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Admirar-te é o meu vício, secreta idolatria,
Um fascínio que nasce na minha própria carência.
Amo-te platonicamente, nesta agonia,
Pois sei que a minha entrega é apenas imprudência.
Um fascínio que nasce na minha própria carência.
Amo-te platonicamente, nesta agonia,
Pois sei que a minha entrega é apenas imprudência.
Para ti, o meu zelo não passa de constrangimento,
Para mim, este fogo sabe a humilhação profunda;
Sou o cão que persegue o rasto do vento,
Nesta voragem de alma que em silêncio se afunda.
Para mim, este fogo sabe a humilhação profunda;
Sou o cão que persegue o rasto do vento,
Nesta voragem de alma que em silêncio se afunda.
Contudo, o sonho ainda comanda a vida,
E peço-te apenas o gesto de te poder adorar.
Sem altar, sem promessa, numa fé perdida,
Admirar-te nas sombras, sem o mundo notar.
E peço-te apenas o gesto de te poder adorar.
Sem altar, sem promessa, numa fé perdida,
Admirar-te nas sombras, sem o mundo notar.
Respeito o teu corpo, mulher desejável e rara,
Que sejas feliz com quem o destino te der.
Enquanto o meu peito nesta farsa se separa,
E aceito o vazio que me cabe sofrer.
Que sejas feliz com quem o destino te der.
Enquanto o meu peito nesta farsa se separa,
E aceito o vazio que me cabe sofrer.
Pois sou o refugo, o desalento, o tormento,
Um bobo que ri enquanto a alma lhe assiste.
Nesta estrada sem porto e sem acolhimento,
Resta-me o silêncio... o resto não existe.
Um bobo que ri enquanto a alma lhe assiste.
Nesta estrada sem porto e sem acolhimento,
Resta-me o silêncio... o resto não existe.






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