram a encosta. Pelo cimo da copas das árvores fugiu até ao cume mais longínquo. Aguardou quase um mês de atalaia que o pior passasse. Nessa mesma noite, antes do raiar, desceu á aldeia, com gentileza e subtilmente, fechou todas as saídas de portas e janelas. Em seguida pegou fogo a tudo. Esperou que os gritos findassem, aguardou que o cheiro a carne queimada desaparecesse. Retirou-se. Do cimo das árvores olhou para baixo e sorriu. Era tudo dele finalmente.

A fé é que nos salva


A 13 de maio na cova de Iria,
vão os fieis pela estrada,
mortos por quem ja não vê nada.
Aparece Ofuscando a nossa primazia
Os segredos de fátima
os secretismos dos lobbies
as negociatas que se fazem
e os outros? dos religiosos hobbies...
Há gente que tem fé
há Pessoal que vai a pé
há todo um Povo sem guita
e as hordas laicas é que fazem fita
A virgem Maria em saldo,
Fatima em festa
Os emigrantes a salto
e o deficit? parece que é desta!
Um Arbusto em chamas
Um Bush a arder
um são joão artista
e um iraque a tudo perder
Jesus foi para a cruz
as bombas criam a luz
os soldados são crentes
enquanto a miséria e a morte estão sempre presentes...

Metamorfose


Era um sábado húmido e frio de final de inverno. Lá fora estava tudo adormecido, não se ouvia nem o piar dum pássaro. Nem sequer os rugidos dos motores dos veículos. Acordei assustado. Transpirado. Com uma forte dor na vista. O corpo entorpecido e dormente. Incapaz de me mover. Abri os olhos, não via. Levantei a mão a custo e levei-a à pálpebra, uma matéria viscosa e gelatinosa cobria-me a cara. Uma espécie de geleia viscosa cobria-me o corpo. Entrei em pânico, deixei cair o braço e assim fiquei. Tinha dificuldades em respirar e não era capaz de falar. Aquela matéria tapava-me a boca e colava-me os lábios. Como se fosse transformar a minha cara numa bola de carne. Tentei gritar. Ninguém me acudia. Perdi a força muscular, estava preso, incapaz de me levantar, por fraqueza voltei a adormecer. Passaram-se horas, ou dias, talvez semanas até. Sentia-me fraco. Não sentia os olhos, não ouvia, não mexia nenhuma parte do corpo. Os meus sentidos tolhiam-se assim como o cérebro, deixei de ter medo. Em breve o meu corpo ficou envolto num casulo, deixei de pensar...Passado um tempo que não sei determinar, vi luz, consegui sair, libertei-me do casulo que me prendia e voei. Nasci!

12 maio 2008

O real, o virtual e o surreal


Um austríaco viola incessantemente a filha.
Um Iraquiano mata barbaramente a filha.
Na Birmânia centenas de milhar morrem.
Um abalo telúrico de 7.5 Richter abate um sem numero de chineses.
Em 2004 um Tsunami mata 1/4 de milhão.
Em 1945 em Hiroshima uma centena de milhar é incinerada.
Na Idade média a Peste dizima populações.
Um regime extermina 6 milhões.
O Mundo insurge-se. Condena. Repudia.
Chamam-nos de monstros, criminosos sem perdão e tiranos genocidas. Qual das acções a pior? Serão uns inimputáveis por serem considerados loucos? Terão alguns um motivo ideológico ou religioso para actuar de tal forma? Serão os outros culpabilizados por negligência?
Haverá quem coloque um crime acima do outro? Poderá haver uma lista ou um top ten das piores atrocidades mundiais? Poder-se-á catalogar as terríveis acções que se assistem e se praticam diariamente neste nosso Mundo? Com que moralidade se chama a um de monstro e a outro de doente? Um de genocida outro de homicida? Uma chacina ou massacre em oposição com um desastre natural ou um cataclismo? Não serão tudo mortes horrendas? Não será tudo gente que perde a vida injustamente? Familias inteiras destroçadas, gente que só possui a roupa do corpo... Não gostarão os Média de noticiar a desgraça alheia? Não vivemos nós alimentando-nos de notícias macabras e mórbidas? Deixou a morte de ser tabu e sagrada para passar a ser um produto de consumo imediato e servido a frio no jornal da noite enquanto os outros, os vivos, do outro lado do mundo, saboreiam o seu jantar com os olhos postos no Ecran? Serão estas imagens consideradas chocantes? ou serão uma produção cinematográfica real, natural e sem efeitos especiais que ombreiam e até ultrapassam as melhores fitas de Hollywood?( com pipocas à mistura!)
Quando deixámos de nos importar? Quando deixaremos de parar na estrada para ver quem está morto no acidente na faixa contrária à nossa? Será que o prazer se confunde com a dor? Estaremos nós insensíveis? Seremos imunes à desgraça alheia? Será que a nossa sensação de impotência em relação a um evento que se passa a milhares de quilómetros, torna a coisa mentalmente distante? Será que as reacções estão proximamente ligadas com os laços que temos às pessoas? Porque será que já não nos identificamos com nada? Porque gracejamos com a guerra do Iraque e a banalidade das imagens? Quando nos tornámos frios e calculistas e ao mesmo tempo Juízes e carrascos de gente longínqua?

09 maio 2008

Exercicio 1

Baseado nas ultimas estatisticas chega-se à conclusão. Embora haja ainda muito que se possa dizer, nada será dito. Não por medo de represálias mas talvez por receio de se sentirem ameaçados. Vãs serão as que ainda tardam a amanhecer

Hoje de manhã saí muito cedo




Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...

Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.

Assim tem sido sempre a minha vida, e
Assim quero que possa ser sempre --
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.

Alberto Caeiro

08 maio 2008

A vida


É vão o amor, o ódio, ou o desdém;
Inútil o desejo e o sentimento...
Lançar um grande amor aos pés de alguém
O mesmo é que lançar flores ao vento!

Todos somos no mundo (Pedro Sem),
Uma alegria é feita dum tormento,
Um riso é sempre o eco dum lamento,
Sabe-se lá um beijo de onde vem!

A mais nobre ilusão morre... desfaz-se...
Uma saudade morta em nós renasce
Que no mesmo momento é já perdida...

Amar-te a vida inteira eu não podia.
A gente esquece sempre o bem de um dia.
Que queres, meu Amor, se é isto a vida!

Florbela Espanca

06 maio 2008

que dizer do amor?


vejo-o como uma partilha profunda de tudo

do nosso interior

de rasgá-lo e coloca-lo no outro

de absorver

de ter e ser ao mesmo tempo

de suspirar em unissono

de presentear com um sorriso

de chorar com a alegria tremenda de não existir mais nada

de sentir sem tocar

de observar sem ver

de cheirar a alma e saber que nos toca

de ver um confidente, amante, amigo, companheiro, abrigo, rumo, ancora e guia

duma luz cega

duma cor sufocante

de uma paz suprema

de tudo ou nada

pois nada interessa

nem é preciso o tudo

uma mescla de acções numa sensação

num terramoto gigantesco num pequeno calafrio

duma visão impossivel

numa paisagem sem obstáculos nem barreiras

Miguel filho de Jack Singh

Maio maduro maio

Fomos ver e era a Neve!
O gelo aumentava o fogo dentro de nós. quanto mais perto estavamos mais junto nos sentíamos. a chama na reitoria consumia-nos como o crepitar da madeira, o bater dos corações. Uma picanha partilhada, entrecortada, cortada na Serra, olhada por uma Estrela. Uma viagem com queijo e Manteigas, a estrada perdida num Vale Glaciar que não bastava para nos arrefecer. Um miado continuo e carinhoso brotava dentro do veículo assim como os cravos ao passarem pelo caminho. Um copo de vinho, um peixe, um gato, um polvo e um abraço tentacular, terno e tenro. Pão de água e de ló concebido com amor. Um dia uma mãe, um xeque-mate, um acordar com carinho, umas formigas salteadas em açúcar, um deleite para os pardais, um ouvido atento e umas socas apuradas. Uma exaustão no exterior e um cansaço doce no interior. Um ar descontraído e outro condicionado. Fabrica-se um relação e um tapete em diferentes tons de preto. Uma manta sobre os pés, um espanta-espíritos em cima, um abaixo-assinado e um ser apaixonado.

24 abril 2008

25 de abril sempre!


Mais um abril, e tantas aguás mil
Uma Revolução passada, e uma evolução adiada.
A democracia alcançada e uma autocracia mundial planeada
Nunca mais o Fascismo?
Contem-me como foi depois...

18 abril 2008

Lei de Murphy


O acordo ortográfico vem aí! O meu dia está arruinado. Ao ler esta notícia, dei cabeçadas no monitor, que por sua vez entrou em curto-circuito, fazendo faltar a electricidade em todo o edifício, os alarmes de incêndio dispararam, todos os funcionários saíram a correr para a rua, alguns atravessaram a estrada, sendo atropelados, houve um choque em cadeia, um carro descontrolado entrou por uma montra, pegando fogo, e alastrando aos prédios vizinhos, os bombeiros não conseguem acudir ninguém por causa dos destroços, as pessoas que passam revoltam-se, gritam por justiça, e invadem as lojas pilhando tudo, a policia intervêm largando gás lacrimogéneo que acidentalmente cai para uma conduta de ar do metro, que não respeita a sinalização ir embatendo noutro, os mortos e feridos jazem por todo o lado, há marchas em direcção à assembleia da republica, o governo é deposto, Alberto João Jardim congratula-se, Lisboa arde, o País desmorona-se, é invadido por hordas de imigrantes de leste, Espanha reage, a Nato Prepara-se, o Putin fica em alerta, a China invade Taipé, Disparam-se ogivas nucleares em todas as direcções! O mundo acaba e Eu vou para casa com uma grande dor de cabeça.

16 abril 2008

Um fim


Avançava junto à linha do comboio.

Em paralelo com os carris.

divagava no horizonte,

Procurava uma luz,

uma locomotiva passou,

ali ficou

numa cruz

A verdadeira faceta de Quim. Um Actor do séc.XXI




No texto anterior falo do Carlos. Mas deveria ter falado no quim,
Um Jovem que tinha tudo mas não sentia nada.
Procurava no álcool nos alucinogénicos e nas performances espontâneas uma fuga.


Historia verídica de quem procura algo que não existe.




Uma busca duma verdade impossível ou inalcansável.




Um homem que queria ultrapassar o Adamastor e nem para Velho do Restelo servia.





Um Dom Quixote a lutar com moinhos de Vento ou numa escala menor e quiçá Moinhos de papel




Vivia numa ideologia pragmática e empírica porém utópica


Cheio de flores na cabeça e a abelhinhas em redor, porém com espinhos e estas ultimas com ferroadas




Que precisava de meditar e todos os dias entrava em comtemplacão.




bom observador MAS EM VÃO




muito analítico e pouco sintético




Uma vida passada numa paisagem onírica e sentida de forma surreal




sentida sem consciência, vivida sem essência




Procurando a simplicidade através dum modus operandi complexo




Perdendo algures o significado e a razão da existência




no meio de formulas e equações desadequadas ou anacrónicas




Complicando para avançar




Tendo motivos para investigar´




e observar tudo até a exaustão




com que intuito? Nenhum, Pura e simplesmente desconstruir




Fazendo um compêndio de filosofia de algibeira




e morrendo sozinho, na ignorância e e profetizando a desgraça




sufocando na fossa do desconhecimento e da auto-humilhação.




Finado. Desligado. Ignorado.








15 abril 2008

Que fazer?

Hoje ao almoço passei mais uma vez por um pedinte que deve ter a minha idade. Fico sempre na dúvida para que quererá o dinheiro. Fiquei a matutar se lhe desse 20 ou 30 cent, o que iria fazer? Iria encher o copo de vinho ou iria encher os estômago? Terei eu culpa da conjuntura económica e serei eu o salvador deste rapaz? Pensei também que com os cêntimos que lhe faltava iria encher as veias do produto que ressacava. Poderei eu terminar com o problema das drogas a nível mundial e com todos os problemas que isso acarreta? Divaguei se essa quantia seria o suficiente para uma dormida no meio de lençois em vez de pernoitar no meio de cartões no mármore de um qualquer lance de escadas? Poderei eu substituir-me à acção social?
Certo é que o meu copo está meio cheio e o dele está vazio.
Tempos havia em que trabalhava numa junta de freguesia, alimentava e vestia um rapaz chamado Carlos. Vivia no Seixal, mas tal como o seu irmão,preferia dormir nas ruas de Lisboa para fugir ao ambiente de violência familiar. Estava entre outros iguais e parecia relativamente feliz entre brincadeiras de putos na Praça da Figueira e os momentos de seriedade em que perseguiam os tóxicos que lhes causavam repulsa. Esperava-me no Cais do Sodré pontual com um relógio, sempre que me via sair do metro em direcção ao comboio. Uma vez não apareceu. Passou-se um tempo.Vi-o noutra ocasião com uma cara chupada, sujo a fazer choradinho e quase a humilhar-se perante as gentes que viajavam no metro. Dei-lhe uma reprimenda, desculpou-se dizendo que assim não tinha fome. Enfim.

13 abril 2008

Sonho de uma tarde primaveril


Era uma vez uma menina, um cabrito e um casebre.

A menina que vivia no casebre, queria ser princesa e passear-se por um principado e que todos a venerassem, gozar do titulo da mais bela do mundo, viver rodeada de servos e nobres que disputassem o seu coração em duelos mortais e que a enchessem de palavras, versos e belas canções. O cabrito queria ser um belo veado, a correr e saltar pelos verdes campos e pela vasta floresta, pastando aqui e ali, refugiando e embrenhando-se na floresta, ser livre e belo, livre de predadores e livrando-se da escravidão humana. O casebre queria ser um belo castelo, de torres altaneiras, de bonitas cores e de arrojada arquitectura.
Os anos passaram, a menina ficou uma frágil e rabujenta idosa faleceu sem ter conhecido ninguém além do cabrito, que foi assado numa época festiva. O casebre foi reconstruído no âmbito da recuperação de velhos edifícios pela Câmara Municipal. Recebeu fundos europeus, e passou a monumento de intereresse nacional e classificado de património pela UNESCO. Passaram séculos e a humanidade desapareceu, o casebre ficou, só e no meio da desolação da paisagem descaracterizada e poluída. Houve um dia que chegou uma Glaciação e todo o monumento se desmonorou. Ficou um lápide recordando o edifício. Da menina e do cabrito nada se soube mais, apenas que viveram e morreram. Consta que não eram mais que a memória e criação da imaginação de um rato que vive ainda nos subterrâneos. O rato prosperou.Chegou a príncipe e por ali reinou...

11 abril 2008

Bom Fim-de-Semana




Afinal o Verão não chegou.



O Homem continua a matar


A passar fome




A escravizar

A torturar
A violar
A Proibir
A Obrigar
A morrer
A nascer e a viver
A sobreviver
e entretanto a vida noutro lado começa a renascer

Espalhando a palavra...(recomendo vivamente) parte 2


Resposta ao blog em que se perguntava quem compraria cães de raça pitbull para lutar


Sabes? acho que gente dessa que usa o cão como extensão do seu Eu, é por falta de auto-estima ou por um ego minúsculo. É como quem compra o jeep Cherokee o lá como se chama ou então o nokia 9900xb. è como se fosse uma continuação do corpo. algo que lhes falta, alguma coisa coisa que precisam de demonstrar. Lavam a alma com cenas externas, delegam em adereços( se é que assim se podem chamar) o seu estatuto. Talvez por frustração. Por complexos. Tal como os putos que comparam o tamanho do dito. Há necessidade de afirmação pessoal. É como os gajos que levam o rádio aos berros no autocarro da Damaia para Algés e no comboio para Carcavelos. Necessidade de se mostrarem incomodando toda a gente com o seu Kuduro. Enrolando a ganza no banco de quatro da carruagem, provando que são "dreads". Pessoal da margem sul que por não ser capaz de socializar com o pessoal da 24 de Julho, pura e simplesmente se junta em bandos de 10 para encher de porrada o bacano que anda na faculdade ou para violar a rapariga que é de cascais e que por ter levado uma mini-saia e um decote está mesmo á espera disso.Em suma, Gente mentecapta e imberbe, povo rude e sem formação, que nunca se deu ao trabalho de ir à escola porque ficava mal no currículo e então os paizinhos puseram-nos a trabalhar mas nunca picava o ponto, trabalhava em paralelo na venda de auto-rádios gamados, e carteiras desviadas na linha verde... Gente boa...gente feliz...gente que vai compor a sociedade do século XXI...A malta Jovem que vai liderar as tendências dos census 2010...A classe operária...Os Novos-ricos

10 abril 2008

Mudam-se as vontades



Os Estados Unidos sempre lutaram em prol da democracia. Nos jogos Olímpicos de 1936 colocou dois negros no pódio contrariando assim a supremacia ariana da Alemanha Nazi.
10 Anos mais tarde os inimigos eram outros, o comunismo e os vermelhos vindos de Leste. 30 Anos depois somos todos amigos, e a ameaça vem na forma do terrorismo e remetida para uma ideologia o Islão.
Mário Machado disse que não era racista e que inclusivamente conhece negros mais inteligentes que brancos no entanto tinham mais propensão para os roubos etc e tal. Estranhamente está ligado ao movimento skin e não há muito tempo, ele e os amigos, punham um cartaz no Marquês desejando boa viagem aos imigrantes.
Quando eu era pequenito e ia passar férias as aldeias, geralmente éramos assaltados pelos "ciganos". Na cidade, quem prevaricava eram os "drogados". Verdade seja dita que na altura havia poucos negros à solta. A intolerância é um defeito genético talvez, e o racismo uma perturbação mental. Será que não temos mais nada que fazer? Ou devemos culpar: O D.Afonso? D.João V? A Dinastia Filipina? O Terramoto de Lisboa? As Guerras Napoleónicas? Os Miguelistas? O Salazar? A guerra colonial? O 25 de Abril? O Sócrates? Ou os "pretos" pelo estado do Pais???

Mudam-se os tempos


No mesmo dia em que um amigo fez anos nasceram gémeos doutro amigo que fica duplamente tio. Desafio o meu sobrinho para um jogo de xadrez, declina. Desafio-o para outro qualquer. "Não! Tu ganhas!". Pois é. Os Avós é que deixam ganhar...Encontrei hoje um saco com um action-man, um sebutteo( não sei como se escreve), os berlindes, fantoches, um relógio digital dos 8o´s que dava para ouvir rádio(am), um yo-yo, e tantas coisas mais. A Nostalgia apanhou-me no meio dum jogo de batalha naval com um amigo. Alturas que nos lembramos que subíamos às árvores e era como se fosse ganhar a um qualquer jogo das playstation. Tocávamos às campanhias com real medo de sermos apanhados. Roubávamos fruta e sentíamos o calafrio da ilegalidade e a excitação do lado errado da moral. Construíamos, com pau de mimosa e um arame, arco e flechas letais! Criávamos os nosso jogos. Inventávamos estórias. Esfolávamos os joelhos. Quem chorava era maricas, e a palavra era prejorativa - Ainda não havia a palavra gay ou então não havia preconceito... Éramos auto-suficientes em tudo. não havia guita mas havia vontade de viver! Só íamos para casa por fome, ou quando o frio apertava. As distâncias eram maiores ir daqui a Viseu era com uma grande epopeia. Significava também 2 meses ou 3 de férias, em cabanas fabricadas, corridas de bicicleta e idas à Feira de São Mateus...
Passam os anos, as décadas, lembramos e recordamos que nos esquecemos como tudo era fácil...

Positronics em Concerto Privado e em exclusivo na Crew Hassan

Gaia e eu

09 abril 2008

Um história em abril


O D. Carlos tinha uma padaria. Produzia pão e massas para todo o feudo. Os recursos da região eram escassos, e uma vez que o povo não tinha meios para cultivar os terrenos D. Carlos apoderou-se deles para a cultura de cereais. D. Carlos arrendava-lhes a terra, animais e charruas em troca do dizimo. Viviam cerca de 10 famílias na região, todas sobreviviam à custa dos míseros salários. Viviam em extrema pobreza e forçados a trabalhar em horários absurdos e desgastantes. Chegou um inverno rigoroso e a produção teve de aumentar, exportava para as outras regiões, vendia inclusive para o clero e realeza. Os trabalhadores já não saiam da zona de produção. Era necessário um esforço de 24 horas por dia! Os salários deixaram de existir, contratou guardas para não os deixar sair. Tinha de enriquecer rápido! Comprar o cavalo mais vistoso! As sedas mais finas! Ofertar à sua princesa as jóias mais belas e os vestidos mais caros! Prosperava! Já se ouvia falar dele nas regiões mais recônditas do reino e até o Rei queria conhecer tal personagem. Vem a primavera e com ela uma melhoria das condições. Dispensou a guarda e deu folga aos seus servos. Fechava-se em casa, o seu palácio, rodeado de todos os luxos e mordomias. Apenas contava os seus ganhos para competir com os outros senhores feudais. Um dia houve em que quis sair de casa para ir cavalgar pelos campos e mostrar a sua ilustre montada e suas lindas roupas importadas. Ao abrir a porta não conseguiu. Encontrava-se encerrado lá dentro, durante a noite todo o povo pregou as portas e janelas, fazendo da sua casa a mais luxuosa prisão do reino. D.Carlos acabou por morrer de fome e na miséria no meio de tanta opulência. Passaram-se anos e foi esquecido. Os locais ocuparam o palácio e os terrenos. A vida voltou ao normal.

07 abril 2008

Parque sociológico


A primeira visita de estudo! Pequenos Pardais, Garças, Texugos, Raposas, Cabrinhas e Javalis não se controlam de tanta excitação! Aproximam-se das cercas com curiosidade. Lá dentro um casal e um filho passeia olhando-os com indiferença, gritam-lhes e pateiam o chão tentando chamar-lhes a atenção! Mas nada..." Na placa lê-se: "Pertencem à famila normalis, normalmente passeiam por zonas livres de poluição e dão à sua cria liberdade para aprender e educam-na com mil cuidados. Espécie em perigo de extinção" Avançam até ao proximo nicho ecológico um pai com duas crianças selvagens. Um letreiro avisa: " Cuidado!Pontapeiam e berram com quem passa! Pai incapaz, dá-se em zonas urbanas, alimenta-se sobretudo em centros comercias e não se encontra em perigo de extinção. Propaga-se rápidamente" Intrigados os bichos querem ver mais especies, e andam curiosos até chegarem ao próximo nicho. Um avô e avó, dois netos e uns pais: "Perigo! Não alimente estes humanos nem o seu ego! Vivem em qualquer zona do globo, especializaram-se em torcer pescoços e capazes de guincharem para chamarem a atenção do seu grupo familiar. Encontram-se em vias de extensão.." Os animaizitos preocupam-se com esta fauna diversificada: " Eles pareciam todos iguais e afinal há diferenças comportamentais enormes!" Conclui um raposinho. Estão quase no final da sua visita, encontram mais um casal, ela observadora, ele esquivo receoso e nervoso: " Atenção! o macho ataca quando se sente perseguido e padece de agorafobia, manter a calma e o silêncio!" Chegam ao fim da visita. Ficam a saber que dentro deste género de ecosistema existem vários comportamentos díspares, e atitudes diferentes de se integrarem no meio e de socialização entre si. Criaturas complexas essas diz uma toupeira! Vá se lá entendê-las diz por ultimo um mocho...

04 abril 2008

"Pior a amêndoa que o cimento"


Local: Repartição Pública
Hora: Meio- dia e tal
Tempo Local: Céu limpo, cerca de 23º

Um senhor utente entra e dirige-se ao elevador. Apanhando o segurança de surpresa que se vê obrigado a fumar fora do edifício. Contudo e habituado a estas situações, larga o cigarro e interpela o homem. Pergunta-lhe o que pretende, para onde quer ir e diz-lhe que tem de pedir autorização. Chega o outro segurança da hora do almoço. O senhor diz-lhe que enviaram uma carta do serviço de inspecção e fiscalização para ir prestar declarações. Um dos seguranças telefona para o serviço respectivo. O homem na casa dos 50, bem vestido e bem apresentado, começa a tremer, revira os olhos, encosta-se à parede e deixa cair a carta. O terceiro segurança ( uma senhora) alertada pelo barulho aparece, dá a cadeira da portaria para o senhor se sentar, pergunta se não quer um copo com água e açucar para se acalmar. Entretanto os funcionários do edifício chegam do almoço e acumulam-se à entrada vendo tal espectáculo. perguntam-lhe porque veio ele. Resposta: "Porque tenho leucemia e um linfoma no pulmão e parkinson e tomo 15 comprimidos por dia".... e Porque não veio a mulher? Resposta: "Porque foi operada à anca e está muito doente" E o Filho? Resposta: " está com uma Grande depressão, só pensa em atirar-se da janela e diz que quer morrer"...
Mais tarde sabe-se que nada daquilo é real a doença é apenas mental, e o problema é só com as instituições públicas e dívidas ao erário público.

Conclusão: Quando se é vigaro, não se tem ninguém e quer-se chamar a atenção, nada como ser doente. Consegue-se fazer parar um serviço público e ter-se à volta cerca de uma dezena de funcionários. Mas será que isso é o suficiente para ficar impune das suas responsabilidades cívicas? Bom...lembremos o Pinochet e o Fujimori...

03 abril 2008

Retorno


Nova viagem com um destino já com sabor a antigo ou como regresso a casa. Em cada uma sempre uma descoberta, um avanço no espaço e uma paragem no tempo. Um entrada num mundo novo, uma conquista, uma rua recordada e da próxima vez reinventada. Uma Ida com a sina da volta. Partida de Santa Apolónia e chegada a Campanhã. Mas antes, e à saída, a procura do lugar, a monotonia do balançar, sempre a aproximar-me porém. Largo Lisboa e o estuário do Tejo, entra-se na Lezíria, e o rio estreita-se, a paisagem alarga-se e estende-se, assim como eu numa tentativa de chegar rapidamente. O cinzento e castanho dá lugar ao azul e verde. Os cavalos na planicie vistos de relance, o cheiro a terra lavrada, o sentir das gentes que ficam agora para trás. Os carris afastam-se no Entroncamento, e eu vou-me aproximando. Em seguida Coimbra, o Mondego, o Penedo e a Saudade, tudo fica enquanto o comboio avança... Um cigarro cá dentro às escondidas, enquanto lá fora o Mar vai engolindo o Sol.
Pára a composição em Aveiro, mas não o coração que acelera. Estica-se as pernas, estendo-me para ti, mas não chego. Passa-se Espinho, e é como se estivesse cravado em mim, o tumulto da chegada. O torpor da aproximação. Pega-se na mala, anda-se para trás e adiante. Ouve-se: "...Gaia" pelo altifalante, que convulsão no corpo, um nome familiar, que ressoa em mim . O rio cruzado, a visão cansada de tanto horizonte, eu maravilhado de mais uma e outra ponte. Um rio por baixo que nos lava a alma, que nos faz sorrir de estar tão perto...de nunca mais querer partir... De repente tudo pára, de súbito a calma. A um metro da trindade, de mão dadas, mais um passeio nos aliados, e olhares trocados. Contigo e com Ferrugem, e já bem oleado, dou-te uma flor nos Congregados, um regresso anunciado, mais uma encontro marcado com um abraço há muito sonhado...

01 abril 2008

Calor



Parece que a Primavera chegou ao sul e com ela o Sol. A vontade de passarinhar e de nada fazer... Dias de dolce fare niente, bebericando uma imperial numa esplanada virada a Poente. Acabar um livro de enfiada. Estar como um lagarto a sentir o sangue a aquecer. O suor a escorrer. Gostar da Brisa fresca a acariciar a face. Mergulhar no mar, adormecer na areia. Conviver e revisitar os amigos, andar sem objectivo, ir para fora cá dentro, ir por aí...

As férias, as festas e festivais!


As praias do Alentejo, a areia branca da praia, a cor dourada da planicie alentejana, o calor serrano e o céu bem azul, as folhas verdes, o vermelho do escaldão, a tez acastanhada, as noites em branco, o laranja do Por-do-Sol, uma palete de cores no solsticio! Quase a chegar os santos, os concertos à borla, as tardes no jardim, o sorriso rasgado, a sardinha assada, e tudo isto ou mesmo mais nada!

Eu e o Isaltino em Algés

Eureka! já sei pôr Fotos! Sou silicio-dependente! e Audiovisual!

1 passeio


De uma Graça sobre rodas apeados num convento,

sem Vicente de fora e um moscatel,

em Alfama num pulo sem gravidade,

um salto magnético e num impulso emocional,

puxados para trás por espectros,
e num ápice um por-do-sol

sinais de luzes,

torres gémeas,

santos designados por Apolónia e Amaro,

sonos trocados

num cabo

numa roca

sonhos cambiados
Um adeus

uma lágrima

e até já!

Saudades dos Santos!

Que mês fantástico que é o Junho!
Festas da Cidade em Lisboa!
Os Feriados!
O Santo António!
O Solsticio
E os dias enormes!
Que saudades!

Problemas imberbes da juventude actual

Questões:


"Why Pink Floyd´s Comfortably Numb playing every fuckin 3 minutes at Lisbon´s subway?"




Possíveis soluções:




porque é subterrâneo


porque é ímpar


mesmo invulgar


único


ordinário sem ser extra


sem megas


duzentos gigas


cenas binárias


coisas concretas


firmes


betão armado sem


paz.
nem tão-pouco debalde.