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10 maio 2026

Recordações no Tejo




Olá e Adeus,

Como falar de algo que já aconteceu?

Será possível marcar um evento como recordação duma memória que não poderá acontecer?

Foi os idos 90 e não havia nada que nos pudesse unir, apenas a hipótese se o que seria se ambos tivessemos aqui.

Era bom saber que algo pudesse acontecer mas à partida sabíamos que não iria ter continuidade.

O amor é cego, mas não é surdo e mudo, e iriam falar, repreender, castigar e alguns desaprovar tal relação.

O facto de poder agora falar dele é algo absurdo e bizarro pois já não existe inspiração para este acontecer e apenas o toque e sensação existe.

A ter acontecido seria belo pois poderia ter sido mais do que um mundo paralelo e ter podido ser verdadeiro e belo.

Poder ter esperado por ti na estação de barcos de Belém e ir até Porto Brandão contigo pela mão ter segurado teu ombro abraçado teu corpo e feito juras de amor enquanto por cima do Tejo subia o sol. E a sua luz atingia teus olhos e cabelos que eu ia vendo a brilhar nos soluços da maré do Rio e as ondas do mar 

Poder ter tido aquilo que é de mais sublime e magistral entre duas margens dum rio é algo que agora é somente de recordar, não ter o cheiro, o toque e a beleza do teu olhar 

O tempo passou e mais nada pode ficar, só está memória guardada e recordação sumida do que se poderia ter feito acontecer, sem culpas, queixas, e frases mesquinhas de o que poderia ser mas não chegou a haver.

Ficando a lembrança disto, o cheiro e a essência disso que não volta atrás nem se poderá ter...

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