31 agosto 2010
frases soltas
Desastre
30 julho 2010
Férias!
Burokrat
Kayam Sonedra in O meio surreal visto do virtual. 1947
27 julho 2010
pensamento sazonal
08 junho 2010
01 junho 2010
O Massacre de Junho

26 maio 2010
A moda a mediania e a mediocridade
A Imensa Minoria
- Chama-se evoluçao e progresso a projectos como o Alqueva, que supostamente era um dos últimos passos da "reforma agrária" ou mesmo uma nova revolução agrícola para o Alentejo! Iria irrigar todas as searas, olivais e vinhas. As pastagens para criação suina, ovina e bovina e produção queijeira e leiteira, além dos sobreiros e respectiva produção de cortiça. Certo é que a barragem está feita e a represa ao nível máximo da sua capacidade, mas passados oito anos, os canais de irrigação estão por fazer e a unica coisa que se produz é energia electrica e água para abastecer os campos de golf que crescem como cogumelos assim como os Spas/Resorts/Condominios privados e seus derivados...Entretanto a agricultura definha...E exporta cada vez menos, limitada que está pelas quotas impostas pela União Europeia
- Temos em Troia, em plena reserva do estuário do Sado e das zonas mais virgens, mais puras e menos poluídas deste nosso canto à beira-mar, um"PIN"- anglicismo pomposo para "projecto de interesse nacional" que interessa a todos menos ao povo. Para fazerem mais um resortzito, para aquela classe e imensa minoria, que é a que mais abunda em Portugal que são os novos-ricos, uma espécie em "vias de extensão" para um turismo de luxo e de soberba qualidade, vão-se drenar os arrozais, ricos em espécies animais e vegetais, parte integrante da paisagem protegida da reserva do Estuário do Sado. É que o arroz ali produzido é arrasado para erradicar os mosquitos que incomodam o turista, e assim para limpar os mosquitos, destroi-se um ecossistema mais global, onde abundam as garças e os lagostins, além de provavelmente afastarem as cegonhas que são como que um Ex-libris e um orgulho para a população que ali habita e convive com essas aves há séculos. Mas há mais! A travessia de barco( Ferryboats Setubal - Troia) foi melhorada. Novos barcos, mais rápidos e mais confortaveis. Porém, não há bela sem senão: o preço aumenta para mais do dobro e o cais muda de lugar, para um local menos acessível às praias de modo a ser mais "cómodo" para o turista de primeira e num efeito "dois em um" afastar o turista pé descalço, tornando essa zona balnear quase excluiva e semi- privada.
- A reabilitaçao urbana é sinónimo de uma salvo-conduto e uma entrada livre para as imobiliárias e construtores civis prosperarem. Contribuindo para a destruiçao de património de edificios classificados em vez de reabilitados. Deitam-se abaixo edificios do séc XVIII e XIX sendo mais rapido e mais barato, sendo só necessária a presença de operadores de maquinas, estou em crer que preferem pagar as coimas relativas à destruição de património do que empregar carpinteiros, Canalizadores, estocadores. pedreiros serventes etc. É obvio que é um tipo de obra mais demorada e que dava emprego a mais gente e numa altura em que é preciso produzir e dar emprego, faz todo o sentido. Prefere-se destruir um pedaço de história e também de uma dezena ou duas de familias que lucrariam com isso, em prol dum Pato bravo( vulgo construtor civil) e seu séquito que engordam! - Assim a especulaçao funciona e nunca acabará.
Os exemplos são mais que muitos: Avenida da Liberdade, Fontes Pereira de Melo, Av da República e agora Rua da Junqueira, menos dois edifícios em Lisboa e mais um condominio de Luxo. Servirá esse empreedimento para trazer mais gente jovem para a Cidade de Lisboa que se desertifica e envelhece? Não... Servirá de segunda ou terceira habitação para aqueles dos resorts( a tal Imensa minoria) que compram como um investimento e Lisboa continua vazia. E depois queixa-se esta gente que lá fora é que é bom, as cidades vibram e estão plenas de locais de lazer durante as 24 Horas do dia, e há segurança, etc etc..Sem querer fazer comparações, e sendo objectivo. Destroiem, constroiem, desertificam e criticam a gestão da área metropolitana, dizendo que é Caótica...Mais uma vez a culpa. Termino fazendo a apologia daquele sentimento bem português de denegrir a nossa propria imagem, do negativismo e de fazer comparações com outros países, com aquela atitude primária do que vem de fora é que é bom e vendo sempre o lado mau do que por cá se faz , desculpabilizarmo-nos de tudo, não nos mentalizando que a culpa, a existir, é em primeiro lugar nossa, e se uma nova mentalidade tem que ser criada e uma mudança e evolução aplicada terá de partir de nós.
- Apelo não a uma revolução mas sim a uma evolução interior que se propague e como um incêndio se alastre a toda a sociedade civil
25 maio 2010
Festim

Na trincheira, o Soldado tinha perdido os seus companheiros. O Capitão mantinha-se há dois dias a olhar pelos binóculo o horizonte do inimigo, a zona tinha sido bombardeada com uma arma experimental, e o seu corpo mantinha-se na mesma posição, olhando eternamente para o inimigo, sem olhos, sem carne, todo ele carvão, decompondo-se. O soldado olhava-o e invejava a sua sorte. Despertou deste seus pensamentos com o barulhos longínquo de explosões preenchiam o seu espaço, olhava em volta e nada. Apenas sons de vozes mecânicas voavam por cima, pedindo a rendição e capitulação. Alucinava. Agachado dentro do seu tanque camuflado e meio enterrado, disparava um último morteiro sem apontar qualquer objectivo e como que a dizer que ainda ali estava. Tapou os ouvidos e seguiu o caminho do projéctil que se despenhava sobre a trincheira adversária. Talvez já vazia e abandonada ou plena de cadáveres. Não sabia o resultado de tal acção nem tão-pouco merecia a sua preocupação.O rádio avariado, transmitia interferências, o radar quebrado em dois já nada indicava. Não iria abandonar o seu posto, teria de procurar munições, avançou uma trincheira e procurou no meio dos escombros algum cadáver recente para se alimentar e munições para carregar a sua M4-mk. Não havia carne nos corpos e tudo estava incinerado e calcinado. Achou um par de granadas e um cantil. Era a sua madrugada de sorte naquela trincheira.
18 maio 2010
Outro desabafo (sem sentido mas com direcção....)
Os tempos mudam, assim como os conceitos, e penso que há várias formas de analisar a questão, dos outros tempos, a infromação era veiculada por uma franja da população que detinha o poder e que escrevia a história, sendo essa portanto deturpada à partida, pois de isenta tinha pouco.
A democracia chegou, e a liberdade deu origem a excessos, como em qualquer país em que o povo é amordaçado durante 48 anos e dão azo a grandes revoluções, não culturais nem ideológicas mas sim sociais. A democracia impos-se assim como os grandes grupos económicos. Havia a imprensa livre, e cada um capaz de se expressar livremente, mas a imprensa livre dependia de um qualquer grupo e assim se faz uma qualquer conspiração, deitam-se abaixo governos, ou mesmo denegrir a imagem de um qualquer inimigo ou se livrava rápidamente de qualquer pedra no sapato.
Uma vez que não se absorve tudo, nem existe, uma capacidade da parte do cidadão da triagem por falta de formação, ou muitas vez por falta de bom senso. Muitas vezes por esse mesmo cidadão não fazer um esforço para estar informado e esclarecido sendo capaz de interpretar à luz do que lhe é transmitido e de ele próprio fazer a sua leitura, vivendo-se assim na ignorância.
Vivemos tão rápido que a vida do próximo é como a novela, e em que a imagem é mais importante que a presença de espirito e em que o amor ao próximo é uma virtual, uma vez que vivemos na era das redes sociais, e a socialização e o contacto já não é no café, é no ciber-café, o contacto não é real, passa a virtual e quanto a mim passa tudo a surreal...
( texto não revisto, nem actualizado e expressa apenas a minha opinião)
17 maio 2010
Quem é Tolerante...Tolera apenas? (será semântica???)
Pensamentos duma segunda-feira qualquer...O empregado do mini-preço abriu uma terceira caixa:
"podem avançar para esta pela ordem de chegada!"
Um rapaz que levava 2 coca-colas uns donuts e 2 pacotes de batatas fritas e apesar de estar em terceiro na ordem e antes de mim, adiantou-se....
As duas senhoras antes dele protestaram mas caiu em saco roto.
Falaram da educaçao e da decencia.
Contestei e falei na solidariedade e como era um conceito que estava na moda.
A segunda senhora retorquiu com um seco e banal: para estes nao há nada disso!
discordei dizendo que o conceito que falei nao conhecia raça nem credo. A resposta nao podia ter sido mais acre: São todos iguais!
Disse eu entretanto que iguais era quem via as diferenças pelas cores e nao pelas atitudes...a senhora e o rapaz sairam fiquei com os meus pensamentos, chegando a ser condescendente com o rapaz e a ter pena e desdém pela senhora.
Mais à frente no tempo e no espaço: Pede-se licença para ir à casa de banho. Resposta maquinal: sò para clientes!
Sem alternativa e aflito faz-se no descampado junto à estaçao de alcantara... "olhem para aquilo! que animal!" dizem ao longe.
As portas do comboio abrem, e antes de alguém conseguir sair, uma senhora força a entrada, acto contínuo e pela 3ª lei de Newton, é empurrada em sentido contrário ao dela com um" com licença" sarcastico.A Senhora vai sentada e no restante trajecto resmunga e declama dramáticamente. Ao telemóvel fala de trivialidades mostrando à restante carruagem que hoje tinha vindo de comboio e que era horrivel viajar com o povo: "Bruto, analfabeto e insolente". Gente sem classe decerto!( faltam carruagens de 1ª, chamo à atenção a CP por essa falha imperdoável). Enquanto isso come um Épá, sai na sua estaçao e deita a embalagem para o chao. É chamada à atençao para esse facto.Talvez por alguém que passou à frente na fila supermercado e provavelmente quem a impediu de sair quando entrara no comboio. Gente fina é outra coisa!
"Vivemos no melhor dos Mundos" parafraseando Voltaire
19 abril 2010
Soberbo concerto dos Atma - correcção e actualização
Gratidão por ter como amigos uns excelentes artistas, apreço por não ter perdido um concerto memorável!
Dez da noite as luzes apagam-se e começa não só um concerto musical mas uma ode às diversas artes. Com o Jorge a imprimir o ritmo na percussão, a Berta na voz e na apresentação da banda e a introduzir os temas, criando uma diálise entre o palco e a audiência, o Hugo nas guitarras e acordeão numa performance excelente, a Caroline também na voz e guitarra além da dança trazendo consigo mais 3 bailarinas que preencheram a sala com mais cor e enchendo o palco com movimento, O João Novais no Contra-baixo, assim como o Guilheme da Luz no sintetizador, que apesar de não ter tocado em todas as músicas, não posso deixar de citar pois todos elementos foram admiráveis. Este colectivo imprimiu uma cadência que transcendeu a musicalidade e que como disse foi uma majestosa representação artística que influenciou o publico e conseguiu transmitir toda uma panóplia de estilos musicais, desde a musica tradicional portuguesa, o flamenco, os sons orientais que nos transportaram para longe daquela pequena sala, que mesmo esgotada, ficou enorme a transbordar de sons, cores e sabores deliciando-nos com a sua fantástica actuação, a sua tremenda qualidade musical e a sua soberba performance que no final do concerto soube a pouco.
Não tenho mais palavras nem adjectivos para classificar esta banda que excedeu as expectativas de todos os que tiveram a sorte de assistir.
Terminando não posso deixar de aconselhar vivamente os seus próximos espectáculos e a audição do seu novo album: COM A MESMA ALMA
NB: serve esta nova publicação para corrigir o nome do baixista e do teclista que estava ausente, por esquecimento, na descrição. O texto original não foi alterado. As minhas desculpas pelo lapso.
05 março 2010
Derivação sobre a divagação
O Adão e Eva, uma maçã, uma serpente, uma árvore ou, a tentação e o conhecimento, e o pecado original (respectivamente desordenados.)
O Deus (seja ele o do Judaísmo, Cristianismo e Islamismo, eu estava com a ideia de só haver um!) deve ter pensado:"Com estes Gajos( O Par original) é que isto vai andar para a frente!"
Veio a crise de valores do Baby BOOM e da era atómica, década de 40/50, e o Deus(nosso e o dos outros) deve ter apanhado um choque. Daí que provavelmente, nunca mais houve milagres e há agora tanto misticismo brejeiro e taberneiro, daí que, presumo eu, tenha dado de foguete e saído do nosso sistema Solar,e como muitos de nós, emigrou para parte incerta.
Hoje em dia e ao princípio não era o Verbo, seria os números Binários e compostos de silício, e o Adão e Eva entrariam em vias de extinção, e Caim já não mataria Abel, entraria por uma escola com uma M4 de mira-telecospica ou dispararia com uma AK47 ao acaso para um centro comercial...
As lendas e fábulas do antigo e novo Testamento, foram substituidas pelos contos do Hans Christian Andersen e pela Disney, primeiro em formato Tecnicolor e Cinemascope, agora em formato HD, 3D, dolby-suround.
2
Da aldeia primitiva e da sociedade neolitica, passou-se à sociedade da informação na aldeia Global.
Depois: O Bug do século XXI, a moda das redes sociais, e a falta de contacto de proximidade. Fazendo da Torre de Babel algo cada vez mais actual não só na incompreensão linguística como também na falta de entendimento entre povos, nações, ideologias e religiões. Uma espécie de Babel Universal, quase cosmogónica, donde surgimos, dum passado das Luzes para um Futuro Negro.Entretanto o mundo ficou pequeno, a humanidade por causa do excesso populacional, ficou naturalmente mais proxima fisicamente mas mais longe do seu semelhante, vivendo no seu mundo virtual, criando novos vicios. Poder-se-á dizer que agora vivemos na corda bamba, qual artista de circo, mas temos por baixo o amparo da "rede".
A solidão não é evitada, mas contornada e os sentimentos como o amor, a saúde, a paixão etc, vem pela forma dum sms, de valor acrescentado, que nos diz quem é a pessoa compatível, o nosso destino, o horoscopo, o tempo para amanhã, e até a chave do totoloto com a musica do Pequenito Saul como oferta de toque para o telemóvel, por apenas 4 €/mês.
Do Teocentrismo passou-se para os automatismos e deste derivou-se para o egocentrismo digital. O real passou a virtual e este a surreal. Simplificou-se a linguagem, aumentaram as conversas, mas os diálogos passaram a monólogos.
Passando à actualidade. A recessão potencia a agressão. Verbal ou não.E exponencia a depressão.
Vivemos numa sociedade do contra .Do negativismo, dum pessimismo acentuado e exacerbado,duma personalidade colectiva negra e azeda.
Aqui, no nosso cantinho, somos auto-depreciativos, acontece-nos tudo mas culpamos os outros e não olhamos para o que podemos mudar nem o que eventualmente parte de nós.
Metemos a cabeça na areia, julgamo-nos e condenamo-nos .
Desde o Gil Vicente, passando ao melodrama de Camoes e seus velhos do restelo( e aos dos outros), à solidão de Mário de Sá Carneiro, até à mensagem melancolica do Pessoa, temos e vemos na nossa cultura um exemplo de bréu e bruma que nos envolve.
Não só na literatura mas também noutras areas transparece este fenómeno. O Fado, musica muito nossa é na sua grande maioria doentia e triste, e se a esta unirmos o sentimento da Saudade, remete-nos para um povo nostálgico, triste e abandonado. O Cinema que na altura de Salazar nos fazia rir, apesar da conjuntura, é agora pouco característico e pobre em argumentos não tendo expressão, salvo raras excepções, e rejeitado pelo publico na sua grande maioria.Os que enchem salas, tem como chamariz a nudez da Soraia Chaves...
- O país, desde que nasceu, é retratado e considerado como um nado-morto. Tudo é apontado e criticado.
- Moribundo desnorteado e um fracasso. Desde a conquista de lisboa, à restauraçao da independencia.
- Do 25 de abril à entrada na UE. Tudo é visto como um falhanço, actos inconsequentes, factos olhados com repulsa e desdém.
- Critica-se a forma dos governos fazerem, questiona-se a propria existencia da identidade nacional.
- Lê-se nos jornais sobre a crise e sobre o que está mal, ve-se na TV debates de gente entendida, de ex-politicos, comentadores, curiosos, espalha-brasas. Todos dissertam, manifestam, comentam, aconselham e dizem como fazer. Todos apresentam soluções, muitos têm a resolução dos problemas.Mas e afinal quem faz? Quem resolve? Espera-se o D. Sebastião???
Mas que temos de bom então?? Pelos vistos nada.
BOM...Uma vez que o nosso Pais entra várias vezes no Guiness...Sugiro um suicidio colectivo. Deixam de haver problemas e somos mais uma vez imbatíveis em mais um recorde absurdo...
Saudinha e sorte, espero que ao fazer desta se encontrem bem...
25 fevereiro 2010
17 fevereiro 2010
Versão do Burlesco que descartei mas que publico para uns leitores mais exigentes e que apreciem criticar versões adulteradas e /ou desprezadas
Fugiu, escondeu-se, desceu o rio Douro.
Mascarou-se passou a Javali.
Disfarçado entre a multidão.
Misturou-se com as gentes daqui e dali.
Sentou-se num café,
pediu uma cerveja
Não estava bem sentado e pôs-se de pé.
Não era uma imagem que sempre se veja.
Um Suino bebendo ao balcão.
Desconfiaram e saiu misturando-se com a multidão
Escapuliu-se entre as vielas,
transformou-se
e ergueu-se.
tentou voar, em vão.
Pegou numa bicicleta
Em todo-o-terreno veio a lisboa
Estava a ser seguido e estavam-no a espiar
Ziguezagueou e bazou para Dakar,
estava safo, eentre a bruma, perdeu-se.
Longe de alcácer quibir
sem o rei parecer
Num corso foi cair
a todos fez rir
envergonhado fugiu Pros lados de alcácer do sal.
Estava já longe e perto do Sado.
Arriscou e foi a nado,
passa a fronteira do real.
não Paga a portagem,
Está ilegal.
negam-lhe a passagem.
ronca de raiva
Pára para à beira-mar vendo a paisagem
adormece e queima-se com o sol.
Acorda tarde. É reconhecido!
Fica quieto que nem um rato.
Mas é regado com azeite e sal
e no restaurante é servido como coirato.....
"Burlesco pós Carnalavesco"
09 fevereiro 2010
Naquele dia de inverno Parte II
Naquele dia de inverno
Agora sente que não pertence aquela gente, está livre por um dia! Rejubila!
E nesse dia, o mar estava apetitoso, apesar da manhã fria mas soalheira de Inverno. Descalça-se, quando os pés entram em contacto com a areia fria e humida, sorri e avança para o mar. À sua frente só azul. E um horizonte em tons de azul. Mergulha na água esmeralda e um calafrio sobe-lhe a espinha enquanto entra naquele tom, sem destino, rumo à escuridão. O choque térmico fá-lo despertar, e finalmente vê tudo claro agora! Sente um apelo e nada para o fundo, desce penetrando cada vez mais, passando do azul ao negro. Está sem folego mas continua cheio de energia como se o Mar lhe trouxesse ânimo e vontade de continuar a descer. A perder-se no bréu. Ou talvez a encontrar-se!...
Parece um sonho. Sozinho ali, sem som, sem gravidade, sem peso, abraçado pelo Oceano, reconfortado. E olha para cima. Uma luz lá em cima que se apaga enquanto desce e se afunda, agora sente que a vida tem um sentido e o unico objectivo é tocar no fundo do mar que o cerca, puxa e empurra num embalo dormente que lhe agrada como um baloiço. Fecha os olhos. Ri-se! Solta uma gragalhada e as bolhas de ar que lhe saiem pela boca que parecem as bolhinhas de sabao que fazia enquanto criança. É Feliz! A luz apaga-se e mantém essa recordaçao enquanto a memoria se esvai e nenhuma outra lembrança fica. As emoçoes partem para a superficie as sensaçoes abandonam-no, o coração pára, na boca um sorriso, um brilho mantem-se nos olhos enquanto o corpo cai, sem vida na areia. Naquele belo dia de Inverno.
(continua...)
05 fevereiro 2010
Uma (R)evolução precisa-se Urgentemente!!!

Entretanto entrámos numa nova crise, mais outra. Vivemos no meio da crise. Uma crise económica e financeira, ou como lhe queiram chamar pois até ver, há liberdade de expressão, e temos nas mãos, na opinião de muitos, uma crise maior; de valores, de princípios, de ideais, e de falsos moralismos.
No texto que publiquei anteriormente, Antero, Eça, entre tantos outros, já no séc XIX, e na apelidada "Geração de 70" apontavam os males deste país e as soluções para os mesmos.
Preocupados que estavam os nossos estadistas com o desenvolvimento económico e material, esqueceram-se do social e emocional, apesar de tantas revoluções e tantos "ismos", entre elas, as liberais, sexuais, culturais e outras que tais. Naquele tempo e depois das invasões francesas, houve revoluções para todos os gostos, a liberal, a setembrista, a de costa Cabral, a de Fontes Pereira de Melo, e a da Maria da Fonte. E os tais ismos a vulso e por catálogo.
Perdidos no meio de tanta ideologia, a nobreza continuava intocável, e a burguesia dava os primeiros passos para tomar de assalto os cargos políticos, mas para tratar de se governarem a si mesmos, pois o povinho que sempre foi o sustento de todos, que se entendesse, e que se governasse com o que tinha e com as migalhas que sobravam.
Com o "Grito do Ipiranga" no Brasil, e abertura dos seus portos aos mercados internacionais, ja não havia já ouro que nos valesse, e a nossa autonomia e independencia estava em risco, com Ingleses a sacarem o que restava, deste canto à beira-mar, com uma industria que estagnava e já a dívida externa aumentava.
Passaram os anos,e pouco mudou.
Veio a republica e finalmente a autocracia (ou ditadura) de Salazar, que muitos saudosistas continuam a venerar, qual bezerro de Oiro.Onde já não é o povo quem mais ordena, nem nunca chegou a ordenar, e nesta altura do campeonato, com o lapis azul e o ditador soft que dispunhamos, mas que chegava para nós, já este nobre povo se acomodava à sua triste sorte, a uma sina miserável, a uma vida mesquinha e também ao Fado,a nossa montra da cultura no exterior, que demonstra a nossa maneira de ser, uns coitadinhos, uns desgraçados, que ficaram para trás no tempo, anacronicamente na altura em que eram grandes e dominavam os 7 mares e os 4 cantos do mundo.
interludio
Hoje no comboio em vez do habitual número de carruagens, chegou com menos três .Um Utente todo inchado e inflamado de raiva, pelo estado do país e pelo estado traumático que lhe provocou esta enorme inconveniência: de não ir no seu lugar da sua carruagem, do seu comboio das 9: 25 que rotineiramente apanha, reclamou com o revisor, que isto era uma vergonha, e que não podiam fazer isto, etc etc, por azar sentou-se ao meu lado e tal qual senhor feliz e senhor contente dizia à gente como vai este pais. Incomodado fiquei eu também com tal superavit de informação que debitava, pedi licença para me mudar, pois apesar de estar quietinho a ler o Destak e de auscultadores, estava farto daquela palestra cliché que declamava. Perguntou-me se estava a incomodar ao que eu respondi que sim, e ao qual retorquiu que não deveria ter votado "neles"(Neles quem?), e eu discordei, não votei neles, e o senhor respondeu que também não tinha neles votado e eu então finalmente disse-lhe para não votar também nos outros. Ficámos por aqui. Mudei de lugar e aumentei o som, ficando certamente o senhor a falar para uma plateia de utentes da Cp que certamente o aplaudiam. Quem não tinha culpa disto, era certamente o Revisor que decerto que não acordava de madrugada para atrelar as carruagens da composição antes de começar a picar os bilhetes.
Fim do interludio
Ora, isto demonstra que o Zé( o povinho) protesta fora dos locais próprios para o efeito, canaliza mal o seu descontentamento, (basta verificar, que quando estamos em bicha num semáforo 2 segundos antes de passar para verde já estão a apitar desde o segundo lugar da fila até ao ultimo!...) e aponta sempre o dedo aos mais pequeninos. O Estado a que chegámos, e se estamos desempregados, é sempre culpa do preto, do cigano, do brasileiro, do moldavo, etc, se formos funcionários privados a culpa é do governo e dos funcionários públicos, se formos funcionários públicos a culpa é de todos os outros acima indicados e assim em diante. E ao fim ao cabo, a culpa é também dos subsídio-dependentes, categoria em que se inserem os desempregados, ciganos, toxicodependentes e qualquer classe que se reprove ou que naquela altura se aponte como marginal e proscrita.
Acontece é que estes comentadores politicos, ou esta nova burguesia, ou estes pé-descalços com laivos de novo-riquismo, ou gente brasonada, que como está reformada ou nada de melhor tem que fazer, são também os principais culpados do estado da nação e a principal implicada na crise.
Os pequenos e médios empresários(pme´s), que compõem o grosso do tecido empresarial português, e grande parte dos empregadores nacionais, são extremamente dependentes do Estado. Em algo que precisem de ajuda pecuniária, e antes de pedirem aos bancos, vão pedir ao estado. Têm medo de arriscar, e quando é preciso contratar novos empregados ou desenvolver novos projectos, ou inovar recorrem ao Estado! Custa-lhes arriscar. Custa-lhes tirar dinheiro do seu bolso para aplicar em gente ou em meios! É sempre preferível terem a mão do Estado por baixo! " e se o projecto falhar? " "- Deixa estar que é o estado que suporta os custos!" A Empresa vai falir! deixa estar que o Estado ajuda e injecta dinheiro!
E Assim o empreendorismo e a inovação não passam do papel na maioria dos casos, e quem se lixa? É o mexilhão!
Não quero com isto transparecer que defendo o Estado, pois é uma máquina pesada, Kafkiana, e tem culpas no cartório, pois é composta por pequeno-burgueses que ascendem à nobreza que começaram por ser subsidio-dependentes também! Pois os exemplos chegam detrás. Após a Expansão( os afamados descobrimentos), não se adaptou aos novos tempos, nem ás novas exigências do mercado, a revolução industrial passou ao lado, e por cima do Zé, e a população maioritariamente rural, com a chegada das Estradas e dos Carris às suas terras, apanhou o comboio para as Capitais, deixaram de ser competitivos e com os produtos que chegavam do resto da Europa, ou das Colónias, a um preço muito mais baixo! As gentes acumulavam-se às portas da cidade em busca de novos empregos, e a burguesia, os pme´s subiam , e enriqueciam meteoricamente e eram muitas vezes parte integrante do estado.
Posto isto, tenho a dizer que quem como eu é duma nova geração, nascida próxima do 25 de abril, que já experimentou todas as formas de governo possíveis ao longo destes anos que vivemos em democracia, se deve juntar numa nova Geração de 70, e que já é minimamente informada e esclarecida, não deveria se acomodar como as anteriores gerações, nem se esconder por detrás dos valores que aqueles advogam e ainda promovem, pois mudam-se os tempos e mudam-se as vontades, e esta geração, não pode nem deve, sempre que chove ou há um cataclismo, culpar o Governo, deverá em primeiro lugar culpar-se a si por deixar andar, e fazer por exercer os seus direitos(poucos) que ainda tem!
Em vez de baixar os braços, ergam o punho, não querendo aqui apelar à luta armada, nem aos motins generalizados, mas sim a uma revolução e evolução da consciência, pois se está provado que não é pelo voto que consegue algo talvez seja pela falta dele que vá algum lado! Não se muda nada andando em cuecas no Metro! É giro sim senhor e depois??? Vamos é fazer com que algo se altere! Não votem então! Não metam gasolina, não paguem os parquimetros, atravessem todos de borla as portagens, passem cheques carecas, não usem o multibanco, não comprem as couves e plantem-nas nos jardins publicos. Inventem, inovem e baralhem!
Se não os podem vencer, confunde-os!
Que ninguém vote! 100 % de abstenção!
Os partidos estão caducos e incoerentes ideologicamente. Inadaptados aos tempos que correm! Está na altura de mudar!
Está na altura de rever os nossos principios, de reciclar a moral e os bons costumes!
Está na altura de inovar os ideais!
Está na altura de promover e incentivar uma nova ideologia e uma nova forma de encarar o mundo!
Não nos deixemos estagnar, nem deixar repetir a história, nem que pensem por nós, nem que a geração anterior diga que vivemos ou perdemos os valores, pois nada se perde e tudo se transforma!
Ao contrário dos nossos pensadores do séc XIX não apresento soluções, apenas sei que temos que mudar!
Seguir em frente de uma maneira ou doutra!
Infelizmente não tenho uma forma nem um método, mas aceitam-se sugestões!
Basta!
Já Chega!
foto: Condução de Rebanhos, Silva Porto
03 fevereiro 2010
Texto com mais de 130 anos e duma actualidade assustadora

"Ninguém desconhece que se está dando em volta de nós uma transformação política, e todos pressentem que se agita, mais forte que nunca, a questão de saber como deve regenerar-se a organização social.
Sob cada um dos partidos que lutam na Europa, como em cada um dos grupos que constituem a sociedade de hoje, há uma ideia e um interesse que são a causa e o porquê dos movimentos.
Pareceu que cumpria, enquanto os povos lutam nas revoluções, e antes que nós mesmos tomemos nelas o nosso lugar, estudar serenamente significação dessas ideias e a legitimidade desses interesses; investigar como a sociedade é, e como ela deve ser; como as nações têm sido, e como as pode fazer hoje a liberdade; e, por serem elas as formadoras do homem, estudar todas as ideias e todas as correntes do século.
Não pode viver e desenvolver-se um povo, isolado das grandes preocupações intelectuais do seu tempo: o que todos os dias a Humanidade vai trabalhando deve também ser o assunto das nossas constantes meditações.
Abrir uma tribuna, onde tenham voz as ideias e os trabalhos que caracterizam este momento do século, preocupando-nos sobretudo com a transformação social moral e politica dos povos;
Ligar Portugal com o movimento moderno, fazendo-o assim nutrir-se dos elementos vitais de que vive a Humanidade civilizada;
Procurar adquirir a consciência dos factos que nos rodeiam , na Europa;
Agitar na opinião publica as grandes questões da filosofia e da ciência moderna;
Estudar as condições da transformação politica e económica e religiosa da sociedade portuguesa:
Tal é o fim das conferências democráticas(...)"
Conferências do Casino
(Publicado no Jornal Arevolução de Setembro de 18 de Maio de 1871)
foto: Composição de Vieira da Silva
26 janeiro 2010
Uma história do Homem
Deu os primeiros passos como bípede, com visão binocular e polegar oponível. Condicionantes estas fundamentais para a sua evolução cognitiva. Era uma fraca figura,de constituição frágil, com uma grande cabeça, tinha um maxilar atrofiado, sem uma dentição poderosa, e em vez de garras possuía nas pontas dos dedos umas unhas quase residuais sem grande uso, com o corpo desprovido de pelagem, e longe de estar no topo da cadeia alimentar. Saiu da floresta para as estepes, colheu bagas e frutos, dedicou-se à caça em grupo.
Depois(não terá sido certamente ao 7º dia) sentou-se e descansou.Mostrou-se pela primeira vez ao Mundo, reclamando para si o lugar cimeiro como espécie dominante. Ciente que agora os seus predadores tornar-se-iam agora presas.
Sempre foi gregário, vivia em comunidade. O número, ou seja, a quantidade de população de uma tribo, aldeia ou cidade, era um modo de segurança, de protecção e de manutenção do seu modo de vida.Na actual sociedade, tornou-se sectário, já não precisa de se juntar aos outros para levar a sua avante. Depende antes de mais da inteligência, da capacidade de comunicar, da retórica, e da sua eloquência. Sendo o lema: "A pena é mais forte que a espada" não levado literalmente pois onde chegou destruiu pela força tudo o que se intrometia no seu caminho.
Chegou à Revolução Industrial, o aumento populacional foi exponencial, domina sobre a terra em todo o seu esplendor, daqui à actualidade foi um pequeno passo contudo um grande salto para adulteração total e completa da paisagem.
Vive num meio completamente adulterado da natureza e adaptado ao seu modo de vida actual, é sobretudo urbano e cosmopolita, orgulha-se da sua sapiência mas perdeu os seus instintos. Incapaz de criar algo para a sua sobrevivência, como um arco, um machado, ou um simples agasalho, especializou-se em demasia. Se perdido numa floresta, longe da civilização, a sua capacidade de sobrevivência aproxima-se do zero. O que obteve em conhecimento e cultura, em princípios e valores, perdeu em integração no meio donde veio, dum mundo que já desconhece, que despreza, esquecendo rapidamente as origens.
À evolução tecnológica do Homem, segue-se (ou é acompanhada) a evolução social e cultural. Desde a descoberta do fogo, a sua ascenção foi metéorica, passando os seus conhecimentos, pela mecanica quantica à Exploração Espacial, da microbiologia à nanotecnologia. O Homem quase que se deificou, passando as religiões a terem um papel secundário, fragmentando-se em várias seitas ou ideologias bizarras, até ao fundamentalismo.
Os meios de transmissão da mensagem, estão longe dos tambores e dos sinais de fumo, ou do pombo-correio e já transcendem a imprensa escrita, são veiculadas pela Televisão e Internet à velocidade da Luz.Vivendo agora num mundo real composto do virtual e do surreal...Da máscara,da trama, do drama, do ardil. A informação já não é passada pelos Bardos, nem de boca em boca, as lendas estão esquecidas, as estórias e a história são adulteradas. As leis já não são do homem para o homem, mas de um grupo restrito para a maioria da população. A democracia, tão apregoada, transforma-se em Oligarquia. Há a obsessão pelo modelo ocidental de vivência. O Modus operandi e Modus Vivendi do ser humano torna-se igual para toda a gente. Sufocando outras formas de estar e de ser. Os exemplos chegam-nos através da TV e da Net. Imitam-se as estrelas de cinema e a gente da alta sociedade. A criação artística, musical e cinematografica estagnam.Pois já está tudo inventado, e as inovações são recriações, fazem-se filmes que são remakes, fazem-se musicas que são remixes, palavras estas que são anglicismos, e a cultura que marca o Século XX e XXI é a anglo-saxónica. Aos novos estilos dão-lhe o nome de "retro", de "neo", etc, etc. O pós-modernismo já está demodé.
O cidadão que fuja deste ideal, da norma, do standartizado, é marginalizado, e ostracizado. Embora as democracias preconizem o direito à liberdade de expressão e ao livre arbítrio, a sociedade é dominada por regras e normas rígidas de comportamento que limitam e proíbem, que oprimem as ideologias contrárias à predominante.
O direito à diferença não passa do papel e quem é diferente é etiquetado de dissidente, indigente de doente ou de anormal. Combate-se o Terrorismo dum lado e usam-se politicas de Terror para dominar as pessoas.
Para controlar instala-se o medo, do diferente, aponta-se o dedo a quem tem ideologia divergente, ou duma outra religião. Com o receio de um ataque terrorista retiram-se aos cidadãos a sua privacidade. O Patriot Act no EUA, permite ao governo ter acesso às chamadas telefónicas dos cidadãos, aos registos da biblioteca local, aos livros e filmes que vê, às viagens que efectua. No fundo, o terrorismo serve para criar receio na população e para a controlar, tiram-se direitos ao homem com o objectivo de o proteger,e acabam por controlar o que pensa, eventualmente transformando o homem num ser amorfo,que crê em tudo o que o Poder instituído lhe diz. Comporta-se como um autómato, inclusivamente já não questiona a informação que lhe prestam, toma tudo como verdadeiro, não raciocina, nem sequer repensa, discute ou refuta nada, e deixa, inconscientemente que o façam por ele. É de salientar que nas livrarias tem tendência a comprar os livros best-sellers, e acaba por ficar limitado, não por não ter escolha, mas por omissão na informação prestada.Nas rádios passam o que as editoras querem vender, etiquetando de musicas alternativas/independentes ou musicas do mundo as edições que não são das grandes multinacionais. O pensamento artístico, a criatividade humana deixa de ter expressão.
Dão a ideia de que o homem é livre de optar, mas está preso às normas de conduta que a sociedade lhe impõe. O homem pode escolher, mas a escolha é pré-seleccionada.
O homem, distingue-se dos outros animais pela sua capacidade de filosofar, de questionar a sua própria existência e de ser capaz de perdoar, de se mostrar clemente, misericordioso, e com espírito de inter-ajuda, de dar a mão ao próximo, mesmo que este esteja distante. Acontece que o homem não só não evoluiu neste campo como demonstra também uma faceta auto-destrutiva, agressiva e devido à sua prepotência, é capaz de actos de horror, e requintes de malvadez que não lembram ao mais cruel dos predadores que connosco vivem nesta bolha Azul. O homem fa-lo pela simples razão de o poder fazer, talvez uma demonstração de poder, ou então por ter chegado a um ponto onde tudo deixa de ser novidade, e para inovar ou fugir ao tédio e à monotonia da rotina, passa para o campo do bizarro, do invulgar, do mórbido e do perverso.
Tornou-se intolerante, despreza a diferença e contudo quer-se destacar dos outros. A opinião dos outros é levada com desdém, os que não caminham no mesmo sentido são marginalizados, até considerados doentes, anormais, embora a normalidade seja hoje um conceito em extinção (ou sem definição). O altruísmo não é praticado para ajudar alguém mas sim como moda, pois fica bem. A moral e princípios éticos não são dele mas sim imitados e copiados, quem sabe se não o são só como forma de se inserir num grupo? E apesar de não pertencer a uma tribo, precisa de se sentir integrado. As pessoas colectivamente formam associações e cooperativas com os mais diversos fins e existem para todos os gostos e feitios, mas individualmente o Homem, põe de lado o seu semelhante, marginaliza, discrimina, segrega, sectariza e ostraciza.
O homem sofreu uma evolução, talvez precisasse de passar por uma revolução.
Talvez a solução seja voltar às origens, deixar por momentos de olhar o céu como o seu destino futuro, de pensar em tranformar Marte num planeta habitável e dedicar-se primeiro a fazer o mesmo à Terra.
21 janeiro 2010
Reaberto para liquidação total!

Voltei a escrever e tinha saudades, mas é tão dificil e por vezes tão frustrante...Porque no fundo quando se escreve num lugar publico é para que haja publico, se o há, queremos que nos leiam, se nos lê queremos que nos entenda, se nos entende queremos partilhar com ele as nossas motivações, angustias, alegrias, ets etcs etc, mas não é esse o objectivo deste post. É tão somente dizer que voltei, mas voltei mal pelos vistos, pois entrei à Leão. Sem pedir licença, e aos trambolhões.
Avante!
Para melhor entender a razão detrás da publicação dos 2 ultimos posts há que colocar a emoção ao barulho. Foi no meu regresso à escrita deste meu blog que estava parado por razões variadas, fiz uma leitura em diagonal por blogs amigos e associados. E andei a saltitar dum para o outro. Na ansia de me por a par, de reatar legações de reavivar contactos, e com o meu carácter impetuoso, impulsivo e ganancioso. E com uma imensa ganãncia de tudo absorver rápidamente, saltei, atropelei e passei por cima de tudo e todos. A minha curiosidade será sem dúvida a minha morte e o meu desejo de omnisciência bizarro e até patético porque fútil e certamente impossível, mas move-me o sonho...Adiante. Foi com esse fito que os produzi e reproduzi. Ou seja, o que refiro é à falta de comunicação. Entre dois inerlocutores, sejam colectivos ou individuais. Não por carecer informação, mas sim de entendimento. A comunicação em si existe, as palavras carregadas de sentidos, as frases cheias de beleza gramatical até, e textos plenos de retórica. Todavia duas entidades podem comunicar entre si, sem chegarem a dizer nada uma à outra.
Todos nós falamos, todos dialogamos, mas muitas vezes são monólogos. É dificil expressar um sentimento a outrém e conseguir passar a imagem a cem por cento. Todos nó svivemos numa bolha, sendo cada vez mais dificil penetrar nela. veja-se casais que estão juntos há 20 anos e há um dia que um chega a casa, olha para o parceiro, não o reconhece, ou não se revê, como queiram, e dá a volta e desaparece. Passando do individual para o colectivo, veja-se o exemplo de Quioto, e agora de Copenhaga, muito se falou, todos disseram, porém nada se acordou.
A transmissão é cada vez mais complexa, e embora o mundo esteja mais próximo, e as redes sociais virtuais a alastrarem-se que nem epidemia, as pessoas não se reconhecem umas nas outras, cada um acha-se superior ao demais, detentor da razão, e não passando dum opiniático, sem desprimor. Cada um vê o seu mundo, como se tivessemos todos óculos com lentes de cores diferentes( e aqui retiro a ideia do Pessoa. è somente necessário para comunicar - acto que por si só necessita apenas dum receptor-emissor, uma linguagem comum e canais, de assimilação e transformação da mensagem para a sua descodificação, em boas condições - que haja vontade para isso. A simples adulteração duma letra numa palavra, duma virgula numa frase, ou de um texto interpretado anacronicamente para dar origem a um tratado, a quase um mestrado em semantica, retorica, ou mesmo dum postulado em Valores morais e conduta. Sem querer ter pretensões a enveredar por esse caminho, porque a páginas tantas o que se escreve em epigrafe seja fruto de uma semente estéril e que para outros redundará apenas num virar de página venho então remeter-vos para textos que já escrevi, e fases por que já passei e momentos que soam a deja vu, acabando por achar eu que, no fundo, o que está aqui descrito será considerado, até por mim, como um ensaio em branco. Contudo e para não sair de mãos a abanar, como daqueles filmes que vamos ver e a unica coisa que retemos são as pipocas no bucho, peço que leiam o que escrevi ali em baixo, o primeiro um daqueles tratados que falei aqui, o segundo um desabafo, um sentir, um pesar, um lamento, um latir, na primeira pessoa:
1 - http://crostaceo.blogspot.com/2009/09/diario-de-bordo-dum-qualquer-lugar-no.html
2 - http://crostaceo.blogspot.com/2009/07/opiniao-sem-razao-nova-edicao.html
Abraços
(Continuação)Como arma de primeira linha para produzir ou atiçar motins
"MEU DEUS, ESTÃO A MATAR-NOS"
Mais tarde um guarda disse:« Ouvi tiros e vi cair o meu colega, com o rosto coberto de sangue( veio a saber-se que tinha sido atingido por uma pedra atirada com uma fisga) e pensei: " Agora é que é!"» QUARTA-FEIRA SANGRENTA. UMA AMÉRICA ESTUPEFACTA CONTOU 23 MORTOS E 32 FERIDOS, 6 DELES EM ESTADO CRÍTICO. Eis uma situação pré-motim perfeitamente banal. pediu-se aos manifestantes que se mantivessem pacíficos, aos polícias e aos guardas que agissem com calma. Dez gravadores presos debaixo de casacos com playback e gravação, controlados por distintivos na botoeira. Têm efeitos sonoros de motins pré-gravados em Chigago, Paris, Cidade do México, Kent/Ohio. Se Ajustarem a altura d gravação de acordo com os níveis sonoros circundantes, passarão despercebidos. A polícia envolve-se em luta com os manifestantes. Os técnicos acorrem. Transmitem a gravação de Chicago, voltam a transmiti-la, passam os motins seguintes gravam, voltam a transmitir, continuam a movimentar-se As coisas estão a aquecer, está um chui a gemer por terra, Um coro estridente de guincho de porco e gemidos parodiados em gravação.
Poderíamos apaziguar um motim gravando o chui mais calmo e o manifestante mais sensato? Talvez! É contudo muito mais fácil desencadear sarilhos do que pôr-lhe termo. apenas se sublinha que se pode utilizar cut-ups no gravador como arma. Verificar-se-á que os técnicos vão fazendo cut-ups continuamente. estão a intercalar ao acaso Chigago, Paris, Cidade do México, Kent/Ohio com os actuais efeitos sonoros e temos um cut-up."
Tirado de W.S.Burroughs, Revolução Electronica 1971
e em seguida:
Laurie Anderson do LP Home of The Brave 1984
20 janeiro 2010
19 janeiro 2010
Amargura infinita - citação

" - Ah! meu caro Lúcio, acredite-me! nada me encanta já; tudo me aborrece, me nauseia. Os meus próprios raros entusiasmos, se me lembro deles, logo se me esvaem - pois , ao medi-los , encontro-os tão mesquinhos, tão de pacotilha...Quer saber? Outrora, à noite, no meu leito, antes de dormir, eu punha-me a divagar. E era feliz por momentos, entressonhando a glória, o amor, os êxtases...Mas hoje já não sei com que sonhos me robustecer. Acastelei os maiores...eles próprios me fartaram: são sempre os mesmos - e é impossível achar outros...Depois, não me saciam apenas as coisas que possuo - aborrecem-me também as que não tenho, porque, na vida, como nos sonhos são sempre as mesmas. De resto, se às vezes posso sofrer por não possuir certas coisas que ainda não conheço inteiramente, a verdade é que, descendo-me melhor, logo averiguo isto: Meu Deus, se as tivera, ainda maior seria a minha dor, o meu tédio...De forma que gastar tempo é hoje o único fim da minha existência deserta. Se viajo- se vivo, numa palavra, creia-me: é só para consumir instantes. Mas dentro em pouco(já o pressinto) isto mesmo me saciará. E que fazer então? Não sei...não sei... Ah!, que amargura infinita..."
Mário de Sá Carneiro - A confissão de Lúcio(1914)


